quinta-feira, 12 de fevereiro de 2009

Orgulho e preconceito...MESMO!

Revoltante o que aconteceu com a brasileira Paula Oliveira na Suíça. Grávida de gêmeas, ela foi espancada e teve o corpo retalhado por estiletes, ao ser atacada por três skinheads. Infelizmente perdeu os bebês.
Paula era branca, o que descarta que o ataque tenha sido motivado por racismo. Porém a Europa em geral vive um clima tenso, por conta da grande presença de imigrantes, mal-vistos pela população. Brancos, negros, pardos, não importa. A globalização parece estar se revelando uma mistura de efeitos bons e ruins, onde o fator humano sai perdendo; relações entre pessoas se reduzem a relações entre telas de computador. Perde-se o respeito pelo outro, a capacidade de conversar francamente e cara a cara, perde-se a compaixão, no geral.
Não acredito que esse bando de skinheads seja passível de qualquer tipo de recuperação. São loucos. Gente ruim!
Acho louvável que as pessoas tenham orgulho do que são. Que um negro tenha orgulho de ser negro, que um branco tenha orgulho de ser branco, que um homossexual tenha orgulho de sua opção e que um hetero também tenha. Que um migrante, imigrante ou emigrante sinta respeito por si próprio e no direito de ter ambições, de querer trabalhar e viver dignamente em qualquer lugar do mundo, respeitando as leis locais.
Eu tenho orgulho de ser brasileira e levar essa mistureba de etnias no sangue: negro, branco e índio. Há muito tempo não aliso o cabelo! Vou muito bem com meus cachos, obrigada.
Seja lá por quais razões forem, gostar de si mesmo é uma questão de sobrevivência e temos mesmo que nos orgulhar disso. Desde que esse orgulho não seja por sentimento de superioridade.
Porque aí, do orgulho para o preconceito a linha fica muito tênue.
Eu já sofri preconceito e já tive preconceitos também. Aprendi na marra, sendo magoada e magoando, ainda que involuntariamente. Porque muitas vezes somos preconceituosos, mas não sabemos que somos.
Fui pega de surpresa outro dia ao parar no farol e ser abordada por um rapaz que distribuia folhetos religiosos. Ele se aproximou, com certa distância do vidro do meu carro e disse: "Sou soropositivo. Se a sra. não se importa, entrego-lhe um panfleto".
"-Como???" - eu achei que não tinha ouvido direito.
"-Tenho Aids e muitas pessoas fazem pouco da gente, têm medo de pegar a doença só de tocar no mesmo folheto que eu".
Quanta ignorância das pessoas...Disse a ele: "-Que bobagem!" Dei um sorriso e peguei o folheto da mão do rapaz.
Ter preconceito é um problema de quem tem. Mas quando se transforma em discriminação ou agressão, física ou psicológica, aí já um problema de todos nós e geralmente, caso de polícia também.
Toda a minha solidariedade à Paula Oliveira e que ela tenha, ao voltar, o apoio e a voz de todo o povo brasileiro ao seu lado.

3 comentários:

Carla disse...

Pois é Paula, são uns loucos! São podres, são covardes!!!!
Acredito que se eles sofressem na "pele" o que fazem, todas as vezes que fizerem algo insano e doentio como neste episódio lastimável, pensariam 10 vezes antes de praticar estas atrocidades.... a impunidade é a grande culpada. O medo de sofrer as consequências é um método que costuma funcionar. Mas o problema é que quem for capaz de retalhar a pele de loucos como estes, de fazê-los sofrer igual, vai se colocar no mesmo patamar .... então o que resta é a prisão perpétua pra essa turma do mal! Vamos torcer para que justiça seja feita lá na Suiça.
Bjo amiga!

Carla disse...

Você viu?? Segundo autoridades da Suiça a Paula se autoretalhou! Será que a louca é ela? Ou será um complô? Este mundo anda mesmo de pernas pro alto.

Andre LF disse...

O caso dela pode estar caminhando pra se revelar uma farsa, mas que fazem barbaridades lá, fazem...precisamos atentar para essas coisas e lutar por um mundo de respeito às diferenças.

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida