quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Flavia - um marco da luta pela justiça no Brasil


Amigos, neste momento nada me é mais importante do que recomendar a vocês o blog de minhas queridas Odele e Flavia.
Entra em pauta no dia 3 de março do presente ano o julgamento, em Brasília, do processo de Flavia. Proponho que nos mobilizemos para que este seja um dia oficial de luta pela nossa acessibilidade à Justiça de fato e de Direito.
Odele é uma mãe guerreira exemplar, que luta pelos direitos de sua filha, em coma há mais de 10 anos por conta da irresponsabilidade da Jacuzzi do Brasil e do condomínio onde foi instalado um ralo de piscina com capacidade desproporcional de sucção. Flavia teve os cabelos presos no ralo e entrou em estado de coma vigil.
A luta de uma mãe, o grito por justiça, o grito para o perigo dos ralos de piscina em condomínios, clubes etc, que mal passam por algum tipo de fiscalização dos órgãos competentes.
Um dia, foi Flavia. Um dia, pode ser alguém que vc ama a ter os cabelos presos ou outras partes do corpo...Pode ser só uma sequela. Pode ser um coma. Pode ser a morte.
Façamos do grito de Odele a nossa voz mais forte. Visitem seu blog "Flavia vivendo em coma" e divulguem!!.
OBRIGADA.

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Alguém ainda escreve cartas?

Sinto uma certa decepção quando enfio a mão na caixa de correspondências e só encontro contas, contas e mais contas. Nenhuma carta pessoal...vez ou outra um cartão postal - que adoro receber. Perdi meu pai há pouco mais de um mês e um grande amigo, meu irmão do Rio - ei André, isso, vc mesmo - mandou-me um cartão de condolências.
São gestos inesquecíveis, como inesquecíveis foram as cartas que trocamos, por meio das quais nos conhecemos, aliás.
Hoje quando vejo um carteiro sinto alguma melancolia...para mim, esse profissional sempre pareceu um herói. Um ser humano cuja profissão, em essência, era colocar PESSOAS em contato...matar saudades, dar notícias, algumas más, outras nem tanto...Muitos, muitos cartões de Natal! Alguém lembra quando os correios congestionavam de tantos cartões na época das festas?
Uma das minhas mais preciosas amigas eu conheci através de uma carta, há 19 anos.
Tenho cartas de amigas que emigraram para o Japão...muito interessante guardar não só os escritos, como os envelopes listrados e seus selos exóticos.
E uma carta...numa carta você apóia a mão, para fazer deslizar a tinta...Há mais sentimento no gesto de escrever de próprio punho. Energia boa!! Descubram este encanto! Depois me contem...
Caneta? Bic, sempre foi a melhor, pelo menos pra mim.
É um alento passar pelo Poupa-tempo (xii, lá vem ele de novo, desta vez por uma boa causa - vejam um post anterior a respeito) e constatar que lá existe um "escrevedor" de cartas. Migrantes de várias partes do país, analfabetos, que se valem destas pessoas para se comunicar com suas famílias.
Cartas - romantismo? Nostalgia?
Sei lá...meus amigos, todos os que receberam, recebem
cartas minhas - e enviaram-me, todos esses anos: obrigada. Vocês me tornam mais feliz, seja por receber, seja por reler, tantas palavras lindas, por vezes doídas, mas repletas de emoções que só uma carta pode transmitir.
E-mail? Bah................

Orgulho e preconceito...MESMO!

Revoltante o que aconteceu com a brasileira Paula Oliveira na Suíça. Grávida de gêmeas, ela foi espancada e teve o corpo retalhado por estiletes, ao ser atacada por três skinheads. Infelizmente perdeu os bebês.
Paula era branca, o que descarta que o ataque tenha sido motivado por racismo. Porém a Europa em geral vive um clima tenso, por conta da grande presença de imigrantes, mal-vistos pela população. Brancos, negros, pardos, não importa. A globalização parece estar se revelando uma mistura de efeitos bons e ruins, onde o fator humano sai perdendo; relações entre pessoas se reduzem a relações entre telas de computador. Perde-se o respeito pelo outro, a capacidade de conversar francamente e cara a cara, perde-se a compaixão, no geral.
Não acredito que esse bando de skinheads seja passível de qualquer tipo de recuperação. São loucos. Gente ruim!
Acho louvável que as pessoas tenham orgulho do que são. Que um negro tenha orgulho de ser negro, que um branco tenha orgulho de ser branco, que um homossexual tenha orgulho de sua opção e que um hetero também tenha. Que um migrante, imigrante ou emigrante sinta respeito por si próprio e no direito de ter ambições, de querer trabalhar e viver dignamente em qualquer lugar do mundo, respeitando as leis locais.
Eu tenho orgulho de ser brasileira e levar essa mistureba de etnias no sangue: negro, branco e índio. Há muito tempo não aliso o cabelo! Vou muito bem com meus cachos, obrigada.
Seja lá por quais razões forem, gostar de si mesmo é uma questão de sobrevivência e temos mesmo que nos orgulhar disso. Desde que esse orgulho não seja por sentimento de superioridade.
Porque aí, do orgulho para o preconceito a linha fica muito tênue.
Eu já sofri preconceito e já tive preconceitos também. Aprendi na marra, sendo magoada e magoando, ainda que involuntariamente. Porque muitas vezes somos preconceituosos, mas não sabemos que somos.
Fui pega de surpresa outro dia ao parar no farol e ser abordada por um rapaz que distribuia folhetos religiosos. Ele se aproximou, com certa distância do vidro do meu carro e disse: "Sou soropositivo. Se a sra. não se importa, entrego-lhe um panfleto".
"-Como???" - eu achei que não tinha ouvido direito.
"-Tenho Aids e muitas pessoas fazem pouco da gente, têm medo de pegar a doença só de tocar no mesmo folheto que eu".
Quanta ignorância das pessoas...Disse a ele: "-Que bobagem!" Dei um sorriso e peguei o folheto da mão do rapaz.
Ter preconceito é um problema de quem tem. Mas quando se transforma em discriminação ou agressão, física ou psicológica, aí já um problema de todos nós e geralmente, caso de polícia também.
Toda a minha solidariedade à Paula Oliveira e que ela tenha, ao voltar, o apoio e a voz de todo o povo brasileiro ao seu lado.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2009

As peruas da fila dupla


Porta de escola: caos todos os dias


Começa mais um ano escolar e com ele, entram em cena novamente as peruas da fila dupla.
Explico: todos os dias busco meus filhos na escola onde estudam, em Moema.
Há anos cumpro essa rotina, mas ainda não me conformei com a falta de sensatez e civilidade de certos pais, que pagam por uma educação particular, mas na frente dos próprios filhos, dão péssimos exemplos de cidadania e civilidade.
A escola deles provê um esquema de fila de carros, autorizada pela CET e que dá a volta na quadra. Seguranças se comunicam por rádio. Anunciamos os nomes das crianças e a saída deles é autorizada, assim que nos aproximamos do portão principal.
Isto não significa que eu deva parar EM FRENTE ao tal portão, porque meus filhos são capazes de andar um metro e meio ou dois pra chegar ao carro.
Mas alguns pais, mães, principalmente, não pensam assim. Muitas vezes os filhos já são marmanjos de pernas peludas, adolescentes, mas os pais insistem em parar seus carrões último tipo em frente ao portão, geralmente em fila dupla, atravancando todo o trânsito já complicado de Moema. Grosseiramente berram o nome do filho, não sem antes arremessar suas bitucas de cigarro na calçada. São as "peruas" da filha dupla: cabelo tingido, blusa de oncinha, brincos dourados enormes, óculos escuros idem. O carro quase sempre importado. Nada contra a ostentação...não é problema meu. Mas parece que a falta de educação tem sempre a mesma imagem peruesca, comprovando a tese de que educação nem sempre tem a ver com classe social.
Sou turrona: na minha frente, ninguém fura fila. Não deixo mesmo. Não acho justo.
A CET não dá refresco. Mas já que não pode ajudar mais, poderia ao menos não atrapalhar. No segundo semestre de 2008, ampliou as áreas onde é proibido estacionar e nós, pais que agimos direito, ficamos sem alternativa. E dá-lhe fila.
Tenho sugerido à escola que chame estes tipos de pais para uma conversa.
Afinal, civilidade vem de berço, como dizia a minha avó. Se as tais "peruas" continuam assim, certamente seus "peruzinhos" seguirão o mesmo caminho.

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009

Sem verdades absolutas

Talvez algumas pessoas fiquem irritadas quando não publico seus comentários, o que aliás é raro.
Porém, em primeiro lugar, o blog é meu e eu publico aqui os textos que eu bem entender.
Em segundo lugar, isso aqui não é portal de propaganda de idéias religiosas ou partidos políticos. Este é um espaço onde eu publico a minha opinião pessoal e onde algumas pessoas, cujo pensamento se coaduna com o meu, podem se manifestar. Criticamente, talvez? Sim, com certeza.
Mas não para fazer apologia a esta ou àquela religião ou corrente política. Especialmente quando se trata de dar conselhos para outros amigos que têm seus blogs e aos quais cedo meu espaço virtual para contar seus dramas e lutas e divulgar seus próprios sites.
Como é o caso de Odele, mãe de Flavia, que está em coma há mais de 10 anos. Como amiga de Odele, conheço sua posição pessoal em relação à espiritualidade e religiões em geral e não vou publicar aqui "conselhos" de quem quer que seja nesse âmbito, por uma questão de respeito à minha amiga.
Quem quiser dizer algo a ela, que visite seu blog e submeta ao seu próprio crivo (pois Odele é muito sensata, felizmente) o comentário.
Que junte-se a ela numa luta que tem se mostrado difícil e penosa, mas que ela não larga e nem largará, jamais.
Que se una na corrente de reinvindicação dos direitos de Flavia, de forma concreta e prática.
De resto, guardem suas posições religiosas para si próprios.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida