domingo, 18 de maio de 2008

São Paulo: chão da nossa casa

Sábado, 17 de maio de 2008. Estou na rua Teodoro Sampaio, conhecida como a rua dos móveis e da música – uma série de lojas especializadas, pra quem quiser batucar num sofá ou num bongô. À minha frente, um Vectra último tipo, feito táxi. O fulano abre o vidro e arremessa um papel de bala no chão.
Quantos centímetros mede um papel de bala? Mais ou menos 7 por 5,5 cm. Pouquinho, não? Imagine que 1000 são lançados por dia numa megalópole. Quanto disso vai pra santa vassoura de um gari? Quanto disso vai pras bocas de lobo e contribuem com as enchentes? E quanto ao pacote de salgadinhos lançado pela janela de um ônibus à minha frente na av. Paulista, uma hora e meia depois?
Poucas coisas me deixam mais indignada do que lixo jogado no chão da cidade por pessoas sem educação. Isso não se restringe a gente pobre e sem acesso ao ensino, não. Já cheguei à conclusão de que carros último tipo não possuem cinzeiros. Uma profusão de motoristas de Audis e Ferraris provavelmente acha que seus carrões não têm cinzeiros. E dá-lhe bituca de cigarro nas ruas da minha São Paulo. É. MI-NHA!! E sua também!!
O chão da minha cidade é o chão da minha casa. E eu não ando pela minha casa arremessando lixo pelo chão. Lembro de levar minha filha Adriana, ainda bebê, há 9 anos, pra tomar sol, de manhã. Íamos, ela no carrinho e meu filho com quase 2 aninhos, me pegando pela mão e passeando pelo bairro do Limão. André gostava de um pirulito da padaria e era tão simpático que o dono sempre dava-lhe umas balinhas a mais. Ele me entregava sistematicamente os papeizinhos, que eu enfiava no bolso. O preço da educação dele. Sob orientação vigilante, minha. Bolsa de boa mãe volta cheio de papéis de bala, de pirulitos, do que seja, quando não achamos uma lata de lixo por perto. De forma que meus filhos foram educados assim. “O chão da rua, é como o chão de casa”. Ora essa, nós mães estamos deixando cidadãos como herança para esse mundo. Então, que sejam boas pessoas! É o mínimo!
E ampliando esse foco maternal, como podemos ajudar a educar os cidadãos da nossa cidade? Como ver alguém jogando lixo no chão e dizer alguma coisa, sem parecer agressiva? Como tolerar, contar até dez, quando vamos ao parque do Ibirapuera e vemos alguém jogar um copo plástico na grama, com um cesto de lixo a poucos centímetros de distância?
Eu não sei. Mas não fique quieto. Precisamos agir. Ainda dá tempo. Se a tal educação não tiver vindo de casa, vai ter que ser na marra. Da boca de um estranho. Como eu e você.

2 comentários:

Jun Takahashi disse...

Pois é amiga. Compartilhamos a mesma idéia e sentimento.

Eu já catei o papel e joguei de volta no carro, mas deu briga.

Estou à caça de uma buzina eletrônica que imite um porco, semelhante às "boizinas" que tanto encantam aos cowboys do asfalto... uma porcozina para dar um recado aos porquinhos do asfalto. hahaha

Acredito muito que a educação que vc dá aos seus filhos, poderia ser feita também nas escolas, assim, quem sabe em 10 ou 15 anos, conseguiremos mudar alguma coisa, pq pau que cresce torto, quebra se tentarmos arrumar... os jovens do passado já não mudam.

Beijos

Paula Calloni disse...

Temos um problema com a geração atual de crianças: os pais estão delegando muita coisa às escolas. Coisas básicas, que são obrigação dos pais. Jogar papel no chão é falta de educação "de berço", como dizia minha avó! Eu faço a minha parte, como mãe...e sinceramente tenho vontade de dar um belo puxão de orelhas nos baixinhos e nos grandinhos também, rsrs. Quando encontrar a buzina com som de porco, me dê o endereço...mas reze pra não cruzar com um palmeirense na sua frente!

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida