quarta-feira, 22 de abril de 2009

Show do Andrea Bocelli: lindo, mas o povo sofreu...

Eu fui uma das 25 mil pessoas malucas que enfrentaram absurdos pra assistir ao show do Andrea Bocelli, ontem, no Parque do Ipiranga.
O show era de graça e mamãe me dizia sempre: "Pra cavalo dado não se olha os dentes".
Mas gente...precisa fazer o povo sofrer?
Depois de penar 30 minutos numa das filas, soubemos, pelo boca-a-boca, que a entrada alí era restrita aos maiores de 60. Corremos para outra entrada, defronte ao museu.
Mais tumulto. Faltavam 20 minutos para as 16 horas, quando abriram um portão e só aí a polícia inventou de separar homens pra um lado e mulheres pro outro, para a revista. Por que não fizeram isso antes? Fomos sendo empurrados escada abaixo, rumo às baias, lá embaixo, como gado indo para o abate.
Mas eu nem atribuo a culpa aos policiais. Para quê servem as empresas organizadoras de eventos? Só pra cuidar do palco, do som, da luz...e para orientar as filas, organizar a entrada do público? Não havia ninguém.
Enquanto os "vips" ficaram sentadinhos, na frente do palco, a gente se espremia lá atrás. Sorte que o público, no geral, era de bom nível, pessoas educadas.
Mesmo assim...teve gente insistindo em abrir os guarda-chuvas. Um ítem que devia ser tão proibido quanto bebida alcoólica e arma de fogo! Também fico louca da vida quando os "manés" metidos a cinegrafistas amadores levantam suas câmeras e celulares, bem na frente dos telões. Precisa?
Consegui enxergar o Andrea Bocelli e seus companheiros de show, entre a nuca de um e o pescoço de outro. Achei que os telões laterais ficaram muito baixos. A escolha do local também foi uma idéia de girico: plantas, morros, tudo impedia uma visão melhor.
Aliás falta em São Paulo uma arena decente, com boa acústica, pra esse tipo de show.
O repertório era formado por clássicos da ópera.
Mas no final ele cantou "Con te partiró" e o povo acompanhou, cantando do começo ao fim da música, como se fosse um hino. Foi realmente emocionante.
No último BIS, senti que Deus soprou meu pedido no ouvido do tenor..."Nessum dorma" ficou impecável e ouvi com as mãos em prece.
Era a preferida do meu pai, italiano da Toscana, falecido em dezembro.
Tenho certeza que ele ouviu comigo. Aliás se eu não tivesse ido ele não me perdoaria.
Eu tava lá, pai.
Mas brasileiro sofre!!!!

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