terça-feira, 27 de janeiro de 2009

Consultório ou sala de tortura?

Tenho a impressão de que os consultórios médicos estão ficando a cada dia menores, minúsculos, sufocantes mesmo.
A gente já não vai a esses lugares a passeio; é sempre para resolver algum problema ou para termos a certeza de que não temos nenhum problema. As consultas já não atrasam 30 minutos. É de 45 pra cima. Já na entrada, você é tratado como bandido em potencial. Mostrar documentos, catracas com grades até o alto, foto-identificação; um tremendo aborrecimento.
As salas, instaladas em conjuntos de prédios que nem deveriam estar alí - São Paulo não comporta mais prédios, gente! Chega! E aí, onde cabiam 2 salas, eles montam 3, 4.
Você entra e parece uma cabine de avião. Cadeiras grudadas umas nas outras.
E as pessoas falam...e falam...se for uma dupla ao seu lado (pra não dizer NO SEU COLO, de tão apertado que é), você fica lá, escutando aquela conversa que não te diz respeito.
Ou escuta papo de celular, o que é pior ainda.
Hoje, como sempre, tentei ler meu livro. Impossível. Um casalzinho estava no maior chamego, dando beijinhos e falando de particularidades que não me interessavam. Olhei com uma cara pouco simpática - mas juro que foi involuntária. Substituíram o bla bla bla alto por sussurros: shcspshupatpushpactutusch...Eu não conseguia passar do primeiro parágrafo. Fechei o livro. Abaixei a cabeça.
Na frente do meu nariz um dedinho enrugado aparece e some, vira a página de uma revista Caras. De repente "Schlept" !! Leva o mesmo dedinho à boca, lambe e vira a página seguinte. Por que tem gente que precisa lamber o dedo pra virar a página?
Eca! Que nojo! Nunca mais folheio revistas de consultório!
As cadeiras ficam tão grudadas à porta do médico que a gente escuta a consulta inteira. Eu já estou quase enfartando, só de ouvir os sintomas cardíacos da paciente lá dentro.
E televisão? Pra quê televisão em consultório? O som tem que ficar baixinho. Eu não sei ler os lábios. Pra quê ficar olhando imagens sem som? Não é melhor instalar um belo aquário de água salgada? Pelo menos a gente relaxa.
Para terminar: por que tem mãe com mania de deixar o pimpolho comer salgadinhos num lugar desses? Primeiro que é anti-higiênico pra todo mundo. Segundo porque não imagino como um otorrinolaringologista vai examinar uma boca melecada e cheia de restos de Cheetos Queijo.
Alguém precisa tornar os consultórios mais humanizados, higiênicos e agradáveis. Falta educação nesse povo...e sensibilidade nos doutores.

segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

Encontro com Cássia Eller


Tô de bode porque toda vez que penso na av.Paulista penso na Márcia e nas suas últimas pedaladas. O motivo, você descobre no post abaixo.
Então tenho tentado lembrar de coisas boas que possa associar à avenida mais paulista da cidade.
Uma delas foi meu encontro com Cássia Eller. Uma desconhecida, arrebentando num palco em baixo da marquise do Masp...ano? Acho que era 91.
Nesses dias longínquos (oh...) a prefeitura (quem era mesmo? xii...) promovia shows muito bons alí em baixo do Masp. Bem em frente eu descia do primeiro, de dois ônibus, voltando da faculdade, com minha melhor amiga, Megs, que depois virou minha cunhada. Um dos primeiros foi Edson Cordeiro e seus vocais agudos inacreditáveis, aquele cabelão sob o vento do vão, enormes...Pô, deu até pra apaixonar.
Mas Cássia...Cássia tinha cabelo liso, curto, chanel, nos ombros mesmo. Camiseta listrada e uma inacreditável sainha vermelha. Quase uma Lolita, não fossem os cuspes pra fora do palco. E as goladas de 51 vez ou outra. Bom...mas aquela voz...e as letras do primeiro disco também eram muito boas.
Eu tinha acabado de publicar um poema num livro de coletâneas. E decidi esperar até o final e entrega-lo a ela.
A desconhecida de voz poderosa desceu do palco no final, toda tímida, como sempre. E caminhou bem na direção onde estávamos, eu e mais um grupo de pessoas boquiabertos pelo o que havíamos visto e ouvido.
Entreguei o livro pra ela...de cabeça baixa, só disse, sorrindo, "Êba, valeu".
Onde estará o livro ? Será que a Maria Eugênia guardou? Teria tido fins menos nobres? Hehehehe...sei lá.
Mas tenho o maior orgulho de ter estado com Cássia por uns minutos.
Saudade. Ainda bem que voz é pra sempre.
Ah: a Márcia Prado chegou a me pedir a biografia de Cássia emprestado. Não deu tempo de entregar, mas...acho que estão batendo altos papos lá em cima agora.
"...é tão estranho...os bons morrem jovens..."

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Márcia: fim da história?


Talvez vocês nem acreditem, mas eu já tinha 20 anos quando aprendi a andar de bicicleta.
Catei a magrela emprestada de um sobrinho e procurei uma rua calma , de preferência sem ninguém pra testemunhar meus tombos. “Hoje eu aprendo de qualquer jeito, nem que me arrebente toda”.
Na cabeça, eu tinha a imagem de um final de tarde, lá pelo meio dos anos 80, quando minha melhor amiga de então, que já devia ter nascido pedalando, insistiu em me ensinar, a bordo de sua Caloi 10.
Do alto de sua paciência quase budista, ela tentou me ensinar uma, tentou duas, eu tentei outras três e outras quatro. Nada. Éramos o quadro duplo do desânimo, nas nossas faces suarentas, sob o pôr-do-sol.
Num típico chilique de pré-adolescência, desisti e ela me chamou de covarde. Mandei a garota pra aquele lugar que todo mundo sabe qual é, mas onde nem todo mundo esteve.
A vida da gente acabou tomando outros rumos. Nesse intervalo de tempo, pude entender o que é sentir aquele ventinho no rosto, os músculos das pernas trabalhando, a sensação de que você pode tudo, de que não há obstáculos intransponíveis pra você e sua bike. E sempre que saía pra pedalar, eu lembrava dessa minha amiga, me perguntando: “Poxa, onde ela tá agora? Será que teria orgulho de me ver pedalando?”
Eu tinha certeza que sim. E queria muito mostrar "meu grande feito".
A reencontrei há uns 2 anos, pelo Orkut. Foi uma das maiores alegrias da minha vida. Ainda pudemos tomar uma cerva juntas.
Mas não deu tempo de eu mostrar que agora eu já sabia pedalar...Ela era tão idealista, tão convicta nas coisas em que acreditava, que brigou comigo por motivos políticos! Sim, ela era chique até na hora da briga. Mesmo assim, foi a vez de ELA me mandar pra aquele lugar, que todo mundo sabe qual é, mas onde nem todo mundo esteve.
Tive esperanças. De nos entendermos de novo e de eu finalmente poder mostrar: “Olha só, já sei andar de bike, igual você, como você queria tanto ver naquela tarde!”
Assim, feito criança, louca pra mostrar uma grande feito pra uma irmã mais velha.
Não deu tempo. Minha professora (frustrada comigo) de bike, morreu atropelada por um ônibus na av.Paulista. Ela era a Márcia...Márcia Regina de Andrade Prado.
Estou tentando escrever sobre o assunto há dias aqui no blog e não estava conseguindo. Como não sei se vou conseguir passar pela Paulista de novo, agora o meu ex-point preferido em Sampa. Como também não sei se vou conseguir pedalar de novo sem cair no choro.
Márcia, não sei se você ia voltar a falar comigo de novo um dia...mas se tiver um tempo, dá uma olhada aqui pra baixo...e sinta pelo menos um pouquinho de orgulho de mim, porque já sei pedalar, quase tão bem quanto você.
Fica com Deus, meu anjo. Obrigada pela sua amizade, por tudo o que fez por mim no nosso tempo de convivência. Desculpe pelas minhas bobagens...e até um dia.

(Foto: Bicicletada.Org - ela de capacete vermelho, blusa branca e dando tchau.
Pra sempre.)

sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

Falta

Eu perdi meu pai no dia 2 de janeiro de 2009.
Por isso quando alguém me deseja "Feliz 2009", sinceramente, tenho vontade de voar no pescoço. Embora ninguém tenha obrigação de saber que PERDI MEU PAI.
Mas quem tem culpa? Quem pode saber?
Não será um ano feliz, pois no momento não posso conceber um dia sequer de minha vida sem meu pai.
No entanto sou mãe de dois filhos maravilhosos. Um marido igualmente perfeito.
Não liguem...qualquer hora escrevo qualquer coisa mais genial sobre o assunto para o meu blog, tão pouco lido.
No momento só quero lembrar.
Quero lembrar dele, o nonno, como chamam os vovôs italianos, colhendo os ovinhos de codorna que criávamos no quintal. Do dia em que me ensinou a pescar. Das noites em que me pegava no colo e me fazia bater em todos os bolsos do paletó, porque num deles tinha escondido um chocolate pra mim.
E eu sempre achava.
E eu tenho uma memória absurda e em plenos 40 anos de idade, lembro dele me carregando no colo quando eu dormia e me botando na cama. Isso é bom ou é ruim? Preciosa lembrança??? ÒBVIO que sim.
E quando trazia pizza embrulhada em papel rosa e enrolada com barbante, num tempo em que não tinha pizza delivery???
Dos dias em que chegava em casa pra almoçar e pendurava o boné no cabideiro da minha sala.
Dos dias em que trocava a torneira ou uma fechadura porque o fazia melhor do que o genro, que também gostava muito dele.
Meu pai. Meu tudo. O que eu achava imortal. Como todas as filhas acham que o pai é.
Pai...sei lá.
Uma dia o blog vai ser só seu.
E pra vcs, meus gatos pingados leitores fiéis. Só uma palavra: saudade. Fui.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida