quarta-feira, 18 de março de 2009

Urubus desconhecidos

Muita gente está me perguntando se esqueci do blog, o porquê do sumiço etc.
Eu agradeço pelo interesse e confesso que um blog pouco atualizado acaba sendo esquecido.
Mas, como já escrevi em outro post, estou passando por uma fase muito difícil, perdi meu pai e não sei quanto tempo o sentimento de perda dura...talvez para sempre.
Então há dias em que estou mais "up", há outros em que estou "down" e acho que isso é o que acontece com todo mundo. De qualquer forma, a inspiração sofre.
Falando em estar de baixo astral, uma das razões do sumiço é que não quero contaminar os que estão à minha volta com a tristeza. Ontem tive um exemplo de como isso é fácil de acontecer.
Estava na academia - estou tentando perder uns quilinhos - e ao meu lado, uma senhora loira, bem apanhada e saradona fazia suas abdominais. Outra, da mesma idade, morena e de óculos, se aproximou e pegou o colchonete. A loira perguntou:
-"Nossa, você sumiu, o que aconteceu?"
Para quê ela foi perguntar?? A outra despejou um monte de desgraças sobre a pobre interessada:
-"Nem imagine...minha irmã quebrou a perna, minha filha adolescente engravidou, minha mãe está com Alzheimer e eu tive um mioma".
Sem que a outra dissesse mais nada além de interjeições (oh, nossa, puxa etc), a triste senhora cheia de problemas foi despejando o saco de tragédias, sem parar. Até descreveu uma curetagem. Meu abdomen doía só de ouvir.
Eu acho que amigos são pra todos os momentos. Mas numa academia as pessoas procuram bem-estar. E quando a morena se aproximou, a loira perguntou o porquê do sumiço. Daí se deduz que não eram amigas íntimas, senão, teriam notícias uma da outra sempre.
Eu não sei o que os manuais de etiqueta dizem a respeito; meu bom senso dá a dica - não despeje seus problemas nas costas de gente que mal te conhece.
Se me perguntam se estou bem, geralmente digo que sim. Se minha cara não convence - não sei mentir - explico por alto, sem grandes detalhes.
Pedir conselhos é bom; não tenho nada contra. Quem está de fora da situação pode ter um olhar revelador e ajudar muito. Mas há que se ter cuidado. Aconselhar quando é pedido, saber calar quando não é, filtrar o que se ouve, relevar o que não se quer ouvir.
Precisamos nos precaver dos "urubus desconhecidos". Um bocado da nossa alegria de viver está em dar boas risadas com as pessoas, sejam amigos íntimos ou não.
Não temos o direito de contaminar desconhecidos com nossas mazelas.
Às vezes precisamos desabafar...mas só amigos de verdade saberão compreender essa necessidade.
Ah, como é complicado viver!!

Um comentário:

Carla disse...

Senti falta da atualização aqui, pois gosto de ler o que escreve!
Esta história que testemunhou na academia é um tanto engraçada!! Já soube de uma piada assim, mas não lembraria detalhes pra contar.
Nós temos o hábito de comprimentarmos uns aos outros com um "oi como vc está?" ou "E aí, tudo bem?" mas a resposta é um falso "Tudo bem e vc?" e pronto...quem perguntou só queria ser "educado" e só. Não está interessado em mais nada. Que tal mudarmos a maneira de dar um "oi" para as pessoas? seria mais verdadeiro! Por exemplo: "Oi, quero falar amenindades, topas?" ahahaahaha ou "Oi, sumiu!! Se o motivo foi bom me conte caso contrário me poupe".
Amiga, vc é um barato!

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida