terça-feira, 30 de dezembro de 2008

Mais cidadania em 2009

Foi surpresa hoje. Recebi convite para a posse de um vereador no qual sequer votei.
Não, ele não mandou o e-mail aleatoriamente. Tive chance de entrevista-lo, para uma matéria que eu estava fazendo e ultimamente temos tido algum contato via Orkut - essa ferramenta tão mal-falada, mas que funciona exatamente como nas relações "ao vivo": você escolhe quem pode ser seu amigo e ponto final.
E aí veio esse convite. Dia 1 de janeiro de 2009, às 15 horas, na Câmara Municipal de São Paulo - viaduto Jacareí, 100. E quero aproveitar este nosso espaço para convidá-lo a participar da cerimônia.
Às 16, é a vez de Kassab.
Bom, eu sei que todo mundo vai pensar: "Posse de vereador e de prefeito, que coisa chata...aquele cerimonial, aquele blá-blá-blá".
Querem saber? Deve ser mesmo.
Mas a vida não é feita só de picolés na beira da praia, é?
E a nossa cidade estará nas mãos desses caras a partir do ano que vem, não é?
Então, temos o direito e o dever de acompanhar cada passo deles. E começar pelo começo é pura lógica.
Nós brasileiros somos PÉSSIMOS cidadãos. Não cobramos nossos direitos, não acompanhamos quem elegemos. Não para tirar vantagens pessoais, mas para ver o TODO se dar bem...para ver a cidade melhorar, afinal, todos nós, eu, você e eles (os políticos) vivemos na mesma São Paulo, ou na mesma Campinas, ou na mesma Porto Alegre, ou na mesma Serra Negra, ou na mesma Salvador, enfim...
Primeiro mundo só funciona porque quem mora lá é cidadão de primeira!
Acho muito legal a campanha da CBN, "Adote um vereador".
É assim: se o seu candidato a vereador foi eleito, beleza; você não faz mais do que a sua obrigação acompanhando o que ele faz, fiscalizando e lotando a caixa postal dele de e-mails, cobrando o que ele prometeu, cobrando coerência, ou dando sugestões.
Mas se o seu candidato não foi eleito, ADOTE UM VEREADOR. Escolha um eleito, veja se as propostas batem com o que você pensa e COLE nele!!!!!!!!!
Basicamente é isso.
Feliz vereança pra todos vocês.
Sejamos cidadãos de fato em 2009! Afinal, você não nasceu só pra pagar impostos, embora nos tenham feito acreditar nisso até hoje.
Faça sua grana render. Pro bem de todos nós.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Flavia - aniversário triste


No dia 16 de dezembro, minha amiga Flavia fez 21 anos.
Mas não foi um aniversário como aqueles que toda mãe tem o prazer de comemorar com a filha.
Porque Flavinha não pôde comer um pedaço de bolo. Não pôde apagar velhinhas. Não pôde sorrir abrindo um presente.
Porque Flavia está em coma vigil.
Convido você a visitar o blog Flavia vivendo em coma, que a mãe dela, Odele, fez para divulgar sua campanha por justiça. No dia 1 de janeiro, ele completa 2 anos na web e já teve até agora 120 mil visitantes. Entre, leia, informe-se, repasse. E se tiver algum amigo do amigo do amigo que seja jornalista, sugira como pauta.
Há algum tempo eu tento ajudar Odele a divulgar sua luta, mas minhas ferramentas são poucas. Sou uma jornalista free-lancer e nem sempre é fácil convencer a mídia de que um assunto como esse, tão difícil, rende uma boa pauta - o alerta para o perigo dos ralos e bombas de sucção das piscinas ou a necessidade de o brasileiro acordar e lutar, berrar pelos seus direitos, como essa brava mãe tem feito.
Gente, o verão tá chegando. Depois que eu soube do caso de Odele, risquei do meu roteiro de férias todo e qualquer parque aquático, porque como podemos saber se há fiscalização no quesito segurança destes verdadeiros tanques da morte?
Tenho tentado apelar aos meus colegas jornalistas e não vou desistir, apesar das minhas dificuldades pessoais e profissionais.
Como Odele disse-me certa vez: "Com todo o meu sofrimento, e de Flavia, eu não desisto."
Então quem sou eu pra jogar a toalha??
Felizmente há bons jornalistas, gente com "feeling" pra farejar uma boa matéria. Este é o caso dos editores e do repórter Raul Dias Filho, do programa "Domingo Espetacular" - rede Record, que fizeram uma bela reportagem. Você assiste clicando AQUI.
Um detalhe do destino: Odele faz aniversário no mesmo dia de Flavia. Considera que a filha foi seu melhor presente.

quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

"Eles não gostam de mim..."


O helicóptero se aproximou da área devastada pelas chuvas e não permitia o resgate de animais.
Mas uma adolescente de 16 anos recusou-se a embarcar, se não pudesse levar sua poodle, Melk. Tanto chorou, que o soldado das Forças Armadas cedeu.
Cena de filme? Não, aconteceu em Ilhota, SC.
Não bastasse tanta gente sem casa, sem roupa, sem nada que restasse de suas vidas, para recomeça-las, a área onde a tragédia aconteceu tem inúmeros animais soterrados, mortos, outros perdidos de seus donos e outros ainda fiéis, como sempre, às famílias. Porém sem alimento, sem remédios, sem vacinas, sem água potável.
Eu tenho um cão salsicha, Spock e uma gatinha siamesa, chamada Jujú. Por isso se eu estivesse no lugar daquela adolescente, o soldado teria muito trabalho pra me convencer a deixar meus bichos pra trás. Eu amo esses dois seres inocentes e cuido deles como se fossem meus filhos.
Outro dia recebi um casal que não gosta de animais.
Meu cão é manso e muito obediente. Minha gata é quieta, mas nada a prende em lugar algum - afinal, é uma gata! Ambos são amigos e brincam o dia inteiro, contrariando o que reza a lenda sobre cães e gatos.
O tal homem a certa altura disse: "Não entendo essa sua devoção ao bichos. Daqui a pouco essa casa vira um zoológico".
Irônica, fiz questão de dizer: "Ah sim, eu ainda quero ter uma Calopsita. E em breve, vou criar galinhas no jardim e um bode, também, que me dê leite fresco todas as manhãs". Ele ficou mudo, me olhando, incrédulo.
Levantei pra fazer um café. Spock, o cão, me seguiu. Ele tem olhos tão, mas tão expressivos, que parece falar por eles e eu entendo tudo, ou pelo menos, acho que entendo. "Esse cara não gosta de mim. Nem da Jujú" - ele "disse". Afaguei suas longas orelhas e pisquei para aqueles olhinhos pidões. Dei-lhe um ossinho e ele foi pra caminha dele. Coloquei uma vassoura de cabeça pra baixo atrás da porta da cozinha - sabia que isso afasta visitas indesejáveis?
Ofereci o café e Jujú pulou no meu colo. Ela é muito carinhosa e lambeu minha bochecha.
A tal mulher disse: "Credo...você sabia que os bichos passam um monte de doenças?"
Respondi: "E vc tem idéia de quantas bactérias e vírus você tem na sua boca e nos seus intestinos?"
O amor dos animais é algo que só vivenciamos ao ter um. Quem não teve, não tem e não quer ter, jamais entenderá do que estou falando. Bicho dá trabalho, mas dá alegria em dobro. E como aprendemos com eles...ah, isso não tem preço.
É direito de uma pessoa não ter animais, desde que os respeite e não os maltrate.
E eu estava dentro da minha casa. Portanto se eu quiser ter um bode no meu jardim, quem pode me impedir? Contanto que ele não coma a cerca do vizinho nem acerte o traseiro de ninguém, é meu direito ter um animal, vacinado, cuidado e permitido pelo Ibama.
É claro que eu não vou ter um bode. Mas quando alguém começa a me tirar do sério, costumo partir pra ironia. É a senha, a deixa pra pessoa parar. Mas ela não parou...e depois do café, disparou essa: "Como você aguenta esse cachorro passeando pelos tapetes, pulando nas suas pernas? Você devia deixar seu cachorro preso no quintal, numa coleira".
Olhei pra ela bem profundamente e a frase veio, inteira: "Ora essa, por quê seu marido não prende você numa coleira, bem curta, no seu quintal?"
Não...eu não disse isso. Mas quase. Só que eu sou educada.
Tanto quanto o Spock e a Jujú.

AH - você pode doar material e ração para os animais de Santa Catarina nestes locais:
Casa do Consolador - rua Guapiaçu, 75 - www.casadoconsolador.com.br
Pet Center Marginal - Av. Presidente Castelo Branco, Marginal Tietê, 1795www.petcentermarginal.com.br

sábado, 29 de novembro de 2008

Comida no lixo

Almocei no shopping dia desses, com meus filhos. Odeio praças de alimentação.
A falta de privacidade, as mesas grudadas umas nas outras...inevitável observar, claro que com muita discrição, o que as pessoas andam comendo.
Coincidentemente, nas duas mesas ao lado da minha, executivos em horário de almoço pediram pratos do Pizza Hut.
Converso muito com minhas crianças na hora das refeições. São papos alegres, muitas risadas e não troco isso por nada. De modo que só reparei de verdade nos restos de comida das mesas vizinhas quando seus ocupantes já tinham ido embora.
E então...a chocante cena do crime: na mesa da direita, meia pizza pepperoni inteira e um bowl completamente intocado de uma linda e saudável salada. Na mesa da esquerda, meia pizza inteira, dois pedaços de bolo maltado e uma travessa cheia de Bread Steaks Pepperoni, pedaços de borda de pizza recheada com salame e coberta de queijo cheddar. Tudo foi para o lixo 10 minutos depois.
Uma pesquisa do Instituto Akatu pelo consumo consciente, revela que o desperdício de comida no Brasil chega a 1/4 do PIB, ou o suficiente para alimentar 8 milhões de famílias.
Eu não tinha deixado meus filhos comerem no Pizza Hut porque uma perversidade acontece alí: uma das opções aparentemente mais saudáveis é o prato com duas fatias de pizza e metade do prato preenchido com salada de alface americana. Acontece que as duas fatias de pizza são gigantescas. Mas isso não aparece na foto. Deviam fazer como os restaurantes japoneses e expor réplicas de plástico de todos os pratos numa vitrine, pra que a gente tenha noção do que está pedindo.
Nem eu aguento comer as tais duas fatias. Quanto menos uma criança. Optei então por comer num restaurante por kilo, onde nos servimos do que efetivamente íamos consumir.
O que não aconteceu com nossos glutões e desperdiçadores vizinhos de mesa.
Mas também é moda a opção "Pague um preço fixo e coma à vontade". Fique na fila de um restaurante desses e observe o prato de um paulistano: uma montanha de arroz, duas conchas de feijão, um bife gordurento, farofa, um pedaço de lasagna, batatas fritas e um ovo frito por cima. Isso é prato balanceado?
Então penso nisso tudo e dou de cara com um quebra-cabeças pior de resolver do que aqueles da Grow, de 5000 peças.
O brasileiro come mal. Não sabe que um prato saudável tem que ter 1 porção de carboidratos, 1 de proteína e 1 de hortaliças. Só. Pesquisa da Toledo & Associados dá conta de que 63,1% dos brasileiros estão acima do peso.
De um lado, nossos índices de obesidade, colesterol e pressão alta só aumentam, chegando perto dos americanos. De outro, joga-se comida fora porque os olhos são maiores que o estômago e as empresas, como a Pizza Hut, só querem vender, sem saber o que acontece com a comida depois.
Enquanto isso, milhões de pessoas no Brasil não têm o que comer.
Quando saí do estacionamento, parei no semáforo da alameda Jurupis. Ao meu lado, na calçada, um mendigo fuçava na lata de lixo. Achou uma caixinha de Big Mac, com meio sanduíche dentro. Comeu, com as mãos imundas. Olhos arregalados.
O desperdício de um, foi o banquete de outro.
Sejamos consumidores conscientes. Não desperdicemos comida.
E eu acho que o Fome Zero tinha que começar com uma bela campanha de conscientização acerca disso.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Danuza Leão em São Paulo, lançando novo livro

No dia 29/11, sábado, não me chamem para nenhum compromisso. A menos que seja antes ou depois de eu dar uma passadinha na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional.
É que Danuza Leão estará lançando seu novo livro, "Fazendo as malas", com dicas de viagem, narrando experiências e impressões que teve batendo pernas por Lisboa, Paris e outros lugarzinhos indispensáveis no roteiro de qualquer mortal. Diga-se de passagem, lugares para os quais todo brasileiro deveria ter o direito de ir, pelo menos uma vez na vida!
Sempre devorei os livros de Danuza: primeiro o "Na sala com...", depois "Quase tudo" e mais recentemente a segunda edição do primeiro, um best-seller, na época.
Ela escreve deliciosamente...com humor e elegância, como não poderia deixar de ser.
Ávida por conhece-la, não tive dúvidas ao me inscrever na platéia de um debate, promovido pela Folha de S.Paulo, no ano passado. No palco, Gilberto Dimenstein mediava a discussão entre Barbara Gancia e Danuza. Barbara também é uma simpatia e trocamos umas palavrinhas no final.
Mas meu "alvo" era Danuza. Morrendo de vergonha, me aproximei dela ao final, para uma foto. E ela foi muito gentil comigo, muito amável e educada. Quem tirou a foto foi Rita Wainer, a neta, estilista e também simpaticíssima.
Ao repórter Plinio Fraga, da Folha de S.Paulo deste domingo, Danuza disse: "Não será um lançamento porque seria formal demais para mim. Vou estar lá, para quem quiser aparecer". E ela própria acaba de me garantir, por e-mail, que estará lá por volta das 18 hs.
Danuza...TÔ INDO!!

Leia a entrevista na íntegra clicando aqui.

Inauguração no Albert Einstein

No dia 10/12, às 19 horas, no Hospital Albert Einstein, será inaugurada a obra "Energia", da escultora Daisy Nasser.

domingo, 23 de novembro de 2008

Resposta do Poupa (?) tempo

Você deve ter percebido a repercussão do meu texto sobre o Poupa(?)tempo aqui no blog. Ele foi lido no programa do colega Milton Jung, da rádio CBN e reproduzido no blog dele.
Milton gentilmente encaminhou a essa que vos escreve a resposta daquele órgão, que, por ser longa, impossíbilita sua reprodução aqui, na íntegra.
Basicamente, o que interessa a nós usuários não é a propaganda do governo Serra.
Que a idéia é boa e que comparado a outros serviços públicos é um baita avanço, não duvido e em nenhum momento eu disse o contrário, no meu texto.
De uma resposta de mais de 20 linhas, exaltando a iniciativa dele mesmo, o governo do estado, o que nos interessa veio escrito no último parágrafo: que o Poupa(?) tempo será expandido para cidades do interior - S.José do Rio Preto, Araçatuba, Araraquara, São Carlos, Franca, Jundiaí, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Sorocaba, Taubaté e aqui na zona sul de São Paulo, em Cidade Ademar.
Então, fiquem de olho. Vamos cobrar. Isso foi anunciado por Serra em outubro de 2007 e já estamos no final de 2008!!
Afinal, mais postos desse tipo vão gerar mais empregos e, espero, menos tempo gasto com as burocracias com as quais nós brasileiros somos obrigados a conviver.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Exposição de Daisy Nasser na Hebraica


Hoje, feriado da Consciência Negra, sinto uma esperança no ar...um chamado à reflexão que me instigou já no começo da semana. Na terça-feira eu já estava cavando reflexões na minha mente, tentando acreditar que mudanças positivas, embora lentas, estão acontecendo de fato.
E aí resolvi dar um pulo no clube “A Hebraica”, onde acontece, até dia 3 de dezembro, a exposição “Fonte do Nascer”, de Daisy Nasser (qualquer semelhança fonética entre o nascer e o sobrenome não há de ser mera coincidência).
Aproveitei pra bater um papo com a escultora, que estava lá, como tem estado todas as tardes. Porque Daisy não é só a autora que expõe suas obras e espera comodamente o resultado em casa. Não. Ela quer estar lá, quer ver a reação das pessoas, quer nos pegar pela mão e convidar ao toque em suas obras.
Foi o que aconteceu com a obra “Ternura”. Ela disse: “Pegue no colo...o que sente?”
Surpresa, gostei do toque...feita em alabastro, um material meio gesso, meio mármore, ao qual Daisy acrescenta pós especiais vindos da Itália, a peça é morna, não fria e dá uma sensação gostosa. Bem estranho me ver chamada a perceber vida em algo aparentemente morto, como uma escultura em pedra. Mas sim, as obras são vivas. Como vivas são as cores das obras centrais, que contrastam com o branco em volta...São cores viscerais e é daí mesmo que a autora acredita estar a nossa força para mudar o mundo e encontrar soluções para o que ela chama de crise global. “Temos forças internas, maiores do que podemos imaginar e elas vêm daqui” – afirma, apontando para o próprio ventre.
Pelas paredes, uma boa quantidade de escritos, alguns de Daisy, que tem outros 180 deles, entre poemas e reflexões e impressões deixadas pelos próprios visitantes. Com certeza, darão um livro.
“Imaginação é outra realidade da nossa coragem não ousada” – leio, a certa altura. Imediatamente lembrei de Clarice Lispector e do desafio que foi ler seu “Água Viva”.
Pois a mesma inquietação produtiva de Clarice existe na obra de Daisy Nasser. “Sou só um canal. Recebo a inspiração que acredito vir de Deus e executo, sem planejar, sem desenhar e sem retoques”. Esta conexão com Deus é destacada na sua imensa espiral, que você vê na foto.
Formada pela FAAP em 1970 e por escolas na Itália e nos EUA, a artista divide sua obra em três fases. A primeira, em 85, de mulheres sensuais, em bronze, percorreu Japão, EUA, Itália, depois Brasília, Goiânia e RJ. A segunda, em 99, ela chamou de “Passagens e Memórias da Alma”, onde diz ter sentido conexão com um mundo hermético de 3 mil anos atrás. “Foram 4 anos trabalhando sem parar e quase sem ver minha família”.
A terceira fase é esta, “Fonte do Nascer”, onde Daisy tenta compartilhar sua certeza de que bons tempos virão. “O homem não usa sua força. Temos um poder ilimitado, de criar, expor emoções e é isso que vai ajudar a gente a sair desse túnel de dificuldades e ver a luz depois, com paz e abundância”. Ela tem planos de levar suas obras novamente ao Exterior.
Afinal, o que há de diferente nessa exposição? Eu me senti num mundo onírico...o branco do alabastro, material usado por egípcios e gregos para guardar essências e perfumes e que transmite paz à alma.
O acolhimento do toque, permitido em todas as obras ( e interessante para portadores de deficiências visuais), o chamamento à reflexão nos escritos de Daisy, nos sentimentos primordiais expressos em formas simples e belas.
Não mais a arte que choca, a escatologia,a banalidade, a grosseria de Bienais que já não nos dizem nada. Finalmente voltaremos ao ponto da estética pura e simples, que nos pega pela beleza, sem deixar de instigar.
Ou, como registraram os visitantes Joseph e Susi Feder: “A escultura é um grito, um grito de esperança num mundo dilacerado”.
Daisy Nasser grita em silêncio e nos traz de volta a esperança.
Permita-se a esta experiência. Desperte. Vá!

ONDE: Galeria do "A Hebraica" - terça a domingo, das 9 às 22 horas, somente até 3 de dezembro.
Rua Hungria, 1000 - 3818-8888 - São Paulo
www.daisynasser.com

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Bazar de Nicette Bruno e Paulo Goulart


Hoje é o último dia do bazar beneficente organizado por Nicette Bruno e Paulo Goulart, no espaço Veneza - al. Barros, 204 - Santa Cecília - São Paulo, até as 19 horas.
O Bazar da Fraternidade tem opções de presentes para o Natal, a partir de 2 reais.
Toda a renda é revertida para a Casa da Fraternidade de Pirituba, presidida por Nicette.
De quebra, atrações diárias...o último a dar uma canja foi o cantor Moacir Franco. Por uma boa causa, diversão gratuita e a solução para o seu amigo-secreto...não dá pra perder, não é? Então passa lá!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Poupa-tempo?

Precisei renovar minha carteira de habilitação. Acho ótimo, até porque o novo documento tem foto e é uma garantia a mais de identificação. Também gostei de revisar algumas normas, como direção defensiva e aprender algo tão importante quanto as noções de primeiros socorros. Tudo isso caiu na prova.
Mas aí, vieram as despesas: 30 reais para a prova, 80 reais para eu retirar a carteira na própria auto-escola, do lado de casa, mais 50 reais para o exame médico - por quê não podia recorrer a um médico do meu próprio convênio? Ou seja, a gente percebe que no Brasil essas exigências de renovação servem mais para alimentar a máfia das auto-escolas do que para beneficiar motoristas e pedestres com a reciclagem.
Ao invés de gastar 80 reais, resolvi economizar e pegar a carteira no Poupa-tempo, onde a mesma taxa sai por R$ 24,55. E lá fui eu para a unidade de Santo Amaro. De cara, começou a gastança: R$ 7 de estacionamento, mais R$ 6 de foto instantânea e R$ 1 para duas xerox.
Duas horas nas primeiras filas, da triagem até a entrega dos documentos. Na minha frente, um homem enorme, irmão “da cor”, careca, 1,92, uns 120 kg de puro músculo, terno e gravata. Cara de poucos amigos. O homem dava medo! Só vi as perninhas do atendente, debaixo da mesa, tremerem, quando o “armário” sentou. Abaixei a cabeça e pensei: “Meu Deus, tomara que dê tudo certo, que não falte nenhuma foto, nenhum documento, senão vai voar cadeira pra todo lado aqui”.Mas o pior estava por vir. A atendente disse assim: “Agora a sra. vai até a agência da Nossa Caixa, alí atrás e recolhe a taxa. Depois entrega tudo no balcão 18”.
“Beleza, tá acabando...” – pensei comigo, enquanto me dirigia ao posto bancário. Chegando lá, a fila do “vixe”. Cada um que aparecia na porta e olhava pro tamanho da fila dizia: “Vixe!”.
Era imensa. Cinco voltas. Nunca peguei uma fila dessas na vida. Mas eu já tava lá mesmo, resolvi encarar. Até que andava rápido, pois era só recolhimento de taxas. Mas quando faltavam duas pessoas para eu ser atendida, uma funcionária do Poupa-tempo, com voz anasalada,baixinha e de cabelos pintados de vermelho, perguntou alto: “Quem vai fazer Detran? Porque estamos sem sistema e sem previsão de volta”. AH QUE BOM, não? Bem, estava chegando a minha vez e esperei mais 10 minutos, conseguindo fazer o pagamento. Mas deixei para entregar tudo no dia seguinte.
Voltei lá ontem. Desta vez foi rápido. Mas a carteira só fica pronta hoje. Lá vou eu de novo.
Pela terceira vez estarei lá, gastando mais 7 reais de estacionamento e perdendo mais tempo.
Poupa-tempo?? Não sei não...
A idéia até que é boa: num lugar só, concentrados vários órgãos públicos, como Detran, Procon, Secretaria de Segurança Pública...todos os documentos que você imaginar podem ser feitos lá. Tirando a rede de comerciantes espertos do lado de fora, que lucra com fotos, xerox, estacionamento, barraca de salgadinhos etc, é uma boa sacada. Os funcionários são muito educados, tudo é limpo, organizado. Mas acho que para uma cidade do tamanho da nossa, são poucas unidades. E por isso mesmo, as filas, imensas.
A população precisa reinvindicar mais unidades do “Poupa-tempo”.
Daqui a três anos, terei que renovar a carteira de novo. Sinceramente, acho que vou preferir gastar mais dinheiro e retirar a bendita aqui, do lado de casa. Tentando ser “certinha” e usando uma estrutura administrativa que é meu direito, como pagante de impostos, me dei mal.
E de tempo, não poupei nada.

(ESTE TEXTO FOI REPRODUZIDO NO BLOG DO COLEGA MILTON JUNG, DA REDE CBN.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Yes, we can!


Confesso que chorei quando soube que Obama tinha ganho as eleições nos EUA.
Sem querer ser piegas, nem rasteira...não sou analista política. Mas respirei aliviada ao ver um negro na presidência dos EUA. Agora vai!
A Globo, com todas as restrições ideológicas que se possa fazer a ela, encerrou a série de reportagens sobre a vitória de Obama ao som de "A Beautiful Day", do U2.
E dá-lhe lágrimas desta que vos escreve! Foi clima de Reveillon total: gente no mundo inteiro confraternizando, a Oprah Winfrey emocionada acompanhando o discurso final, o Jesse Jackson chorando - de inveja ou de emoção, isso não posso precisar, rsrs.
Sejamos realistas: o cara não vai fazer milagres. E ainda corre outro risco: se não cumprir metade do que propõe , vira do avesso as expectativas de um MUNDO inteiro apostando nele e ainda pode ter que engolir um "tá vendo, não deu certo porque ele é negro".
Sim. Nú e cruamente. Alguém duvida?
Sinto-me orgulhosa por ver finalmente um negro na presidência da maior potência mundial. Negros e brancos são iguais intelectualmente e em todos os outros aspectos analisáveis. Porém, o peso dessa eleição na questão racial é indiscutível.
Eu tenho certeza de que muita coisa vai mudar pra melhor.
O abraço entre dois estranhos ontem, numa avenida de Chicago, foi a maior prova disso: um rapaz branco e uma senhora negra. Se abraçando com muita alegria.
Apostaram no mesmo nome. Apostaram em OBAMA!
God bless you, man!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Etiqueta no cinema

Outro dia uma colega, jornalista também, disse que nós temos fama de ser chatos.
Eu sou e assumo. Ou será que não sou? Ou será que esperar um mínimo de educação dentro de um espaço público é esperar demais?
Levei minha filha de 9 anos ao cinema ontem. Berros de "lindo", "maravilhoso", palminhas e gritinhos histéricos, ainda mais em se tratando de Zac Efron, são compreensíveis vindo de pré-adolescentes e até de crianças.
Mas precisa chutar a cadeira da frente? Olhei feio pra trás e era uma marmanja, de seus 20 anos.
E por que os cinemas vendem guloseimas com embalagens barulhentas?
E por que tanta gente insiste em se comportar como se estivesse na sala da própria casa?
Opa, ressalva: ninguém derruba meio balde de pipoca no chão da própria sala e larga lá. Ninguém joga copo de refrigerante no sofá também.
Mas se for pra tagarelar durante o filme inteiro, de fato, melhor esperar e assistir ao filme em DVD.Sem incomodar ninguém.
Do contrário, quer ir ao cinema e o filme tá chato? Saia! Ou durma. Sem roncar, por favor.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Mutirão do lixo eletrônico

Acontece HOJE em todo o estado de São Paulo o "Mutirão do Lixo Eletrônico".
A ação pretende conscientizar as pessoas e oferecer alternativas para o descarte de celulares, baterias e pilhas. Com certeza vc que lê esse blog sabe que não podemos jogar estes materiais no meio do lixo orgânico, nem mesmo nos recicláveis.
Há empresas que recolhem, de modo que não prejudique o meio ambiente.
No site acima está a relação completa dos postos. E se na sua cidade não houver esse tipo de coleta, exija, reclame - mas pelo amor à sua mãezinha...não jogue no lixo comum.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Teatro: "Confissões das mulheres de 30"


Onde: Teatro Folha
Até 14 de dezembro - NÃO PERCA


Atenção: esta não é uma crítica isenta. Vou só elogiar a peça porque eu gostei demais, ora essa, o que posso fazer?
No sábado fui assistir a "Confissões das Mulheres de Trinta". Achei melhor ir rapidinho, depois explico o porquê.
Eu queria muito ver a peça porque sou tiete, fã incondicional da série “Mothern”, da GNT e as atrizes Camila Raffanti, Melissa Vettore e Juliana Araripe protagonizam o espetáculo. Só faltou Fernanda D’Umbra, mas ela é a diretora. E dá uma canja com sua voz linda, anunciando os patrocinadores antes do início.
A princípio achei o tempo da peça meio curto: 60 minutos – e a gente sabe que ingresso de teatro não costuma ser barato. Depois, achei que seriam 3 mulheres sentadas num banco o tempo todo, falando mal de homens...aí pensei melhor e saquei que 60 minutos dava e sobrava.
Primeiro engano: não era um banco, era uma mesa. E o que elas fazem naquela mesa...
Segundo engano, ledo engano: a peça não é “parada”: as meninas de 30 não param um minuto. Aliás, a Sociedade de Ortopedia adverte: não tente imitar a “metralhadora giratória” de Camila Raffanti.
O cenário é o palco. E a mesa. E só.
Se você precisar prestar atenção a alguma coisa mais além da beleza das atrizes e suas excelentes interpretações, repare no figurino, de Marina Reis. Talvez eu estivesse com um chopp a menos, mas em certo momento vi uma saia se transformar num lago cinza e triste ao pés de Melissa Vettore...
Ainda o figurino: legging e blusa de alcinhas, pretas, de base, mil peças versáteis por cima a cada entrada. Faixas, flores, detalhes que dão a cara a cada personagem, que são muitas: tem a casada, a ficante, a recém-divorciada, a solteirona convicta e a outra, nem tanto assim.
Mesmo que as belas incorporem várias mulheres com um talento de tirar o fôlego, achei que haviam traços predominantes em cada atriz. Juliana me pareceu o tipo sedutora quase o tempo todo, Melissa é de uma graciosidade ligada no 220 e Camila, com suas expressões faciais impagáveis, não deixa ninguém sério por mais de 10 minutos.
A fórmula básica é muito dinamismo e um quê de transtorno -bipolar. Você ri na maior parte do tempo e fica com a pulga atrás da orelha em outros.
Sem querer comparar, mas exatamente como em “Mothern”, nós mulheres nos vemos um pouquinho em cada personagem. E isso dá um alívio que vocês nem imaginam!...
Detenha-se na cena final. O posicionamento de palco das três, uma imagem congelada, a luz perfeita...Uma fotografia no tempo, inesquecível...
Foi um belo presente de aniversário, dado pelo meu amigo-amado-amante. Seguindo o conselho ao vivo das "confessoras", não vou fazer muita propaganda porque o dito cujo é um cavalheiro, espécie atualmente em franca extinção no universo masculino.
Irônica e poeticamente, foi a última peça dos meus trinta...fiz quarenta anos ontem. Buáaaaaaaa!!!!!!!!!

quarta-feira, 22 de outubro de 2008

O show da tragédia

Não sei o que me deixa mais perplexa nessa tragédia da Eloá: rever as cenas de gente tirando foto do cadáver com um celular, no velório, ou ver o sorriso dos que receberam os órgãos doados, dizendo que "foi um presente de aniversário".
Ok. Doar os órgãos é uma atitude nobre da família e eu sou a favor de qualquer campanha que se faça nesse sentido.
Receber um órgão depois de anos na fila de espera dos transplantes também é uma benção.
Mas um pouco mais de discrição não faz mal a ninguém. Não se pode deixar de lembrar que a doação ocorreu porque uma moça perdeu a vida, em mais um desvario de violência. Há uma mãe tentando se acostumar a olhar para o quarto agora silencioso, da filha.
Especialistas dizem que deve-se evitar a divulgação dos nomes dos receptores. Isso pode criar embaraços e problemas psicológicos entre os envolvidos. Acreditem, há gente capaz até de tirar proveito financeiro da situação. E criar um vínculo pseudo-familiar entre doador e transplantado é inevitável, precipitado e nem sempre saudável.
E as fotos tiradas com o celular no velório, por quem estava na fila? Inacreditável. Típica atitude de desrespeito à situação, ao falecido e à família. Falta de educação básica e consequência da espetacularização da tragédia. A agonia do cativeiro e a morte da moça foram transformados em show, como é praxe na imprensa brasileira. Tirar foto de um cadáver prova que se esteve presente a parte do "espetáculo" ?
Qualquer pessoa com QI de ostra conclui que metade daquela gente toda estava lá por pura curiosidade mórbida.
Eu me pergunto o porquê de ninguém ter impedido que se tirassem fotos, o que deveria ser restrito aos jornalistas e olhe lá.
Quanta falta de bom senso e de compaixão.

domingo, 19 de outubro de 2008

Tragédia no ABC

Eu sabia que ia acabar assim.
Prezado sr. comandante da operação militar: meus pêsames.
O sr. afirmou ter temido críticas, justificando assim a decisão de não atirar no sequestrador.
Ele está vivo.
E Eloá está morta.
Durma com uma crítica dessas, agora. E tenha um feliz Natal, se for capaz.

sexta-feira, 17 de outubro de 2008

Polícia para quem precisa...

Foi de cair o queixo o confronto entre policiais civis e militares ontem em São Paulo. Que coisa feia! Se nem eles se entendem, o que será de nós?
Há várias questões envolvidas e óbvio que existe fumaça política...Paulinho da Força tinha sumido e de repente aparece no meio da confusão, megafone em punho, botando lenha na fogueira.
Serra leva a coisa toda no banho-maria há meses. Precisava deixar chegar nesse ponto?
Afinal o que são 15% de aumento pra uma categoria que rala pra caramba, ganha mal, não é bem-equipada e ainda assim trabalha exemplarmente? Ou alguém esqueceu o belo trabalho dos peritos no caso Isabela Nardoni?
Colocar questões políticas acima de um DIREITO de todos nós, a garantia de segurança, é muita incompetência, falta de visão e de comprometimento público.
Tanto os salários da Polícia Civil quanto os da Militar são uma merreca.
Eu acho que o povo devia entrar na briga também e botar o Serra na parede.
Afinal, o interesse é nosso! E não demora muito, a bandidagem vai dar um jeito de se aproveitar da situação.
Socoooorroooooooooooo!

segunda-feira, 13 de outubro de 2008

Abrace e Grão da vida: festa da solidariedade!


Acontece no clube "A Hebraica", na próxima sexta, 17 de outubro, às 19:30, a décima "Festa da Primavera", em prol das entidades Abrace (Associação Brasileira para a Criança e o Adolescente Especial) e Grão da Vida.
O bingo inclui excelentes prêmios, como eletro-eletrônicos e pacotes turísticos, além de jantar em sistema de buffet.
Todos os anos a festa é um sucesso e por isso mesmo é bom correr para conseguir seu convite. Cada 10 convites dão direito a uma mesa reservada.
A Abrace atende jovens e adultos especiais, ajudando-os a desenvolver autonomia e talentos vários, através da música, capoeira, oficina de reciclagem de papel, teatro etc. Uma entidade séria, que nasceu do sonho de um grupo de pais e hoje dá exemplo na formação dos jovens que surpreendem pela força de vontade e pela capacidade de superar seus próprios limites.
Já a Grão da Vida, atende 147 crianças carentes de 0 a 6 anos, na região de Interlagos, na zona sul de São Paulo.
Compareça, prestigie o evento. Uma parte da arrecadação com os convites também é destinada às duas instituições.
Valor do convite: R$ 80,00
Informações e reservas: (11) 5093-2311 e 5096-3894

quinta-feira, 9 de outubro de 2008

Sálvia, a droga da moda

Tenho ouvido por aí um papo sobre "fumar Sálvia".
Não não, nada a ver com a Sálvia usada pra temperar peixe. Eu, pelo menos, nunca deparei com nenhum chef doidão em restaurante chique.
A nova velha droga, é uma planta da mesma família, só que alucinógena, chamada "Sálvia Divinorum". Mas é uma velha droga por ser usada há centenas de anos por tribos indígenas, juntamente com outras plantas como o Kratom e o Ayhauasca.
Por enquanto não é proibida no Brasil e em várias partes do mundo, porque não há estudos conclusivos sobre os efeitos e o nível de dependência que pode causar.
E por isso mesmo, é facilmente adquirida em sites brasileiros e gringos, em forma de extrato, elixir, folhas etc.
A moçada vive descobrindo novas formas de "sair do ar", cheirando isso, mascando aquilo...eterna fuga, nem sabem do quê. E os espertinhos que vendem chegam sempre com um papo de que "Ah, é natural, usada pelos índios em rituais xamânicos".
Ora essa, quer participar de um ritual xamânico? Se enfie numa tribo do Alto Xingú, fume o que que quiser lá, no lugar apropriado e na hora certa, de acordo com a cultura local. Aproveite para fazer algum trabalho voluntário em prol dos índios.
Mas enfiar uma substância qualquer, goela abaixo, no seu corpo, fora de contexto, com um bando de aproveitadores em volta rindo de você, só pode ser maluquice.
Me deprime a quantidade de vídeos no Youtube com gente "viajando" com a Sálvia. Embora seus defensores enfatizem a "extrema sensação de prazer e as elevações espirituais que ela propicia", nestes vídeos, na maioria, o que se vê é o olhar de pânico do coitado que ingeriu a droga e um evidente esgar de arrependimento.
Perda total de coordenação motora, falta de noção espacial e o olhar sinistro de pavor. Não há nada de inofensivo na Sálvia Divinorum. É só isso que percebo. Como neste vídeo.
É a isso que nossos filhos, sobrinhos, gente que a gente ama e que pode estar em apuros neste exato momento, estão expostos.
Uma substância alucinógena NUNCA é inofensiva. Há relatos terríveis sobre a Sálvia e seus efeitos.
É deprimente o nível de degradação a que um ser humano chega, a falta de respeito e compaixão pelo outro, a ponto de filma-lo, sobre efeito de drogas e colocar isso no Youtube, sem respeito pela vítima, sem respeito pela família que nem sabe o que está acontecendo.
E deplorável, é a atitude de quem está ao lado de um drogado e dá risada com isso; não faz nada. É conivente. É cúmplice de um suicídio lento e gradual, voluntário ou não, que é o mergulho nas drogas.
Isto é ser um bom amigo?
Hoje estive num pronto-socorro e de repente entrou um rapaz na maca, em quadro de overdose. Sozinho. Claro, com certeza os covardes que o acompanhavam na hora da besteira saíram correndo. Meu coração ficou moído de dor.
Como a vida humana é valiosa; como cada vida é sagrada e precisa ser preservada, a qualquer custo. Muitas vezes, está nas SUAS mãos fazer alguma coisa! Seja dizendo NÃO quando te oferecerem, seja impedindo que alguém ao seu lado use.
Se vc tem um amigo usando drogas, ajude-o. Não ria, porque NÃO TEM A MENOR GRAÇA. Não filme pra todo mundo ver. Não fique calado. Comunique à família ou a alguém de confiança, antes que seja tarde e que você se sinta, para sempre, um COVARDE.
Mesmo que isso custe sua amizade com a vítima. Ainda que ele ou ela nunca mais olhe pra você, que o considere um delator, saiba que você SIM é um verdadeiro amigo, por salvar uma vida. Uma vida tão importante e preciosa quanto a sua.
Não seja conivente com esse primeiro mergulho no inferno.
Que pode ser também, o último.

quarta-feira, 8 de outubro de 2008

Esta garrafa vai parar no Tietê!


Não consigo parar de pensar em preservação do meio-ambiente nem mesmo durante os momentos de lazer.
A foto acima foi tirada durante um passeio ao jardim do Museu do Ipiranga, aqui em São Paulo. Momentos antes, no Aquário São Paulo, próximo dalí, um painel sobre o Rio Tietê dava conta de que 35% da sujeira do rio vem do lixo jogado no chão, nas ruas, que vai parar nas bocas de lobo, entupindo-as e acabando no pobre rio que já foi palco de competições de natação, remo e pescarias.
Hoje, mergulhadores profissionais ganham até 3 mil reais para limpar o fundo...entre sofás, pneus velhos e até cadáveres, estes homens corajosos têm que usar roupas especiais de mergulho, hermeticamente vedadas, ante ao risco da água poluída.
Na década de 90 a rádio Eldorado encabeçou memorável campanha de despoluição do rio.
Com a politicagem demagógica de sempre, pouco se fez de concreto e o Estado praticamente abandonou o projeto.
Agora, a rádio novamente "mergulha" na questão - não no Tietê, que eles não são loucos...A série de reportagens se chama "Expedição Tietê Séc.XXI".
Ouça aqui uma das reportagens de Flavio Perez, que tem percorrido o rio, de Sampa até a divisa com o Mato Grosso. E que pelos sons de água e cachoeiras, além do belo texto, acaba nos ajudando a sonhar e a querer lutar pela despoluição do NOSSO Tietê.

segunda-feira, 29 de setembro de 2008

Desperdício


...E lá se foi mais um "cidadão" desperdiçar a nossa água.
Foram 9 litros por minuto. Se ele tiver ficado 13 minutos nesse trabalho sem noção, foram 120 l.
Tudo isso pra lavar a moto do patrãozinho.
Que deve ser um ignorante elevado ao quadrado.

sábado, 27 de setembro de 2008

Ah, aqueles olhos azuis...


Não costumo falar de celebridades no meu blog, mas Paul Newman é um caso especial.
E ele morreu hoje.
Me lembro de assistir a história do boxeador Rocky Graziano, de mãos dadas com meu pai. Eu devia ter uns 9 anos. Minha mãe nunca teve paciência ou gosto por cinema, então eu ficava com meu pai na sala, até tarde, nos finais de semana, vendo filmes clássicos...incluindo os "spaghetti" com o Clint Eastwood no começo de carreira.
Outro com Paul Newman foi "Butch Cassidy and Sundance Kid", quando ele fazia par de galã com o Robert Redford...de novo, meu pai inspira minha lembrança, pois ele gosta muito da música de Paul Simon e Art Garfunkel, responsáveis pela trilha sonora do filme, que também é um clássico.A cena do clip foi uma das muitas do filme, que mais uma vez, assisti com meu pai.
Por último, preciso falar de "Carta de Amor".
Este filme é muito especial na minha vida. Primeiro, porque trata da vida de uma jornalista de impresso, que trabalha num jornal de Chicago. Eu tinha praticamente acabado de voltar de uma viagem para lá, quando vi esse filme.
Chicago é uma cidade que suplantou todas as minhas expectativas. Multi-cultural, cheia de museus maravilhosos, mil points culturais, acolhe gente do mundo inteiro (e nesse sentido é muito parecida com São Paulo), além de ser belíssima, com seus canais, pontes, cenários de muitos filmes da Grande indústria do cinema. Talvez por isso tenha uma das melhores cozinhas dos EUA, onde eu já tinha estado 2 vezes antes. Sofri com os "fast-food" e Chicago foi minha salvação.
Em "Uma carta de amor", Paul Newman faz o pai do Kevin Costner. Sapiência, calma...sábios conselhos. De bonitão pra bonitão. Características do personagem, talvez mesclados pela convivência com a dor, do próprio Paul: uma esposa morta por câncer anos antes e um filho morto por overdose de drogas. Aliás por conta disso o ator se engajou na campanha contra as drogas e abriu uma ONG de apoio à prevenção desta MALDITA destruidora de lares.
A temática do filme era grandiosa pra mim também, pois fala da superação do luto na vida de um homem. E a superação do luto é algo recorrente nas vidas de todos nós.
Aqui, quero deixar minha homenagem pro Paul Newman. Vai em paz, meu velho bonito, excelente e inesquecível ator.
Para sempre, inigualável.

quinta-feira, 25 de setembro de 2008

"Bullying" - humilhação ostensiva




Agora arranjaram um nome pomposo, mas o "bullying" sempre existiu.
A prática de humilhar colegas, com violência psicológica ou até física, tem sido assunto recorrente na mídia e eu acho bom mesmo, porque até então, estas situações aconteciam na obscuridade, sem que ninguém levasse a sério, criando gerações e gerações traumatizadas pela perseguição na escola ou até aumentando o índice de evasão escolar.
Estou falando de escolas especificamente, porque é o local mais comum...
E eu sofri na pele.
Não me venham dizer que isso é bobeirinha, que é "coisa de criança". Quem diz isso com um sorrisinho maroto no rosto, nunca foi trancado sozinho dentro de um banheiro sujo com um bando de gente do lado de fora assustando com palavrões e humilhações.
Eu fui.
Quem diz isso, nunca foi chamado de "cabelo de bombril", "italiana fajuta", "macaca".
Eu fui.
Quem diz isso, nunca passou pela humilhação de ficar sozinha num canto da classe todo dia, sempre "sobrando" quando os grupos eram formados para algum trabalho.
Eu passei.
Quem diz isso, nunca sentiu na pele o que é ser excluído, não sendo escolhido nunca para um time nas aulas de Educação Física.
Eu senti.
Sem falar nas dezenas de vezes em que crianças discriminadas, como eu fui, têm que assistir as aulas sob pressão psicológica, ouvindo cochichos de frases como "a gente pega ela na saída". Cansei de me sentir com medo nos horários de saída. Mas felizmente, sempre consegui sair das situações com maestria, enfrentando turminhas e ganhando no discurso inteligente - nunca na agressão física.
Houve um momento em que eu não queria mais ir para a escola e fui me isolando cada vez do resto da classe. Amigas? Pouquíssimas. Tenho péssimas lembranças da escola pública onde cursei o primário e o ginásio. Não gosto nem de passar em frente, hoje em dia.
Naquela época, nenhum adulto me dava ouvidos. Eu chorava sozinha e enxugava minhas lágrimas sozinha, sem que ninguém desse a menor bola. O que pode parecer bobagem, não é, em se tratando de uma criança de 8 anos, fase em que geralmente começa o problema.
Na maioria das vezes, eu sofria "bullying" por ser filha adotiva. Esse era o assunto preferido das "turminhas", sempre lideradas por alguém emocionalmente desequilibrada. A própria baixa auto-estima de certas pessoas as leva a sentir prazer em humilhar os outros. Não sou psicóloga mas deduzo que seja esta a causa principal.
Crianças e adolescentes sempre acham um motivo para humilhar um colega. Seja pelo cabelo, pelo nome diferente, por ter uma pinta no rosto, por ser magro, gordo, alto, baixo, por gostar de estudar, por ter boas notas ou por ter um hábito pouco comum. Conheço um menino de 11 anos que às vezes é chamado de "esquisito" na escola simplesmente porque gosta de ler durante o intervalo! É absurdo.
O preconceito racial também existe, óbvio e não só contra negros ou pardos. Um outro menino conhecido meu é filho de japoneses e é humilhado por isso. Num país como o nosso, formado por tantas etnias diferentes, esse tipo de situação é inadmissível.
E agora ainda existe, pra piorar, o Cyberbullying. A humilhação exposta na Internet. Faço um apelo aos pais, professores, diretores: fiquem atentos. Ouçam as queixas das crianças.
Não encarem isso como "fato normal" e corriqueiro. NÃO É! Crianças e adolescentes têm que aprender a respeitar as diferenças. Isso tem que começar em casa e a escola é o ambiente que representa uma micro-sociedade, local de exercitar cidadania e civilidade!
Eu estou me expondo nesse texto, simplesmente para tentar ajudar a sociedade a evitar que isso aconteça, porque o trauma é PARA A VIDA INTEIRA.
Humilhar uma criança é de uma crueldade SEM TAMANHO. Quem pratica isso ou quem é conivente com a situação, ainda que se omitindo, precisa se conscientizar de suas responsabilidades.
Porque muitas vezes, a tal "bobeira de criança" acaba em tragédia.

terça-feira, 23 de setembro de 2008

Eleições: manipulação máxima

Tenho evitado tocar no assunto Eleições aqui no blog. Mas não posso deixar de dar meus pitacos no que vejo nessas eleições. Mais precisamente na propaganda dos candidatos.
Marta Suplicy: queria saber se a propaganda dela visa expor idéias ou estimular uma luta de classes. O que diabos significa "O metrô não é só pra eles, é pra nós também"? Quem seriam "eles"? O metrô não é interesse de toda a população, ricos, classe média ou pobres? Ou será que os ricos não pegam metrô quando estão em Nova Iorque ou em Paris?
O que São Paulo menos precisa, no atual estado de coisas, é de divisão e preconceito. Marta estimula o preconceito ao contrário. No rádio, predomina locução de sotaque nordestino. Mas, curiosamente, na propaganda de TV o povo que aparece não é o povo de São Paulo. Gente loira, ou de cabelo lisinho, ou o vovô bem vestido...um mais moreninho aqui, outro alí, só pra disfarçar. Quanta hipocrisia.
E a Soninha? Soninha até que é gente boa. Já estive com ela em algumas ocasiões, é uma pessoa coerente. Mas não diz a que veio, na sua propaganda. Não fala de uma proposta sequer. Assim fica difícil, por mais boa vontade que eu tenha.
Kassab é de um apelo rasteiro que beira o insuportável. Ao prometer que não haverá aumento de ônibus, se aproxima do velho político que faz comícios num coreto em frente à igreja. Seis meses sem aumento de ônibus no próximo ano? Preparem-se para uma greve daquelas!
E aquele fulano que diz: "Tô contigo, Maluf!" ?
Quanta antipatia...asqueroso...ele que vá ficar com o Maluf mesmo. A gente fornece o travesseiro e o cobertor, se ele quiser.
Ah, em quem eu vou votar? Meu voto é secreto, gente. Isso é democracia!
PS: vejo hoje no jornal fotos dos candidatos que ontem, "Dia sem carro" (humpf...) andaram de ônibus pela cidade. Que engraçado...pela foto se percebe que pegaram ônibus novinhos, limpinhos, fora do horário de pico.
Pura coincidência, com certeza.

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

Sou Sacisóloga!


Que "raloim" que nada...
Comunico a todos que a partir de hoje, com muito orgulho, sou membro da "Sociedade dos Observadores de Saci" - Sosaci, com sede na pequena São Luís do Paraitinga, interior de SP.
Não por acaso, cidade vizinha a Taubaté, do meu herói preferido, Monteiro Lobato.
O pessoal da Sosaci conseguiu oficializar a data de 31 de outubro como o "Dia do Saci e seus amigos".
Nos últimos anos, a mídia quis nos empurrar, goela abaixo, a adoção do tal "Halloween" americano. O que diabos a gente tem a ver com isso? Nada!
A Sosaci também luta para que a CBF adote a figura do Saci como o mascote da próxima Copa do Mundo de 2014, que será realizada no Brasil. Nada mais justo!
E por falar em Monteiro Lobato, começa no mês que vem a temporada do fruto que dá nome a esse blog: Jabuticaba.
Em breve novo post a respeito. Nem preciso dizer que jabuticaba é minha fruta preferida.
E ploct, pluct nhoc.

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

Esmola no farol? NÃO!

Matéria da rede Globo hoje mostrou uma realidade, mas não uma novidade.
Pedintes de esmola nos semáforos de São Paulo usando o dinheiro para o consumo de drogas, na região que tem se destacado por ser a "Nova Cracolândia", perto da recém-inaugurada ponte Estaiada, no Brooklin.
A reportagem flagrou um adolescente, deficiente físico, as pernas completamente tortas, percorrendo a avenida numa cadeira de rodas. Obviamente ganhou a compaixão de vários motoristas e recebeu alguns trocados.
Em seguida, juntou-se a um pequeno grupo de moradores de rua e consumiu vários cigarros de crack.
Isso é pra gente aprender: esmola nos semáforos, NÃO!
Porque de duas, uma: ou você ajuda a sustentar algum marmanjo que explora crianças, idosos e deficientes físicos ou você contribui financeiramente para a próxima morte por overdose de drogas.

domingo, 14 de setembro de 2008

Justiça para Flavia

Imagine uma tarde gostosa de calor...uma linda menina de 10 anos, que nada muito bem, se divertindo na piscina do seu condomínio.
Numa fração de segundos, ela mergulha e seus cabelos ficam presos no ralo da piscina. A força é tamanha, que ela não consegue se soltar. A falta de oxigênio afeta o cérebro, irreversivelmente.
Numa fração de segundos, todo seu futuro se esvai.
O coma. 10 anos em coma. Nada mais a fazer.
Nada mais a fazer?
Não. Muito a fazer. Conheça a história de Flavia. Entre na luta.
Juntos, temos muito a fazer. Divulgar a luta de sua mãe Odele. Exigir mais segurança nas piscinas de condomínios e parques aquáticos. Pense por exemplo na quantidade de ralos num parque como esse, cheios de piscinas...existe fiscalização? Manutenção, segurança de algum tipo? Qualquer um de nós pode ser vítima de um acidente como esse.
Quem será o próximo?

http://www.youtube.com/watch?v=ox240cDuhC8

segunda-feira, 8 de setembro de 2008

Reciclagem de cérebro

É óbvio que estou falando de reciclagem, mas do jeito que as pessoas ainda não têm consciência ecológica, acho que é preciso divulgar a necessidade de reciclar o cérebro também.
Eu separo o lixo reciclável do orgânico há bastante tempo.
No meu bairro a coleta seletiva acontece apenas uma vez por semana, o que acho pouco.
Então não espero e levo todo o material, devidamente separado, para os pontos de coleta do grupo Pão de Açúcar. Lá até o óleo de cozinha usado é aproveitado também. Basta vc acondiciona-lo em garrafas PET.
Gosto muito, porque os contêineres são grandes e sempre há um ajudante, membro das cooperativas cadastradas, que cuidam de separar o lixo adequadamente em cada recipiente.
Um desses ajudantes é o seu Mauro, do Pão de Açúcar da av. Santo Amaro.
E não é que ele tava muito bravo (pra não dizer aquele palavrão, pois sou moça muito educada) outro dia, pois se viu obrigado a separar fraldas sujas e papel higiênico, bem como garrafas com restos de leite de coco cheias de vermes.
ECA!
Ele estava indignado e COM TODA A RAZÃO.
Mas vamos por partes. Já é uma grande coisa que o povo esteja começando a separar o lixo reciclável do orgânico.
Agora, cabe a nós, defensores do Meio-Ambiente, contribuirmos também na conscientização das pessoas acerca da boa prática de reciclagem.
Misturar orgânico com reciclável, jamais.
E passar uma aguinha nos recipientes antes de separa-los, não custa nada, gente.
Seu Mauro agradece.

quinta-feira, 4 de setembro de 2008

Show infernal

...E do jeito que tá a coisa lá no Credicard Hall, com gente se atropelando em fila, falta de ingresso pro show da Madonna e o mal-tratamento dado pelos funcionários, essa casa de show deveria mudar o nome para

CREDICARD HELL !!!

quarta-feira, 3 de setembro de 2008

"Mil carrinhos e um avião..."




















Não, não, nada a ver com aquela música da Bossa Nova, "Samba do avião".

Nossa aviação tá virando um samba sim, mas do crioulo doido.

Acabo de tirar essa foto de mais um avião acidentado, desta vez um bimotor, na beira do aeroporto de Congonhas.

Eu cresci e moro muito perto desse aeroporto. Me acostumei a assistir às aulas na pequena escola estadual da vizinhança, volta e meia interrompidas pelo barulho dos motores.

Mas medo, nós moradores, nunca sentimos.

Só que a coisa tá ficando brava...pouco mais de um ano e meio depois do trágico acidente da TAM, lá vamos nós outra vez perder o fôlego.

E dessa vez não tava chovendo. Não tem desculpa pra pista escorregadia.

Dentro do avião, apenas feridos, felizmente.

E nós, do lado de fora, com o coração na boca. De novo.

Foto: Paula Calloni

Ingressos pra shows: sempre uma zona!

Entra show, sai show e os problemas de organização na venda de ingressos continuam. Agora é pro show da Madonna.
Sem falar no quanto nós, público, somos mal-tratados nas casas de espetáculos. Mas como a concorrência ainda é pouca aqui em São Paulo, ficamos sem muitas opções.
Pelo sempre exagerado preço dos ingressos, eu particularmente prefiro gastar meu dinheiro numa pousadinha à beira-mar, tomando um choppinho.

Chega de Saudade

Estou completamente apaixonada pelo filme "Chega de Saudade", de Laís Bodanzky, que aluguei ontem, em DVD. É seu segundo longa-metragem, bem diferente do primeiro, "Bicho de Sete Cabeças", que também me tirou o fôlego. Como naquele, o roteiro é de Luiz Bolognese, marido de Laís.
Sem a tensão da temática anterior, Laís se viu na pressão de filmar em apenas cinco semanas, com um enorme elenco de apoio formado pelos frequentadores da "Sociedade Beneficente União Fraterna", que fica na Lapa, cenário do longa.
"Chega de Saudade" é uma delícia. Mostra um dia numa casa de danças tradicional de São Paulo, onde pessoas, digamos, mais "maduras" se divertem dançando, bebendo e namorando com muita classe e estirpe!
É da minha natureza o interesse pelo diferente, pelo inusitado, a curiosidade pelos ambientes novos e pela observação minuciosa do universo de sentimentos e emoções de cada pessoa.
E este filme, além de ter nome de uma música que não sai da minha cabeça, reúne tudo isso: um mundo novo, a preocupação com os detalhes - do olhar da viúva que adentra o salão até o fio desencapado da caixa do operador de som. Do porta-cerveja de isopor até o dançarino jovem, pago para agradar senhoras desacompanhadas.
Acho que a maioria dos atores filmou quase sem maquiagem, já que as rugas, marcas do tempo, eram fundamentais.
O elenco é maravilhoso. Uma sucessão de atores-surpresa, que vão aparecendo e que não vou contar quem são, pra não perder a graça. Quem aprecia o bom cinema, vai perceber.
Bem sutilmente, uma pitadinha aqui, outra alí de dramas existenciais, mas nada que impeça seu pezinho de ficar parado. Porque a trilha sonora, de grandes sucessos do forró, da gafieira, do bolero, tem participação de Elza Soares, sempre divina. E ganhou o Prêmio Contigo de Cinema, no último dia 21.
Os extras são muito bons também: making-off, que adoro sempre ver, fotos, depoimento imperdível de Laís e até aulas de dança com J.C.Violla. Você pode até arriscar uns passinhos...
Aliás, com licença, vou me matricular numa escola de dança hoje mesmo.
Bom filme pra vocês!

segunda-feira, 1 de setembro de 2008

Atenção: blogagem coletiva

Está chegando a hora: blogagem coletiva, dia 15 de setembro, pela causa de Flavia Belo, que está em coma há 10 anos e conta com sua mãe, uma lutadora, um símbolo de enfrentamento pela garantia de seu direito a uma vida minimamente digna. Vamos apoiar! Junte-se a nós!
Conheça a história de Flavia...que podia ser a sua...ou de seu filho...
Colocar-se no lugar do outro; mobilizar-se.
Já não é sem tempo, povo brasileiro.
Por favor repassem a informação e o link de Flavia.

domingo, 31 de agosto de 2008

Celebrando a amizade, com os Tigres da Lapa


O Orkut tem me revelado boas surpresas.
E não é que há alguns meses, descobri uma irmã mais nova nas serras de Petrópolis?
E mesmo sendo menor que eu - em todos os sentidos - essa flor, que é mãe de uma florzinha chamada Iara, me pegou pela mão e me levou a passear pelos Arcos da Lapa.
Não, não fui pro Rio. Ainda.
Sempre achei essa história de rivalidade entre cariocas e paulistas muito mal contada e uma bobagem sem tamanho. E a boa música tem o poder de acabar com todas as fronteiras, unir as pessoas...como unidos são os Arcos da Lapa.

Ir pro Rio é desejo antigo. Quero tirar as fotos que todos os turistas tiram, mas principalmente...conhecer a Vila Isabel de Noel Rosa, a Velha Guarda da Portela e os lindos Arcos da Lapa.
Então minha maninha me pegou pela mão pelo menos em sonho, enquanto de olhos fechados, ouvia seu presente, recém-chegado das serras: o CD de Marcos Ariel & os Tigres da Lapa".
Ariel é pianista renomado, tocou com mestre Cartola. Precisa mais?

Não, precisar não precisa...mas ele é flautista também e se divide entre Bossa-Nova, Jazz e Chorinho. Eis o repertório deste CD: o Chorinho, que vira alegria.
E mais: Ariel é tio da Ciça.
Mas este é só um -maravilhoso- detalhe!!

Ao entrar no site da gravadora RobDigital, clique em gêneros, digite Choro e confira dois deleites sonoros dos Tigres da Lapa: "Maxixe do João Pedro" e "Seu Lourenço no vinho". Mas tem que ouvir deitado, de olhos fechados, porque é uma viagem.

Ô Ciça, minha maninha, preciosa flor de dona Ignez: prometo em breve concretizar o velho sonho.
Batucar com vc numa caixinha de fósforos os bons sons da histórica boemia carioca, em alguma mesa debaixo dos tais belos arcos.
Tomando uma cervejinha...comendo torresminhos...e nos acabando numa feijoada!
Fica aqui minha homenagem à nossa eterna e linda amizade.

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Fumaça perto de mim, não!

Apoio total ao Dia do Combate ao Fumo.
Um vício que atenta ao direito alheio de ter pulmões saudáveis!

quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Agonizante

Bem longe a sirene pedindo socorro.
Olho no retrovisor esquerdo. Lá vem ela.
Jogo o carro pra cima da calçada e quase atropelo a velhinha.
Mas a escandalosa grande, branca e salvadora, tem que passar! Lá dentro, um coração pode estar fraquejando.
Aqui, o meu já salta do peito.
Ela passa. Ela vai não sei pra onde.
E até eu perdi o rumo.

Menos tijolos, mais ação

Não aguento mais ouvir candidato a prefeito dizendo: "Vou construir mais hospitais, vou construir casas, pontes" e mais isso e mais aquilo.
Tá cheio de hospital por aí, pelas periferias de São Paulo, tinindo de novos. Mas que não funcionam, ou por equipamento quebrado, ou por falta de, ou por não atrair médicos, ou por espantar médicos - a insegurança atinge até esses "anjos de branco".
E muitos outros profissionais, que de anjos não têm nada, maltratando as pessoas, atendendo friamente.
Palavras inesquecíveis de uma diarista que trabalhou aqui em casa: "Na hora de ter meu filho senti muitas dores e chorava...o médico chegou pra mim e disse 'Ué, quem mandou parir?'
Isso é jeito de tratar uma paciente??
Então, ilustríssimos candidatos: menos papagaiada.
Fazer funcionar bem e melhor o que já existe. É disso que minha Sampa precisa.

terça-feira, 26 de agosto de 2008

Frases de pára-choque

Essa eu li hoje, pasmem, na traseira de um veículo que transportava dejetos hospitalares:

"Eu bebo é pra ficar ruim. Se eu quisesse ficar bom, eu tomava remédio".

segunda-feira, 25 de agosto de 2008

Centro de Sampa: um lixo.


Semana passada fui conferir a exposição sobre Machado de Assis no Museu da Língua Portuguesa.

O museu é ótimo. Dá pra se perder a noção de tempo lá dentro, aprendendo muito sobre a nossa língua.

Mas o entorno daquela região continua um lixo. Prédios que viraram e continuam sendo cortiços.

Mendigos pra todo lado. Um deles enfiou a mão no lixo, na minha frente, e levou restos de comida à boca. Alcóolatras e deficientes mentais sem a menor assistência jogados pelas calçadas.

Cheiro de mijo e fezes.

Não sei de onde o Gilberto Dimenstein tira suas teorias de Pollyana, a famosa personagem que só via o lado bom das coisas. Quanto blá blá blá. Parece que ele realmente nunca andou a pé em volta da Sala São Paulo, antro de prostitutas. Ou no Jardim da Luz, reduto de cheiradores de crack, vendendo pedras em plena tarde de sábado.

Revitalização do centro? Tá bom. Me engana que eu gosto.

Pequim, FIASCO 2008


Chorei muito com as medalhas de ouro do Brasil. Chorei mais ainda com os olhares deprimidos de atletas que tinham tudo pra trazer o ouro mas conseguiram prata e bronze, ou voltaram de mãos vazias, a despeito de todos os esforços.
Mais do que nunca é hora de a gente cobrar do governo mais decência na gestão dos recursos para a formação dos atletas. É muito desperdício de energia. Muito desperdício de talento, de botar a criançada pra fazer esporte, o que traria qualidade pra suas vidinhas, em todos os sentidos. Daria-lhes um horizonte, quem sabe uma profissão.
Pelos nossos atletas temos que continuar torcendo. Eles não têm culpa. Talvez, a única, seja a de não se mobilizarem, como de resto, é praxe no povo brasileiro.
Chega de ser povo cordeirinho! Chega! Chega!

sexta-feira, 22 de agosto de 2008

Bebês jogados por aí

Eu sei que os casos que chegam às TVs são apenas uma parcela da realidade.
Mas só nessa semana, já foram uns 3, de bebês abandonados. Todos recém-nascidos, com o cordão umbilical. Uma sobre uma lápide de cemitério, outra num banheiro público, ao lado de uma privada e outro dentro de uma sacola, no jardim de um condomínio, o corpinho já coberto por formigas.
Será só falta de informação dessas mães? Será só desespero? Duvido. Pra mim é uma falta de humanidade, uma falta de compaixão extrema. Se não têm nem para com os próprios bebês, imagino com outros seres humanos.
Não se pode condenar só as mães. E os pais? Cadê os marmanjos? Estas mães (?), que abandonam as crianças ao relento, sem alimentação, em locais insalúbres, merecem a cadeia e os progenitores também, por absoluta falta de responsabilidade. Mas a mídia não fala nos homens, nos pais. Parece que filho a mulher só faz sozinha!
Entrevistei certa vez o dr. Yassim Issa, juiz do Fórum de Infância e Juventude de Santo Amaro. Segundo ele, a lei é muito clara: mães que entregam seus filhos ao Estado, seja nos hospitais ou nos juizados, ou mesmo deixam em qualquer local onde a criança tenha garantia de ser bem cuidada, não serão punidas. Isto não é crime!
Espero que a mídia informe mais sobre isso...
Controle de natalidade em primeiro lugar, paternidade responsável em segundo e cadeia, pra quem larga bebês indefesos à própria sorte, num país onde tantos querem adotar e não conseguem.

quinta-feira, 21 de agosto de 2008

Bienal do Livro

Alguns posts abaixo contei uma historinha engraçada da Bienal do Livro. Post no qual eu elogiava o evento. Ela de fato ainda não perdeu seu encanto, pelo menos pra mim.
Mas gostei muito do artigo a seguir e convido todos a lerem, porque propõe reflexões muito construtivas. E nós, público frequentador da Bienal, somos os principais responsáveis por cobrar, criticar e até atrair novos frequentadores.
Boa leitura!

quarta-feira, 20 de agosto de 2008

Pequenos expostos à violência

Voltando ao assunto do post anterior.
A exposição das crianças à violência não acontece só na periferia não...Tem acontecido, penso eu, em excesso, pela TV também.
Outro dia uma cena de assassinato em pleno programa matinal, o "Hoje em Dia", da TV Record.
Mandei e-mail de protesto. Como um programa que mostra uma pessoa dando um tiro na cabeça de outra pode ser classificado como sendo de censura LIVRE??
Da mesma forma, outros assuntos recorrentes, como pedofilia, abuso sexual, estupros, infidelidade, transexualismo, são abordados durante a manhã, à tarde, livremente. Quanto lixo!
Não que os temas não sejam importantes. Mas não devem ser apresentados dessa forma, afinal, alôooooooo...tem crianças e velhinhos assistindo a TV!
Mil vezes o tempo dos "enlatados"...Ou das "Sessões da Tarde", com cenas de Ginger Rogers e Fred Astaire bailando na frente dos nossos olhinhos infantis.
O público infantil tem sido massacrado impiedosamente, tanto pela TV aberta quanto pela TV a cabo.
Nunca o botão "Desliga" foi tão útil.

terça-feira, 19 de agosto de 2008

Crianças vendo a morte de tão perto e tão cedo

Não costumo assistir a noticiários sanguinolentos. Mas hoje vi uma reportagem na Record, pela manhã, sobre mais uma mulher vítima da violência doméstica.
Violência que atingiu, é claro, o filho de 11 anos. Ele viu a mãe ser brutalmente espancada e morta. Mais um caso entre milhares, Brasil afora.
Na cena seguinte, o moleque no velório da mãe, ao lado do caixão. Junto com ele, outras crianças pequenas, não sei se eram irmãos.
Pensei comigo no quanto essas crianças convivem com a morte tão cedo. Se vêem um corpo esfacelado, uma mãe, uma irmã, um pai, um vizinho...se não são protegidas sequer de um cenário tão macabro e tão próximo, como protege-las do que virá depois?
Se acostumam a conviver com a brutalidade...e submete-las a esse espetáculo deprimente também é, por si só, uma violência. Como podem ter alguma esperança, como podem ter infância, como podem ser, simplesmente crianças?
Elas crescem achando a violência muito normal.
Como nós também, acabamos achando.

domingo, 17 de agosto de 2008

Aquecedores solares nas favelas

Uma escola particular da Zona Sul de São Paulo tem um projeto bem interessante: estão instalando aquecedores solares numa favela.
São equipamentos de baixo custo, feitos quase que artesanalmente. Bola dentro por dois motivos: os alunos, crianças na faixa dos 11 anos, exercitam a solidariedade, pois são elas que instalam os aquecedores, com a orientação de um monitor e...
Beneficia pessoas carentes, que economizam energia e não correm o risco de ter seus aquecedores roubados. Afinal, os equipamentos usuais, comercializados por aí, são caríssimos e fatalmente roubados em questão de dias.
Se algum órgão de imprensa estiver interessado na pauta, com a relação das devidas fontes, entre em contato com esta que vos escreve.

Um lixo a menos!

Vivaaa! A boa notícia não tem hora!
O grupo mexicano RBD anunciou que vai acabar! Agora que já arrancaram das crianças e adolescentes toda grana possível, com shows, pôsteres, bonecos e demais quinquilharias, vão finalmente pegar o rumo de casa.
Pretendem fazer um show de despedida em São Paulo.
Galera, não precisa não, viu? Podem dar tchauzinho de longe mesmo!
Os fãs que me desculpem, mas acho essa bandinha um lixo, ainda por cima não-reciclável.

sábado, 16 de agosto de 2008

Rádio: ser ouvinte é participar sempre!

Fico muito honrada com a citação de meu nome no blog do colega jornalista Milton Jung, da rádio CBN.
Ouvia uma matéria sobre a dificuldade de publicar livros, no Brasil. Mandei uma pergunta por e-mail e ela foi considerada pertinente, ao menos "em parte", como disse o Milton.
Acho que nada supera nem nunca superará o rádio como um meio de comunicação realmente interativo.
E isso desde o surgimento do rádio, muito antes da chegada de tanta tecnologia - especialmente a digital.
A cumplicidade com o ouvinte é inigualável e emociona, ainda mais quando nos vemos agentes dessa participação, essencial aos bons prestadores de serviço, no Jornalismo - isso mesmo, com J maiúsculo.

Valeu Milton Jung!

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Bossa Nova em Sampa

Fui ontem às duas exposições sobre os 50 anos da Bossa Nova, que estão em cartaz no Ibirapuera.
A do Pavilhão da Bienal é muito fraquinha. Ainda bem que é de graça. Esperava ver modelos de roupa da época e deparei com uns trapos horrorosos do Ronaldo Fraga. Nada a ver. Depois, um monte de fotos e capas de discos...Eu adoro, mas se você for com crianças, por exemplo, esqueça. Um tédio.
Já a exposição da Oca é melhor. Legal a tecnologia de projeção nas paredes, com documentários e entrevistas. Mas o isolamento acústico das salas deixa a desejar e não se ouve bem os depoimentos dos artistas e pessoas ligadas ao movimento.
Outra coisa interessante é a projeção holográfica. Pareciam fantasmas, mas com um pouco de boa vontade você até acredita que Frank Sinatra, Elis e João Gilberto estão mesmo no palco. Eu esperava mais, porque a projeção é em branco e preto e as figuras aparecem pequenas. Mas me emocionei mesmo assim. Para o padrão brasileiro de exposições culturais, foi bom.
A câmara anecóica, completamente isolada do barulho exterior e que propõe silêncio absoluto por alguns instantes me deu claustrofobia. Ainda bem que as portas ficam destrancadas, porque eu tive que sair correndo!
Senti falta de objetos dos músicos...por que não um violão do João Gilberto? O chapéu Panamá do Tom Jobim? Alguns manuscritos de composição ou um vestido da querida Nara Leão? Aliás, dela, realmente havia muito pouco material. Ela merecia.
Bom, vale a pena ir à Oca. Tá acabando, vai só até dia 7/09. Os ingressos custam R$ 20, criança até 12 anos não paga e cliente Itaú tem direito a um ingresso grátis quando acompanhado de outro adulto pagante. Às terças, entrada gratuita.
Mas só abre a partir das 10 hs. Bem que podia abrir mais cedo. É preciso tempo para se esticar nos almofadões e apreciar com calma os vídeos de música e depoimentos.
AH! Não esqueça que agora tem Zona Azul pra estacionar dentro do parque Ibirapuera.

quinta-feira, 14 de agosto de 2008

Resumindo

O post mais curto da história desse blog.
É bom que muita gente por aí passe remédio anti-pulgas atrás das orelhas!
Vejam essa: um advogado preso em SC por falsificar e difamar através do Orkut.
Nada mais a dizer a não ser:
Bem feito!!!

Mico feliz na Bienal do Livro


Começou a Bienal do Livro 2008, evento que não perco por nada nesse mundo.

Não tanto para compras, porque não vejo muitas vantagens nos preços...Muito menos pelo tumulto, que muitas vezes faz a gente perder a paciência e passar muito calor.

O que eu adoro mesmo é o Salão de Idéias, com debates entre escritores, jornalistas e muita interação com a platéia. Duro é conseguir senha.

Certa vez não consegui e era uma palestra com um dos meus escritores preferidos, Carlos Heitor Cony. Eu não tinha grana pra comprar nenhum livro, naquele ano. Mas levei um exemplar de "Quase Memória", pra pelo menos tentar um autógrafo. Dei com o nariz na porta. Ou melhor, na parede de vidro que separava o auditório do resto da exposição.

Nem assim desisti: o Cony tava lá dentro e eu lá fora, com o livro na mão...pois ergui meus braços com o exemplar, mostrando a capa para ele. Apontava, sorria e movimentava os braços de um lado pro outro. Para meu encanto, ele viu e deu uma risadinha.

Fiquei lá, plantada, observando meu ídolo. Um charme, carequinha, bigodinho, muito elegante, num blazer azul e gravata combinando. Só de poder ver e tentar ler seus lábios já era o máximo pra mim.

De repente...o debate acabou. Para meu espanto, após se levantar, ele veio andando direto na minha direção. Afastou os seguranças e pediu que lhe abrissem a porta. "Ai meu Deus, vou ter um treco" - pensei... Eu tremia mais que vara verde.

Ele disse: "Tudo bem querida? No que posso ajuda-la?" Falei que era sua fã e pedi um autógrafo.

Ele respondeu: "Pois não, meu bem...que privilégio ter uma fã tão jovem como você".

Ah, escritores, que delícia falar com eles, que honra!...

No mesmo dia, também tive o prazer de conversar com Tatiana Belinky, uma gracinha, tão velhinha já. Uma das melhores autoras de livros infantis.

Nunca percam a oportunidade de ter esse contato respeitoso com as pessoas que vocês admiram.

Porque um dia, pode ser tarde demais e vc vai se arrepender de não ter tentado!
(na foto acima, o autógrafo do Carlos Heitor Cony)

Economizar água

Você já deve estar cansado de ver: gente com o esguicho ligado, minutos a fio, usando a mangueira como se fosse vassoura.
Em 15 minutos de esguicho forte são gastos 279 litros de água.
Poupar esse volume todo do "ouro azul" não só vai diminuir a conta de água, como, o mais importante, evitar desperdício deste bem cada vez mais escasso no nosso planeta.
Calçadas, garagens e quintais não podem ser "varridos" com água. É preciso usar a vassoura antes, recolher tudo e depois usar um balde, de preferência aproveitando a água do enxágue da máquina de lavar.
Nos últimos meses, São Paulo enfrentou uma das maiores estiagens da história. É verdade, a poeira se acumula, incomoda, causa problemas respiratórios.
Mas eu apelo: não desperdice água...oriente também seus empregados e observe a conta de água, controlando sempre e tentando diminuir o consumo.
Queria que mais gente tivesse acesso a informações como essa, pois por mais que se fale e se divulgue, as pessoas teimam em não se preocupar com o assunto.
Um dia, vamos pagar caro por isso.

terça-feira, 12 de agosto de 2008

Ricaços mal-educados

Carro de gente rica não tem cinzeiro? É impressionante como os bam-bam-bans do trânsito, em seus Audis, Pajeros e Mercedes gostam de arremessar bituca de cigarro no chão. Abrem a janela e descaradamente "pluft" - lá sei vai o excremento de seu vício.
Ter dinheiro não tem realmente nada a ver com ter educação.

Aprender x praticar

Sempre fui inquieta, curiosa e sempre caminhei numa busca espiritual. A maturidade faz a gente ganhar discernimento. Felizmente soube distinguir o que é bom pra mim, do que não é.
Sem entrar em detalhes e sem querer ferir este ou aquele credo, pois levando a Deus, no qual eu creio, pra mim tá tudo bem.
Mas vejo, infelizmente, a mesma cena se repetindo, sempre. Pessoas arrogantes, vaidade, imposição de hierarquias e patotas se apossando de locais sérios, que começaram humildes oásis de assistência espiritual e fraternidade e acabaram virando verdadeiras empresas.
Num piscar de olhos deixa-se de encarar o ser humano ao lado como simplesmente um irmão em busca de desenvolvimento, progresso interior.
De repente, passa-se a julgar o próximo pela quantidade de cursos que fez, pelo tempo que frequentou, pela "galera" que conhece. Tudo se reduz a quantificar e comparar currículos e avaliar o outro de acordo com a "patota" à qual se pertence! Meu Deus...Tende piedade porque não sabem o que fazem.
Continuo na minha busca, através do conhecimento que pode ser obtido em qualquer religião/filosofia do bem e da paz; budista, por ex., que é linda...
De resto, gosto muito de três frases, que são bem conhecidas, mas pouco praticadas:
1 - "Que tua mão esquerda não saiba o que faz a direita" - São Mateus, VI: 1-4
2 - "Bem-aventurados os pobres de espírito" - São Mateus, V:3
3 - "Tudo o que sei, é que nada sei" - Sócrates
A humildade e a discrição são as chaves de uma busca bem-sucedida. Ainda que interminável.
O aprendizado está ao alcance de todos, em várias instituições. Difíceis são as pessoas e seu jogo de vaidades.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Junte-se a nós!

Abaixo, segue texto de minha amiga Odele Souza, do blog Flavia Vivendo em Coma.

O selo que vc vê à direita, feito pelo autor do blog Adesenhar, de Portugal, é a convocação para a Blogagem Coletiva para Flavia, programada para o dia 15 de Setembro de 2008, cujo tema será JUSTIÇA PARA FLAVIA. (como está escrito no selo de adesão)
Para participar, copie o código do selo ao lado que melhor se ajuste ao layout de seu blog e mantenha-o no seu sidebar. No dia da Blogagem transfira o selo para o início de seu post e escreva algo relacionado ao tema. Se preferir, copie na integra ou parcialmente um dos posts que estarei escrevendo nos próximos dias.Nesse caso, por favor, mencione que o texto é meu. Peço que por gentileza não usem termos inadequados ou ofensivos aos réus e juizes.
Os réus do processo pelo acidente causado à Flavia são :
JACUZZI DO BRASIL – fabricante que vendeu o ralo sem orientação técnica quanto à correta relação de proporção entre o equipamento de sucção e o tamanho da piscina onde foi instalado..
CONDOMÍNIO JARDIM DA JURITI - Av.Juriti,541 - Moema - São Paulo
Substituiu - sem orientação técnica - o equipamento de sucção da piscina. O motor de potência de 0,50 cavalos foi substituído por outro de 1,50 cavalos com potência superior em 78% o que deixou o equipamento superdimensionado e fora dos padrões de segurança, conforme perícia técnica anexada aos autos do processo de Flavia.
AGF BRASIL SEGUROS. – Seguradora do Condomínio.
Não pagou, quando por mim solicitada, o seguro de responsabilidade civil existente no condomínio, vindo a fazê-lo 1 ano e 11 meses após, mediante ordem judicial mas sem juros nem correção monetária.
Há quase dez anos, dei entrada na Justiça Paulista no processo de indenização por perdas e danos morais pelo acidente causado à Flavia. Há quase dez anos, luto na justiça pela condenação dos culpados. Até hoje os réus seguem impunes, e Flavia, já com 20 anos, segue vivendo sem a proteção que deveria - de imediato - lhe ter sido dada pela justiça que de tão lenta se torna uma justiça injusta.
Durante esses todos esses anos de batalha judicial, o processo de Flavia teve dois julgamentos. Em ambos nos foram concedidas indenizações de valores irrizórios, ínfimos, podendo mesmo serem considerados aviltantes, tendo em vista as gravíssimas sequelas que este acidente - causado por negligência de terceiros - deixou em Flavia. (*) Em novo e último recurso solicito à justiça, - agora em Brasília - indenização de valor adequado à gravidade deste acidente, para que Flavia possa ser cuidada - pelo resto de sua vida - com os recursos de que necessita para ter uma sobrevida digna. Há mais de um ano, o processo de Flavia teve autorização da justiça paulista para ser julgado em Brasília, em última instância. Há mais de três meses, essa decisão saiu publicada no Diário Oficial de São Paulo. Somente dia 14 de Julho de 2008, o processo de Flavia saiu do Tribunal de Justiça de São Paulo rumo ao Superior Tribunal de Justiça em Brasília. E lá, não sabemos por quantos anos ainda permanecerá.
Solicito sua adesão a esta Blogagem Coletiva. A união dos blogs em torno de um tema nos torna - a todos - mais fortes. Vamos juntos, escrever sobre a lentidão da justiça no julgamento de processos judiciais, deixando vítimas de acidentes graves, esperando por anos a fio pela punição dos culpados e por uma indenização coerente e condizente com a gravidade do dano que lhes foi causado. Vamos protestar contra essa lentidão, não só no Brasil, mas também nos países em que a justiça seja lenta. Somos todos irmãos.
(*) Nos dois julgamentos a indenização concedida pelos juizes de São Paulo foi em torno de 100 mil reais.=============================================================
Nota: Não tenho conseguido entrar em alguns blogs para copiar o nome e o linlk. Por isso peço que por favor, junto ao seu comentário de adesão, deixe sempre o nome de seu blog e o link. Caso você tenha aderido à Blogagem e seu blog não esteja na relação abaixo, por favor enviei um e-mail para odele.souza@gmail.com que imediatamente farei a devida inclusão. Obrigada.Confirmaram adesão à Blogagem Coletiva de Flavia, até agora: 82 blogs.

domingo, 3 de agosto de 2008

Amy Winehouse

Estou meio cansada de ver e ouvir as histórias de auto-destruição desta ótima cantora que tem álcool até no nome.
Gosto do visual dela, adoro a voz, o som é legal. Tinha tudo pra ser uma figura divina, uma diva da boa música. Infelizmente a mulher prefere jogar tudo pela janela e beber até cair, em público. Será que ela acha engraçado? Será que ela acha que vende mais assim? Será que ela só quer chocar os pais chatos? Sei lá.
Fico triste quando vejo tanto talento desperdiçado. Espero, de coração, que um dia ela tome mais vergonha na cara do que biritas.

sábado, 2 de agosto de 2008

Odele e Flavia na Record HOJE

Quero convidar você leitor a assistir o programa "O melhor do Brasil", hoje, na Record.
Há algum tempo postei aqui um texto sobre o drama de Flavia, que está em coma há 10 anos. Uma menina linda, que sabia nadar muito bem e estava acompanhada pelo irmão mais velho e um amigo, na piscina do condomínio onde morava, em Moema.
Num acidente que jamais poderia ter acontecido, num exemplo de negligência do fabricante do ralo da piscina e do condomínio, ela teve seus cabelos presos no ralo e entrou em coma irreversível.
Desde então Odele tem lutado pelos seus direitos, para que a Flavia tenha um mínimo de dignidade, apesar de todo seu sofrimento.
Fiz questão de conhecer Flavia pessoalmente. Peguei em suas mãos, afaguei seus cabelos e isso torna mais doloroso meu sentimento de impotência.
Embora aparecer na mídia não minimize a dor de Odele, é importante que se divulgue o fato, até porque uma de suas bandeiras é alertar outros pais e responsáveis, sobre o perigo escondido nas piscinas de clubes, centros de lazer, condomínios, residências.
Veja a reportagem. Divulgue. Se você tiver outros contatos na mídia em geral, repasse o caso, é uma excelente pauta jornalística. Junte-se a nós nessa luta.

Gatos - uma paixão


Nesse mês de agosto vai fazer 1 ano que ganhei minha gata siamesa, Jujú.

Vejo sempre uma certa magia na maneira como os gatos chegam até mim, especialmente porque sempre foram todos adotados.

Com a Jujú foi assim: eu tava procurando um bichano porque o meu anterior, Stitch, preto-e-branco, tinha sido cruelmente assassinado com uma paulada no focinho. Minha filha chorava sem parar, então fiquei meses procurando, na Cobasi, em feiras de adoção e até no Centro de Controle de Zoonoses. Nada. Eram gatos grandes e eu queria um filhote.

Num belo dia estava eu na casa de um casal de amigos queridos em Santo André e comentei sobre minha procura. Eles olharam um para o outro e lembraram de uma cunhada, dalí perto, que criava gatos. Meu amigo disse: "Liga pra ela porque acho que ela tem uma filhote lá agora e não pode ficar com ela". Liguei. Era uma siamesa. Em 10 minutos estávamos lá, ele e eu, com a gatinha no colo.

Existe todo um preconceito contra os gatos, que vem de séculos. Eram considerados os companheiros inseparáveis das bruxas e por isso mesmo foram lançados às fogueiras, junto com as coitadas. Os gatos também têm fama de egoístas, frios, independentes. "São apegados à casa, não ao dono".

Tudo bobagem. Engraçado que a maioria dessas frases tontas vêm de gente que nunca teve um gato na vida.

Os meus gatos sempre foram uns amores comigo. A Jujú, então, é carinhosa ao extremo. Vive perto de mim. Dorme comigo na cama, brinca o dia todo...é verdade que às vezes apronta, mas isso faz parte da divertida missão de cuidar de um gato. E ela é linda, absolutamente linda. Poucas sensações são comparáveis à de sentir aquele ron-ron no peito pela manhã.

Pena que a crueldade contra gatos aconteça ainda em enormes proporções. A Jujú fica presa em casa, mas outros costumam deixar seus gatinhos darem umas voltinhas e aí mora o perigo. Os bichinhos podem eleger algum jardim para lançar suas caquinhas e aí são vítimas de gente intolerante, que sequer avisa ao dono antes, mesmo que o gato tenha plaquinha com nome e telefone.

Nada justifica maltratar um animal, qualquer que seja ele.

Por isso guardo minha Jujú a sete chaves. Ela é minha preciosidade.

terça-feira, 29 de julho de 2008

Um pouso para a morte

Dia 17 de julho de 2007, início da noite.
Levando a gente pro aeroporto de Guarulhos, o taxista recebe aviso pelo rádio: "Um avião atravessou a pista em frente ao aeroporto de Congonhas e entrou no prédio da TAM. Mas parece que era avião de carga e tava vazio, taxiando". Não haviam informações precisas ainda.
Aquela noite tava carimbada pra ser triste. Esquecemos o documento da nossa filha mais nova e não pudemos embarcar pras nossas sonhadas férias em Pernambuco, pegando carona com o Marcos, que ia pra lá participar de um congresso. Choramos todos, nos despedindo do meu marido, que teve que ir, de qualquer jeito.
A essa altura, já se sabia que o avião em Congonhas tinha explodido, lotado de passageiros. Me encaminhei com as crianças para a fila do táxi - fazer o quê...
No saguão, aeromoças e comissários se abraçavam, berravam de desespero pelos colegas mortos.
Se o fim de uma viagem, quando o avião pousa, é, pela lógica, o alívio dos passageiros e de quem os espera em terra, como acreditar que a morte coletiva veio quando a máquina já estava no chão?
Absurdo. Incompreensível. Inaceitável tragédia.
Não havia taxista disposto a nos levar de volta, tamanho era o caos nas redondezas do nosso bairro, ao lado de Congonhas. Eu, com as crianças e as malas, sem saber como voltar pra casa. Um taxista disse: "A senhora tá louca, dona, que vou pra lá. Os bombeiros interditaram todas as avenidas em volta". Liguei para o Marcos, que a essa altura já tinha embarcado. Ele conversou com o homem, sugerindo uma rota alternativa. Como é duro ter que ensinar caminho de trânsito para um profissional que tem obrigação de saber se virar numa hora dessas!
Pegamos a Marginal Pinheiros. Dalí, já pude avistar a longa torre de fumaça negra. Lembrei das chaminés dos campos nazistas.
Corpos também ardiam alí. Velhos, jovens, crianças.
Meu bairro estava sem luz. Ao sair do táxi, aquele cheiro pairava no ar. Invadia a casa, grudava nas cortinas...cheiro de borracha queimada misturada com óleo, fuselagem e gente. O barulho era ensurdecedor: dezenas de helicópteros de emissoras de TV sobrevoando a casa a noite toda. Pela madrugada adentro, aquele barulho e aquele cheiro inesquecível. Se eu fechar os olhos ainda posso sentir. Da janela dos quartos dos fundos, eu via o clarão das chamas, subindo. Felizmente eu só via isso e a fumaça.
Tive dó dos moradores dos andares mais altos dos prédios, em volta do local. Convidados a assistir a um espetáculo fúnebre, macabro, pelo qual jamais teriam pago ingresso. Foram dias e dias testemunhando o trabalho dos bombeiros, apagando o fogo, recolhendo pedaços de gente. Pedaços de pessoas. Teriam estes moradores fechado a cortina? Se ausentado de casa? Ou simplesmente teriam desistido de abrir as janelas?
Naquela noite, desolados, eu e minhas crianças dormimos juntos, abraçados, tentando esquecer que tanta gente estava morta, praticamente no nosso quintal. Nossa sensação, naquela noite e nas seguintes, foi de intenso luto. Tristeza pela perda de vidas que sequer conhecíamos.
Vimos, tempos depois, a implosão do prédio da TAM. Uma sirene alta tocou e em minutos tudo veio abaixo. Como se derrubar tudo apagasse a lembrança da tragédia.
Não apagou. Até hoje, passar pelo local é difícil. Aperta o peito. Tento fazer outro caminho.
É um pequeno cemitério sem corpos.
No aniversário de um ano da tragédia, manifestações dos familiares. Um minuto de silêncio - contra a eternidade do silêncio de quem morreu.
Uma bandeira do Brasil foi hasteada e está lá até hoje. A meio palmo. À noite, é iluminada por holofotes.
Os tapumes que escondem o que restou dos escombros foram pintados de azul. Com estrelas brancas, representando cada vítima.
Ainda não se sabe se o local abrigará um memorial. E pra variar, ninguém assume a responsabilidade pelo acidente.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

Perfis de motorista que vejo por aí

1 - O babaca metido a chique:

Vestuário - calça jeans de marca; boné virado pra trás; camiseta Bad Boy; óculos escuros tipo mosca;
Esporte - Jiu-jitsu;
Leitura - o que é isso?
Passatempo preferido - lavar o carro na frente da casa, com o som no último volume;
Namorada do lado - loira tingida, cabelo alisado, óculos tipo-mosca, passa a tarde na academia e não sabe quem foi Edith Piaf; só toma suco;
Carro - qualquer um último tipo; ou uma lata velha qualquer com as rodas de trás levantadas, faróis super altos, sempre mantidos no máximo para cegar os outros e luzinha neón no pára-choque. Adesivo "Bad boy" em cima da lanterna traseira;
Atitude - cotovelo esquerdo pra fora da janela; cara de mau; dedinho do meio levantado pros motoristas que não o deixam passar. Lata de cerveja na mão direita. Velocidade máxima. Sempre pára em cima da faixa de pedestres. Adora andar na esquerda, não dá seta e gruda no carro da frente, querendo passar.

Em breve, outros perfis clássicos de motoristas que só deviam andar a pé ou de bicicleta.

quinta-feira, 10 de julho de 2008

Som do silêncio

Não entendo o porquê de a maioria das pessoas não saber apreciar o som do silêncio.
O som da natureza. O farfalhar das copas das árvores. O assobio do vento. O motorzinho de um teco-teco voando por aí.
Onde quer que se vá em busca de um pouco de paz, seja na praia, no campo, sempre tem um pentelho pra abrir o porta-malas do carro e ligar o rádio no máximo volume. De preferência com músicas da pior qualidade possível.
Eu respeito os gostos alheios, mas não venham me empurrar funk e pagode, sendo que eu NÃO QUERO ouvir. Nunca, em momento algum, ouço música desse tipo.
Eu amo música, mas certos lugares precisam ser curtidos com sua trilha sonora original. Ou nada mais além do que o som do meu próprio coração batendo.
O brasileiro em geral tem tomado gosto pelo barulho que incomoda o vizinho. Tem pelo som artificial a mesma obsessão que o americano tem pela comida: tudo tem que ter molho em cima.
Não apreciam o sabor único das coisas...estão sempre temperando tudo excessivamente.
Portanto, mais silêncio e principalmente, mais respeito pelo próximo, que não deve ser obrigado a ouvir música ruim, na hora errada. Se é que existe hora certa pra funk e pagode!!

Por uma vida mais simples e mais divertida

Às vezes me assusto com minhas próprias impressões acerca do quanto o mundo está mudando. Não gosto de pensar que a mudança é pra pior, porque fico parecendo uma velha tia rabugenta que repete sempre: "No meu tempo, era melhor..."
Mas venhamos e convenhamos: certa falta de mordomia e facilidades tornavam a vida mais divertida.
Por exemplo: antigamente a gente não podia baixar músicas pela Internet porque nem sonhávamos em ter um computador em casa. Então, ou a gente ficava torcendo pra música de que gostávamos tocasse no rádio ou íamos à loja de discos - no meu caso, a Hi-Fi - pra comprar o LP (ou "bolachão"). Duro era quando não sabíamos o nome da música, ou da banda, ou do cantor e nem o nome do LP com "aquela" música.
Perdi a conta de quantos cabeludos balconistas da Hi-Fi (lindos, por sinal) tiveram que me aturar cantarolando desafinadamente a música que eu queria encontrar. Era cômico. E às vezes eu ainda imitava a guitarra. "Sabe, moço, aí entra uma guitarra assim aguda, téim téim téim téeeeeeim". Que mico. Mas eu dava risada comigo mesma, aliás, como sempre fiz.
E num tempo em que não havia TV a cabo, ou você morava numa região em que sua antena de TV funcionasse, ou tinha que se contentar em ver dois ou três canais que pegassem bem, ou outros com imagens duplas e fantasmagóricas. Claro que não se dispensava o velho Bombril na ponta da antena. E sempre tinha um cristo que subia no telhado pra arrumar a bendita e ficava berrando lá de cima: "Tá bom? E agora? Tava melhor antes ou agora que eu virei a antena pra direita?". Ah e a gente ainda elegia qual membro da família se levantaria para trocar de canal ou aumentar o volume. Sim, controle remoto não existia nem na nossa imaginação.
Por último, o celular. Bem menos gente se irritava num cinema ou num teatro como hoje, quando sempre há um sem-noção tagarelando nessa praga. E era emocionante ter que procurar um orelhão que funcionasse para aquela ligação de emergência, quando estávamos fora de casa.
A vida sem tanta tecnologia era mais barata, mais simples, mais divertida. Sem querer ser rabugenta, mas já sendo...no meu tempo, era muito melhor.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida