terça-feira, 27 de maio de 2008

Caminhar: tormento do paulistano

Nesses tempos em que a prática de exercícios é tão incentivada pelos médicos e pela mídia em geral, fica evidente a dificuldade do paulistano em praticar uma simples caminhada pela manhã. Era pra ser simples, agradável, gratuito, afinal. Mas haja paciência para enfrentar as calçadas quebradas, desniveladas, motoristas apressados, lixo, buracos e sujeira de cachorro. Se nos meus 39 anos já é difícil, fico imaginando para os velhinhos, geralmente com problemas ortopédicos e, pior ainda, para os deficientes que usam cadeira de rodas. Acessibilidade, nesse caso, é tema que pretendo abordar em breve.
Hoje resolvi deixar o carro em casa e ir ao mercado a pé. Deparei com a velha cena de cães fazendo cocô na calçada e quem os conduzia, não recolheu. Eram dois cães Golden Retriever, meu sonho aliás, lindos. Nem foi bem na calçada; a pessoa quis amenizar o estrago e deixou os bichos naquela posição vexatória no meio fio, em frente à garagem de uma casa. Imaginei as rodas do carro do proprietário, quando entrasse. A sujeira se esparramando pela garagem, pela casa toda.

Posse responsável não inclui apenas cuidados médicos, castração, ter cães adequados ao espaço disponível, mas educação, também. Socialização do animal, para que não seja agressivo e recolhimento de seus dejetos. Há até pás especiais para isso – e quem sustenta dois Golden Retriever pode comprar a tal pazinha.
Acontece que muitos donos, sem noção, mantêm cães de grande porte quase sozinhos o dia todo em casa; pior, em apartamento. Incumbindo a diarista ou outro funcionário de levar os totós para fazerem “totô”. Quem não é dono, não tem carinho pelo animal e tem nojo da caca.
Eu não tenho nojo da caca do meu cachorro. O eduquei para fazer no jornal – o que deu trabalho. Não tenho tempo de passear com ele, mas quando consigo, não deixo de levar o saquinho e trazer para minha casa e jogar no meu lixo. Aquelas lixeiras de ferro, ornamentadas, são suportes particulares, não lixo público. Largar o saquinho na calçada também não vale. Continua sendo lixo, na calçada alheia.
Existe uma lei para punir os donos de cães que emporcalham as ruas. Sem fiscalização, fica difícil. Quanto emprego não haveria, com mais fiscais por aí, fazendo cumprir a lei?
Do jeito que está, ou a gente desvia dos “campos minados”, ou faz como os japoneses: tiramos os sapatos antes de entrar em casa.
E não é que é mesmo uma boa idéia?

2 comentários:

Milton disse...

Um outro aspecto que ainda pretendo discutir no CBN SP é o uso das calçadas pelos postos de combustível. Existem regras que restringem o rebaixamento da calçada, mas a realidade é que o acesso se transformou em prolongamento da rua. E o pedestre ...

Paula Calloni disse...

Obrigada pelo comentário, Milton Jung. Sim, os postos têm sido usados inclusive para desviar de semáforos, o que geralmente é feito em altíssima velocidade.

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida