sábado, 2 de maio de 2009

Morte de Senna: dia inesquecível


Naquele primeiro de maio de 94 eu e meu marido éramos recém-casados e não tínhamos filhos. Morávamos na Freguesia do Ó, zona norte de São Paulo. Obviamente era um daqueles domingos em que a gente estica a manhã e fica dormindo até mais tarde.
Mas o Marcos assistia a corrida na TV do quarto e de repente me acordou, dizendo: "Paula, o Senna morreu".
Achei que era brincadeira. Virei pro outro lado, dei risada e disse: "Ah tá...não dá pra achar jeito pior de me acordar não? Conta outra".
Mas era verdade. A imagem na TV mostrava a tomada aérea de um helicóptero e paramédicos desesperados tentando reanimar aquele que parecia o corpo de um boneco, estirado, imóvel. Não queríamos acreditar, mas já não havia esperanças.
No dia do cortejo pelas avenidas de São Paulo, eu estava dentro de um ônibus, passando sobre o viaduto do Paraíso. Todos os passageiros tinham o ar triste. O motorista e o cobrador, com os olhos marejados de lágrimas; enquanto um radinho que alguém mantinha ligado, alardeava o percurso do caixão. De repente, o ônibus parou e todos desceram, incluindo eu, sem entender muito bem o porquê.
Segui a massa. Todos se acotovelaram na grade do viaduto Paraíso. Lá embaixo, o carro do Corpo de Bombeiros, passava pela avenida 23 de maio, trazendo o caixão com o corpo do herói morto, coberto pela bandeira do Brasil.
Olhei em volta. Não havia ninguém que não estivesse chorando. O cobrador, do meu lado, em prantos..."Acabou a graça; não quero mas saber de corridas no domingo" dizia, enxugando a face.
Senna tinha um temperamento difícil, mas ao mesmo tempo, um carisma, que fazia dele mais do que o nosso campeão. Era como um filho para muitas donas-de-casa, ou um irmão mais velho, para muitos garotos que viam nele um espelho, um exemplo de superação e de persistência.
Os domingos nunca mais foram os mesmos.
Quando o cortejo se foi, rumo ao cemitério do Morumbi, entramos novamente no ônibus.
E seguimos adiante. Sem conversas, mas chorando.
Senna, que corria tanto, fez São Paulo parar.

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