terça-feira, 19 de agosto de 2008

Crianças vendo a morte de tão perto e tão cedo

Não costumo assistir a noticiários sanguinolentos. Mas hoje vi uma reportagem na Record, pela manhã, sobre mais uma mulher vítima da violência doméstica.
Violência que atingiu, é claro, o filho de 11 anos. Ele viu a mãe ser brutalmente espancada e morta. Mais um caso entre milhares, Brasil afora.
Na cena seguinte, o moleque no velório da mãe, ao lado do caixão. Junto com ele, outras crianças pequenas, não sei se eram irmãos.
Pensei comigo no quanto essas crianças convivem com a morte tão cedo. Se vêem um corpo esfacelado, uma mãe, uma irmã, um pai, um vizinho...se não são protegidas sequer de um cenário tão macabro e tão próximo, como protege-las do que virá depois?
Se acostumam a conviver com a brutalidade...e submete-las a esse espetáculo deprimente também é, por si só, uma violência. Como podem ter alguma esperança, como podem ter infância, como podem ser, simplesmente crianças?
Elas crescem achando a violência muito normal.
Como nós também, acabamos achando.

Um comentário:

Jornalista Azarado disse...

É incrivel como hoje as pessoas estão mais frias, mais conformadas com a violência. Antes, uma matéria "chacina deixa 5 mortos" era assustadora. Hoje, para chocar a população, só um "caso Isabella" e crimes do tipo de "João Hélio" para chamar a atenção da população. Isso é um perigo enorme. Isso não pode se tornar comum, a sociedade não pode se conformar com a violência..

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida