sexta-feira, 30 de maio de 2008

Espiritualidade

Amanhã meus filhos, de 9 e 11 anos, participam de um ritual de primeira Eucaristia. Para os não católicos, explico: trata-se de receber pela primeira vez a hóstia, lâmina de trigo que simboliza o pão que Jesus Cristo compartilhou com seus apóstolos pouco antes de ser preso pelos romanos.
À parte minha posição sobre as células-tronco e a inconveniente ingerência da Igreja Católica sobre o assunto, quero dizer que optei por dar aos meus filhos a iniciação de uma crença espiritual. O aprendizado e a crença, a fé, de que estamos sob a gerência de alguma força superior a nós.
Acho que os fatos corriqueiros, de violência dentro da família, nas ruas, no trânsito, no convívio entre as pessoas, passa também por uma falta de crença em algo superior que nos move, que dá uma diretriz à nossa vida. Minha falecida avó dizia: "Falta temor a Deus". Convicções antropológicas à parte, do que vem a ser o tal "Deus", mas...
A misericórdia e a compaixão que nos distingue dos animais - embora estes, tantas vezes, nos dêem provas de muita inteligência e sentimento - aquilo que nos freia e nos impede de cometer atos tais como os que mataram Isabella, ou do cara da picape que atirou em outro por causa de uma freada brusca, ou do terrorista que estava a bordo do avião que se chocou sobre o WTC em NY, ou da pessoa que deixa o cachorro fazer sujeira na calçada pública. "AH, NÃO COMPARE UMA COISA COM A OUTRA" - dirão alguns.
Comparo sim. É individualismo, a raiz de tudo. E isso não tem nada a ver com religião.
É incoerência com o próprio compromisso de vida, seja qual for a religião, o caminho individual ou mesmo o ateísmo. Conheço indivíduos ateus que são lindos seres-humanos. Com compaixão, com respeito pelo outro, com dignidade, com admiração pelo Direito público, com consciência de cidadania. Com a santa mentalidade de que o ser humano não vive só e depende do outro.
Espiritualidade é crer que somos seres únicos...e que temos compromisso com o próximo, com a boa convivência. Seja lá qual religião este "próximo" tenha.
Dei aos meus filhos a chance de conhecerem um pouco do Cristianismo, pelo o que considero, por tradição familiar, o meio mais simplificado.
Amanhã, conforme seus próprios pilares de conhecimento, darei a eles a liberdade de acolherem esta, aquela ou nenhuma religião.
Fiz a minha parte.

quinta-feira, 29 de maio de 2008

LIBERADAS!!!!

Liberadas as pesquisas com as células-tronco embrionárias! Ufa...
Agora falta verba, por enquanto, restritas aos cofres públicos. Mayanna Zatz torce pra que se consigam verbas do capital privado também.
Vencemos o retrocesso. Com todo o respeito a todas as religiões, mas, avançar nas pesquisas sim, é defender a vida, dos que estão aí e dos que estão por vir. O Estado não pode se misturar com a religião.

Caca de cachorro - de novo!

Aconteceu ontem na hora do almoço.
Estacionei meu carro. Do outro lado da rua, vinha um moço bonito correndo, sem camisa, todo pimpão, com seu labrador preto. De repente ele parou e o cachorro defecou, no meio do asfalto.
Aquilo mais parecia sujeira de cavalo, não de um simples totó. Quando o bicho acabou, o cidadão foi saindo de fininho, como se nada tivesse acontecido. Não resisti. Seguiu-se o diálogo:
EU: - O sr. vai deixar essa sujeira aí?
ELE: - Eu esqueci o saquinho. Ele só faz uma vez por dia.
EU: - É, e pelo visto, quando faz, capricha!
ELE: - Eu sou veterinário.
EU: - Ah é? Então mais um motivo pro sr. ter um pouco mais de consciência sobre a limpeza da nossa cidade.
ELE: - Você tem um saquinho aí pra me dar?
Por coincidência, eu tinha acabado de voltar das compras. Tirei do carro uma sacolinha e entreguei a ele.
O rapaz agradeceu. Eu agradeci. Ele recolheu. Agradeceu de novo. Agradeci de volta. Ele seguiu o seu caminho. E vivemos felizes para sempre. Eu, o cachorro, ele e a cidade.

Francisco Cembranelli


Afora tudo o que já disseram sobre o caso Isabella, uma figura tem se destacado na história toda. A do promotor Francisco Cembranelli. Desde o início admiro a postura deste profissional. Ao mesmo tempo, não passa despercebida sua desenvoltura e até por que não dizer, um certo charme. Já há várias comunidades sobre ele no Orkut e suas fãs se auto-denominam de "As Cembranelletis".

À caça de mais informações sobre ele, penei, penei e cheguei numa matéria online do jornal "Estadão". Peço desculpas ao colega jornalista, pois não encontrei o nome dele na matéria e não tenho como citar a fonte. Se alguém souber, publico aqui. Aí vai um resumo de informações pra todo mundo que admira o promotor.

Primeira pergunta que não quer calar: o que ele tem no olho esquerdo? Quando criança, aos 2 anos, num domingo de carnaval de 1963, perseguiu um cachorro numa rua de São José do Rio Preto, cidade natal; tropeçou e caiu num tanque de cal. Sofreu sequelas no olho, o que contribuiu com sua timidez.

Ele sentava no fundo da sala de aula e evitava a todo custo expor-se na frente da classe. O talento para o Direito, o traiu. Superou a timidez nos tribunais, como Promotor Público. Em breve completa 20 anos de carreira. Filho do Procurador de Justiça Sylvio Glauco Taddei Cembranelli, já falecido, é formado pela FMU.

É santista roxo. Casado com uma Defensora Pública. Tem dois filhos, de 7 e 9 anos. Que até hoje se perguntam: "Por quê o papai prende e a mamãe manda soltar?"

Um pouco da doce inocência infantil é um alento nesse assunto. Muito provavelmente um bocado do empenho do Promotor não se deva apenas à sua postura ética, de bom profissional. Mas também, por ele ser, acima de tudo, um bom pai.

terça-feira, 27 de maio de 2008

Células-tronco

Estou torcendo para a liberação da pesquisa com as células-tronco. Muito me decepcionou a postura retrógrada de Ives Gandra, um cara que eu sempre admirei.
É aquela velha história: se ele tivesse um caso de doença na família cuja única esperança fosse a cura com células-tronco embrionárias, duvido que seria contra.
Quanto atraso!!

Caminhar: tormento do paulistano

Nesses tempos em que a prática de exercícios é tão incentivada pelos médicos e pela mídia em geral, fica evidente a dificuldade do paulistano em praticar uma simples caminhada pela manhã. Era pra ser simples, agradável, gratuito, afinal. Mas haja paciência para enfrentar as calçadas quebradas, desniveladas, motoristas apressados, lixo, buracos e sujeira de cachorro. Se nos meus 39 anos já é difícil, fico imaginando para os velhinhos, geralmente com problemas ortopédicos e, pior ainda, para os deficientes que usam cadeira de rodas. Acessibilidade, nesse caso, é tema que pretendo abordar em breve.
Hoje resolvi deixar o carro em casa e ir ao mercado a pé. Deparei com a velha cena de cães fazendo cocô na calçada e quem os conduzia, não recolheu. Eram dois cães Golden Retriever, meu sonho aliás, lindos. Nem foi bem na calçada; a pessoa quis amenizar o estrago e deixou os bichos naquela posição vexatória no meio fio, em frente à garagem de uma casa. Imaginei as rodas do carro do proprietário, quando entrasse. A sujeira se esparramando pela garagem, pela casa toda.

Posse responsável não inclui apenas cuidados médicos, castração, ter cães adequados ao espaço disponível, mas educação, também. Socialização do animal, para que não seja agressivo e recolhimento de seus dejetos. Há até pás especiais para isso – e quem sustenta dois Golden Retriever pode comprar a tal pazinha.
Acontece que muitos donos, sem noção, mantêm cães de grande porte quase sozinhos o dia todo em casa; pior, em apartamento. Incumbindo a diarista ou outro funcionário de levar os totós para fazerem “totô”. Quem não é dono, não tem carinho pelo animal e tem nojo da caca.
Eu não tenho nojo da caca do meu cachorro. O eduquei para fazer no jornal – o que deu trabalho. Não tenho tempo de passear com ele, mas quando consigo, não deixo de levar o saquinho e trazer para minha casa e jogar no meu lixo. Aquelas lixeiras de ferro, ornamentadas, são suportes particulares, não lixo público. Largar o saquinho na calçada também não vale. Continua sendo lixo, na calçada alheia.
Existe uma lei para punir os donos de cães que emporcalham as ruas. Sem fiscalização, fica difícil. Quanto emprego não haveria, com mais fiscais por aí, fazendo cumprir a lei?
Do jeito que está, ou a gente desvia dos “campos minados”, ou faz como os japoneses: tiramos os sapatos antes de entrar em casa.
E não é que é mesmo uma boa idéia?

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Lá vai Marina...ouça a entrevista da CBN

...E a ex-ministra Marina Silva chorou durante entrevista ao jornalista da Globo, Geneton de Moraes Neto. No sábado, ela falou no "Revista CBN". , com Tânia Morales e André Trigueiro. Imperdível.
Simpatizo com o Carlos Minc. Só acho que ele já está passando insegurança demais antes mesmo de entrar. É como você pegar uma carona e o motorista já ir dizendo: "Olha, eu não dirijo muito bem, viu? Você coloque o cinto e certifique-se de que seu seguro de vida está pago em dia."
Eu heim...Tomara que dê certo. Acho que o país inteiro está torcendo por ele.

domingo, 18 de maio de 2008

São Paulo: chão da nossa casa

Sábado, 17 de maio de 2008. Estou na rua Teodoro Sampaio, conhecida como a rua dos móveis e da música – uma série de lojas especializadas, pra quem quiser batucar num sofá ou num bongô. À minha frente, um Vectra último tipo, feito táxi. O fulano abre o vidro e arremessa um papel de bala no chão.
Quantos centímetros mede um papel de bala? Mais ou menos 7 por 5,5 cm. Pouquinho, não? Imagine que 1000 são lançados por dia numa megalópole. Quanto disso vai pra santa vassoura de um gari? Quanto disso vai pras bocas de lobo e contribuem com as enchentes? E quanto ao pacote de salgadinhos lançado pela janela de um ônibus à minha frente na av. Paulista, uma hora e meia depois?
Poucas coisas me deixam mais indignada do que lixo jogado no chão da cidade por pessoas sem educação. Isso não se restringe a gente pobre e sem acesso ao ensino, não. Já cheguei à conclusão de que carros último tipo não possuem cinzeiros. Uma profusão de motoristas de Audis e Ferraris provavelmente acha que seus carrões não têm cinzeiros. E dá-lhe bituca de cigarro nas ruas da minha São Paulo. É. MI-NHA!! E sua também!!
O chão da minha cidade é o chão da minha casa. E eu não ando pela minha casa arremessando lixo pelo chão. Lembro de levar minha filha Adriana, ainda bebê, há 9 anos, pra tomar sol, de manhã. Íamos, ela no carrinho e meu filho com quase 2 aninhos, me pegando pela mão e passeando pelo bairro do Limão. André gostava de um pirulito da padaria e era tão simpático que o dono sempre dava-lhe umas balinhas a mais. Ele me entregava sistematicamente os papeizinhos, que eu enfiava no bolso. O preço da educação dele. Sob orientação vigilante, minha. Bolsa de boa mãe volta cheio de papéis de bala, de pirulitos, do que seja, quando não achamos uma lata de lixo por perto. De forma que meus filhos foram educados assim. “O chão da rua, é como o chão de casa”. Ora essa, nós mães estamos deixando cidadãos como herança para esse mundo. Então, que sejam boas pessoas! É o mínimo!
E ampliando esse foco maternal, como podemos ajudar a educar os cidadãos da nossa cidade? Como ver alguém jogando lixo no chão e dizer alguma coisa, sem parecer agressiva? Como tolerar, contar até dez, quando vamos ao parque do Ibirapuera e vemos alguém jogar um copo plástico na grama, com um cesto de lixo a poucos centímetros de distância?
Eu não sei. Mas não fique quieto. Precisamos agir. Ainda dá tempo. Se a tal educação não tiver vindo de casa, vai ter que ser na marra. Da boca de um estranho. Como eu e você.

quinta-feira, 15 de maio de 2008

Intransitável 2

O tema do trânsito suscita tanta polêmica, que resolvi escrever mais um pouquinho. Desta vez, abordando a questão do comportamento nas ruas de São Paulo.
No texto anterior critiquei os especialistas, mas na terça-feira, Paulo Resende, da Fundação Dom Cabral, disse coisas bem interessantes, numa entrevista à Fabíola Cidral, da rádio CBN. Entre elas, que metade do problema do fluxo nas ruas se deve ao péssimo comportamento dos motoristas. E é verdade. Por exemplo, ele citou o motorista que já conhece seu caminho e sabe que dalí a alguns kilometros vai ter que entrar à direita. Ora essa, vai pegando já a faixa da direita, né? NÃAAAAOOOO...o cara acha mais emocionante ir fechando TODOOOOO MUNDOOO antes, claro que SEM dar a seta, o que também deixa os motoqueiros furiosos e causa muitos acidentes.
Tem os espertinhos também, que aproveitam o acostamento das marginais para circular quando tá tudo parado. E depois, na cara-de-pau, tentam entrar na faixa de novo. Eu não dou passagem.
Posso estar errada, afinal esse clima de revanche também só piora as coisas. Mas o cara agiu errado, oras! Que pene um pouco pra voltar à faixa.
Nos engarrafamentos, há que se ter mais gentileza. Deixar um entrar. Ceder a outro. Agradecer. Pois a nossa gentileza, acaba em gentileza de outros para conosco. Sem buzina, porque não adianta! Celular é outra desgraça. E vejo a expressão de quem está usando: não parece uma conversa rápida, algo urgente. Não, o usuário fica lá, dando gargalhada, estendendo o papo...é claro que não dá pra dirigir e falar ao mesmo tempo. É acidente, em 80% dos casos.
Preferenciais: ninguém sabe o que é. Gente, onde houver uma baita placa vermelha escrita PARE, sabe, é PRA PARAR! E a perpendicular é a preferencial, portanto. O que andam ensinando nas auto-escolas? Aliás devia ter um decreto pra fechar todas as auto-escolas da cidade temporariamente! Não precisamos de mais carros nas ruas! Ah, não...
Ônibus: motoristas completamente sem noção. Não encostam na guia pra pegar passageiro, correm demais. Já levei uma pancada na traseira do meu pobre Corsinha, que me deixou sem carro por quase duas semanas. Claro, eles vêm à toda! Agora evito ficar na frente de ônibus. E muita gente não pega ônibus tbém por conta disso. Falta de cuidado, sem falar nos assaltos.
Pedestres: no bairro do Campo Belo eles têm a mania de andar nas ruas, não nas calçadas. Será excesso de cocô de cachorro? E quando você está dando uma ré e o pedestre passa por trás do carro? E quando vc passa por baixo de viaduto e um monte de crianças filhas dos sem-teto aparecem na sua frente, do nada? Pedestres também precisam ter mais consciência e atenção. Usar as passarelas, obedecer o semáforo. Mas não tem jeito, o ônus maior recai mesmo sobre nós, motoristas. Um carro pode virar uma arma e a concorrência com pedestres, carroceiros e ciclistas é covarde.
Por tudo isso, cabe a nós muita prudência, mais educação, mais calma, mais tolerância. E zero de álcool.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Intransitável

Tá na mídia a questão, dramática, do trânsito em São Paulo. Especialistas dizem que em 5 anos a cidade pára de vez. E hoje o prefeito Gilberto Kassab limitará o acesso de caminhões a algumas áreas, em horários pré-determinados, pelos “especialistas”.
É. “Es-pe-cia-lis-tas” em trânsito existem aos montes, nos gabinetes. Se fossem bons o suficiente, não estaríamos nesse mato-sem-cachorro. Eu acho o Roberto Scaringela um dos piores deles. O cara tá em todas, não larga o osso há anos, sempre ocupando algum cargo de direção na CET ou sei lá onde e dá pitacos na base do chutômetro. Pitaco por pitaco, vou dar os meus, sobre algumas questões:
- Restringir caminhões vai ser alívio pra muita gente. Mas podem crer, a conta vai parar nos nossos bolsos, não demora muito.
- Metade dos caminhões que circulam em nossa cidade estão em péssimas condições e quebram, um depois do outro, entupindo as principais vias de acesso.
- A outra metade deles não precisaria cruzar São Paulo e o resto do Brasil de ponta-a-ponta, se o governo do seu Lula se preocupasse em construir mais FERROVIAS. Transporte de carga tem que ser feito de TREM. Acordem, pelo amor de Deus!!
- Motos – tenho dó de motoqueiro, os “cachorros-loucos”. Sabem quanto eles ganham? Sabem quantos morrem por dia? Sim, são imprudentes, arrogantes. Viraram os donos da rua. Mas a culpa é das empresas, que exigem prazos absurdos de entrega. Se elas fossem coibidas de exigir tanta rapidez, se isso fosse restrito a um tempo mínimo, eles não precisariam se matar por aí e causar tantos acidentes.
-Metrô – não pego metrô e ônibus com meus dois filhos nem que me paguem. Lotados, sem horário certo, fora os assaltos, o assédio sexual, a falta de educação dos usuários (que não cedem lugar a crianças, idosos nem mulheres grávidas), a pouca acessibilidade às diversas regiões, já que a malha ainda é insignificante, perto da necessidade. Enfim, ainda é metrô de Terceiro Mundo. Tenho meu carro, meu Corsinha véio 2001 e vou continuar usando. Paguei por ele, pago IPVA, pago um monte de imposto sobre combustível. Tenho direito de usar!
-Bicicleta – tenho pânico de andar de bicicleta nesse trânsito de São Paulo. Se quiser me matar, prefiro ficar 2 horas parada no meio dos caminhões da Bandeirantes com os vidros abertos.
Aliás, os caminhões que não precisariam estar alí se houvessem mais trens. E que desafogariam as ruas e avenidas pra dar espaço pros ônibus. Que seriam mais utilizados, permitindo deixarmos nossos carros em casa. E aí poluiríamos menos. E aí chegaríamos mais cedo aos nossos destinos. E voltaríamos mais cedo pra casa também. Incluindo os motoqueiros. E respiraríamos menos fumaça. E a saúde pública ia ganhar muito. Respirando melhor, as pessoas teriam mais prazer em andar a pé. E andando a pé, ocupam menos ônibus. E...bem, deixa pra lá, que a lista não tem fim.
São tantas questões, integradas...não adianta vestir um santo e desvestir outro. É isso aí.

sábado, 10 de maio de 2008

Multiplicando o amor


Estive hoje no abrigo “Lar amor e esperança”, mantido pelas Irmãs Dominicanas do Santíssimo Sacramento.
Eu já tinha ido a outro abrigo, o “Aldeia SOS”, por conta de uma reportagem. Desta vez, visitamos o lar das Irmãs Dominicanas como parte do trabalho da igreja onde meus filhos fazem catecismo. Os alunos da catequese também foram conosco. É essencial que nossos filhos possam ter contato com outra realidade e também aprender a fazer caridade. Não basta só ouvir sobre e falar sobre...é preciso, principalmente, praticar.
São 30 as crianças deste abrigo, de 0 a 13 anos, aproximadamente. Na maioria, meninas. Nem todas para adoção. Muitas delas estão lá temporariamente, pois suas famílias estão desestruturadas e tentando resolver problemas como desemprego, alcoolismo e dependência de outras drogas. Outras, são filhas de presidiários. É uma história mais dramática do que a outra, mas dá vontade de levar todas as crianças pra casa.
Senti uma emoção muito grande de início e achei que ia acabar chorando...

Eu fui abandonada numa maternidade e adotada quando tinha 15 dias de vida. Hoje, no abrigo, não pude deixar de pensar que um dia, eu podia ter ido parar num abrigo também, se não tivesse tido a sorte de encontrar uma família que me queria.
Sempre pensei em adotar uma criança, mas esta é uma decisão muito séria, muito profunda, que não pode ser tomada por impulso. É preciso pensar, ponderar, analisar vários aspectos, afinal, há uma outra vidinha em jogo. Às vezes, mais de uma.
Hoje descobri que, enquanto não chego a uma conclusão sobre isso, posso catalisar meus instintos maternais ajudando abrigos como este. Inúmeras pessoas também não se sentem aptas a adotar, emboram tenham carinho de sobra dentro de si.
Eis uma maneira muito legal de se doar. Só visitando e tendo contato com essas crianças é que dá pra entender, em profundidade, o quanto um abraço, um beijo, um carinho, um colinho, faz diferença na vida delas.
Eu sou mãe, amo ser mãe. E, graças a Deus, tenho uma mãe! Mas descobri que o amor que podemos doar é infinito e se multiplica, quando nos dispomos. Refletir sobre isso, hoje, no abrigo, com a oportunidade de agir e interagir, com as crianças, foi muito importante pra mim. Espero que mais pessoas descubram como é simples e gostoso levar um carinho para os pequenos, que precisam tanto disso. Um feliz dia das mães.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

Esta menina está em coma há 10 anos


Peço a todos que acessem e divulguem o blog de minha querida Flavia Belo, brilhantemente elaborado e sempre atualizado por sua mãe, minha amiga Odele Souza.
Colegas jornalistas: este caso de Flavia oferece a vcs uma série de pautas possíveis, com enfoques diferentes, por exemplo:
- O perigo dos ralos de piscina - matéria de utilidade pública;
- A vida de uma pessoa em coma vigil há 10 anos - os sofrimentos físicos, a rotina de cuidados etc - matéria de utilidade pública ;
- A força dos blogs - A blogosfera como meio de manifestação democrática da cidadania ;
- A lentidão da Justiça brasileira - a luta de uma mãe pelos direitos de sua filha, em coma há dez anos, sendo um dos réus uma multinacional poderosíssima - a Jacuzzi.
Há tantas pautas possíveis neste tema, colegas, que me sinto profundamente angustiada pela minha própria impotência para elaborar uma ou tantas matérias que o assunto possibilite. Sou apenas uma jornalista free-lancer, movida por ideais, mas sem qualquer chance de ação concreta, a não ser esta, pelo blog.
Ok, o caso Isabella mobilizou a Imprensa. O casal suspeito está preso. Chega!! Agora está nas mãos de um juiz.
Vamos voltar também as atenções para casos de violação de outros direitos humanos, como os de Flavia Belo: que está viva e tem seus direitos vilipendiados, diante de uma Justiça que até agora tem sido lenta e ineficiente.
Vamos dar atenção ao caso de uma menina que hoje é uma moça, numa cama, sem capacidade de se manifestar e que tem apenas na brava mãe a sua voz.
Em tempo: Flavia segue há dez anos em coma, sem estar ligada a nenhum aparelho. Sobrevive em casa, pelo amor dedicado e por alguma força que só Deus é capaz de explicar. Sofre. Sente dores lancinantes. Tem seus pés delicados deformados com o passar do tempo. Mas está viva. A espera de alguém que possa contar seu drama e reinvindicar seus direitos.
Nós jornalistas, podemos e DEVEMOS contar a sua história.

Just do it


A Nike já podia ir pensando em outro slogan ("Just do it" - simplesmente faça) e em arranjar outros garotos-propaganda também, incluindo os involuntários.

Primeiro foi o Ronaldinho, que tem um baita contrato de publicidade com a empresa e pegou os travestis numa av. do Rio de Janeiro. Não pensou duas vezes. Não lhe ocorreu que é pessoa pública, ídolo de um monte de gente e o mínimo que devia ter é um comportamento discreto. Mas não. A única coisa que impulsivamente pensou foi no "Just do it", da Nike.

E ontem, um fotógrafo da Folha flagrou Alexandre Nardoni dentro do camburão calçando um belíssimo e reluzente tênis de qual marca? Da Nike.

Infeliz coincidência. Quase posso adivinhar que na fatídica noite em que Isabella morreu, também só deve ter passado uma frase pela cabeça dele: "Just do it".
Esperemos que a Justiça finalmente cumpra com seu papel. Que o Juiz responsável pelo caso "Just do it", também.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

As "vagabundas" donas-de-casa

Não tenho que dar satisfações a ninguém da minha vida, mas por vezes – e sei que hei de compartilhar isso com milhares de mães que não conseguem sequer acessar a Internet – me aborrece o fato de muitas pessoas acharem que por não trabalhar “FORA”, não faço mais nada na vida. Estas mulheres à moda antiga não se arrependem. Veja outro artigo interassantíssimo a respeito em "Época", que aborda, inclusive, a dificuldade que o mercado oferece para mães que optaram por se dedicar aos filhos, ao invés da carreira, de voltarem mais tarde.
Não me acho, de jeito nenhum, ociosa. Não, eu não trabalho fora. Eu trabalho DENTRO!!!!!!!!!!
A quem tiver uma misericordiosa paciência, segue abaixo meu diário:
1- 5:45 – Acordo com meu marido e acordo as crianças, para irem à escola. Ajudo o meu filho de 10 anos a colocar o uniforme, pois a essa hora, ele é quase um zumbi, incapaz de calçar as próprias meias (Hei feministas, sim, isso porque ele é HOMEM!!);
2 – 6:00 – Preparo o café da manhã, ponho a mesa, e chamo a turminha pra tomar o desjejum.
3 – 6:40 – A tal turminha se despede com um beijo. Meu marido os leva à escola.
4 – 7:00 – Depois de escovar os dentes e tirar meu pijama de bolinhas, arrumo os quartos, guardo os pijamas, ponho as camas em ordem e desço com um "saco de Papai_Noel" de roupas sujas rumo à lavanderia.
5- 8:00 – Se eu tiver conseguido arrumar toda a bagunça deixada lá em cima (moro num sobrado) pelos três a essa hora, estarei sendo otimista. Mas vamos lá! Afinal preciso dar satifações às feministas que defendem o enterro em vida das donas-de-casa!!! Estas INÚTEIS, como eu!
6 – 9:00 – Separo as roupas sujas. Coloco na máquina, por grupos, afinal, é preciso economizar água. E roupas. Ah, não posso tbém esquecer que tenho que esfregar alguns colarinhos. Oh, isso leva tempo!
7 – 9:30 – Não posso tbém esquecer que não tenho empregada doméstica todo dia e que sou formada em Jornalismo – ah, é, quase me esqueço desse detalhe – então, tenho que alimentar o meu blog (oh Deus, mais um filho!) e ver meus e-mails. É o mínimo, para uma “jornalista formada”, como eu.
8 – 10:30 – Acabo de ver meus e-mails, tento alimentar o blog, desço pois tenho que pensar no almoço das crianças. Elas chegam famintas, todo dia.
9 – 11:00 – No fogão: olhando o relógio...um arroz tem que ficar pronto em 20 minutos. Minha filha enjoou de macarrão, então isso não serve. Sanduíche de sardinha é bem-vindo. Uma verdura...sim, tenho que ter uma verdura. Sim. Ainda por cima tenho que ser nutricionista se não quiser ter filhos balofos.
10 – 11:40 – Saio voando pra pegar os dois na escola. Trânsito. CBN. Ah é, sou jornalista...preciso estar bem informada. Mais trânsito. Caos. Poluição. A faixa marrom de poluição no horizonte. Uma cerveja pelo amor de Deus!!
11_ 12:15 – Crianças em casa. Servir o almoço. Tirar a mesa. Lavar a louça do almoço. Sobremesa. Lavar a louça da sobremesa. Mandar as crianças escovarem os dentes. E lá se vão...
12 – 14:00 – SIM SENHORES!! Já estamos no início da tarde!! Lição de casa das crianças. Filho mais velho tirando 2 em Matemática. Lá vou eu, a VAGABUNDA da mãe dona-de-casa, que não tem nada mais o que fazer, acompanhar o filho em sua lição.
13 – 15:30 – Aula de treino de violino da minha filha. Fico com ela mais 40 minutos. Confiro a lição do mais velho. Problemas de Matemática. Lembro que repeti 2 anos nessa matéria. Alguém aí conhece um professor particular pra mim e pra ele??????
14 – 17:00 – Não, vcs pensam que sentei no sofá ou deitei na rede por algum minuto? HAHAHAHAHA. Hora do lanche da tarde. E eu não posso comer nada, pois quero perder peso.
15 – 18:30 - Hora de pensar no jantar para marido faminto e crianças idem. Sobra do almoço? Nem sempre dá. Sopa? Muito pouco. E eu, só na salada.

16 – 20:00 – Quanto tempo de folga, não? Pois é, só tive que botar dois pra tomar banho, tirar a mesa do jantar, arrumar as camas, separar os pijamas de todo mundo e TENTAR tomar um banho decente. Eu mereço.
17 – 22:00 – Depois de tudo isso, preciso estar em forma, perfumada, graciosa, amorosa, carinhosa, pra ser uma boa esposa para meu querido marido. Ele merece. Eu tenho sorte. Nenhum casamento é perfeito mas estou feliz assim. Foi MINHA OPÇÃO de vida.

E COMEÇO TUDO DE NOVO AMANHÃ.
Na boa. Só não me venham insinuar que não faço nada o dia inteiro. Nunca mais.
PS: ah, não esqueçam, senhores inquisidores da minha “vagabundicie” e minha “falta do que fazer”, que além de tudo isso volta e meia encaixo pediatras, dermatologistas, reuniões na escola – tudo isso, dos meus filhos. Eu? Eu sou uma “sem mais o que fazer”, com certeza. Não acham? Boa noite.
PS: Oh não, mil perdões...senhores e senhoras trabalhadoras: ainda tenho pais em idade avançada, que demandam atenção e cuidado...Mas isso é só um detalhe. Continuo sendo uma "sem nada mais o que fazer". Boa noite.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

"Que belo estranho dia pra se ter alegria"



Segunda-feira, volta de feriado. Eu tinha tudo pra estar inconsolável hoje. Mas estou curtindo “Que belo estranho dia pra se ter alegria”, novo CD de Roberta Sá, uma das melhores revelações da moderna MPB dos últimos tempos. Ouvir esse CD é sorrir do começo ao fim. Roberta foi uma bela surpresa pra mim. Ela vem fazendo sucesso já há um tempinho e me foi recomendada por um grande amigo do Rio de Janeiro, o André Franca. Fã número um da cantora, ele sempre se derreteu de amores por ela, elogiando a voz, a beleza e aquele “quê a mais” que fazem uma estrela brilhar mais do que as outras. E eu pude conhecer o trabalho quando fui ao show de aniversário do programa “Fim de expediente”, da rádio CBN, semanas atrás.
Artistas que tratam bem seus fãs já ganham pontos comigo. Todos eles precisam vender CDs, mas uns optam pela antipatia e outros pela receptividade, pela meiguice. Este é o caso de Roberta.
Solícita, tirou fotos com todo mundo, com um sorriso lindo. Numa elegância simples, foi abrir a boca e deixar todo mundo de boca aberta também. Que voz! Um deleite, afinadíssima. As músicas, de um tremendo bom gosto, ora puxando um pouco pro samba (“Girando na renda”), ora um pouco pra bossa-nova (“Mais alguém”- uma delícia), incluindo sons nordestinos, onde ela venera suas origens, são compostas por gente da melhor qualidade. Em algumas, participações ultra-especiais, como Lenine. Muito bom o CD. Aliás, a MPB tem sido pródiga em revelar mulheres, como a Roberta, a Paula Lima, de quem também sou fã, Vanessa da Mata, Céu etc. Nós brasileiras já temos fama mundial, pela beleza e pelo charme. Pela voz também, uau, era só o que faltava! Não perca esse “Que belo estranho dia pra se ter alegria”, de Roberta Sá. É daqueles que a gente não vê a hora de decorar todas as letras, só pra cantar junto. Se vc não for tão afinado quanto, tudo bem. Restrinja a cantoria ao chuveiro e ao carro, com os vidros fechados. Mas OUÇA!!
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida