sábado, 29 de novembro de 2008

Comida no lixo

Almocei no shopping dia desses, com meus filhos. Odeio praças de alimentação.
A falta de privacidade, as mesas grudadas umas nas outras...inevitável observar, claro que com muita discrição, o que as pessoas andam comendo.
Coincidentemente, nas duas mesas ao lado da minha, executivos em horário de almoço pediram pratos do Pizza Hut.
Converso muito com minhas crianças na hora das refeições. São papos alegres, muitas risadas e não troco isso por nada. De modo que só reparei de verdade nos restos de comida das mesas vizinhas quando seus ocupantes já tinham ido embora.
E então...a chocante cena do crime: na mesa da direita, meia pizza pepperoni inteira e um bowl completamente intocado de uma linda e saudável salada. Na mesa da esquerda, meia pizza inteira, dois pedaços de bolo maltado e uma travessa cheia de Bread Steaks Pepperoni, pedaços de borda de pizza recheada com salame e coberta de queijo cheddar. Tudo foi para o lixo 10 minutos depois.
Uma pesquisa do Instituto Akatu pelo consumo consciente, revela que o desperdício de comida no Brasil chega a 1/4 do PIB, ou o suficiente para alimentar 8 milhões de famílias.
Eu não tinha deixado meus filhos comerem no Pizza Hut porque uma perversidade acontece alí: uma das opções aparentemente mais saudáveis é o prato com duas fatias de pizza e metade do prato preenchido com salada de alface americana. Acontece que as duas fatias de pizza são gigantescas. Mas isso não aparece na foto. Deviam fazer como os restaurantes japoneses e expor réplicas de plástico de todos os pratos numa vitrine, pra que a gente tenha noção do que está pedindo.
Nem eu aguento comer as tais duas fatias. Quanto menos uma criança. Optei então por comer num restaurante por kilo, onde nos servimos do que efetivamente íamos consumir.
O que não aconteceu com nossos glutões e desperdiçadores vizinhos de mesa.
Mas também é moda a opção "Pague um preço fixo e coma à vontade". Fique na fila de um restaurante desses e observe o prato de um paulistano: uma montanha de arroz, duas conchas de feijão, um bife gordurento, farofa, um pedaço de lasagna, batatas fritas e um ovo frito por cima. Isso é prato balanceado?
Então penso nisso tudo e dou de cara com um quebra-cabeças pior de resolver do que aqueles da Grow, de 5000 peças.
O brasileiro come mal. Não sabe que um prato saudável tem que ter 1 porção de carboidratos, 1 de proteína e 1 de hortaliças. Só. Pesquisa da Toledo & Associados dá conta de que 63,1% dos brasileiros estão acima do peso.
De um lado, nossos índices de obesidade, colesterol e pressão alta só aumentam, chegando perto dos americanos. De outro, joga-se comida fora porque os olhos são maiores que o estômago e as empresas, como a Pizza Hut, só querem vender, sem saber o que acontece com a comida depois.
Enquanto isso, milhões de pessoas no Brasil não têm o que comer.
Quando saí do estacionamento, parei no semáforo da alameda Jurupis. Ao meu lado, na calçada, um mendigo fuçava na lata de lixo. Achou uma caixinha de Big Mac, com meio sanduíche dentro. Comeu, com as mãos imundas. Olhos arregalados.
O desperdício de um, foi o banquete de outro.
Sejamos consumidores conscientes. Não desperdicemos comida.
E eu acho que o Fome Zero tinha que começar com uma bela campanha de conscientização acerca disso.

segunda-feira, 24 de novembro de 2008

Danuza Leão em São Paulo, lançando novo livro

No dia 29/11, sábado, não me chamem para nenhum compromisso. A menos que seja antes ou depois de eu dar uma passadinha na Livraria Cultura, do Conjunto Nacional.
É que Danuza Leão estará lançando seu novo livro, "Fazendo as malas", com dicas de viagem, narrando experiências e impressões que teve batendo pernas por Lisboa, Paris e outros lugarzinhos indispensáveis no roteiro de qualquer mortal. Diga-se de passagem, lugares para os quais todo brasileiro deveria ter o direito de ir, pelo menos uma vez na vida!
Sempre devorei os livros de Danuza: primeiro o "Na sala com...", depois "Quase tudo" e mais recentemente a segunda edição do primeiro, um best-seller, na época.
Ela escreve deliciosamente...com humor e elegância, como não poderia deixar de ser.
Ávida por conhece-la, não tive dúvidas ao me inscrever na platéia de um debate, promovido pela Folha de S.Paulo, no ano passado. No palco, Gilberto Dimenstein mediava a discussão entre Barbara Gancia e Danuza. Barbara também é uma simpatia e trocamos umas palavrinhas no final.
Mas meu "alvo" era Danuza. Morrendo de vergonha, me aproximei dela ao final, para uma foto. E ela foi muito gentil comigo, muito amável e educada. Quem tirou a foto foi Rita Wainer, a neta, estilista e também simpaticíssima.
Ao repórter Plinio Fraga, da Folha de S.Paulo deste domingo, Danuza disse: "Não será um lançamento porque seria formal demais para mim. Vou estar lá, para quem quiser aparecer". E ela própria acaba de me garantir, por e-mail, que estará lá por volta das 18 hs.
Danuza...TÔ INDO!!

Leia a entrevista na íntegra clicando aqui.

Inauguração no Albert Einstein

No dia 10/12, às 19 horas, no Hospital Albert Einstein, será inaugurada a obra "Energia", da escultora Daisy Nasser.

domingo, 23 de novembro de 2008

Resposta do Poupa (?) tempo

Você deve ter percebido a repercussão do meu texto sobre o Poupa(?)tempo aqui no blog. Ele foi lido no programa do colega Milton Jung, da rádio CBN e reproduzido no blog dele.
Milton gentilmente encaminhou a essa que vos escreve a resposta daquele órgão, que, por ser longa, impossíbilita sua reprodução aqui, na íntegra.
Basicamente, o que interessa a nós usuários não é a propaganda do governo Serra.
Que a idéia é boa e que comparado a outros serviços públicos é um baita avanço, não duvido e em nenhum momento eu disse o contrário, no meu texto.
De uma resposta de mais de 20 linhas, exaltando a iniciativa dele mesmo, o governo do estado, o que nos interessa veio escrito no último parágrafo: que o Poupa(?) tempo será expandido para cidades do interior - S.José do Rio Preto, Araçatuba, Araraquara, São Carlos, Franca, Jundiaí, Marília, Piracicaba, Presidente Prudente, Sorocaba, Taubaté e aqui na zona sul de São Paulo, em Cidade Ademar.
Então, fiquem de olho. Vamos cobrar. Isso foi anunciado por Serra em outubro de 2007 e já estamos no final de 2008!!
Afinal, mais postos desse tipo vão gerar mais empregos e, espero, menos tempo gasto com as burocracias com as quais nós brasileiros somos obrigados a conviver.

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Exposição de Daisy Nasser na Hebraica


Hoje, feriado da Consciência Negra, sinto uma esperança no ar...um chamado à reflexão que me instigou já no começo da semana. Na terça-feira eu já estava cavando reflexões na minha mente, tentando acreditar que mudanças positivas, embora lentas, estão acontecendo de fato.
E aí resolvi dar um pulo no clube “A Hebraica”, onde acontece, até dia 3 de dezembro, a exposição “Fonte do Nascer”, de Daisy Nasser (qualquer semelhança fonética entre o nascer e o sobrenome não há de ser mera coincidência).
Aproveitei pra bater um papo com a escultora, que estava lá, como tem estado todas as tardes. Porque Daisy não é só a autora que expõe suas obras e espera comodamente o resultado em casa. Não. Ela quer estar lá, quer ver a reação das pessoas, quer nos pegar pela mão e convidar ao toque em suas obras.
Foi o que aconteceu com a obra “Ternura”. Ela disse: “Pegue no colo...o que sente?”
Surpresa, gostei do toque...feita em alabastro, um material meio gesso, meio mármore, ao qual Daisy acrescenta pós especiais vindos da Itália, a peça é morna, não fria e dá uma sensação gostosa. Bem estranho me ver chamada a perceber vida em algo aparentemente morto, como uma escultura em pedra. Mas sim, as obras são vivas. Como vivas são as cores das obras centrais, que contrastam com o branco em volta...São cores viscerais e é daí mesmo que a autora acredita estar a nossa força para mudar o mundo e encontrar soluções para o que ela chama de crise global. “Temos forças internas, maiores do que podemos imaginar e elas vêm daqui” – afirma, apontando para o próprio ventre.
Pelas paredes, uma boa quantidade de escritos, alguns de Daisy, que tem outros 180 deles, entre poemas e reflexões e impressões deixadas pelos próprios visitantes. Com certeza, darão um livro.
“Imaginação é outra realidade da nossa coragem não ousada” – leio, a certa altura. Imediatamente lembrei de Clarice Lispector e do desafio que foi ler seu “Água Viva”.
Pois a mesma inquietação produtiva de Clarice existe na obra de Daisy Nasser. “Sou só um canal. Recebo a inspiração que acredito vir de Deus e executo, sem planejar, sem desenhar e sem retoques”. Esta conexão com Deus é destacada na sua imensa espiral, que você vê na foto.
Formada pela FAAP em 1970 e por escolas na Itália e nos EUA, a artista divide sua obra em três fases. A primeira, em 85, de mulheres sensuais, em bronze, percorreu Japão, EUA, Itália, depois Brasília, Goiânia e RJ. A segunda, em 99, ela chamou de “Passagens e Memórias da Alma”, onde diz ter sentido conexão com um mundo hermético de 3 mil anos atrás. “Foram 4 anos trabalhando sem parar e quase sem ver minha família”.
A terceira fase é esta, “Fonte do Nascer”, onde Daisy tenta compartilhar sua certeza de que bons tempos virão. “O homem não usa sua força. Temos um poder ilimitado, de criar, expor emoções e é isso que vai ajudar a gente a sair desse túnel de dificuldades e ver a luz depois, com paz e abundância”. Ela tem planos de levar suas obras novamente ao Exterior.
Afinal, o que há de diferente nessa exposição? Eu me senti num mundo onírico...o branco do alabastro, material usado por egípcios e gregos para guardar essências e perfumes e que transmite paz à alma.
O acolhimento do toque, permitido em todas as obras ( e interessante para portadores de deficiências visuais), o chamamento à reflexão nos escritos de Daisy, nos sentimentos primordiais expressos em formas simples e belas.
Não mais a arte que choca, a escatologia,a banalidade, a grosseria de Bienais que já não nos dizem nada. Finalmente voltaremos ao ponto da estética pura e simples, que nos pega pela beleza, sem deixar de instigar.
Ou, como registraram os visitantes Joseph e Susi Feder: “A escultura é um grito, um grito de esperança num mundo dilacerado”.
Daisy Nasser grita em silêncio e nos traz de volta a esperança.
Permita-se a esta experiência. Desperte. Vá!

ONDE: Galeria do "A Hebraica" - terça a domingo, das 9 às 22 horas, somente até 3 de dezembro.
Rua Hungria, 1000 - 3818-8888 - São Paulo
www.daisynasser.com

sexta-feira, 14 de novembro de 2008

Bazar de Nicette Bruno e Paulo Goulart


Hoje é o último dia do bazar beneficente organizado por Nicette Bruno e Paulo Goulart, no espaço Veneza - al. Barros, 204 - Santa Cecília - São Paulo, até as 19 horas.
O Bazar da Fraternidade tem opções de presentes para o Natal, a partir de 2 reais.
Toda a renda é revertida para a Casa da Fraternidade de Pirituba, presidida por Nicette.
De quebra, atrações diárias...o último a dar uma canja foi o cantor Moacir Franco. Por uma boa causa, diversão gratuita e a solução para o seu amigo-secreto...não dá pra perder, não é? Então passa lá!

quarta-feira, 12 de novembro de 2008

Poupa-tempo?

Precisei renovar minha carteira de habilitação. Acho ótimo, até porque o novo documento tem foto e é uma garantia a mais de identificação. Também gostei de revisar algumas normas, como direção defensiva e aprender algo tão importante quanto as noções de primeiros socorros. Tudo isso caiu na prova.
Mas aí, vieram as despesas: 30 reais para a prova, 80 reais para eu retirar a carteira na própria auto-escola, do lado de casa, mais 50 reais para o exame médico - por quê não podia recorrer a um médico do meu próprio convênio? Ou seja, a gente percebe que no Brasil essas exigências de renovação servem mais para alimentar a máfia das auto-escolas do que para beneficiar motoristas e pedestres com a reciclagem.
Ao invés de gastar 80 reais, resolvi economizar e pegar a carteira no Poupa-tempo, onde a mesma taxa sai por R$ 24,55. E lá fui eu para a unidade de Santo Amaro. De cara, começou a gastança: R$ 7 de estacionamento, mais R$ 6 de foto instantânea e R$ 1 para duas xerox.
Duas horas nas primeiras filas, da triagem até a entrega dos documentos. Na minha frente, um homem enorme, irmão “da cor”, careca, 1,92, uns 120 kg de puro músculo, terno e gravata. Cara de poucos amigos. O homem dava medo! Só vi as perninhas do atendente, debaixo da mesa, tremerem, quando o “armário” sentou. Abaixei a cabeça e pensei: “Meu Deus, tomara que dê tudo certo, que não falte nenhuma foto, nenhum documento, senão vai voar cadeira pra todo lado aqui”.Mas o pior estava por vir. A atendente disse assim: “Agora a sra. vai até a agência da Nossa Caixa, alí atrás e recolhe a taxa. Depois entrega tudo no balcão 18”.
“Beleza, tá acabando...” – pensei comigo, enquanto me dirigia ao posto bancário. Chegando lá, a fila do “vixe”. Cada um que aparecia na porta e olhava pro tamanho da fila dizia: “Vixe!”.
Era imensa. Cinco voltas. Nunca peguei uma fila dessas na vida. Mas eu já tava lá mesmo, resolvi encarar. Até que andava rápido, pois era só recolhimento de taxas. Mas quando faltavam duas pessoas para eu ser atendida, uma funcionária do Poupa-tempo, com voz anasalada,baixinha e de cabelos pintados de vermelho, perguntou alto: “Quem vai fazer Detran? Porque estamos sem sistema e sem previsão de volta”. AH QUE BOM, não? Bem, estava chegando a minha vez e esperei mais 10 minutos, conseguindo fazer o pagamento. Mas deixei para entregar tudo no dia seguinte.
Voltei lá ontem. Desta vez foi rápido. Mas a carteira só fica pronta hoje. Lá vou eu de novo.
Pela terceira vez estarei lá, gastando mais 7 reais de estacionamento e perdendo mais tempo.
Poupa-tempo?? Não sei não...
A idéia até que é boa: num lugar só, concentrados vários órgãos públicos, como Detran, Procon, Secretaria de Segurança Pública...todos os documentos que você imaginar podem ser feitos lá. Tirando a rede de comerciantes espertos do lado de fora, que lucra com fotos, xerox, estacionamento, barraca de salgadinhos etc, é uma boa sacada. Os funcionários são muito educados, tudo é limpo, organizado. Mas acho que para uma cidade do tamanho da nossa, são poucas unidades. E por isso mesmo, as filas, imensas.
A população precisa reinvindicar mais unidades do “Poupa-tempo”.
Daqui a três anos, terei que renovar a carteira de novo. Sinceramente, acho que vou preferir gastar mais dinheiro e retirar a bendita aqui, do lado de casa. Tentando ser “certinha” e usando uma estrutura administrativa que é meu direito, como pagante de impostos, me dei mal.
E de tempo, não poupei nada.

(ESTE TEXTO FOI REPRODUZIDO NO BLOG DO COLEGA MILTON JUNG, DA REDE CBN.

quinta-feira, 6 de novembro de 2008

Yes, we can!


Confesso que chorei quando soube que Obama tinha ganho as eleições nos EUA.
Sem querer ser piegas, nem rasteira...não sou analista política. Mas respirei aliviada ao ver um negro na presidência dos EUA. Agora vai!
A Globo, com todas as restrições ideológicas que se possa fazer a ela, encerrou a série de reportagens sobre a vitória de Obama ao som de "A Beautiful Day", do U2.
E dá-lhe lágrimas desta que vos escreve! Foi clima de Reveillon total: gente no mundo inteiro confraternizando, a Oprah Winfrey emocionada acompanhando o discurso final, o Jesse Jackson chorando - de inveja ou de emoção, isso não posso precisar, rsrs.
Sejamos realistas: o cara não vai fazer milagres. E ainda corre outro risco: se não cumprir metade do que propõe , vira do avesso as expectativas de um MUNDO inteiro apostando nele e ainda pode ter que engolir um "tá vendo, não deu certo porque ele é negro".
Sim. Nú e cruamente. Alguém duvida?
Sinto-me orgulhosa por ver finalmente um negro na presidência da maior potência mundial. Negros e brancos são iguais intelectualmente e em todos os outros aspectos analisáveis. Porém, o peso dessa eleição na questão racial é indiscutível.
Eu tenho certeza de que muita coisa vai mudar pra melhor.
O abraço entre dois estranhos ontem, numa avenida de Chicago, foi a maior prova disso: um rapaz branco e uma senhora negra. Se abraçando com muita alegria.
Apostaram no mesmo nome. Apostaram em OBAMA!
God bless you, man!

segunda-feira, 3 de novembro de 2008

Etiqueta no cinema

Outro dia uma colega, jornalista também, disse que nós temos fama de ser chatos.
Eu sou e assumo. Ou será que não sou? Ou será que esperar um mínimo de educação dentro de um espaço público é esperar demais?
Levei minha filha de 9 anos ao cinema ontem. Berros de "lindo", "maravilhoso", palminhas e gritinhos histéricos, ainda mais em se tratando de Zac Efron, são compreensíveis vindo de pré-adolescentes e até de crianças.
Mas precisa chutar a cadeira da frente? Olhei feio pra trás e era uma marmanja, de seus 20 anos.
E por que os cinemas vendem guloseimas com embalagens barulhentas?
E por que tanta gente insiste em se comportar como se estivesse na sala da própria casa?
Opa, ressalva: ninguém derruba meio balde de pipoca no chão da própria sala e larga lá. Ninguém joga copo de refrigerante no sofá também.
Mas se for pra tagarelar durante o filme inteiro, de fato, melhor esperar e assistir ao filme em DVD.Sem incomodar ninguém.
Do contrário, quer ir ao cinema e o filme tá chato? Saia! Ou durma. Sem roncar, por favor.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida