quarta-feira, 1 de abril de 2009

A guerra das cebolas




Toda quarta-feira é a mesma coisa. Tomo o rumo do hipermercado e aproveito as ofertas de legumes, frutas e verduras.
Aquilo é um inferno, se você for depois das 9. Era o que eu pensava. Cheguei às 8 e já estava lotado. Deve ser culpa da crise.
Feirões desse tipo são muito frequentados por idosos. Meticulosos...cuidadosos...muita rima, pouco bom senso.
A cada semana as mercadorias estão em bancas diferentes. Mas achar as cebolas é fácil.
Levante seus olhos de lince, que toda boa dona-de-casa/mãe tem. Onde houver uma nuvem de cascas de cebola esvoaçantes, SIM, lá estão elas.

Em volta, a turba...a turba de velhinhos, homens e mulheres, dispostos a levar quilos e quilos de cebola pela bagatela de 67 centavos.
Nesse caso, são as cebolas que choram. E joga daqui, e joga dalí, massacra acolá, algumas caem no chão e são pisoteadas,
sem dó nem piedade. É a guerra das cebolas!!
Pessoas largam os carrinhos no meio do caminho, sem se importar com a passagem dos outros.
E por que ainda tem gente que insiste em levar recém-nascidos a um lugar desses? Uma tortura para os pequenos, uma preocupação para mim, com tantos tomates e mexericas voando pra todo lado. Aliás meu instinto maternal deve estar escrito na testa...respondendo minha pergunta sobre onde estava o cheiro-verde, a funcionária respondeu: "Não sei, mamãezinha...não sou desse setor".
Ué, como ela sabia que eu sou mãe, se eu estava sem as crianças? Não me aborreci, muito pelo contrário. Eu amo ser mãe!
Também sempre vejo alguns tipos esquisitos, assíduos das quartas de feira...há um sujeito intrigante: chinelos, bermuda bege (é sempre a mesma) velha até os joelhos, camisa de pijama combinando com a bermuda, aberta quase até o umbigo e um colar prateado, tipo corrente. A cabeça? Ah é, cheguemos à cabeça: barba comprida, grisalha, tipo náufrago, óculos e meia-careca também grisalha. O cara tem uma cara de professor de Filosofia desencantado com a vida que não é fácil. Na próxima quarta acho que levo o gravador e o entrevisto.
E aquela gente que tem o péssimo hábito de comer as mercadorias sem pagar? Tento escolher um pacotinho de uvas e não há um cacho inteiro. Na minha frente, uma velhinha segura a dentadura com a mão esquerda e manda 4 uvas de uma vez pra dentro da boca. Ora, isso é furto. O que fazer? Chamar a polícia? Ou a ambulância?
Como tudo tem seu lado bom, sempre encontro um par de mulheres trocando receitas de algum legume esquisito que está em oferta. É só você procurar: cole em duas senhoras simpáticas conversando, preste atenção no modo de fazer e seu jantar tá garantido.
Deixo os perecíveis para o final. Na fila do caixa, sempre aparece alguém atrás do meu carrinho, com um pacote de pão e um litro de alguma coisa. Fico com dó e deixo passar.
O que seria da vida sem as pequenas gentilezas?
Se dou sorte, reencontro o mesmo empacotador. Que me pergunta dos meus filhos e diz que eles são lindos.
Mais um dever de dona-de-casa cumprido...e o elogio me fez ganhar o dia.

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Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida