quarta-feira, 7 de maio de 2008

As "vagabundas" donas-de-casa

Não tenho que dar satisfações a ninguém da minha vida, mas por vezes – e sei que hei de compartilhar isso com milhares de mães que não conseguem sequer acessar a Internet – me aborrece o fato de muitas pessoas acharem que por não trabalhar “FORA”, não faço mais nada na vida. Estas mulheres à moda antiga não se arrependem. Veja outro artigo interassantíssimo a respeito em "Época", que aborda, inclusive, a dificuldade que o mercado oferece para mães que optaram por se dedicar aos filhos, ao invés da carreira, de voltarem mais tarde.
Não me acho, de jeito nenhum, ociosa. Não, eu não trabalho fora. Eu trabalho DENTRO!!!!!!!!!!
A quem tiver uma misericordiosa paciência, segue abaixo meu diário:
1- 5:45 – Acordo com meu marido e acordo as crianças, para irem à escola. Ajudo o meu filho de 10 anos a colocar o uniforme, pois a essa hora, ele é quase um zumbi, incapaz de calçar as próprias meias (Hei feministas, sim, isso porque ele é HOMEM!!);
2 – 6:00 – Preparo o café da manhã, ponho a mesa, e chamo a turminha pra tomar o desjejum.
3 – 6:40 – A tal turminha se despede com um beijo. Meu marido os leva à escola.
4 – 7:00 – Depois de escovar os dentes e tirar meu pijama de bolinhas, arrumo os quartos, guardo os pijamas, ponho as camas em ordem e desço com um "saco de Papai_Noel" de roupas sujas rumo à lavanderia.
5- 8:00 – Se eu tiver conseguido arrumar toda a bagunça deixada lá em cima (moro num sobrado) pelos três a essa hora, estarei sendo otimista. Mas vamos lá! Afinal preciso dar satifações às feministas que defendem o enterro em vida das donas-de-casa!!! Estas INÚTEIS, como eu!
6 – 9:00 – Separo as roupas sujas. Coloco na máquina, por grupos, afinal, é preciso economizar água. E roupas. Ah, não posso tbém esquecer que tenho que esfregar alguns colarinhos. Oh, isso leva tempo!
7 – 9:30 – Não posso tbém esquecer que não tenho empregada doméstica todo dia e que sou formada em Jornalismo – ah, é, quase me esqueço desse detalhe – então, tenho que alimentar o meu blog (oh Deus, mais um filho!) e ver meus e-mails. É o mínimo, para uma “jornalista formada”, como eu.
8 – 10:30 – Acabo de ver meus e-mails, tento alimentar o blog, desço pois tenho que pensar no almoço das crianças. Elas chegam famintas, todo dia.
9 – 11:00 – No fogão: olhando o relógio...um arroz tem que ficar pronto em 20 minutos. Minha filha enjoou de macarrão, então isso não serve. Sanduíche de sardinha é bem-vindo. Uma verdura...sim, tenho que ter uma verdura. Sim. Ainda por cima tenho que ser nutricionista se não quiser ter filhos balofos.
10 – 11:40 – Saio voando pra pegar os dois na escola. Trânsito. CBN. Ah é, sou jornalista...preciso estar bem informada. Mais trânsito. Caos. Poluição. A faixa marrom de poluição no horizonte. Uma cerveja pelo amor de Deus!!
11_ 12:15 – Crianças em casa. Servir o almoço. Tirar a mesa. Lavar a louça do almoço. Sobremesa. Lavar a louça da sobremesa. Mandar as crianças escovarem os dentes. E lá se vão...
12 – 14:00 – SIM SENHORES!! Já estamos no início da tarde!! Lição de casa das crianças. Filho mais velho tirando 2 em Matemática. Lá vou eu, a VAGABUNDA da mãe dona-de-casa, que não tem nada mais o que fazer, acompanhar o filho em sua lição.
13 – 15:30 – Aula de treino de violino da minha filha. Fico com ela mais 40 minutos. Confiro a lição do mais velho. Problemas de Matemática. Lembro que repeti 2 anos nessa matéria. Alguém aí conhece um professor particular pra mim e pra ele??????
14 – 17:00 – Não, vcs pensam que sentei no sofá ou deitei na rede por algum minuto? HAHAHAHAHA. Hora do lanche da tarde. E eu não posso comer nada, pois quero perder peso.
15 – 18:30 - Hora de pensar no jantar para marido faminto e crianças idem. Sobra do almoço? Nem sempre dá. Sopa? Muito pouco. E eu, só na salada.

16 – 20:00 – Quanto tempo de folga, não? Pois é, só tive que botar dois pra tomar banho, tirar a mesa do jantar, arrumar as camas, separar os pijamas de todo mundo e TENTAR tomar um banho decente. Eu mereço.
17 – 22:00 – Depois de tudo isso, preciso estar em forma, perfumada, graciosa, amorosa, carinhosa, pra ser uma boa esposa para meu querido marido. Ele merece. Eu tenho sorte. Nenhum casamento é perfeito mas estou feliz assim. Foi MINHA OPÇÃO de vida.

E COMEÇO TUDO DE NOVO AMANHÃ.
Na boa. Só não me venham insinuar que não faço nada o dia inteiro. Nunca mais.
PS: ah, não esqueçam, senhores inquisidores da minha “vagabundicie” e minha “falta do que fazer”, que além de tudo isso volta e meia encaixo pediatras, dermatologistas, reuniões na escola – tudo isso, dos meus filhos. Eu? Eu sou uma “sem mais o que fazer”, com certeza. Não acham? Boa noite.
PS: Oh não, mil perdões...senhores e senhoras trabalhadoras: ainda tenho pais em idade avançada, que demandam atenção e cuidado...Mas isso é só um detalhe. Continuo sendo uma "sem nada mais o que fazer". Boa noite.

4 comentários:

Susanna Martins disse...

Eu sempre tive a minha mãe por perto mesmo ela trabalhando fora, mas queria que ela fosse igual as outras mães, sabe? Queria que ela ficasse em casa direto, mas não ela sempre trabalhou fora, e sempre me ajudou nas tarefas também. Na minha cabecinha de criança sempre achei que a mamãe cansava mais que as outras, e era verdade. Tínhamos uma secretária em casa, mas a mamãe sempre chegava de tardezinha e olhava as nossas tarefas e refazia com a gente! Eita trabalheira!!
'Por que a mamãe não fica em casa a tarde como as outras para cuidar da casa e da gente?' Nem sabia, foi uma opção dela!
Mulheres, mães - sempre trabalham mais, seja em casa ou fora delas. Acho que essas feministas pegam muito pesado. Eu aqui publicamente te dou parabens por tal atitude!
Seus filhos serão sempre gratos a você, e não há satisfação maior que o carinho dos filhos. Não tenho filhos, mas vejo a alegria nos olhos da mamãe.

Ah! E antes que eu me esqueça, vcs não são vagabundas, vcs trabalham e cansam muito mais do que aquelas mães que passam o dia todo fora e só consegue ver o filho dormindo.

Abraços,
Susanna Martins

Paula Calloni disse...

Eu agradeço pela gentileza do seu comentário, Susanna. Penso que não se trata de medir quem trabalha mais ou quem trabalha menos, pois há vários tipos de trabalho e todos são cansativos. O que eu acho mais importante é que as pessoas tenham mais respeito pelas opções das outras e que acima de tudo não desdenhem, achando que temos tempo livre "fulltime", nós, donas-de-casa. Filho dá trabalho! Casa dá trabalho! E isso precisa ser mais valorizado pela sociedade.

Jornalista Azarado disse...

Nussa.. só de ler já fico cansado... E pode ter certeza: só fala que dona-da-casa não faz nada quem nunca passou um dia em casa tendo que realizar as tarefas domésticas. Isso por que você não citou: lavar a casa, resolver algum probleminha elétrico, ter que fazer compras, cuidar dos cachorros (para quem tem), recolher o lixo.. Ainda bem que você tem empregada pra te dar uma força (que sorte.. as que não tem, fico ainda mais cansado imaginando como trabalham essas coitadas!).
E ainda tem gente que vem falar que não faz nada.. é brincadeira né? O povo que não pensa... Ou melhor, não conhece a realidade...

Anônimo disse...

Nossa achei demais o que vc relatou!, eu idem tudo isso. Mas ainda tem gente idiota que acha que a dona de casa não faz nada. È facil criticar, mas quando as lindas e belas trabalhadoras de fora de casa tem que passar um roupinha do marido, xingam e esbravejam os pobre! Pq serviço de casa para quem não sabe é mão de obra pesada e repetitiva , facil né, mas ninguém quer fazer. bjs te amei!!!!!!!!!

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida