quarta-feira, 28 de outubro de 2009

O poder das palavras

Ouvi uma história no domingo que me fez refletir sobre o poder, muitas vezes destruidor, das palavras.
Uma amiga, já de certa idade, contou que na juventude gostava muito de cantar. Comprava revistas com letras de músicas, das paradas de sucesso dos anos 50/60 e decorava todas as canções.
Casou-se e como toda dona-de-casa, lavava pratos todos os dias. O rádio, claro, sempre ligado, executando as melodias de que ela tanto gostava. A tática: pendurava as revistinhas, com as letras, próximo à janela da cozinha. E cantava, cantava, cantava alto, para a vizinhança inteira ouvir. Momentos de felicidade, sem perder o dever...
Um dia alguém próximo disse: "Como cantas mal...desse jeito a música fica até triste!".
E morreu a alegria da jovem dona-de-casa, esposa e mãe. "Deste dia em diante, foi como se tivessem passado um zíper na minha boca e nunca mais consegui cantar, nem mesmo sozinha" - ela me disse. Fiquei comovida e refletindo; como as palavras podem massacrar uma alegria da vida, um talento escondido...
Tomemos cuidado com nossas palavras; nunca sofri violência física, mas tive minha alma dilacerada por frases cortantes, cruéis, principalmente na adolescência e vindo de quem eu não esperava. Dentro de casa.
Se não temos nada de bom a acrescentar, optemos pelo silêncio, puro e simples. E se crueldades nos escaparem, se a língua andar mais rápido que o cérebro, basta pedirmos desculpas - imediatamente.
Ainda assim...corremos o risco, triste, de destruir a felicidade de alguém.
Ninguém tem esse direito.

2 comentários:

O Jornalista disse...

Perfeito Paula. As palavras, na minha opinião, têm um poder destrutivo até maior do que uma agressão física. Uma palavra "mal dita" pode acabar não só com uma, mas com várias vidas. Temos sempre que pensar muito bem sobre o que vamos dizer, como dizer, pois uma frase "mal dita", pode causar danos irreversíveis.

rosa antunes disse...

Concordo também! As palavras têm todo poder tanto para construir como para destruir. Há pessoas que falam pouco, se dizem objetivas,sem osso na língua e com frases curtas e grossas exprimem toda a amargura que sentem da vida. Fazem um verdadeiro boliche nas pessoas que estão à sua volta. Acredito, que é um grande exercício não nos deixarmos abalar por este tipo de atitude e conseguir separar o que é de fato nosso e o que é do outro.

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida