segunda-feira, 30 de novembro de 2009

Amazônia: encantos da culinária


Dona Brazi, com o chef Atala, dando suas lições de culinária pra uma platéia de queixo caído e muita, muita fome!


A cidade de São Gabriel da Cachoeira (AM) tem o primeiro prefeito indígena do Brasil, o Pedro Garcia (PT). Tem também uma quituteira de primeira linha, Dona Brasi, convidada do chef Alex Atala no debate sobre a influência da cultura indígena na culinária brasileira, que aconteceu na livraria Cultura, no último domingo.
E é claro que eu não podia perder.
Não é muito fácil achar os ingredientes da cozinha amazonense aqui em São Paulo. Além disso, verduras, ervas, temperos, caldos e peixes da região Norte são cheios de mistérios e encantamentos, manhas e segredos, que estão nas mãos de poucos. Como nas de dona Brasi.
Essa auto-intitulada costureira, de sangue indígena, trocou os panos pelas panelas. Costura agora sabores, inventa pratos novos sem perder o gosto da "comida de índio", que ela foi proibida de servir nas feiras de Belém do Pará, há alguns anos. "Me disseram que lá eu tinha que servir comida de branco, comida de turista", ela conta, de um jeitinho manso e tão cativante que dá vontade de ser um de seus vizinhos, nem que seja por um dia só. Estes, têm o privilégio de degustar suas iguarias e experimentos sem restrições, o ano inteiro, enquanto o turista comum se restringe ao velho Tacacá no tucupi, vendido em qualquer esquina de Belém.
Nada contra o Tacacá, nem o Pato no tucupi...Mas dona Brasi, ou Josefa Gonçalves de Andrade, sabiamente, acrescenta frutas e raízes diferentes ao seu molho, que acompanha os peixes, base da alimentação de São Gabriel da Cachoeira, que fica a 858 km de Manaus.
Alex Atala, ao lado de d.Brasi, exaltou a riqueza da culinária amazonense, numa frase: "O cozinheiro tem duas grandes dúvidas na vida: quando não tem nada pra preparar ou quando tem muita coisa fresca. No Amazonas eles têm sempre muita coisa fresca e ainda por cima,uma grande diversidade de ingredientes".
O chef Atala chegou pra almoçar na casa de d.Brasi, um dia, assim, quase sem aviso. Três meses depois a convidou para vir a São Paulo.
"O que vou fazer em São Paulo, na terra dos brancos?" - ela perguntou.
Muita coisa, dona Brasi. Ensinar que a formiga Saúva é muito mais saborosa que a Maniwara e é um ótimo acompanhamento nos molhos para peixes. Que existe o tucupi preto, chamado "Kinhapira", um pouco mais concentrado e com gosto forte. Que a Piraíba e´a espécie mais abundante de peixe na região e fica ótimo com um creme de polpa de pupunha. E que uma palestra pode ser finalizada com uma frase que só aumenta nossa água na boca:
"Se a comida não tem aparência boa, nosso estômago não recebe com alegria".

Pra vc que não é vizinho de d.Brasi, mas quer ser encantado pelos sabores amazonenses, vão aí duas dicas:

De Alex Atala
Restaurante Tordesilhas - Jardins
Bolinho de pernil em imersão de Tucupi, Pirarucú fresco, Tacacá - quer provar?
Então clique aqui e tenha todas as informações.

Desta humilde blogueira
Bufê de comida amazonense, de tudo um pouco, pra você fechar os olhos e se sentir no meio da floresta. Clique AQUI!

sexta-feira, 27 de novembro de 2009

Vai um pastel aí?


Na última quarta-feira não tinha a menor vontade de cozinhar e já que estava perto, resolvi experimentar o segundo melhor pastel de feira da cidade, conforme o concurso realizado pela Prefeitura de São Paulo em setembro, com 731 candidatos.
Algumas voltas na quadra e logo avistei a barraquinha da família Yamashiro, em Moema, esquina da Bem-te-vi com a Arapanés. Concorridíssima.
Observe a foto e fixe bem esse uniforme: blusa preta, avental vermelho. Qualquer outro é enganação.
Tenho um problema muito sério com cardápios. Escolher é sempre muuuito difícil. Pra pedir pizza, outra paixão, levo umas duas horas.
Com o pastel não foi diferente. Mas resolvi pedir o de "Jabá com Jerimum" (termos nordestinos, respectivamente carne-seca e abóbora).
Meninos e meninas...aquilo é TUDO. A abóbora é a japonesa, chamada "Kabotcha", que vem cortada em fatias bem fininhas, incorporadas à carne-seca, que de seca não tinha nada.
O recheio molhadinho preenchia todo o pastel, de ponta a ponta, envolto por massa sequinha e crocante, como só os pasteleiros de São Paulo sabem fazer.
Por mim só esse pastel já merecia ter ficado em primeiro lugar. Que aliás é o pastel da Maria, filha do próprio sr.Yamashiro.
Se não puder ir até Moema numa quarta, tente o domingo, onde eles estão na feira da rua Mario Lopes Leão, em Santo Amaro. Vale a viagem, MESMO.
Semana que vem vou experimentar o campeão. Por puro dever profissional!

sábado, 21 de novembro de 2009

Geisy e Mahmoud: acordo sobre o Oriente Médio?



No próximo dia 23 desembarca por aqui o presidente do Irã, Mahmoud Ahmadinejad.
Ontem ouvi Lula dizer que a paz no Oriente Médio deve ter a ONU à frente e não os EUA.
Ora essa, então porque estamos a nos meter de novo numa encrenca que não nos diz respeito? O que o presidente está pensando? Que vai levar o cara pra comer um pastel na esquina e vão resolver tudo entre um gole de caldo de cana e outro?
Lula, meu caríssimo presidente, que eu não elegi: pare de olhar para Meca e olhe para o Rio de Janeiro.
Mas já que a besteira é inevitável, eu tenho uma sugestão muito importante para o presidente do Irã: não deixe de incluir em seu roteiro pelo Brasil uma visitinha à UNIBAN.
Quem sabe uma palestra elucidativa sobre bons costumes e os trajes adequados que uma mulher dita "decente" deve usar para assistir as aulas?...
Ou talvez um encontro entre Geisy e Mahmoud? Podemos estar diante do ingrediente que falta num acordo de paz no Oriente Médio!
Eu sou um gênio mesmo. Uniban, contrate-me como assessora de imprensa imediatamente!

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Rede de amigos contra as drogas

Vou pegar carona no meu post sobre o avanço do crack e dar um testemunho como mãe. Quem sabe assim posso contribuir um pouquinho à formação de uma cultura de pais contras as drogas.
Neste final-de-semana recebi em casa dois amigos do meu filho mais velho, que tem 12 anos.
Fiquei pensando no quanto é importante esse hábito de receber amigos dos filhos em casa. Meu filho é colega deles deste os 8 anos. Já conhecemos os pais, o jeito das crianças, os temperamentos...E eu acho isso importante: inconscientemente, acabamos criando uma rede de "vigilância" mútua.
Não somos amigos íntimos dos pais, mas de certo modo, temos alguma segurança, de que há liberdade para relatarmos - uns aos outros, os pais - qualquer estranhamento de comportamento, qualquer "algo errado" que apareça, no meio do caminho.
Estamos começando a soltar as rédeas e passeios no shopping, sem os pais, já fazem parte do cotidiano.
Eu ainda era criança, mas lembro bem dos bailinhos na casa dos pais. Isso não existe, agora é balada, em danceterias, algumas especiais para menores, sem oferta de álcool e nos horários adequados.
Mas eu apelo: pais, conheçam os amigos dos seus filhos. Embora exija algum esforço, trabalho...recebam as crianças em suas casas. Não há segurança maior do que conhecer quem é amigo do seu filho. Somos todos pais, afinal. Ou como numa placa em que li, inesquecível, certa vez:
"As mães, são mães de todos os filhos...e os filhos, são filhos de todas as mães".

sábado, 14 de novembro de 2009

Obrigatório!


Esqueça aquela entrevista antiga de miss dizendo que seu livro preferido foi "O pequeno príncipe".
Mais do que um livro pra gente de cabeça oca, minha dica pro seu fim-de-semana é a exposição "O Pequeno Príncipe" - na OCA. Ops...
Alí no Ibirapuera, onde ficava o antigo museu da Aeronáutica (aliás, alguém pode me dizer para onde foram os aviões??) - ironicamente acontece a exposição sobre o livro mais famoso de um piloto de avião.
Fui com uma amiga jornalista, que, muito sábia, decidiu que aproveitaríamos bem mais se seguíssemos as orientações de uma monitora - alô tia Fernanda, está me ouvindo?
Dica maravilhosa, de fato.
Pra você que leu o livro, a visita monitorada oferece a chance de relembrar os trechos mais importantes da obra. Para você que não leu, eis um grande estímulo.
Li esse livro quando eu tinha uns 10 anos. Li pela segunda vez aos 12. Li pela terceira vez aos 15. Não sei quantas vezes mais vou reler. O fato é que ele se mantém cada vez mais atual - grande lance das grandes obras de arte.
As metáforas, os paralelos com a realidade, são incrivelmente proveitosos, ao longo de toda a sua vida.
Acredite em mim: sem "O pequeno príncipe", você só sacou 1/5 do necessário sobre a vida e a complexidade humana.
As instalações, de Daniela Thomas, deixam um pouco a desejar principalmente no quesito SOM. Muito ruim e se não fossem as explicações da monitora, você fica boiando, ainda mais se não tiver lido o livro.
Também achei uma pena a opção de deixar a parte documental (originais, ilustrações do autor e até o bracelete dele) relegados ao último andar da Oca. Fique esperto, guarde fôlego e não deixe de subir, até o fim.
Afinal, você é responsável por aquele que cativa.
E Antoine de Saint-Exupery me devia essa. Convencer-me a subir rampas e mais rampas...mesmo que não movida a pássaros. Por ele. E por tudo que seu livro representou, há gerações.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Crack: nem pensar

Como vocês devem ter percebido, pelo gadget ao lado, resolvi apoiar a campanha "Crack, nem pensar".
O consumo da droga vem crescendo assustadoramente em São Paulo, na capital e interior, no Rio de Janeiro, nas cidades pobres, nas cidades ricas, em todos os lugares. Fico preocupada não só por ser mãe, mas por ser cidadã atuante e que já perdeu gente muito querida para a droga que é a droga.
Uma escola tradicional de São Paulo localizada na chamada cracolândia está em vias de ter suas portas fechadas. Alguns professores amarram as janelas com arame, para que seus alunos não veja os viciados consumindo o crack do outro lado da rua.
Eu acho que faltam campanhas mais chocantes na mídia, não só sobre o crack mas sobre todas as drogas, legais e ilegais.
O brasileiro, que em geral é bem despudorado no que se refere à sexualidade, parece ter medo de chocar mostrando nossos jovens indo para o túmulo nos braços das drogas.
Ora essa, qual é o problema de se fazer uma campanha realmente abrangente e de impacto? Até quando as pessoas serão iludidas? Até quando vamos esperar de braços cruzados os nossos filhos sendo arrastados por algum traficante cheio de lábia e malícia? Por que não preciso me importar enquanto isso estiver acontecendo com o filho do vizinho ou de uma amiga? Será necessário o parente de algum ministro morrer de overdose para que o Estado acorde e tome providências efetivas? Esse mesmo Estado que sequer oferece tratamento gratuito às vítimas do vício?
Crack é um derivado de cocaína, com potencial viciante dez vezes maior do que a cocaína. Ou seja, logo após o primeiro ou segundo uso, o camarada já fica viciado.
Convido você a clicar no link ao lado e se informar sobre a campanha. Se você é blogueiro, entre nessa também.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Ralos de piscina

Com esse tempo abafado, quem de nós não pensa em dar um belo mergulho numa piscina geladinha?
Mas eu sugiro que antes, você mergulhe é no blog de minha amiga Odele:

flaviavivendoemcoma
Conheça a luta de Odele e entenda por quê uma inocente piscina pode oferecer tanto perigo a você e às pessoas que você ama.

Drive-thru do Mac é um perigo


...E não só pra sua boa-forma, como também pra sua roupa.
O MacDonald's podia pensar um pouco melhor nas suas embalagens. Supõe-se que você passa num drive-thru pra ganhar tempo, porque está com pressa e não tem outro jeito de comer que não seja no carro.
Carros chacoalham, ainda mais na esburacada São Paulo.
Mas você leva um banho de refrigerante, ou suco, como aconteceu com meu filho André, na foto.
Que tal tampas melhores para os copos comprados no Drive, heim Mac??

domingo, 8 de novembro de 2009

Uniban: tiro no pé!

Se vcs leram meu artigo sobre a menina do vestido curto e a Uniban, entenderão que sou uma pessoa coerente.
Em nome dessa coerência...por quê diacho a Uniban expulsou a menina e não expulsou os arruaceiros idiotas que subiram em carteiras nos corredores, pra espionar Geisy dentro da sala de aula?
Valha-me Senhor. Voltamos ao tempo das fogueiras para bruxas?
Agora aguenta essa menina em todas as emissoras de TV e logo logo, na Playboy. Quanto aos arruaceiros do curso de Turismo, nada!
Cuidado com suas próximas excursões, senhoras e senhores.
Ir a uma praia da Bahia com short mais curto debaixo de um calor de quase 40 graus pode botar você pra fora da excursão.
Principalmente se o monitor tiver se formado na Uniban.
Melhor ir de burca.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Não se parecem?



Nas fotos, a cantora Lily Allen e a atriz-mirim Angela Cartwright, que brilhou na minissérie dos anos 60, "Perdidos no Espaço" e no blockbuster "Noviça Rebelde".

Brasil na Oprah

Esperei ansiosamente pelo programa da Oprah ontem no canal pago GNT. Fiquei decepcionada.
As chamadas para o programa davam a entender que ela teria vindo ao Brasil. O que se viu, na verdade, foi uma entrevista pelo Skype, com uma brasileira que, apesar do bom inglês, se viu numa enrascada.
Contundente e com uma certa dor de cotovelo, já que Chicago (onde "The Oprah Winfrey Show" é gravado) perdeu para o Rio a eleição para sediar as Olimpíadas, a apresentadora fez mais questão de destacar a violência do que a culinária e outras características da cidade.
Ela fez seu papel de jornalista, sem dúvida.
O tema do programa era "Cidades onde as pessoas são mais felizes". Copenhagen foi a primeira apresentada: 0% de violência. Ensino e assistência médicas gratuitas. Famílias voltando para casa de bicicleta, sossegadamente, todos os dias, entre as 16 e 17 horas. Pouco consumismo.
A apresentação de Aline, a brasileira, foi um show de contrastes, óbvio. Uma empregada negra, que mora na favela. Uma patroa rica, com banheiro cheio de cremes, perfumes, retrato do exagero consumista.
Bom, falei de mais. Confira tudo clicando AQUI!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Marie Claire

Na "Marie Claire" desse mês, na seção "Eu, leitora", o depoimento contundente que eu colhi de uma moça adotada que foi devolvida a um abrigo. Não percam!

Uniban: exibicionismo X selvageria

As fotos anteriores da garota não mentem: Geisy Arruda, que apareceu em tudo quanto foi canal na semana passada por ter ido com vestido curto à faculdade é mesmo exibicionista.Essa história de definição do que é democracia sempre é uma questão delicada no Brasil. Mais de 20 depois do regime militar, as pessoas ainda se confundem e acham que democracia é fazer o que se quer, na hora em que se quer e do jeito que se quer.
Acredito que, no caso da Uniban, os dois lados agiram errado. A estudante por ter ido à faculdade com vestido e atitude provocantes e os colegas por terem exagerado nas manifestações. Que para mim foram muito mais de indignação do que de excitação sexual. De qualquer forma, atitudes inaceitáveis para gente que está numa faculdade e que deveria ter um grau de inteligência acima da média.
Acredito que a maioria dos que estavam alí queriam protestar pela ousadia da moça, mas erraram a mão. Ultrapassaram a esfera do direito de livre manifestação, partindo para a ofensa, a difamação e a falta de respeito à dignidade humana de Geisy.
Esta, por sua vez, disse à imprensa que horas antes, indo para a faculdade, não sofreu nenhum desrespeito na rua. Bom, isso é o que ELA conta, né gente? Eu acho impossível sair à rua com roupas mínimas e não ouvir nem um "fiu-fiu" inocente.
De modo geral, acho que algumas mulheres se vestem mesmo inadequadamente, como se estivessem numa praia. Na verdade já vi vestidos e shorts mais curtos, com blusas de alcinha, em consultórios médicos, igrejas, bancos e outros ambientes públicos.
Não se trata de ser careta. Se trata de respeitar locais onde não estaremos sozinhos e sim cercados de outras pessoas, estranhas, com hábitos diferentes e modos diferentes de pensar. Se buscamos tanto o respeito à diversidade, poderíamos começar por aí. Nesse caso, manifestar respeito a quem está do lado implica em evitar extremos. É preciso entender o contexto das coisas e adaptar-se a isso. Eis a inteligência e a perspicácia para viver pacificamente em sociedade.
Há também o maldito culto à celebridade, ao querer ser famoso e aparecer a qualquer custo. Isso já está virando doença, coisa patológica, não acham???
Geisy Arruda tinha o direito de ir com micro-vestido à faculdade? Tinha. Mas os colegas tinham o direito de achar aquilo inadequado? Tinham também.
Ocorre que nem sempre o que é de direito, é recomendável. E o episódio com certeza serviu pra abrir o debate sobre o que é democracia de um país desenvolvido.
Que é o que pretendemos ser. Espero.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida