terça-feira, 28 de abril de 2009

O que tá acontecendo comigo?


Ronaldo no Timão...dá pra resistir?

Eu sempre odiei futebol.
Sempre vi a bola como o inimigo número 1 da família e dos lares brasileiros.
Porque meu marido é goleiro no time do clube. Aliás ele é goleiro de vários times no clube. Goleiro é uma espécie em extinção. Com 1,92, meu marido literalmente fecha o gol.
O fato é que brigamos porque ele joga a santa peladinha de fim-de-semana, às vezes durante a semana também e ainda vê os jogos pela TV.
Mas na última final do Corinthians...bom, não pude refrear minha pontinha de orgulho pelo Ronaldo. O que está acontecendo comigo? Será que vão me crescer orelhas peludas? Meu guarda-roupa vai ficar branco e preto? Meu jardim vai se encher de gaviões? Agora as pessoas vendo o jogo pela TV e eu lá, disfarçando com uma cara de tédio, mas no fundo no fundo, torcendo pros branco-e-preto...sim, eu sinto, é um chamado!
Eu tentei ser São Paulo. Até com a chegada do Bosco, aquele gato, no lugar do Rogério Ceni, pensei: ora essa, agora eu tenho um bom motivo pra assistir futebol. Eu tentei ser Santo André, cidade do meu coração por motivos mais do que especiais. Mas não deu.
Fui contaminada. Se é pra torcer por alguém, agora eu sou Corinthians.
Me responsabilizo pelas consequências.
Prefiro torcer pelo time que tá ganhando!!! Mas por favor, não contem pra ninguém.
Pra todos os efeitos, eu odeio futebol...

quarta-feira, 22 de abril de 2009

Shows gratuitos e a responsabilidade social

Bom, todo mundo sabe que o show do Andrea Bocelli em São Paulo foi gratuito.
Me pergunto por que a prefeitura da cidade e o governo do Estado, diante de um espetáculo desta magnitude, perdem a oportunidade de tornar a entrada, ainda que gratuita, imbuída de alguma causa, seja em prol da ecologia, ou de assistência a ONGS, tantas são as que precisam de ajuda.
OK, o parque do Ipiranga é nosso. Pertence a todos nós que moramos em São Paulo.
Mas o privilégio de uma atração como essa, gratuita...merecia um "pagamento". Por exemplo, Bocelli é cego. Então por que não se entrou em parceria com o Instituto Dorina Nowill ( a respeito, clique AQUI) por exemplo, que cuida da educação e profissionalização dos deficientes visuais?
Só se valoriza aquilo pelo o que se paga. Ainda que paguemos impostos e tenhamos direito ao lazer e à cultura, um evento como este precisa ser veículo para a divulgação de trabalhos sérios prestados à comunidade.

Show do Andrea Bocelli: lindo, mas o povo sofreu...

Eu fui uma das 25 mil pessoas malucas que enfrentaram absurdos pra assistir ao show do Andrea Bocelli, ontem, no Parque do Ipiranga.
O show era de graça e mamãe me dizia sempre: "Pra cavalo dado não se olha os dentes".
Mas gente...precisa fazer o povo sofrer?
Depois de penar 30 minutos numa das filas, soubemos, pelo boca-a-boca, que a entrada alí era restrita aos maiores de 60. Corremos para outra entrada, defronte ao museu.
Mais tumulto. Faltavam 20 minutos para as 16 horas, quando abriram um portão e só aí a polícia inventou de separar homens pra um lado e mulheres pro outro, para a revista. Por que não fizeram isso antes? Fomos sendo empurrados escada abaixo, rumo às baias, lá embaixo, como gado indo para o abate.
Mas eu nem atribuo a culpa aos policiais. Para quê servem as empresas organizadoras de eventos? Só pra cuidar do palco, do som, da luz...e para orientar as filas, organizar a entrada do público? Não havia ninguém.
Enquanto os "vips" ficaram sentadinhos, na frente do palco, a gente se espremia lá atrás. Sorte que o público, no geral, era de bom nível, pessoas educadas.
Mesmo assim...teve gente insistindo em abrir os guarda-chuvas. Um ítem que devia ser tão proibido quanto bebida alcoólica e arma de fogo! Também fico louca da vida quando os "manés" metidos a cinegrafistas amadores levantam suas câmeras e celulares, bem na frente dos telões. Precisa?
Consegui enxergar o Andrea Bocelli e seus companheiros de show, entre a nuca de um e o pescoço de outro. Achei que os telões laterais ficaram muito baixos. A escolha do local também foi uma idéia de girico: plantas, morros, tudo impedia uma visão melhor.
Aliás falta em São Paulo uma arena decente, com boa acústica, pra esse tipo de show.
O repertório era formado por clássicos da ópera.
Mas no final ele cantou "Con te partiró" e o povo acompanhou, cantando do começo ao fim da música, como se fosse um hino. Foi realmente emocionante.
No último BIS, senti que Deus soprou meu pedido no ouvido do tenor..."Nessum dorma" ficou impecável e ouvi com as mãos em prece.
Era a preferida do meu pai, italiano da Toscana, falecido em dezembro.
Tenho certeza que ele ouviu comigo. Aliás se eu não tivesse ido ele não me perdoaria.
Eu tava lá, pai.
Mas brasileiro sofre!!!!

sexta-feira, 17 de abril de 2009

Lixeiras na calçada: dos males, o menor






A Prefeitura de São Paulo está querendo tirar as lixeiras particulares das calçadas da cidade.
Por um lado, tem lógica: se calçada é um espaço público e a lixeira é um acessório particular, não há muito sentido em mante-las.
Por outro, defendo a utilidade das lixeiras: os detritos ficam a salvo de cachorros abandonados que acabam estraçalhando o lixo e evitam que o xorume (líquido resultante da decomposição dos detritos) impregne a calçada com mau-cheiro. Tem muito espertinho que acha que é um acessório público e deposita alí seus saquinhos com excremento de cachorro. Enfim, isso já é pra outro post.
O fato é que saí pelo meu bairro tirando algumas fotos de calçadas intransitáveis e nesses casos a lixeira é o que menos impede o acesso de idosos, carrinhos de bebê, cadeiras de rodas etc.
São desníveis absurdos, totalmente em desacordo com a lei, bem como árvores super-dimensionadas, inadequadas para alguns espaços, ou seja, toda sorte de empecilhos para as tais caminhadas matinais que os médicos tanto recomendam.
A gente fica obrigado a andar no meio-fio. Não sei o que é pior.
Ter excesso de peso ou morrer atropelado!

Veja texto interessante a respeito também no blog do Milton Jung.

Campanha "Adote um vereador"


Lixo nas ruas: um dos muitos problemas de São Paulo - cobre do seu vereador!
A proposta da campanha "Adote um vereador" é muito simples.
Se o seu candidato às últimas eleições não foi eleito, ou se você tem memória curta - e nós brasileiros somos experts nisso - entre no site da câmara de vereadores da sua cidade e "adote" aquele cujas propostas têm mais a ver com você, com o que você pensa, com o que você quer para o lugar onde você vive.
Afinal, claro, seus impostos precisam ser aplicados de maneira responsável e coerente.
Eu adotei o vereador Floriano Pesaro, do PSDB aqui de São Paulo. Aliás dei uma lida nos projetos apresentados até agora e não me agradaram muito. VOU PEGAR NO PÉ!
Foi lançado o calendário das reuniões sobre o Plano de Metas para a nossa cidade. Por que você não participa? Elas acontecerão nas sub-prefeituras, sempre à noite, no horário das 19:30 - ou seja, não tem desculpa pra não ir.
Programe-se. Muita gente vai dizer: "Ah, mas que chato, um monte de gente falando, vou perder meu tempo..."
Não. Temos que nos acostumar a participar mais das decisões do munícipio. Você está pagando os salários dos servidores públicos, meu amigo! Incluindo os dos vereadores!
Vai jogar seu dinheiro no ralo?
VAMOS SEGUIR O EXEMPLO DOS MORADORES DE SÃO BENTO DO UNA - PERNAMBUCO, que acompanham os trabalhos da Câmara dos vereadores de lá! Veja clicando aqui!
Então entra lá. No site do vereador Pesaro está o calendário completo. Clique AQUI.

quinta-feira, 16 de abril de 2009

Ana Maria Braga pirou de vez?


Que coisa ridícula. Acordei só no susto: Ana Maria Braga vestida de Madonna sadomasô!
Perdeu a noção, Ana Maria? Ou tomou chá de cogumelo ao invés de café da manhã?
Segundo ela, o objetivo, já que o entrevistado da manhã seria um maquiador, era questionar até que ponto as pessoas se expõem...Não entendi.
Não teria sido mais sensato então ela se expor sem maquiagem e mostrar o quanto um maquiador faz diferença?
Se liga, Ana Maria.
E me poupe!!!

Andrea Bocelli


Ouvi na rádio Eldorado e não acreditei.
Andrea Bocelli DE GRAÇA no feriado de Tiradentes? Sim meninos e meninas, é verdade.
Vai ser no dia 21/04, às 16 horas, no Parque da Independência, aqui em São Paulo.
Reza a lenda que o cantor italiano Zucchero, no final dos anos 80, quis mostrar uma música para convidar Luciano Pavarotti a fazer com ele um dueto. Na fita demo, cantou com Andrea Bocelli.
Pavarotti respondeu que estava realmente com a agenda cheia e não tinha tempo para gravar o dueto com Zucchero. Mas disse a ele que, na verdade, ele não precisava de outro cantor para a gravação. Pois Bocelli era perfeito.
Eu concordo com o Pavarotti. Acho o Bocelli maravilhoso, daquelas vozes que tocam a gente bem fundo...a pura beleza da música.
Cá entre nós...ele também é um charme!
O que acho engraçado e lamentável, é que como fã de Caetano Veloso e de Chico Buarque, nunca tive recursos para ir a um show deles, cujos ingressos nunca ficam abaixo de 150, 200 reais.
No entanto, um artista internacional, do nível de Bocelli, vai cantar pra gente DE GRAÇA.
Sinceramente? Isso me faz perder a vontade de ir a shows dos cantores brasileiros.
Realmente, Caetano, Chico e Cia...agora nem que eu tenha dinheiro!
Prefiro o Bocelli. Tem a voz mais linda. É mais bonito. E mais generoso.
De olhos fechados para a luz, mas abertos para a alma, como ele (que é cego desde os 12 anos), confira a beleza de sua música e das paisagens da Toscana, no vídeo "Resta qui".

Andrea Bocelli - 21/04
Parque da Independência - av. Nazaré, s/ nº, Ipiranga, região sul, São Paulo, SP. Tel.: 0/xx/11/2068-0032. Ter. (21): 16h. Grátis. Classificação etária: livre.

quarta-feira, 1 de abril de 2009

A guerra das cebolas




Toda quarta-feira é a mesma coisa. Tomo o rumo do hipermercado e aproveito as ofertas de legumes, frutas e verduras.
Aquilo é um inferno, se você for depois das 9. Era o que eu pensava. Cheguei às 8 e já estava lotado. Deve ser culpa da crise.
Feirões desse tipo são muito frequentados por idosos. Meticulosos...cuidadosos...muita rima, pouco bom senso.
A cada semana as mercadorias estão em bancas diferentes. Mas achar as cebolas é fácil.
Levante seus olhos de lince, que toda boa dona-de-casa/mãe tem. Onde houver uma nuvem de cascas de cebola esvoaçantes, SIM, lá estão elas.

Em volta, a turba...a turba de velhinhos, homens e mulheres, dispostos a levar quilos e quilos de cebola pela bagatela de 67 centavos.
Nesse caso, são as cebolas que choram. E joga daqui, e joga dalí, massacra acolá, algumas caem no chão e são pisoteadas,
sem dó nem piedade. É a guerra das cebolas!!
Pessoas largam os carrinhos no meio do caminho, sem se importar com a passagem dos outros.
E por que ainda tem gente que insiste em levar recém-nascidos a um lugar desses? Uma tortura para os pequenos, uma preocupação para mim, com tantos tomates e mexericas voando pra todo lado. Aliás meu instinto maternal deve estar escrito na testa...respondendo minha pergunta sobre onde estava o cheiro-verde, a funcionária respondeu: "Não sei, mamãezinha...não sou desse setor".
Ué, como ela sabia que eu sou mãe, se eu estava sem as crianças? Não me aborreci, muito pelo contrário. Eu amo ser mãe!
Também sempre vejo alguns tipos esquisitos, assíduos das quartas de feira...há um sujeito intrigante: chinelos, bermuda bege (é sempre a mesma) velha até os joelhos, camisa de pijama combinando com a bermuda, aberta quase até o umbigo e um colar prateado, tipo corrente. A cabeça? Ah é, cheguemos à cabeça: barba comprida, grisalha, tipo náufrago, óculos e meia-careca também grisalha. O cara tem uma cara de professor de Filosofia desencantado com a vida que não é fácil. Na próxima quarta acho que levo o gravador e o entrevisto.
E aquela gente que tem o péssimo hábito de comer as mercadorias sem pagar? Tento escolher um pacotinho de uvas e não há um cacho inteiro. Na minha frente, uma velhinha segura a dentadura com a mão esquerda e manda 4 uvas de uma vez pra dentro da boca. Ora, isso é furto. O que fazer? Chamar a polícia? Ou a ambulância?
Como tudo tem seu lado bom, sempre encontro um par de mulheres trocando receitas de algum legume esquisito que está em oferta. É só você procurar: cole em duas senhoras simpáticas conversando, preste atenção no modo de fazer e seu jantar tá garantido.
Deixo os perecíveis para o final. Na fila do caixa, sempre aparece alguém atrás do meu carrinho, com um pacote de pão e um litro de alguma coisa. Fico com dó e deixo passar.
O que seria da vida sem as pequenas gentilezas?
Se dou sorte, reencontro o mesmo empacotador. Que me pergunta dos meus filhos e diz que eles são lindos.
Mais um dever de dona-de-casa cumprido...e o elogio me fez ganhar o dia.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida