quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Exposição de Daisy Nasser na Hebraica


Hoje, feriado da Consciência Negra, sinto uma esperança no ar...um chamado à reflexão que me instigou já no começo da semana. Na terça-feira eu já estava cavando reflexões na minha mente, tentando acreditar que mudanças positivas, embora lentas, estão acontecendo de fato.
E aí resolvi dar um pulo no clube “A Hebraica”, onde acontece, até dia 3 de dezembro, a exposição “Fonte do Nascer”, de Daisy Nasser (qualquer semelhança fonética entre o nascer e o sobrenome não há de ser mera coincidência).
Aproveitei pra bater um papo com a escultora, que estava lá, como tem estado todas as tardes. Porque Daisy não é só a autora que expõe suas obras e espera comodamente o resultado em casa. Não. Ela quer estar lá, quer ver a reação das pessoas, quer nos pegar pela mão e convidar ao toque em suas obras.
Foi o que aconteceu com a obra “Ternura”. Ela disse: “Pegue no colo...o que sente?”
Surpresa, gostei do toque...feita em alabastro, um material meio gesso, meio mármore, ao qual Daisy acrescenta pós especiais vindos da Itália, a peça é morna, não fria e dá uma sensação gostosa. Bem estranho me ver chamada a perceber vida em algo aparentemente morto, como uma escultura em pedra. Mas sim, as obras são vivas. Como vivas são as cores das obras centrais, que contrastam com o branco em volta...São cores viscerais e é daí mesmo que a autora acredita estar a nossa força para mudar o mundo e encontrar soluções para o que ela chama de crise global. “Temos forças internas, maiores do que podemos imaginar e elas vêm daqui” – afirma, apontando para o próprio ventre.
Pelas paredes, uma boa quantidade de escritos, alguns de Daisy, que tem outros 180 deles, entre poemas e reflexões e impressões deixadas pelos próprios visitantes. Com certeza, darão um livro.
“Imaginação é outra realidade da nossa coragem não ousada” – leio, a certa altura. Imediatamente lembrei de Clarice Lispector e do desafio que foi ler seu “Água Viva”.
Pois a mesma inquietação produtiva de Clarice existe na obra de Daisy Nasser. “Sou só um canal. Recebo a inspiração que acredito vir de Deus e executo, sem planejar, sem desenhar e sem retoques”. Esta conexão com Deus é destacada na sua imensa espiral, que você vê na foto.
Formada pela FAAP em 1970 e por escolas na Itália e nos EUA, a artista divide sua obra em três fases. A primeira, em 85, de mulheres sensuais, em bronze, percorreu Japão, EUA, Itália, depois Brasília, Goiânia e RJ. A segunda, em 99, ela chamou de “Passagens e Memórias da Alma”, onde diz ter sentido conexão com um mundo hermético de 3 mil anos atrás. “Foram 4 anos trabalhando sem parar e quase sem ver minha família”.
A terceira fase é esta, “Fonte do Nascer”, onde Daisy tenta compartilhar sua certeza de que bons tempos virão. “O homem não usa sua força. Temos um poder ilimitado, de criar, expor emoções e é isso que vai ajudar a gente a sair desse túnel de dificuldades e ver a luz depois, com paz e abundância”. Ela tem planos de levar suas obras novamente ao Exterior.
Afinal, o que há de diferente nessa exposição? Eu me senti num mundo onírico...o branco do alabastro, material usado por egípcios e gregos para guardar essências e perfumes e que transmite paz à alma.
O acolhimento do toque, permitido em todas as obras ( e interessante para portadores de deficiências visuais), o chamamento à reflexão nos escritos de Daisy, nos sentimentos primordiais expressos em formas simples e belas.
Não mais a arte que choca, a escatologia,a banalidade, a grosseria de Bienais que já não nos dizem nada. Finalmente voltaremos ao ponto da estética pura e simples, que nos pega pela beleza, sem deixar de instigar.
Ou, como registraram os visitantes Joseph e Susi Feder: “A escultura é um grito, um grito de esperança num mundo dilacerado”.
Daisy Nasser grita em silêncio e nos traz de volta a esperança.
Permita-se a esta experiência. Desperte. Vá!

ONDE: Galeria do "A Hebraica" - terça a domingo, das 9 às 22 horas, somente até 3 de dezembro.
Rua Hungria, 1000 - 3818-8888 - São Paulo
www.daisynasser.com

Um comentário:

Adri disse...

Daisy Nasser...
Sempre surpreendendo com esse seu DOM DIVINO. Pega a gente de surpresa... Tira a gente da rotina... Nos faz lembrar a grandiosidade da vida...

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida