quarta-feira, 2 de dezembro de 2009

No meio do caminho havia uma lata de cola


É incrível a quantidade de vantagens de uma boa caminhada. A mais óbvia é a saúde física, mas a mental também ganha muito, porque a gente "acorda" vários sentidos ao mesmo tempo.
Conhecemos pontos da cidade nos quais dificilmente teríamos prestado atenção de carro. Descobrimos cantinhos novos, sebos, lojas, serviços diferentes que podem ser bem úteis a qualquer hora.
Hoje por exemplo, resolvi voltar a pé da academia, onde faço boxe, três vezes por semana. Foi mais ou menos uma hora andando, de lá até minha casa. Logo no início do trecho resolvi entrar num empório de hortifruti, desses pros quais ninguém dá nada. Mas lá dentro, havia muito mais do que mangas e laranjas-bahia.
Iguarias japonesas: toda sorte de conservas, de gengibre, de nabo, cogumelho shitake - que eu faço com macarrão - hummmmm...
E numa gôndola de congelados encontrei Blueberries, ou Mirtillo, como chamam também. Confesso que me decepcionei um pouco com o gosto. Nossa velha amora tem muito mais sabor. Mas vou usar a frutinha escura numa calda para sorvete.
O Mirtillo tem propriedades que favorecem a longevidade. Bom, será que sai tão caro assim ser jovem para sempre? Porque custou R$ 9 o pacotinho com 200 gramas. Afe...
Continuei andando, fortalecendo minhas pernas e articulações, o que é de graça.
No final do viaduto da av. Vereador José Diniz, uma imagem triste, que vocês vêem acima. Mandei para a CBN mas não sei se aproveitaram. Talvez tenham dito: "Ora, o que tem demais uma lata de cola denunciando que foi cheirada por um pivete?"
E eu me pergunto se não mora aí mesmo o problema. Estamos nos acostumando demais com o que está errado.
Damos esmola no farol e ajudamos as crianças a comprarem cola e pedras de crack. Damos esmola para nos aliviarmos da culpa por não brigarmos por esse problema. Porque somos passivos demais. Conformistas. A frase predileta do brasileiro é: "Ah, não adianta reclamar, é assim mesmo".
Não, não é assim mesmo porque meus filhos não pedem esmola, nem cheiram cola. Então a vida de uma criança não pode ser entregue tão facilmente assim, de mão beijada. Estamos perdendo pequenos seres humanos como se eles não valessem nada.
Provalmente a criança que se drogou ficou tão "louca", que esqueceu a blusa e o saco de comida que ganhou de alguém. A maçã mal estava mordida.
Confesso que isso estragou a alegria da minha caminhada. Tirei a foto e saí pensando na música do Chico Buarque, "Meu guri".
Nossos guris estão cheirando cola adoidado. Estão se drogando e não conheço nada mais chocante do que uma criança sob efeito de drogas, imagem que vemos facilmente debaixo de viadutos, na praça da Sé e outros pontos lindíssimos de São Paulo e do resto do Brasil.
E não fazemos nada para impedir isso.

Um comentário:

Regina Lemos Repórter disse...

Sob a ótica de uma jornalista ,um momento triste foi registrado. Fatos iguais a este ocorrem com frequência nas ruas das grandes cidades.É só sair com a máquina fotográfica que encontramos crianças e velhos jogados pelos cantos ,em qualquer esquina. Eles moram ao nosso lado e ninguém faz nada.

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida