segunda-feira, 8 de junho de 2009

Sob a dor, mais cautela

Tenho acompanhado com atenção o desenrolar do resgate de corpos e destroços do Airbus da Air France.
Como de costume, tivemos várias precipitações dispensáveis das autoridades. Mas a elas também devemos um desconto, pois não é todo dia, felizmente, que deparamos com tragédias dessa magnitude.
Jamais, jamais poderia eu julgar as declarações dos familiares, que experimentam e experimentarão um enorme sofrimento, para sempre.
Mas há que se ter calma. As condições para o resgate são muito difíceis. Tanto pelas distâncias quanto pelo mar revolto.
Sem querer entrar em detalhes mórbidos, mas peritos atestam que eventuais corpos, íntegros, depois de tanto tempo sob o mar ( o que é difícil) , apenas subiriam à tona decorridos alguns dias, devido à formação natural de gases em seu interior. Isto já era sabido e talvez pudesse ter sido esclarecido com mais ênfase pelas autoridades.
Logo em seguida ao desaparecimento, foi grande a perplexidade geral justamente pelo desconhecimento de que destroços e corpos podem demorar alguns dias a subir para a superfície.
Estão todos nervosos, tensos: profissionais envolvidos na difícil e heróica missão de resgate e familiares, com o coração dilacerado pela perda e pela constatação de que foi, simplesmente, o FIM, para seus entes queridos.
Vamos acalmar os ânimos e serenar, antes das acusações de parte a parte. Vamos abraçar quem precisa de carinho e força, exercendo a solidariedade própria dos brasileiros em horas difíceis.
É gente como a gente, perdendo um pedaço de si. Sobriedade e cautela nunca são demais.

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