quarta-feira, 23 de dezembro de 2009

Caso Sean

Minha opinião sobre o caso Sean é a seguinte: embora tenha apenas 9 anos, deve ser dele a palavra final.
Eu acho que as pessoas envolvidas, familiares e ministros, estão ocupados demais com suas guerrinhas de ego, seus conflitozinhos de poder, esquecendo-se de que quem vai arcar com as piores consequências psicológicas dessa batalha campal é a criança.
Se esse povo tivesse sensibilidade, bastaria fazer como devemos fazer com qualquer criança, numa situação difícil...simplesmente dobrar os joelhos, abaixar-se à altura dela, de modo que possa olhar nos olhos do adulto, que lhe perguntará: "O que VOCÊ prefere?".
Assim. Só isso. Porque a melhor resposta geralmente aparece da maneira mais simples.

quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Calçada não é lixeira!


A foto acima foi tirada na esquina das ruas Jesuíno Maciel e República do Iraque, no Campo Belo, zona sul de São Paulo.
Quando é que o povo vai parar de achar que calçada é lixeira? Observando as árvores próximas, não me pareceu que os galhos pertenciam a alguma delas, resultado, talvez, de uma poda da Prefeitura. Até porque as podas autorizadas têm seus resíduos recolhidos pelo próprio caminhão da Prefeitura.
Enquanto o governo municipal não esparramar fiscais que multem no ato esse tipo de contravenção, vamos continuar com o lixo tornando as calçadas intransitáveis e entupindo as bocas de lobo. E dá-lhe enchente!
Ou então que a Prefeitura instale em pontos estratégicos latões de lixo nos quais a população possa despejar entulho e outros resíduos.
O que não dá pra engolir é mais uma taxa, dessa vez "de drenagem", que a secretária Dilma Pena quer implantar em São Paulo.
Até porque quem pagaria seríamos nós, junto à taxa de esgoto e água. É preciso mais competência dos governos para impedir a ocupação irregular das áreas de drenagem junto aos córregos e rios da cidade, isso sim.

sexta-feira, 11 de dezembro de 2009

As ditas pulseiras "do sexo"

Eu ia saindo de um consultório médico há uma semana, quando deparei com uma barraquinha de camelô, onde várias pulseiras coloridas de plástico eram vendidas a R$ 2 o pacote.
Sem pestanejar, levei dois pacotinhos para minha filha, de 10 anos.
Agora vejo na mídia essa polêmica toda em volta das pulseiras, que teriam surgido na Inglaterra como parte de um simbológico jogo sexual.
Todas as colegas da minha filha estavam usando. Não costumo levar meus filhos a adesões por pura moda ou porque "todo mundo usa, todo mundo faz". Mas nesse caso, as pulseirinhas são uma graça e estimulam uma vaidade infantil, até aquele momento, saudável, sob meu ponto de vista.
Depois que as reportagens sobre o tal código sexual implícito pipocaram pela mídia, as colegas e minha filha suspenderam o uso. Conversei com ela e deixei claro: "Você e suas amigas não têm idade pra certas coisas e não estão usando com essa intenção. Eu sei disso, você sabe disso, então fica a seu critério".
Porque a malícia está na cabeça de quem vê. Minha filha não anda sozinha na rua, não está exposta à ação de pedófilos, não acessa sites impróprios, que não conheço (temos um bloqueador no nosso PC)e sempre foi instruída com os velhos conselhos que todos os pais sempre deram: não aceitar presentes de estranhos, não conversar com quem não conheça, não deixar que passem a mão pelo corpo dela etc etc. Sem neurose mas de uma forma sensata e esclarecedora.
Eu acho que se os pais tomam esses e outros cuidados, não é uma pulseirinha que vai facilitar uma abordagem pedófila ou expô-la a algum perigo concreto. Bobagem.
Crianças com sexualidade precoce são vítimas de uma educação sem critério a partir de casa.
Ao que parece, as mães das amigas da minha filha tiveram o mesmo tipo de conversa com suas crianças.
E 4 dias depois da polêmica, gerada pelas reportagens, as meninas voltaram a usa-las.
Se os ingleses vêem alguma conotação sexual nesse acessório...bem, o problema, é deles.
Depois de publicar esse post, descobri que a colunista Rosely Sayão, da "Folha", pensa como eu. Quer ouvir? Clique AQUI.

terça-feira, 8 de dezembro de 2009

Fran's: café "Mãos ao alto"

Aconteceu mais um assalto a uma das lojas da rede Fran's Café. O primeiro foi em Moema, agora foi na Vila Mariana.
Ao que parece, uma quadrilha tem escolhido a rede por conta do tipo de frequentadores, munidos de notebooks, celulares e outros ítens caríssimos.
Mas e o direito de ir e vir? E o direito à segurança? Se a segurança pública não dá conta, que a rede providencie segurança particular.
Óbvio que o custo será repassado aos preços para o consumidor final.
Que pelo menos o Fran's acrescente algo diferente no cardápio.
Que tal um café gelado especial (na temperatura em que a gente fica quando com uma arma apontada à cabeça), incluindo um biscoitinho alusivo (pode ser um 38 coberto de chocolate) ou um vale pão-de-queijo pro bandido...o nome do drink poderia ser "Café mãos ao alto", por exemplo. Claro, teria que vir obrigatoriamente com canudinho. Porque ou a gente levanta o copo ou os braços. Os dois ao mesmo tempo, é impossível.
Esses caras não entendem nada de Marketing...tsc tsc tsc tsc...

domingo, 6 de dezembro de 2009

Dê futuro, não dê esmola

O título acima é o slogan usado pela Prefeitura de São Paulo na campanha contra a exploração de mão-de-obra infantil nos faróis da cidade.
A situação está ficando insuportável. Além do aumento do número de crianças, juntam-se a estas os deficientes físicos, os vendedores adultos e os mendicantes em geral.
Evito comprar o que quer que seja nos semáforos, não só porque estaria mantendo esse estado de coisas, como por uma questão de segurança.
E se eu fosse você faria o mesmo. Clique AQUI e veja os dados da última pesquisa sobre o quanto as crianças "de farol" arrecadam nessa época do ano: até 2 mil reais por mês! Ou seja,quem compra ou dá dinheiro em farol está sendo CÚMPLICE da exploração de mão-de-obra infantil, crime, de acordo com o ECA, no qual deveriam ser enquadrados os pais dessas crianças e toda a parentaia por trás do esquema.
A informação sobre a pesquisa me foi gentilmente passada por e-mail pelo âncora da CBN, Milton Jung, a quem agradeço.
Logo abaixo, neste blog, você encontra um post que escrevi sobre o uso de cola e drogas pelas crianças de rua. Que os "altruístas" motoristas doadores de esmola também estão estimulando, involuntariamente.
Enviei a foto para a CBN e ela foi publicada na seção "Repórter ouvinte".

quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

No meio do caminho havia uma lata de cola


É incrível a quantidade de vantagens de uma boa caminhada. A mais óbvia é a saúde física, mas a mental também ganha muito, porque a gente "acorda" vários sentidos ao mesmo tempo.
Conhecemos pontos da cidade nos quais dificilmente teríamos prestado atenção de carro. Descobrimos cantinhos novos, sebos, lojas, serviços diferentes que podem ser bem úteis a qualquer hora.
Hoje por exemplo, resolvi voltar a pé da academia, onde faço boxe, três vezes por semana. Foi mais ou menos uma hora andando, de lá até minha casa. Logo no início do trecho resolvi entrar num empório de hortifruti, desses pros quais ninguém dá nada. Mas lá dentro, havia muito mais do que mangas e laranjas-bahia.
Iguarias japonesas: toda sorte de conservas, de gengibre, de nabo, cogumelho shitake - que eu faço com macarrão - hummmmm...
E numa gôndola de congelados encontrei Blueberries, ou Mirtillo, como chamam também. Confesso que me decepcionei um pouco com o gosto. Nossa velha amora tem muito mais sabor. Mas vou usar a frutinha escura numa calda para sorvete.
O Mirtillo tem propriedades que favorecem a longevidade. Bom, será que sai tão caro assim ser jovem para sempre? Porque custou R$ 9 o pacotinho com 200 gramas. Afe...
Continuei andando, fortalecendo minhas pernas e articulações, o que é de graça.
No final do viaduto da av. Vereador José Diniz, uma imagem triste, que vocês vêem acima. Mandei para a CBN mas não sei se aproveitaram. Talvez tenham dito: "Ora, o que tem demais uma lata de cola denunciando que foi cheirada por um pivete?"
E eu me pergunto se não mora aí mesmo o problema. Estamos nos acostumando demais com o que está errado.
Damos esmola no farol e ajudamos as crianças a comprarem cola e pedras de crack. Damos esmola para nos aliviarmos da culpa por não brigarmos por esse problema. Porque somos passivos demais. Conformistas. A frase predileta do brasileiro é: "Ah, não adianta reclamar, é assim mesmo".
Não, não é assim mesmo porque meus filhos não pedem esmola, nem cheiram cola. Então a vida de uma criança não pode ser entregue tão facilmente assim, de mão beijada. Estamos perdendo pequenos seres humanos como se eles não valessem nada.
Provalmente a criança que se drogou ficou tão "louca", que esqueceu a blusa e o saco de comida que ganhou de alguém. A maçã mal estava mordida.
Confesso que isso estragou a alegria da minha caminhada. Tirei a foto e saí pensando na música do Chico Buarque, "Meu guri".
Nossos guris estão cheirando cola adoidado. Estão se drogando e não conheço nada mais chocante do que uma criança sob efeito de drogas, imagem que vemos facilmente debaixo de viadutos, na praça da Sé e outros pontos lindíssimos de São Paulo e do resto do Brasil.
E não fazemos nada para impedir isso.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida