sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

Se descubra no olhar do outro!

As pessoas costumam me dizer que aparento uns cinco ou seis anos a menos do que os meu 42. E eu nunca fui de esconder a minha idade.
Mas de uns tempos pra cá, a coisa tá ficando feia. Fios brancos teimando em aparecer, desgaste na rótula que me impede de fazer vários tipos de exercícios que gosto e dificuldade pra perder peso.
Antes que o baixo-astral tomasse conta de mim, resolvi caminhar 50 minutos hoje.
Dia de rodízio, levei minha filha ao colégio de táxi e voltei andando.
Eu não devia parar, mas não resisti a uma blusa de malha em fios prateados na vitrine. Logo reparei numa mulher de meia-idade, talvez 10 a mais que eu, ao meu lado, segurando dois cães e olhando para a mesma blusa. Olhei pra ela e disse:
- Que linda, né? Perfeita pro fim-de-ano.
- É - ela sorriu, sem tirar os olhos da blusa. E nem é caro, eu consigo pagar. Mas não fica bem uma mulher da minha idade usar uma coisa assim, né?
Ela disse que era empregada doméstica e perguntei qual era o problema de usar aquela roupa.
- Ah, as pessoas falam...não tem manga...e olha a minha barriga.
- Que besteira! Acerta as costas. Viu? Isso é postural. E a frente é transpassada, no máximo você dá uns pontinhos em baixo - eu já tava quase cometendo a loucura de entrar com ela na loja e faze-la experimentar, hehe.
- É né? - e na carinha dela explodiu um sorriso enorme. Tem razão, hoje eu saio mais cedo e passo aqui para provar. Obrigada por ter me colocado "pra cima", viu? E foi embora com os cachorrinhos, feliz da vida.
Continuei minha caminhada, satisfeita. E pensando que se eu pude dar um "up" no dia dela, eu não podia fazer isso comigo mesma?
Nunca mais vou ter meu corpo de 20 anos e nunca nutri essa expectativa. A menos que eu ficasse 4 horas numa academia. Não tenho dinheiro, vontade, muito menos tempo pra isso.
Mas caminhar e comer direito, qualquer pessoa pode fazer. Caminhando, tive a chance de fazer uma desconhecida sorrir num diálogo de 3 minutos. Não é bom? É uma delícia!
Agora, cá entre nós, uma blusinha ou um vestido novo são capazes de milagres na auto-estima. Então eu vou voltar lá também e experimentar a tal blusa.
Só espero que haja mais de uma!

sábado, 30 de outubro de 2010

Aloha! Eu fui pro Havaí!


Uma semana depois de chegar de viagem, é hora de botar os pés no chão.
Eu tive a benção, o privilégio, de conhecer um dos lugares mais lindos do planeta: o Havaí.
Aloha não é apenas a saudação para olá...a palavra, segundo os locais, engloba amizade, fraternidade, amor pelo próximo, paz. Então combine isso com a inacreditável beleza das paisagens e "imagine", como dizia John Lennon.
Tudo parecia um sonho...não diria impossível, porque nenhum é; mas difícil, pois o que mais encarece a ida pra lá é o preço das passagens, já que não há vôo direto.
Duas delas foram gratuitas, por conta de um evento empresarial do meu marido, que podia levar uma acompanhante. Então, só restavam as das crianças. Mesmo assim, optamos pela conexão mais em conta: São Paulo - Houston (9 horas de vôo) - Los Angeles (4 horas de vôo) - Havaí (mais 6 horas), tudo via Continental.
Uma pena termos chegado à noite, não deu pra avistar a ilha de Mauí se aproximando, lá de cima...No aeroporto local, minúsculo, tentei sentir o cheiro do Pacífico e avistei muitos coqueiros, balançando ao vento...mal podia esperar pelo amanhecer.
Vários "ma'halos" (= obrigada) depois aos funcionários que nos ajudaram com as malas, fomos pro hotel, exaustos. O fuso horário fez a gente acordar às 5:30 da manhã no dia seguinte. São 7 horas mais tarde do que no Brasil.
Mauí é considerada a ilha mais chique do Havaí. Muitos resorts, casas de luxo; fiquei curiosa pra conhecer Oahu, outra ilha, onde a cultura local, mais popular, fica mais evidente nas ruas, segundo os próprios moradores.
Mesmo assim...uau...
Ficamos três dias num resort por conta da empresa, ao norte da ilha, praia de Kapalua (foto). Depois, alugamos um carro (com dificuldade, eles são escassos por lá, por isso alugue com antecedência) e descemos para o sul, em direção a Kihei.
A praia de Kapalua tinha o mar tranquilo, apesar de estar no norte; se você surfa e procura ondas fortes, vá mais para cima, em direção a Hana, que fica ao leste. Ou cruze a ilha e dê uma olhada no parque do vulcão Haleakala, em extinção.
Em Kihei, a praia mais popular é a de Kamaloe ( Beach Park I, II e III - sendo a primeira a maior delas). Água mais quente, tranquila, quase nada de onda, ideal para crianças e idosos.
Esqueça nossos quiosques, eles não vendem nada na praia. E evite portar bebidas alcóolicas em público - os havaianos não vêem com bons olhos, principalmente se você estiver com crianças. Aliás o povo local é muito calmo, gentil, terno e simpático. Nesse ponto me lembrou bastante Salvador.
Todas as avenidas principais têm ciclovias.
A exemplo dos EUA, os hotéis em geral não têm café da manhã. Paga-se à parte. No Havaí, cerca de USD$ 9 por pessoa. Ainda bem que você toma a maioria deles com um belo arco-íris entre as montanhas, todo dia. Refeições também não são baratas, então corra para um mercado local e abasteça-se de sanduíches e frutas. Aliás, são as mesmas daqui: manga, melancia, melão, abacaxi aos montes...e coco, muito coco e tudo o que deriva dele, principalmente o "Coconut Syrup", uma calda grossa e deliciosa, meio adocicada, usada tanto em pratos doces, quanto salgados. Mas esqueça a água de coco: USD$ 4 cada um e vem quente e sem gosto.
Eu achava que ia encontrar um luau em cada praia, de graça. Nana-ni-nanão...o Havaí vive do turismo, portanto, pode enfiar a mão no bolso: luaus são apresentados em hotéis e custam de USD$ 65 a USD$ 90 por cabeça, alguns com passe gratuito para crianças de até 12 anos.
Parece caro, mas há comida típica servida a noite toda, à vontade, acompanhada de shows típicos de dança, que valem muuuito a pena. Você já foi até lá e vai perder isso? Entre no melhor do espírito Aloha e pense nas contas depois.
Em todos os luaus, o prato principal é o Poi Pork, carne desfiada de leitão assado num forno a 2 metros debaixo da terra. Desenterrar o porco faz parte do ritual, ao qual você assiste, com as devidas explicações. Servido com Poi, uma espécie de pirão feito com Taro, raiz só existente lá, é uma delícia e vem bem defumado. Há também peixe grelhado, frango Teriaki, acompanhado de salsa de abacaxi, um tipo de vinagrete feito com abacaxi picadinho, suco de lima, gengibre, gergelim e hortelã - maravilhoso! Sobremesas: pudim de coco, mousse de coco, bolo de coco, panqueca de coco, pudim de abacaxi, mousse de abacaxi, torta de abacaxi, bolo de abacaxi - melhor levar remédio pra afta, hehe.
Os drinks são bem aguados; nossa piña colada é mil vezes mais saborosa.
Duro é a hora de ir embora. Entrei no mar, pedi a benção de todos os deuses ancestrais e soprei um punhado de areia em direção às West Mountains, que estavam bem atrás de mim, pedindo pra voltar. Mas ainda parece que uma parte do meu espírito ficou lá.
O avião partiu à noite. As luzes lá de baixo se afastando, se misturando com as estrelas, a ilha ficando cada vez mais longe. Me senti indo embora da Terra do Nunca. Impossível não chorar.
Aloha, Hawai'i.
Ma'halo, meu Deus... até um dia.

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Adoção: decisão muito séria

Há alguns anos escrevi essa matéria sobre adoção, que foi publicada pela revista "Meu nenê", da editora Símbolo. A reportagem acabou incorporada a vários sites, entre eles o do link abaixo. Foi muito emocionante fazer essa matéria, que me explica também um pouco do que meus pais sentiram quando me adotaram.
Compartilho aqui o que eu apurei e o que captei das emoções das pessoas entrevistadas.. É só clicar no link.

Filhos do coração - revista "Meu nenê"

Boa leitura e caso pense em adotar, reflita muito sobre o que você quer, até ter certeza. Uma criança não é um brinquedo. Você estará definindo o futuro de um ser humano.

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Dicas de beleza no Youtube

Que delícia são esses vídeos com dicas de beleza que as coleguinhas postam no Youtube, né? Quem disse que mulher é egoísta?
Tô arrumando as malas porque no sábado vou viajar. A tentação de esticar meus cachos com uma progressiva era enorme. Não me agradava a idéia de perder metade das manhãs trancada no hotel domando meus caracóis.
Até que...caí no vídeo da Cynthia Raquel. E que ótimo, descobri que eu não sabia passar leave-in do jeito certo. Valeu, Cynthia! Vou te agradecer virtual e eternamente!
Aproveitei pra aprender a fazer penteados diferentes e pegar mil dicas. No final aprendi a gostar um pouco mais dos meus cachos e se eu fosse você faria o mesmo.
Tá certo que uma boa escova de vez em quando é legal, pra mudar um pouco o visú. Mas cabelo liso pode não combinar com você, então, vamos amar o que Deus nos deu?
Confira o vídeo e conheça o blog da Cynthia, que também é bem legal:
http://cinthyarachel.blogspot.com/

http://www.youtube.com/watch?v=c1DrGmFDzns&feature=related

domingo, 3 de outubro de 2010

Adriana de Oliveira no "Mulheres em Desfile"


Ione Borges, do antigo "Mulheres em Desfile", entrevistou em 89 a modelo Adriana de Oliveira, que tinha ficado entre as doze finalistas do "Supermodel of the world".
Nesse vídeo, gentilmente cedido por sua mãe, você pode conferir a beleza, a meiguice e a humildade de uma menina que parava o Brasil a cada vez que sorria, em comerciais da Kibon, Pool etc e nos vários editoriais de moda das revistas mais importantes do país. Todo menino queria namorar com ela...e nós, meninas, queríamos ser como ela.
Adriana morreu em 27 de janeiro de 1990.

Saudades, Adriana.

http://www.youtube.com/watch?v=_12KDS_pwJ8

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Ilha Comprida


Mais um daqueles casos em que o potencial turístico de uma região brasileira é abafado pela falta de cuidado da prefeitura local: Ilha Comprida.
Em busca de um roteiro diferente para minha família no último domingo, meio de feriado, que fugisse à hiper lotação das praias do litoral sul, decidimos conhecer Ilha Comprida.
A 208 km da capital, com acesso pela rodovia Régis Bittencourt, o município fica próximo de Iguape, de que só ganhou emancipação em 1992.
As praias são limpas, uma grande extensão de grama separa a areia do asfalto, não há prédios altos construídos, e há várias opções de trilhas ecológicas, já que é uma estação ambiental preservada, pertencente ao complexo da Juréia.
Chegamos à ilha mortos de fome. Os quiosques, às 14 horas de um domingo de feriado, já estavam de cadeiras pra cima. Pela avenida principal, "trenzinhos de bicicleta", alugáveis para turistas, circulavam entre os carros, sem a menor organização.
E o barulho...ah o barulho...essa verdadeira PRAGA do bate-estaca e do funk tocados ao máximo volume, por bares, que colocavam caixas de som na calçada e carros de gente mal-educada. Ironicamente, numa praça central, a placa com o aviso: "Proibido barulho excessivo".
Dos poucos restaurantes de aparência decente que encontramos, o "Portuga" estava com problemas na cozinha, o "Abreu" tinha fila de espera e o "Boi na Ilha", nossa última esperança, demorou duas horas para servir nossa mesa com refeições apenas "comíveis". Nada a dizer sobre o "Biritas". Além do nome horrível, serve comida por kg nada animadora e o gerente devia estar economizando luz, pois não havia nenhuma acesa dentro do salão. Deprimente...
Paga-se R$4 de pedágio na ponte de acesso à ilha. O mínimo que a Prefeitura podia fazer era distribuir um folheto com roteiro turístico na entrada da cidade.
Eu fico muito chateada quando vejo um local que tinha tudo pra dar certo se perder por tanta falta de organização e trabalho turístico eficiente.
Mas tenho minhas esperanças. Outras cidades do litoral sul de São Paulo ficam hiper-lotadas nos feriados e a região de Iguape poderia ser uma boa opção. Já mandei um email para a Prefeitura relatando o que vi. Se outros cidadãos se interessarem, talvez a demanda force essa estância balneária a melhorar seus serviços.
O turismo brasileiro ainda tem muito o que aprender. Mas a gente precisa cobrar.
Algumas informações sobre Ilha Comprida você encontra aqui.

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Quem tem medo de lagartixa?


Elas andam pelas paredes da casa e sempre se ouve um "Ai que nojo!" com chilique, etc. E sempre tem também alguma tia avisando que se ela cair na sua cabeça enrosca no cabelo e não sai mais.
Bobagem. A lagartixa nada mais é do que um pequeno réptil e merece respeito. Ela come insetos, como aranhas, mosquitos e até baratas. Observando uma delas outro dia, fiquei curiosa e fui pesquisar.
O nome científico do bichinho é "Hemidactylos Mabouia". Veio da África para a América nos navios negreiros, na época da escravidão. A fêmea coloca até dois ovos por ano e a espécie perde o rabo em situações de perigo. Ao invés de ser devorado por um pássaro, por exemplo, ela engana a ave e solta parte do corpo, o rabo, que continua se mexendo por alguns segundos.
Você pode até capturar e criar em terrário, desde que mantenha a temperatura interna um pouco mais quente do que a externa.
Uma linda lagartixinha bege habita minha garagem há meses e resolvi fazer amizade com ela. Resolvi pegar e ela ficou pacificamente na minha mão, exatamente como na foto acima, enquanto eu dava essa pequena aulinha de Biologia para os meus filhos. Foi bem interessante. Isso é natureza, gente!

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Dando a cara pra bater

Mundo de paradoxos, esse em que vivemos: a gente pode ter blog, pode ter Facebook, pode ter Orkut. Mas expresse seus pensamentos em público e veja o que acontece...te rotulam, te censuram, te criticam.
É a síndrome do politicamente incorreto. O que pra mim é uma bela saudade enrustida dos tempos da Ditadura. Deus me livre e guarde dessa gente hipócrita.
Vamos ficar menos na internet e mais nas mesas de bar, tomando um chopp e trocando idéias, olhos nos olhos, com a sinceridade peculiar às pessoas decentes. Vamos voltar a escrever poemas em guardanapos, batucar na mesa e chamar o garçom pelo nome.
Parece que o ser humano perdeu a capacidade de argumentar, expor suas idéias e respeitar as diferentes, sem partir pro ataque.
Vivemos uma guerra silenciosa...é a crise da Comunicação interpessoal.

sexta-feira, 30 de julho de 2010

Sarau na Mário de Andrade

Vai ter Sarau na nova biblioteca Mario de Andrade, neste sábado, dia 31 de julho, das 15 às 17 horas. Boa chance pra conhecer a nossa biblioteca circulante (onde você pode pegar livros emprestados) de São Paulo, reformada.

SERVIÇO:
"O Clube da Leitura analisa o texto 'Vestida de preto', de Mário de Andrade".

Data: 31 de julho (sábado)
Horário: das 15h00 às 17h00

Local: Biblioteca Circulante Mário de Andrade

Endereço: Av. São Luís, 235.

sábado, 24 de julho de 2010

Nova Mario : eu fui!


Praça Dom José Gaspar, atrás da nova biblioteca: boas opções para comer e curtir seu livro.

São Paulo nessa semana ganhou de presente a Biblioteca Mario de Andrade, restaurada, com um ótimo acervo de livros, incluindo novos títulos.
Fui lá conferir na última quinta-feira, com meu filho, de 13 anos, que já saiu de carteirinha feita e um livro debaixo do braço. Pra fazer a sua matrícula, você precisa de um documento com foto e um comprovante de residência. Seu registro vale por um ano.
Antes mesmo de chegar, meio perdida pela falta de costume de andar no centrão, percebi a falha divulgação da Prefeitura. A menos de 100 metros, perguntei a um funcionário do metrô a direção da biblioteca e ele me olhou espantado: "Biblioteca? Sei não, dona, nem sei que tinha isso por aqui".
Ora, a abertura do local devia ter sido divulgada nos ônibus, na rua, nos pontos de passagem da população, pouco acostumada a acessar bibliotecas. Afinal, são 2 livros por 15 dias...com o preço dos livros, ainda caríssimos, o cidadão comum tem que saber do seu direito, sagrado, à leitura gratuita.
A nova Mario de Andrade está linda. O ambiente é uma delícia. Muito bem iluminado; toda informatizada, nada que relembre os velhos fichários ensebados, em milhares de escaninhos de décadas atrás, onde você demorava meia hora pra achar o que queria.
Enquanto fazia minha matrícula, uma jovem funcionária de companhia de seguros, vizinha do local, sorriso no rosto, dizia estar aproveitando a hora de almoço para ler Machado de Assis. Que beleza...Essa é a São Paulo que a gente quer, que a gente tem que querer de volta!
Lamentei não poder tirar fotos lá dentro. Burocracia de órgão público, isso nunca vai ter remédio.
Também é uma pena que a cafeteria ainda não esteja pronta. Mas se pintar uma fominha, vá sem medo a uma das lanchonetes da praça Dom José Gaspar, para a qual a Mario faz fundos. Repaginada, virou um boulevard muito agradável, limpo, com boa frequência, onde você pode tomar um café ou comer um pastel delicioso no "Pastel da Praça" - cuidado, porque fecha aos sábados. Mas há inúmeras opções boas ao longo da praça.
Aproveite o final-de-semana e vá conhecer a nova biblioteca Mario de Andrade. Você está pagando por ela, com seus impostos. Ela é minha, ela é sua, é de todos nós. Foi a falta de frequência, de atitude, de cidadania da população que a levou à deterioração e fechamento no passado...e se a gente não ficar de olho pode acontecer outra vez.
Faça sua parte. Frequente, divulgue, valorize o que é seu!

Serviço:
Biblioteca circulante Mário de Andrade
Av. São Luís, 235 - Centro - São Paulo - SP
Tel: (11) 3256-5270
Email: circbma@prefeitura.sp.gov.br
Website: www.bma.sp.gov.br
DICA: vá de metrô. Estações República e Anhangabaú estão muito próximas! Não esqueça de levar um documento e um comprovante de residência, pra fazer a carteirinha.

sexta-feira, 23 de julho de 2010

Antonio Calloni

Meu primo Antonio Calloni estará lançando seu novo livro em agosto.
Visite:
WWW.ANTONIOCALLONI.COM

quinta-feira, 22 de julho de 2010

Nova Mario de Andrade

Tô indo conferir a nova biblioteca circulante Mario de Andrade, aqui no centro de São Paulo, que foi reinaugurada ontem.
Ficar com um livro por 15 dias e alguns trocados não é nada mal...espero que o acervo tenha títulos interessantes.
São Paulo sentia falta de uma boa biblioteca...mas a gente precisa usar! Há muitas na cidade, caindo aos pedaços, por pura falta de interesse da população. E aí o poder público também se acomoda.
Vou lá tirar umas fotos e depois eu conto o que eu vi. Aproveito pra comprar um gravador novo na Santa Ifigênia. Tudo a pé e de metrô.
Vamos dar uma cara e um jeito novo de ser pra essa cidade cinzenta, mas com tanta cor escondida em certos cantos, que muita gente não conhece...

quarta-feira, 21 de julho de 2010

Poesia não carece de explicação

Pra sempre

Não sei se é mistério ou milagre
saudade do que não vivi
Tão longe, na eternidade
sem distâncias, mas eu resto aqui
A dor do nada ter feito
do meu ombro que não foi dado
E as lágrimas eu não ter secado
mas tá comigo
Você está comigo
dentro da alma, quase um castigo
O desencontro, eu cheguei, mas o avião
já tinha partido
Tento aceitar e sigo em frente, outros amigos,
sempre presentes
Você só mudou, eu sei, mas pra onde?
um dia nos vemos, não sei se demoro
Mas tempo não importa
desde que a gente se encontre
E o que era início de uma década
virou pétala, se perdeu no temporal
E o que era pra ser só sorriso
sem aviso,
foi-se embora, pra sempre, pra sempre, pra sempre...

Paula Calloni

segunda-feira, 28 de junho de 2010

Nenhum ser humano merece essa vida


A foto saiu embaçada, tanto quanto o futuro desse homem


O farol fechou e de longe avistei o mendigo com saco nas costas, roupas claras mas pretas de sujeira. "Não vou dar esmola, não vou alimentar o círculo vicioso de mais um morador de rua".
Mas quando ele chegou do lado do meu carro, eu fiz o que a gente nunca faz: olhei nos olhos dele.
E que olhos. Que olhos bonitos, cor de mel, boiando no meio do rosto sujo,barbudo e de longas cabeleiras...olhos arregalados, não de droga, mas de espanto. Era como se ele estivesse se perguntando o que fazia alí, enquanto me estendia a mão.
Suspirei. Ai...peguei a carteira. Também nunca se deve fazer isso num farol, medida de segurança - e se o cara me assalta?? Mas aqueles olhos...aqueles olhos não me deixaram pensar duas vezes em tirar a única nota de dinheiro que eu tinha. Dez reais.
Abri o vidro e dei. Os olhos arregalados se arregalaram mais ainda. Parecia que ele tava vendo uma nota de 50, não de dez. Provavelmente nunca ganhou tanto no farol. E de arregalamento, os olhos se fecharam, as sobrancelhas se franziram e ele sorriu, me olhando de lado. Tentou dizer alguma coisa, mas não conseguia falar.
Então num impulso, eu fiz o que a gente nunca faz: peguei na mão dele. Apertei bem forte aquela mão...a mão de um homem de vida azarada, inexplicável, sem sentido lógico - porque nenhum ser humano merece viver assim.
Já faz algum tempo, os moradores de rua estão mexendo comigo. Quero fazer alguma coisa, já tentei fazer alguma coisa, mas não consegui ajuda. Era uma família de um filho só, morando debaixo de um viaduto. Mas isso fica pra outro post.
Enquanto isso, dêem uma olhada no blog do Sebastião Nicomedis, ex-morador de rua, militante da causa, que virou escritor e autor de teatro.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fechem o Congresso e votem em São Pedro!

Mais uma tragédia no Nordeste.
Mais uma vez governadores pondo a culpa na chuva.
Se eu pudesse fazer um apelo ao povo brasileiro - quem sou eu, mas vamos lá - seria esse: NÃO VOTEM EM NINGUÉM NESSAS ELEIÇÕES. VOTEM EM SÃO PEDRO, como forma de protesto.
Embora eu goste da Marina Silva e das propostas do PV, me incomoda sua posição retrógrada quanto a algumas questões como o aborto e o casamento gay.
Não adianta mais tapar o sol com a peneira e manter a sociedade refém de dogmas religiosos ultrapassados. A realidade tá aí pra quem quiser ver. E o Brasil tem que ser um Estado Laico.
Voltando às chuvas no Nordeste...as propostas ecológicas do Partido Verde me atraem, porque já estou cansada de observar imagens de regiões atingidas por enchentes e me pergunto: "O que esse povo tava fazendo alí? Como os governos e prefeituras ainda permitem que se ocupem os leitos dos rios indevidamente?"
Precisamos de um governo responsável ecologicamente. Comprometido com as questões ambientais. E eu só enxergo uma esperança disso no Partido Verde.
Como resolver as opiniões pessoais e retrógradas da Marina, motivadas pela sua opção religiosa, eu não sei.
Lula vai gastar o quíntuplo em verba para reconstruir as cidades devastadas, do que liberou antes para obras de contenção. Claro: distribuir verba pra prevenção NÃO APARECE na mídia. Sobrevoar a região de helicóptero chorando lágrimas de crocodilo, aparece.
Mas na hora do jogo, podem ter certeza: os senhores deputados, entre um pé-de-moleque e outro, nas suas bases eleitorais, vão tentar comprar uns votinhos às custas de alguns pares de tijolos, pra essas pessoas construírem casas no mesmo lugar de antes.
E o Lula, soprando uma vuvuzela aqui e alí, entre uma caipirinha e outra, vai continuar fazendo campanha deslavada pra Dilma. E os governadores, vestidos de verde e amarelo, vão continuar dando entrevistas culpando as chuvas.
Enquanto isso, você caro leitor pode levar suas doações ao posto de arrecadação mais próximo. COMO SEMPRE. Sempre sobrando para o povo brasileiro a solução da irresponsabilidade alheia.
Por isso que eu digo: pra quê Congresso Nacional? Pra quê eleições? Vamos votar em São Pedro de uma vez. Só ele pode fazer chover onde precisa e impedir que chova onde não pode!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TV em bares e restaurantes

Chegou a Copa e a gente não quer perder nenhum jogo do Brasil, certo?
Nessa hora é muito gostoso reunir amigos num bar ou restaurante, todo mundo fantasiado de patriota, curtindo a nossa seleção, mesmo sem o Ganso e o Neymar. Agora não adianta ficar se lamentando por não ser o time dos seus sonhos. É torcer ou torcer, senão você engasga com a feijoada.
Mas se tem coisa que não engulo, fora a conveniência da competição atual, é aparelho de TV em bar e restaurante. Que ela exista em bares temáticos do esporte, ainda vai.
Só que a febre se instalou em praticamente todos os comedouros e bebedouros de água-que-passarinho-não bebe da cidade. Sinceramente quando entro num lugar desses e vejo uma TV enorme ligada, tenho vontade de dar meia-volta e ir embora.
Você já tem que disputar a atenção do seu par e dos seus amigos com o celular, o que também é o fim da picada. Pior ainda é tentar falar com uma estátua de olhos esbugalhados em frente à TV pendurada na parede. Isso pra mim é coisa de muquifo de beira-de-estrada.
As pessoas saem juntas pra conversar, pra curtir, pra tomar um bom vinho ou vários chopps ou para ver TV?
E os donos desses lugares sequer têm bom senso. Outro dia jantei com a narração do crime de um maníaco esquartejador da zona norte. Fala sério...reclamei com o gerente.
Põe outra coisa no ar, né? Um aquário de peixes filmado ao vivo...a Orquestra Sinfônica Municipal...um musical tipo "Noviça Rebelde"...um show acústico. Qualquer coisa agradável que não seja o Datena chamando imagens urgentes do IML.
Querem saber de uma coisa? Eu não gosto de TV. Eu prefiro mil vezes um bom livro, um bom chá, bater papo com os amigos o ou meu par. Quando ele não tá com os olhos grudados no futebol.
Mas na TV de casa. E puxa vida, haja paciência, até pra isso também!

segunda-feira, 17 de maio de 2010

Vidinha se esvaindo na minha frente

Aquele passarinho já estava me aborrecendo havia meses.
Eu tenho um cachorro salsicha, e o espertinho do Bem-te-vi pousava todo dia no fio do varal do quintal pra filar um pouco da ração do cachorro.
Enquanto esperava, defecava no chão. O Spock, como todo cão macho não-castrado, urinava em cima da sujeira do passarinho, pra marcar território.
Conclusão: o quintal todo emporcalhado diariamente e eu recolhendo água de enxágue da máquina de lavar, pra limpar toda a meleca.
Meu cachorro é um caçador nato. Pega ratos que é uma beleza. Mas nunca avançou em passarinhos. O que aconteceu naquele dia, não sei...Só sei que era um sábado de manhã, quando o tal do Bem-te-vi entrou na minha cozinha e não conseguia sair.
Acho que o Spock pensou ser uma invasão, um bicho que ia me agredir, sei lá. Lá se foi ele pra cima da ave...NHAC no pescoço. Fiquei apavorada, mas nem dei bronca no cachorro. Ele estava me protegendo.
Peguei o pobre Bem-te-vi, de quem eu reclamava tanto. Coloquei numa caixinha, bem quentinho. Ele estava vivo, havia esperança. Fiz uma papinha de fubá com água e dei-lhe aos poucos, pelo biquinho. A cada colherzinha, fui falando com o coitado: "Desculpa eu ter reclamado de você, não faz mal, pode comer a ração do Spock e fazer toda a sujeira que quiser!"
E então ele abriu as asas e inspirou profundamente. "Opa - pensei - está se recuperando!".
Depois ele expirou. Caiu pra frente, de asas abertas. E fechou os olhinhos.
Pela primeira vez na vida, junto com as crianças, vi uma "ânima" ir embora, alí, na nossa frente. Foi uma sensação muito forte, muito estranha, muito triste.
Corpos sem vida, seja de bicho, seja de gente, ainda me impressionam muito negativamente.
A morte ainda me incomoda, apesar de 4 anos de curso no espiritismo kardecista. Ainda me questiono sobre o que acontece depois e encarar um corpo morto é dar a cara pra bater, como se alguém me cutucasse, perguntando: "Até onde você realmente acredita que havia uma alma animando esse corpo?".
A repórter Eliane Brum fez uma matéria para a revista Época, em que acompanhou o dia-a-dia de alguns pacientes terminais, até o momento derradeiro. Vale a pena ler, é muito interessante. Está AQUI.
Ela viu mesmo a morte de perto. Eu mal cheguei perto disso. E ainda me culpo por ter brigado tantas vezes com o "meu" Bem-te-vi.

domingo, 16 de maio de 2010

Virada cultural em família

Como bons pagantes de impostos da Prefeitura de São Paulo, fomos dar uma olhada na Virada Cultural que acontece na cidade agora.
Eu, meu marido e meus dois filhos, de 13 e 12 anos, chegamos à Praça Roosevelt às 18:40, horário já bem passado do noticiado pela mídia e pelo próprio site.
Debaixo do vão da praça, nenhuma luz nos estandes dos entusiastas da Era Medieval. Tudo bem...era a "Idade das Trevas", mesmo, não? Nada mais coerente.
E cadê os melhores pastéis da cidade? Alardeados durante toda a semana anterior, os pasteleiros COMEÇAVAM a montar as barracas às 18:30.
Venhamos e convenhamos...onde estariam essas barracas? Já que era pra premiar o pastel como a grande iguaria de São Paulo, o mínimo que elas mereciam era uma localização no mapa. Mas não...Porque paulistano sofre até na hora de achar um pastel decente. O prefeito já cortou uma hora e meia do prazo de um trabalhador filar um pastelzinho bem recheado...ok, não é saudável, mas o problema já não é meu, certo?
Enfim, de pastel, na Virada, nada. Montaram as barracas muito tarde e não eram mencionadas nos mapas.
Mas de adolescente empunhando garrafas de bebida destilada no meio da rua e entornando pelo gargalo, tava cheio. Já tem que chegar bêbado na festa? Porque não me ocorre outra intenção, a não ser a de ficar bêbado, a de quem compra uma garrafa de bebida alcóolica e sai tomando pelo gargalo, publicamente. Esse sujeito vai estar como, daqui a 2 horas?
Nessa hora, meus filhos foram meio "Sidartha Gautama". Saíram do seu palácio de conforto para enfrentar a dura realidade. Moradores de rua, jovens de classe média bêbados de Jurupinga...
Polícia, aos montes. Mais truculentos alí no Centro, do que na maioria das vezes.
Não deixou de ser interessante descer a pé a São João, interditada para veículos, atrás de algum som. Afinal, a cidade é nossa...e não dá pra criar filho em casulo.
Nunca tive vocação pra lagarta.
Embora deixar meus rebentos terem contato com a realidade me doa, profundamente...sei que eis a melhor escola que estou dando para eles, ao ver um ser humano catando comida no lixo ou um bebê perigosamente de frente pra fogueira aquecedora, no Centro.
Desta forma ensino aos meus filhos que nunca estão sós. Estão unidos, nas mazelas de todo o resto da humanidade. Irmãos. Na riqueza e na miséria.
Isso sim, é uma virada cultural, no seu espírito.

segunda-feira, 26 de abril de 2010

É importante manter a criança dentro de si

Ontem levei minha filha de 11 anos ao show "IsaTKM".
Trata-se de um show com o elenco de uma novela teen venezuelana que já está em sua segunda temporada. Nunca me liguei nessas modinhas pop e muito menos tinha visto o interesse da minha filha nesse tipo de coisa. Mas essa série fisgou a gente, não teve jeito. Por que será?
O casal protagonista é lindo. Namoram na vida real. A série é inocente, tem um figurino meio brega e os atores provavelmente nunca vão ganhar um Oscar, mas assistimos porque é gostoso. E só! Eu comecei a ver por causa da Adrianinha, pra dar uma monitorada e conversar com ela sobre as cenas de amor, próprias pra idade dela e os conflitos interpessoais.
As músicas são bonitinhas. Compramos o CD. O primeiro show no Brasil foi no ano passado. Só pudemos ir nesse.
E gente...foi MUITO BOM estar lá, hehehe. Voltei a ser criança/adolescente de novo. Curti cada momento com a minha filha. Percebendo nela um jeito saudável de acompanhar tudo, sem se descabelar com fanatismo, apenas cantar as músicas - inclusive a está incentivando a aprender espanhol, vestir a camiseta e sentir a emoção de ver seus ídolos de perto. Estamos alimentando a indústria pop? E daí? Diverte? Então é o que importa. Não sejamos tão rigorosos conosco mesmos. Ser intelectual é bom; ler melhor ainda, imprescindível, aliás. Mas um popezinho comercial de vez em quando não faz mal a ninguém e cumpre a que veio: divertir!
O mais próximo do fenômeno "Isa TKM" foi o Menudo, na minha época. Que eu não pude curtir tanto porque tinha uma mãe extremamente severa e autoritária que nem me deixava pegar ônibus aos 13 anos, nem mesmo dependurar um poster atrás da porta. Minha adolescência foi, definitivamente, um porre.
Então ontem eu fui à forra. Me senti feliz por fazer minha filha feliz, compartilhar com outras crianças e adolescentes aquele momento, falar a linguagem deles,conversar com outras mães.
Tudo passa na vida e essa fase também. Uma fase importante para o pré-adolescente, uma fase de passagem, do despertar do amor, do romantismo. Uma fase difícil, mas encantadora, à qual todos eles têm direito, desde que, repito, de forma saudável. Permitir isso aos nossos filhos é permitir que despertem para a vida adulta de uma forma mais tranquila.
Até eu "re-despertei". E joguei fora todas as mágoas que tinha, sendo adolescente outra vez, me sentindo presente na vidinha da minha filha. Cantamos juntas, sorrimos juntas, ficamos de mãos dadas e nos sentimos mais amigas do que nunca.
Como foi bom! Permita-se você também, voltar a ser criança ou adolescente, de vez em quando, da maneira que você achar mais legal pra você. Claro, com responsabilidade. Isto é viver intensamente.

quinta-feira, 22 de abril de 2010

Cães-guia para cegos: divulgue essa

No fim-de-semana conheci uma Ong que desenvolve um trabalho interessantíssimo: permitir o acesso dos deficientes visuais aos chamados "cães-guia".
O que a entidade mais precisa atualmente é de voluntários que se disponham a cuidar e socializar filhotes até completarem 1 ano, quando serão entregues a treinadores especializados e depois encaminhados a quem necessite.
Há 2000 deficientes visuais esperando por um cão-guia.
Eu amo cães e animais em geral e fico imaginando a dificuldade emocional de cuidar de uma coisinha fofa enquanto filhote e depois ter que devolve-lo. Mas a causa é MARAVILHOSA, não é mesmo?
Conheça o blog do Iris (Instituto de Responsabilidade e Inclusão Social), fundado pela advogada brasileira Thays Martinez. Quem sabe você pode ajudar a divulgar essa iniciativa tão importante, comum nos EUA mas que ainda está engatinhando por aqui.
O blog também tem textos lindíssimos. Vai lá.

terça-feira, 20 de abril de 2010

Bela porcaria

Eu não aguento mais ouvir falar dessa usina de Belo Monte.No fim das contas a gente sabe o que vai acontecer.
Quem tinha que estar resolvendo isso éramos nós, brasileiros e não o James Cameron, nem a Sigourney "Ripley" Weaver. É mais uma daquelas questões que mereciam contar com um plebiscito, mas os senhores deputados nem sabem o que isso significa. Democracia...ora veja.
Democracia é o Greenpeace jogar esterco na frente da Aneel. Por mim podiam derrubar esterco bem naquela rampa do Palácio do Planalto. Já pensou que coisa linda, aquela rampa branquinha e a meleca verde escorrendo, enchendo de moscas, secando ao sol, que beleza?
O Brasil tem um "belo monte" de alternativas de captação de energia.
Já foi ao Norte e Nordeste do país? Já tentou comer farofa na praia? É impossível. De tanto que venta. Então...energia eólica, oras...Energia solar, que tal?
Ah é caro, senhores? Caro vai ser acabar com a nossa mata e dar um pé no traseiro dos nossos índios. Caro vai ser acabar com a flora e fauna local e assistir depois a uma leva de migrantes sem sustento, rumando ao sudeste e sul do Brasil, comprados por políticos e ocupando mais morros do Bumba.
Isso não é demagogia, nem pieguice.
Isso é lógica.
Mas se o Brasil fosse lógico...não precisaríamos da presença da tenente Ripley aqui pra dizer o que nós deveríamos estar dizendo, em bom Português.

segunda-feira, 19 de abril de 2010

De olho até na camiseta!



Camiseta da Hering: que bola fora, heim??

Frases de camiseta quase sempre são em inglês, quase sempre não têm sentido e quando têm, exigem alguma ousadia de quem usa. Acho legal quando são frases provocativas, instigantes e inteligentes.
Mas a Hering extrapolou. Meu filho fez aniversário e ganhou uma camiseta de presente...inadvertidamente, depois de ele experimentar pra ver se servia, arrancamos a etiqueta, o que impediria a troca.
Só alguns minutos depois, prestei atenção na frase: "The benefits of beer: is nutritive, fat-free and cholesterol free, has a relaxing effect, reduces stress, makes people happy!" (Os benefícios da cerveja: é nutritiva, não engorda, não tem colesterol, tem efeito relaxante, reduz o stress, faz as pessoas felizes).
Em qualquer banquinha de camelô você encontra produtos com dizeres parecidos.
Mas uma criança deve usar isso? E é coerente que uma empresa como a Hering, que usa embalagens recicláveis pra preservar o meio-ambiente, que atua na campanha do "alvo" contra o câncer de mama, faça uma estampa dessas? A Hering sabe que o álcool causa câncer também? Não sejamos hipócritas; não é uma camiseta que vai fazer uma criança beber. Mas que é apologia ao uso, é.
Liguei no SAC da empresa e reclamei. Apesar de ter arrancado a etiqueta, o que impede que eu faça a troca na loja, eles vão me mandar um catálogo para que escolha outra estampa e mande esta de volta, pelo correio, com todas as despesas pagas.
É isso: agora vocês pais têm que ficar de olho até nas frases das camisetas que seus filhos usam e nas que vocês presenteiam. Aliás os balconistas deviam ser orientados a não vender esse tipo de blusa para menores. Tô sendo chata?
É muito raro eu trocar presente e ensino isso aos meus filhos: é de uma indelicadeza sem par. Só o fazemos quando realmente são roupas que não têm o tamanho adequado; de resto, aceitamos de bom grado todos os presentes. Acredito que a culpa nem foi da pobre mãe do garoto, que comprou a camiseta. Afinal, ninguém é obrigado a entender inglês. Apesar do desenho enorme de uma garrafa em baixo dos dizeres.
Não dá pra deixar um menor de idade usar isso. Já basta o aumento de consumo de álcool entre os jovens...veja aqui uma pesquisa a respeito.
Espero que a Hering seja mais responsável com suas estampas. Ah, pra completar, o produto ainda tem uma frase mentirosa: cerveja engorda sim.

quinta-feira, 15 de abril de 2010

Brasileiro não reconhece a honestidade alheia

Não se assustem, meninos e meninas, estou falando em termos gerais.
Blog já virou carne de vaca mesmo, então, não há de ser uma frase minha que vá causar algum impacto multi-planetário a la vulcão islandês.
Episódio bucólico: eu na Blockbuster, ou ex-Blockbuster comprado pela Americanas ou atual Blockbos...é, isso aí que vcs pensaram mesmo. Porque não tem filme bom mais alí, porque não tem mais atendente com um mínimo de cultura cinéfila pra ajudar o novato a distinguir entre um Fellini e um irmãos Cohen.
Enfim...adentro a referida loja sei lá do quê, e dou de cara com o DVD do filme "Mamma Mia" a R$ 12,90. UAU! Ok. É pop. É supérfluo. Mas diverte. É engraçado. É bem feito.
Estranho o preço, visto que no lançamento tava por R$ 49,00, ano passado.
Nessa época ainda falei pra minha filha Adriana, de 12 anos: "Dá um tempo que já já esse preço cai" - ela, que amou o filme.
Então deparo hoje com aquele precinho tão camarada. Animadésima, tiro a dita-cuja da prateleira e no produto debaixo, o mesmo título, outro preço: R$ 19,99. Então me dou conta que a etiqueta do produto acima dos demais DVDs havia sido trocada, pois logo abaixo do código de barras, em letras minúsculas, o nome de outro filme...
Em questão de 5 segundos, baixa em mim o santo desonesto. Não vou ser hipócrita. Pensei,SIM, em engabelar a caixa. Em tentar levar a fita pelo preço mais barato por engano. Mas isso durou segundos. Fiquei pensando no gerente dando bronca na funcionária, pois fatalmente o erro cairia como desconto no salário dela.
Pensei que isso, sim senhores, era errado. Era falta de honestidade. E logo dei um tabefe no meu "demoninho" sacana por cima do ombro esquerdo e ouvi meu anjinho do ombro no lado direito. Exatamente como todas as pessoas normais e de bem costumam fazer, à moda dos desenhos animados.
Abri mão de levar o filme a R$ 19,99 por pura dureza e vácuo de bolso. Não sem antes avisar a moça do caixa. "Ei...essa etiqueta foi posta por engano".
Num muxoxo, ela levou bem uns 10 minutos pra entender do quê eu estava falando. Ou seja, talvez se eu tivesse decidido passar a perna na loja e nela, teria me dado bem.
Por fim entendeu o erro do preço. Me olhou com indiferença, só perguntando: "Mas a senhora vai levar ou não?"
Eu respondi que não. Que só queria avisa-la sobre o engano, antes que ela levasse prejuízo.
Ela me olhou como se eu fosse um ET. Não se deu conta de que estava diante de uma pessoa honesta e que a livrou de um prejuízo pessoal. Não disse sequer "obrigada".
Mas entrei no meu carro de consciência leve. Entre a certeza de ter feito o certo...e a tristeza de perceber que o brasileiro, no geral, não reconhece a honestidade alheia.
Mamma mia...

quarta-feira, 7 de abril de 2010

Cabral não descobriu o Brasil, descobriu o PAC

Que coisa ridícula, pra não dizer perversa e imoral, o governador Sergio Cabral ontem, durante a cobertura da imprensa, exaltando as obras do PAC, enquanto eram mostradas imagens de deslizamentos e o povo retirando os escombros de casas debaixo da lama.
Essa gente não tem que morar em morro. Não há planejamento nas cidades em geral.
E agora o PAC, com 6% de "obras" entregues, foi a salvação da lavoura? Já não bastou a choradinha com lágrimas de crocodilo, seu Cabral? Não bastou o porre do Carnaval?
Pobre Rio das futuras Olimpíadas.Se continuar assim, vamos morrer de vergonha em praça pública, na rede mundial de TV, rádio, Internet e etc etc.

Sem passaporte

Hoje fui entrevistada pelo repórter Juliano Dip, da rádio CBN, depois de ter mandado pra eles um email acerca da minha dificuldade em renovar meu passaporte e fazer os dos meus filhos menores.
Há cerca de 20 dias, ouvi na CBN recomendações da Polícia Federal de que esperasse 15 dias até que o serviço de agendamento eletrônico no site se normalizasse, em vista da troca de empresa terceirizada...
Ora essa, já se passaram mais de 15 dias. E ainda não há horário disponível para o agendamento em NENHUM dos postos da PF na Grande São Paulo.
Eu ainda não sei quando a matéria da CBN irá ao ar, mas o Juliano Dip, excelente repórter, disse-me que após a gravação entraria em contato com a PF para apurar o que está acontecendo e se há previsão de atendimento decente nos postos.
Finalizei a entrevista dizendo que esse impedimento para eu conseguir os documentos FERE meu direito de ir e vir. É um CERCEAMENTO ao meu direito de cidadã brasileira.
Acho que as companhias aéreas bem que podiam se unir aos brasileiros nesse momento, afinal, como usufruir dos pacotes sem esse documento básico? Não se faz pamonha sem o milho...
Há um projeto de lei do Cristóvão Buarque, obrigando governadores, prefeitos, deputados e a politicalha em geral a matricular seus filhos somente em escolas públicas.
Fico curiosa pra saber qual o trâmite que a Polícia Federal exige desses senhores na hora de exigir o passaporte; afinal, essa gente vive gastando o meu e o seu dinheiro em suas viagens mundo afora.
Precisam também de agendamento eletrônico? Precisam pegar fila nos postos da Polícia Federal???

domingo, 28 de março de 2010

Tranquilizadora surpresa

Felizmente, eu estava errada. Nardoni e Jatobá foram condenados.
Mas vamos ficar de olho...a defesa já estuda recorrer. Há uma série de falhas na perícia e esperemos que o caso dê aos técnicos e advogados instrumentos para aperfeiçoar o trabalho da Justiça.

sexta-feira, 26 de março de 2010

Serão absolvidos

Posso apostar que os Nardoni serão absolvidos.
Pra variar, houve uma sequência de falhas na perícia. O Brasil tem MUUITO pra avançar nessa especialidade, ainda. Falta equipamento, falta material, falta treinamento.
O júri não vai condenar com tantas dúvidas.
Cadê a perícia na tesoura? Cadê a perícia nas mãos do casal? E se eu fosse membro do júri, minha pergunta seria: se o pai da menina tivesse ligado primeiro para o resgate ao invés de para papai e mamãe dele, Isabella poderia estar viva?
E eu gostaria de saber por que aquele palhaço que andou fazendo micagens atrás de repórteres e ainda tentou invadir o Fórum não foi preso. Um ser humano capaz de querer aparecer às custas da tragédia alheia é tão monstro quanto o assassino da Isabella. Eu me recuso a colocar o link das aparições dele aqui no blog. Não vou ser mais uma a dar platéia para o fulano.
Aliás, embora se tenha livre direito à expressão, a mídia devia simplesmente ignorar os exibicionistas que fazem fila na porta do Fórum e só tumultuam a situação.
Como eu disse no post anterior: se a população tivesse acesso ao que acontece lá dentro via reportagens sérias nas boas emissoras, metade daquele povo curioso não estaria dormindo na calçada.

terça-feira, 23 de março de 2010

Caso Isabella: temos o direito de assistir

Longe de mim defender sensacionalismo ou "julgamento-show".
Mas eu acho que a Justiça erra ao impedir o acesso disciplinado da Imprensa ao julgamento da Isabella Nardoni.
Deveriam ser impostas algumas condições às emissoras de rádio e de TV, especialmente às mais populares, no sentido de impedir abusos e sensacionalismo descabido.
Mas nós, cidadãos, temos o direito de acompanhar o caso mais de perto. Isto é acesso à informação. Um dos melhores veículos pra você ficar de olho é este, a rádio Bandeirantes AM.
A população brasileira está no seu limite: não dá mais pra conviver com tanta impunidade. Ninguém suporta mais ver um João Helio arrastado por metros e o assassino sair livre, leve e solto. Ninguém mais suporta ver uma mãe cuja filha está em coma por conta de um ralo de piscina mal-dimensionado. Ninguém pode aturar que um ser sem definição moral, assassine um casal de namorados barbaramente durante um acampamento e saia também, impune. Felipe e Liana não morreram no imaginário coletivo, como símbolos de um crime brutal.
E agora, ninguém vai aceitar que uma menininha seja arremessada pela janela do seu apartamento, destruindo a vida de sua mãe e de seus avós, sem que alguém cumpra pena exemplarmente, seja quem for e da maneira mais extrema possível - o que, infelizmente, nossa lei não permite - e você deve imaginar de qual pena estou falando.
Há um pouco de nós na Isabella e há um pouco de Isabella em todos nós, porque ela pertencia à nossa sociedade. Sem falar nos milhares de crianças vítimas de maus-tratos e de assassinatos, anjos anônimos barbarizados todos os dias, cujos nomes nem chegamos a saber.
A gente quer ver esse julgamento na TV, sim. A gente que ver a Justiça sendo feita, com nossos próprios olhos.
Não é curiosidade mórbida não. É paciência esgotada e um último fio de esperança, de que podemos acreditar na nossa Justiça.

sexta-feira, 19 de março de 2010

Texto de Lya Luft

Hoje li uma crônica de Lya Luft, de novembro de 2009, sobre a febre de atribuir a este ou àquele autor determinados textos, alguns deles ridículos, caluniosos.
Poucas vezes alguém traduziu tão bem o sentimento de quem se vê vítima dessa terra de ninguém, que é a internet. Já passei por isso. Só relevei, por se tratar de uma pessoa desequilibrada e cheia de problemas.
Infelizmente, ao invés de procurar um Psiquiatra, esse tipo de pessoa usa como terapia sair por aí difamando os outros. Isso é digno de dó, não de raiva.
Leia trechos da coluna e veja o link para o texto completo.

"Como tantas coisas neste mundo contraditório, a internet
é ao mesmo tempo covil de covardes e terra de maravilhas.
Acusar alguém injustamente de qualquer imoralidade, invadir ou distorcer a vida pessoal de alguém, escrever frases insultuosas, ameaçadoras, hostis, sob a capa repulsiva do anonimato, é um crime contra a já tão achincalhada ética.
Mas como encontrar o criminoso? Que leis lhe aplicar? O jeito é dar de ombros. Nem sempre dá para dar de ombros. Às vezes machuca. Ofende. Prejudica quem é inocente, alegra quem é perverso. No espaço cibernético podemos caluniar e destruir ou elogiar e endeusar quem quer que seja, sem revelar nossa identidade. Também podemos trabalhar, pesquisar, nos comunicar, aprender, nos deliciar, sem sair de casa. Como tantas coisas neste mundo contraditório, a internet é a um tempo covil de covardes e terra de maravilhas." - Lya Luft

Não deixe de ler o texto completo. Clique aqui.

quarta-feira, 17 de março de 2010

O petróleo é do Rio, porque o Rio é nosso!

Eu apóio a manifestação contra a divisão dos royalties da exploração do Petróleo no Rio de Janeiro.
O petróleo é do Rio, porque o Rio é nosso!
Saiba aqui!

Ouça ainda o comentário de Arnaldo Jabor aqui.

domingo, 14 de março de 2010

Filmes de terror: medição específica

Acerca da crítica ao filme "Atividade Paranormal", no post abaixo, quero acrescentar que a avaliação do quanto um filme de terror pode dar medo devia ser baseada no seguinte critério: público no cinema, público que assiste no DVD ou Blue-Ray.
Porque o efeito psicológico em um ou outro ambiente é completamente diverso. Sobre esse filme, já li sobre gente que saía do cinema completamente perturbada.
São situações diferentes. Se você gosta de sofrer e sentir medo, talvez seja melhor assistir no cinema, porque em casa, o medo cai pra 50%.
Boa sorte, hehehe.

Filme "Atividade Paranormal" garante 1 ou 2 sustos. E só.

Há semanas houve um zum-zum-zum sobre o filme "Atividade Paranormal", que acaba de sair em DVD. Claro que lá fui eu conferir do que se trata, pois há tempos tenho vontade de ver um filme de terror que REALMENTE me dê medo.
Bom, você tem 2 alternativas para começar a assistir. Ou você pega um bom travesseiro, uma taça de vinho e um cobertor de orelha e aproveita uma bela soneca, ou toma um coquetel de café, com Coca-cola e guaraná em pó pra ficar acordado nos primeiros 40 minutos. O blá-blá-blá do casalzinho é infinito e irritante.
As imagens no quarto do casal também são um tédio, repetidas à exaustão. Nenhum ruído estranho na casa que não possa ser causado por seu marido quando acorda à noite e vai fazer xixi ou pelo motor da sua geladeira velha.
Mas do meio para o fim, as imagens repetidas do quarto terminam fazendo um efeito interessante. Como se fosse uma lavagem cerebral, acabam levando você pra dentro do quarto. Se você tiver conseguido ficar acordado até esse ponto, começa a prestar atenção no enquadramento, com um grande espaço à esquerda da tela. Há uma porta alí e você passa a observa-la quase torcendo pra aparecer alguma coisa. Afinal, você pagou pra se assustar, não é? Então...você começa a se perguntar por quê diabos resolveu assistir ao filme sozinho, ou no escuro e como vai conseguir ir pra cama depois.
E começa a se irritar sem entender como um filme que custou 15 mil dólares e quase não tem efeitos especiais consegue deixa-lo com medo! Isso é cinema? Será que não é?
À maneira de "A bruxa de Blair" e "Cloverfield", você tem que ter estômago pra não se enjoar da câmera "bêbada", balouçante.
Mas o grande mote do filme é expor uma situação de suspense pela qual eu e você podemos passar. Aquele barulho de passos à noite, que podem ser do seu vizinho, ou a luz que se acende no outro cômodo, que pode ser só um mal-contato, mas que no filme revelam a presença de mais alguém na casa. Um alguém que não se mostra.
E aí você vai realmente pra cama, com todas as luzes acesas e se cobre com o lençol até as orelhas.
Pois é. "Atividade Paranormal" enche um bocado de linguiça. Mas no final...FUNCIONA!

Cidade das Abelhas: só para crianças beeem pequenas.


Silêncio: abelhas trabalhando


Eu não sei em quais critérios alguns grandes guias de lazer se baseiam para suas dicas à população.
A Casa das Abelhas sempre está lá, em algum deles. Trata-se de um parque na cidade de Embu, São Paulo, que se propõe a ensinar tudo sobre abelhas. Interessante, não? Será?
Fui com minha família no último domingo. Que barca furada...
A área do parque é muito bonita. O estacionamento é gratuito. Na lanchonete, 2 ou 3 tipos de salgados e um cachorro-quente insosso, além da cerveja com mel de São José do Rio Preto.
Na entrada para o lazer e a parte didática propriamente ditos, o susto: 15 reais por cabeça. Meu marido olhou pra mim e questionou se valeria a pena, pois à primeira vista parecia haver lazer apenas para crianças pequenas - eu tenho um filho de 13 e uma filha de 11. "Já estamos aqui, vamos conhecer".
Ah se arrependimento matasse...Uma sala repleta de painéis, textos e fotos que eu poderia ter visto na internet. Uma abelha gigante onde meu marido batia a cabeça no teto, abafada e sem o menor atrativo para maiores de 3 anos. Escorregadores, idem.
Uma pequena tirolesa que a mim parecia a mais interessante. Em manutenção.
Uma bela trilha, atrás, mas que você encontra em qualquer parque público da cidade.
Por fim, a mais bonitinha atração, se é que pode chamar assim, com algumas colméias cheias de abelha produzindo mel, para ser avistada à distância - claro, não sou nem doida - e a simpática placa "Silêncio: abelhas trabalhando".
Pelo visto, são as que mais trabalham no parque. Não havia um monitor sequer. Nenhum vídeo interessante. Nenhuma interatividade.
Talvez a visita seja mais adequada para escolas, pois aí sim há monitoria. Pelo menos é que parece, vendo o site, que também tem belas fotos.
Para você, que tem crianças maiores do que 5 anos, melhor buscar outra forma de lazer e gratuita, como há tantas. Porque 60 reais pra isso, amigos, é dinheiro jogado fora.

Cidade das Abelhas - www.cidadedasabelhas.com.br

sexta-feira, 12 de março de 2010

Apagaram o traço mais inteligente do Brasil


O grande cartunista Glauco foi morto hoje de madrugada, juntamente com seu filho de apenas 25 anos, durante o que inicialmente pensava-se ser um assalto. Mas a história não é bem essa. Veja AQUI.
Quatro tiros no tórax.
Mais uma vítima da violência. Mais um gênio que nos fazia rir e agora, involuntariamente, nos faz chorar.
Farão falta suas tiras, o Geraldão e dona Marta.
Que pena. Que perda.
Acesse o site do cartunista e conheça seu trabalho. Bye, Glauco.

FONTE: Folha online

Jornalistas: orai e vigiai!

Cruzes, o que está acontecendo com a "Bons Fluidos", da editora Abril? Na edição de março,em menos de 10 minutos de leitura peguei dois erros gravíssimos: na pág. 31, "cituação", com C ! Essa foi de doer a espinha...
Depois, na pág.50, em "Dossiê: feminino", no segundo parágrafo da segunda coluna: "...dá à luz à criança" - quanta crase! E na linha seguinte: "...dar à luz aos laços..." Dar para a luz AOS laços? O que quer dizer isso? E a pauta é até bem interessante.
Ué...não vivem dizendo que o mercado tá saturado, que não há emprego?
Ok, eu também devo dar minhas escorregadelas aqui no blog.
Mas, pessoal da "Bons Fluidos", alôoooo! Eu aceito trabalho de reportagem, redação, revisão...só pra avisar, certo? Não custa nada. Hehe.

quinta-feira, 11 de março de 2010

Sacola plástica: que saco!

Eu não suporto sacolinhas plásticas. Ô praga!
Não sou nenhuma eco-chata, mas a cada vez que vou à locadora e o fulano enfia o DVD que aluguei numa bendita sacolinha, gentilmente retiro, recuso. Para quê você precisa levar uma mísera caixinha de DVD numa sacolinha?
Banca de jornal, a mesma coisa. Minha filha adora os gibis da Mônica e ao pagar, sempre a indefectível pergunta: “Quer que ponha numa sacolinha?” Não, Zé Mané, obrigada...
É impressionante como, apesar de tudo o que se diz a respeito, a maioria das pessoas ainda não entendeu que esse “acessório” leva anos pra se desintegrar na natureza e precisa ser banido das nossas vidas, de uma vez por todas.
Hoje fiz compras no Carrefour e simplesmente fiquei observando, calada, a atendente de caixa pegar uma sacolinha e colocar a caixa de ovos dentro, outra sacolinha só para os sabonetes, outra sacolinha só para uma bandeja de carne, outra sacolinha só para uma garrafa PET e por aí foi. Não reclamei, porque ela estava tentando ajudar – o que aliás acostuma mal muitos clientes, que se acomodam e sequer embalam suas próprias compras, enquanto a fila só aumenta.
Abri o porta-malas, tirei os produtos grandes das sacolinhas e as deixei no próprio carrinho do supermercado. Produtos volumosos, como embalagem de cerveja, refrigerantes, garrafas de suco, sabão em pó etc, costumo guardar soltos no porta-malas, até porque visualizo melhor na hora de descarregar e há menos risco de perda com a ruptura de algum saco plástico.
Costumo aderir às caixas de papelão, porém um problema crônico na minha coluna dificulta carrega-las até o carro.
Estão reeditando os “carrinhos de feira”, úteis e charmosos, em material plástico, bem coloridos. As sacolas de pano também são interessantes, embora mais práticas para compras pequenas.
Por que o Carrefour não educa seus funcionários e os orienta a utilizar menos sacolinhas e sugerir caixas de papelão?
Até pra recolher as fezes do meu cão fico com dó de usar saco plástico. Ouvi falar da alternativa de forrar o saquinho com jornal, que vc descarta ao chegar em casa e assim reutiliza o próprio saco plástico num próximo passeio do seu fiel amigo.
Mas aí também não seria exagero? E já tentei a manobra de pegar o cocô do Spock com o jornal por dentro do saco...haja coordenação motora!
Ainda não tenho capacidade pra tanto. Um dia meus neurônios chegam lá.

Um site legal: clique aqui a cada sacola plástica que você recusar!

FONTE: revista "Bons Fluidos", edição de março/2010

quinta-feira, 4 de março de 2010

O dom de cada um

Hoje comecei uma nova etapa da minha vida. Foi a primeira aula do curso de Naturopatia e Terapias Holísticas da Humaniversidade, uma escola muito séria que está aqui no bairro de Moema, em São Paulo. Ecumenismo é uma das palavras chaves de lá...sem grilhões, sem estar presa a dogmas, vejo que muito mais importante do que ter uma religião é enxergar nos grandes mestres da humanidade as lições para nos tornarmos seres melhores. Cristo, Buda, Madre Teresa, Gandhi...só emanam coisa boa e você pode absorver de cada um algo que te eleva, sem ser rotulada de espírita, budista ou xintoísta. Sem querer virar uma "iluminada" também - estou a milhões de encarnações de distância disso. Quantos defeitos...meu Deus, quantos a superar.
Eu já tinha feito curso de Reiki Tibetano I e II na mesma escola, cheguei a entrevistar Otavio Leal para uma matéria para a revista "Sexto Sentido"; também já fui beneficiada pela terapia de Florais de Bach, pela Aromaterapia e pela massagem terapêutica, tratamentos abordados no curso. Enfim, eu acredito nas terapias alternativas e um certo desencantamento geral pelo Jornalismo me fez querer dar uma guinada na minha vida.
Deixar de ser jornalista? Jamais. Essa coisa de querer contar os fatos, cavocar, ir atrás, ouvir vários lados da mesma história, buscar justiça, ter curiosidade por tudo e pelas histórias de todas as pessoas, nunca vai morrer em mim.
Apenas estarei agregando conhecimento...conhecimento milenar, oriental, que poderei utilizar tanto como complemento à minha formação acadêmica, como um enriquecimento interior, ou num voluntariado ou até numa nova profissão. A massoterapia em suas diversas versões - indiana, japonesa - fazem parte do curso também. Sinto que posso ser uma terapeuta corporal muito feliz...e não dá pra ser feliz sem compartilhar com os outros o que temos de melhor.
O primeiro dia de aula, hoje, foi muito difícil. Desfazer certos nós emocionais, quebrar as próprias barreiras da timidez, com exercícios de toque e acolhimento...abraçar um estranho que nunca vi na vida, imaginem? No entanto, quanta gente sente falta de um abraço; vi isso nos olhos marejados de uma colega, à minha frente, emocionada diante da possibilidade de novos caminhos se abrindo nas nossas vidas.
Cheguei em casa, depois, já me sentindo diferente. Liberta. Deitei no chão e logo vieram meus bichos fazer festinha. O cachorro pulando em cima de mim, trazendo o ossinho pra brincar de pega-pega, minha gatinha de olhos azuis de Santo André -obrigada pelo presente, tio Nelson - lambendo minha face e eu esticada no chão, relaxada, rindo muito...o que terá me acontecido? Uma noção do todo, a delícia de saber que quando temos animais nunca estamos sós! São almas de seres tão puros...
Xiiii...viajei na maionese, né gente?
Mas como é bom estar numa sala de aula outra vez! Ainda que essa seja meio diferente; sem cadeiras, mas almofadas. Sem apresentação de nomes, mas apenas abraços. E tendo que entrar descalça. Com a alma limpa.
Serão dois anos de muito estudo. Dois anos com a absoluta garantia de me sentir viva outra vez, em busca de mais um dom.
E o seu, qual é?

segunda-feira, 1 de março de 2010

Briga no show do Jorge Ben Jor

No sábado fui com meu marido ao show do Jorge Ben Jor, no Credicard Hall.
Quando você ouve as músicas dele, pensa no quê? Paz, alegria e festa.
Mas não foi bem isso que aconteceu naquela noite. Estávamos próximos ao palco, meio de pista e de repente começou a pancadaria, logo atrás da gente. Pasmem: entre mulheres.
Que coisa feia...meninas lindas, loiras (eu não quis dizer nada além do que eu disse, ok?) fazendo pose de lutadoras de kick-boxing, partindo pra cima umas das outras.
Talvez a explicação estivesse do lado de fora. No bar da casa, a molecada tomava cerveja misturada com vodka. Qualquer medida proibitiva só piora as coisas, pois aí o povo já vem de casa calibrado. Mas alí, era um exagero.
Não vou posar de santa, porque adoro uma cervejinha. Mas não entendo como podem pagar por um ingresso pra não aproveitar nada. Parece que embebedar-se é condição sine-qua-non pra diversão. Cá entre nós: quem coloca vodka na cerveja não está a fim de apreciar um drink, porque fica horrível. É pra ficar de porre mesmo.
E essa moçada, que anda bebendo cada vez mais, frequenta academias pra malhar e ficar com o corpitcho sarado. Um paradoxo: bebida engorda. E treinar de ressaca é simplesmente impossível.
Quanto à briga em si, foi só mais um reflexo da animosidade cada vez maior entre os seres humanos. Basta olhar meio de lado e pronto, é a senha pra pancadaria começar. As pessoas andam se mal-interpretando mutuamente. Nem precisa ser ao vivo: pelos sites de relacionamento, por e-mails. O sujeito lê uma coisa e entende outra, distorce as palavras. Há muita sujeira na cabeça de quem lê, muito mais do que na de quem escreve.
Eu faço boxe, adoro. Há muitas mulheres aderindo. Dá pra perder de 600 a 800 calorias em apenas uma hora de treino.
Confesso que já sei quebrar um nariz, se precisar me defender. Sempre fui pavio curto, mas sempre ganhei brigas na base do papo, com argumentação inteligente. Dificilmente eu seria capaz de machucar alguém, a não ser numa situação extrema.
Faço boxe pelos benefícios à minha saúde física e mental, para desestressar e treino apenas nos sacos da academia, não com colegas. É uma ótima opção de treino para mulheres que querem se exercitar, sem deixar a feminilidade de lado.
Mas as meninas lutando e se engalfinhando no Credicard Hall, sábado, não tinham nada de femininas. E os respectivos namorados não pareciam estar gostando nem um pouco da baixaria.
Um horror. Não é comportamento digno de gente que mora num país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza.

Parabéns, Rio!


Hoje é aniversário da cidade do Rio de Janeiro e eu quero dar os parabéns porque, apesar dos pesares, é realmente a cidade mais linda do Brasil.
Eu sou paulista mas sempre fui apaixonada pelo Rio. Infelizmente ainda não tive oportunidade de conhecer todos os pontos turísticos, pois só estive lá duas vezes.
É uma cidade não muito grande, mas há tanto para ver que aconselho você a ficar no mínimo uma semana. Afinal, nada mais chato do que turismo com pressa e lá você precisa de tempo pra sentar na areia da praia com calma, respirar fundo, olhar em volta e agradecer a Deus por ser brasileiro.
Além do deslumbramento pela paisagem, tenho ainda 2 bons motivos para amar aquele lugar.
É lá que tenho dois dos meus melhores amigos: o psicólogo André Luiz Franca e Ciça Bernardes, designer gráfica, que conheci de pertinho nesse ano. Ambos são apaixonados pela cidade, como não poderia deixar de ser.
Aliás, estando no Rio, vale a pena subir a serra e conhecer a encantadora Petrópolis e o restaurante Clube do Filet, em Itaipava. O filet mignon imperdível da dona Ignez, aliás mãe da Ciça, é pra comer rezando.
Tá esperando o que? O Rio é logo alí. Não conhece? Demorou.

sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Baleias "assassinas"??


Elas merecem liberdade


Estou comovida com a morte de uma treinadora de baleias do Sea World, nos EUA.
Há um post meu sobre a excelência dos parques temáticos daquele país, entre os quais cito este, tão encantada que fiquei com os shows de golfinhos, com a possibilidade de acaricia-los e alimenta-los com minhas próprias mãos.
Naqueles momentos, únicos, pensei apenas no processo de conscientização dos visitantes desse tipo de parque, da importância da preservação dessas espécies, nas oportunidades únicas que temos de ver estes seres de pertinho e termos por eles um olhar de amor, de respeito e reverência.
MEA CULPA. Não pensei na questão do confinamento desses animais. Das focas, dos pinguins. Sempre fui contra a presença dos animais em circos. Porém, no caso do Seaworld, levava em conta a seriedade do parque, os tanques de dimensões amplas, o treinamento sem tortura, apenas com base na alimentação e premiação com peixes.
Ninguém la´chicoteia os cetáceos. O ambiente oceânico é reproduzido ao máximo.
Porém...você aguentaria viver num espaço exíguo, andando em círculos pelo resto da vida? Eu não aguento nem correr meia hora na pista do meu clube. Me sinto um cavalinho de carrossel.
Então as Orcas podem ser classificadas de "baleias assassinas"? Ou os assassinos somos nós, seres humanos? Além disso, cá entre nós: quantos visitantes vão lá e saem apaixonados por ecologia e meio-ambiente? Quantos viram ativistas e lutam pela causa da preservação ambiental?
A morte da treinadora despertou, tardiamente, reconheço, minha preocupação em relação ao confinamento desses animais. Sempre fui contra a caça às baleias, mas percebo que a questão é muito mais ampla do que isso.
Eu quero conversar com algum representante do Greenpeace ou da WWF e pesquisar mais a respeito...quais são as dimensões de um tanque de baleias no Seaworld? E como se dá a captura desses animais? Ou nascem lá dentro mesmo?
Enquanto não tenho essas respostas, convido vocês a ouvirem, com atenção, a narração esplêndida deste vídeo, acerca da notícia e do assunto em si.
Quanto ao tal encantamento de ver uma baleia de perto, mostra-las aos meus filhos e enfiar na cabeça deles que temos que preserva-las, a partir de hoje acho mais sensato
ir pra Santa Catarina ou Fernando de Noronha, pegar um bote e vê-las no mar, livres e felizes.

Viver a vida: uma manguaça só

Eu raramente assisto a uma novela, mas estou acompanhando "Viver a vida".
Por sinal, já entrou na fase "encher linguiça". Poxa, adoro as novelas do Manoel Carlos...as paisagens deslumbrantes do Rio já valem os 50 minutos em frente à TV.
Mas eu acho que ele tá errando a mão, no mínimo, numa coisinha: o consumo excessivo de álcool entre os personagens.
O sujeito chega em casa e corre pro uísque; já há a personagem com distúrbio alcoólico na trama, vivida medianamente pela Bárbara Paz. Mas parece que todo mundo lá tá precisando da ajuda dos Alcóolicos Anônimos!
Achei o cúmulo uma cena entre o Miguel (Matheus Solano) e a Renata (Bárbara Paz), outro dia; a certa altura ela o convida pra conversar e tomar um drink, ao que ele responde: "É, não dá pra conversar sem tomar uma bebidinha".
Como é que é???
Não dá pra conversar sem álcool? E quanto às dezenas de cenas por semana em que algum personagem diz algo do tipo: "Vamos beber pra relaxar?".
A gente fica bêbada só de assistir à novela. Ainda bem que televisão ainda não tem cheiro, senão ia ser um bafo só. Até meu filho de apenas 12 anos já reparou nisso e disse, do alto de sua sapiência pré-adolescente: "Essa novela devia se chamar 'Beber a vida', isso sim, mãe".
A questão da inclusão dos deficientes é tão importante, Maneco...mas veja só a sua responsabilidade com relação ao álcool. Afinal, a novela tem classificação etária para menores de idade. Apesar disso, há cenas em que sou obrigada a trocar de canal por alguns minutos.
Se alguém do meio estiver lendo os escritos dessa simples mortal, por favor mandem o recado. Não tenho a menor idéia de como fazer o Manoel Carlos ler esse post.
E um brinde...com suco de cajú! Ou no máximo, uma cervejinha. HIC!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Saraiva Megastore: nunca mais!

Estou há mais ou menos uma hora no telefone tentando ser atendida por alguém da Saraiva Megastore do shopping Ibirapuera.
Eles não estão me fazendo nenhum favor: deixei dois livros da lista escolar da minha filha encomendados e devidamente pagos. E não consigo saber se os mesmos já chegaram à loja.
Dos 3 telefones no site, um está fora de serviço. Os outros hora dão ocupado, hora ninguém atende - um mistério. Dá impressão que os funcionários da Saraiva têm alergia a telefones e saem correndo cada vez que um deles toca. Ou será que a livraria tem acordo com o estacionamento do shopping e me forçam a ir até lá, me fazendo gastar os absurdos R$ 7,00 que são cobrados?
Acabo de ligar no SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). A funcionária se dá ao trabalho de fornecer os mesmos números inúteis de telefone que estão na tela, bem na frente do meu nariz. É pra isso que serve o tele-atendimento?
Eu disse a ela que se eu for obrigada a sair de casa, num dia de chuva e trânsito caótico de São Paulo e os livros não estiverem na loja, vou exigir que o gerente pague meu estacionamento. Sem falar no tempo perdido.
Não é à toa que Saraiva tem RAIVA até no nome! Nunca mais faço encomendas lá e se eu fosse você faria o mesmo. Não deixe com antecedência dinheiro na mão de quem te atende mal!
Saudade das pequenas livrarias de bairro. Onde você conhece o dono, folheia os livros sem culpa, onde o gerente tem palavra e confia que você também terá, sem precisar ver nenhum comprovante de pagamento para saber que você encomendou um livro. E em quem você pode confiar que fará chegar o livro em suas mãos no prazo combinado.
Não existe mais isso. Não existe mais livraria pequena, papelaria pequena, quitanda pequena.
Somos reféns das lojas MEGA.
Só que, de nada adianta uma loja ser "mega" e te dar um atendimento MINI. Neste caso, como quase sempre, tamanho realmente não é documento.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Texto no Estadão sobre João Helio


Permitam-me reproduzir aqui coluna publicada hoje no jornal "O Estado de S.Paulo", de Dom Antonio Augusto Dias Duarte. Finalmente uma voz de sensatez, num mar de impunidade.

João Hélio e os direitos humanos
Dom Antonio Augusto Dias Duarte

"Há três anos o menino João Hélio entrava no carro dos seus pais sem saber que a sua breve vida de sete anos seria brutalmente, sangrentamente, criminosamente interrompida por cinco rapazes, entre os quais estava um adolescente de 16 anos.

Essa criança transformou-se num "mártir-mirim da vida" - assim o chamei num artigo que escrevi em forma de carta aberta dirigida a ela e publicado pelo jornal O Globo -, tamanha foi a reação de indignação e de comoção popular diante do modo como ela foi assassinada.

Infelizmente, hoje temos ecos dessa reação popular ao ler nos jornais a notícia de que a organização não-governamental (ONG) Projeto Legal quer mudar o rosto de um delinquente juvenil, réu do crime cometido contra esse pequeno mártir, para o rosto de uma vítima ameaçada de morte e, portanto, com o direito de ser incluída num Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente, podendo viajar para um Estado ou país diferente e assim viver mais seguro.

Mesmo com a imediata intervenção do Ministério Público pedindo a anulação desse ato impetrado pela referida ONG, mesmo com o acerto da decisão judicial de libertação desse delinquente, uma vez que ele cumpriu o prazo-limite de três anos de afastamento da sociedade, várias questões merecem ser consideradas diante do reaparecimento de menino João Hélio na mídia nacional.

Primeira questão: será que a ONG Projeto Legal tem o direito de aumentar a dor dos pais, favorecendo um rapaz que ainda é incapaz de viver em sociedade de forma civilizada, quando se sabe que na sua curta permanência na prisão cometeu mais três crimes, um dos quais foi a tentativa de homicídio de um agente de disciplina, usando tiras de pano e cordas?

Segunda questão: será que os direitos humanos fundamentais, no Brasil, não estarão sendo manipulados por certos grupos de pessoas, que acabam colocando-os num nível de igualdade com outros "direitos" criados e claramente contrários à dignidade da pessoa humana e ao bem comum da sociedade?

Terceira questão: será que não existe mais, na atual civilização, o direito de memória, que exige o dever de respeitar o sofrimento gravado a fogo na mente e no coração dos pais e dos familiares, dos amigos e dos concidadãos de João Hélio, pois no interior de toda essa gente nunca se apagarão as imagens da atrocidade cometida contra essa criança, e a infeliz iniciativa desse tipo só faz pisotear este direito humano?

Quarta questão: será que o nosso mundo, que se vangloria de ser pós-moderno, de ter progredido tanto nos costumes e na ciência, de ter avançado na defesa dos direitos humanos, tem ainda uma reserva de mentes claras e imunes a ideologias camufladas, capaz de falar dos reais direitos humanos e mais capaz ainda de proclamá-los corajosamente, até que o povo brasileiro se convença de que não precisa mais de ONGs que se vão instalando no nosso país somente para conturbar a ordem social e destruir valores culturais e religiosos indiscutíveis?

Queremos que o caso de João Hélio não seja mais um para preencher páginas dos meios de comunicação e tampouco que a sua pura figura de chorosa memória sirva para promoção de algumas entidades interessadas não sabemos em quê. Queremos, sim, que esse "mártir-mirim da vida" desperte a reserva de inteligências esclarecidas, crie ações de famílias preocupadas com a segurança e a paz dos seus membros, a fim de que haja na cultura brasileira uma valorização mais enfática da dignidade humana, que é a raiz profunda dos direitos humanos e o alicerce firme de um mundo mais fraterno e justo.

Nesse sentido, a Igreja Católica no Brasil resiste a ser empurrada para dentro das sacristias e, sempre que houver no País um ou vários atentados contra os direitos fundamentais da pessoa humana, ela terá a coragem de proclamá-los, defendê-los e promover debates purificados de ideologias impregnadas de ateísmo e relativismo.

Os direitos fundamentais que governam as relações sociais, tais como a inviolabilidade da vida humana, o respeito à natureza, a liberdade de imprensa, a informação objetiva na mídia, a propriedade privada, a liberdade religiosa, a educação das crianças e dos jovens isenta de ideologias desconstrutivas da pessoa humana, a verdadeira natureza e identidade do matrimônio e da família, a segurança pública, a saúde integral, o voto sem preço, etc., para citar alguns dos direitos humanos mencionados na encíclica Pacem in Terris, escrita em 1963, pelo beato papa João XXIII, são anteriores ao Estado, são próprios da natureza humana e, principalmente, são originários do próprio Deus.

Nem Estados, nem grupos de Estado, nem autoridades governamentais, nem integrantes de organismos não-governamentais, nem planos nacionais, nem pretensas nações planejadores do mundo têm o direito de impingir aos cidadãos de um país certas propostas que maculam e lesam a dignidade da pessoa humana, mesmo que utilizem a expressão "direitos humanos", sem afirmar quais a sua raiz e a fonte verdadeiras e originais.

João Hélio, eu lhe dizia há três anos que você seria a semente de um Brasil onde as crianças teriam respeito, consideração e muito amor desde o princípio de sua vida e, hoje, tenho de lhe pedir perdão, porque nós, os adultos, não soubemos, ou melhor dizendo, não quisemos regar essa semente neste intervalo de tempo e ela é minúscula, mas lhe prometemos que a sua vida e morte acabará germinando e produzirá os frutos de que o Brasil necessita."

Dom Antonio Augusto Dias Duarte, médico pela Universidade de São Paulo é bispo-auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Superando o luto


Saudade do meu pai

Esse foi o primeiro ano da minha vida sem a presença física do meu pai.
Parece que o ano de 2009 foi um abismo escuro; eu não sabia pra onde estava indo, eu não sabia onde estava caindo e eu não sabia como e se ia sair. Descobri a terapia como a ferramenta mais ao alcance, mais palpável pra me ajudar.
Sempre fui espiritualista, mas numa perda pessoal, nenhuma tese religiosa faz sentido, a menos que você seja fanático. E de fanatismo quero distância.
Fiquei de mal com Deus. Me agarrei na Psicologia e estou aos poucos saindo do buraco em que me meteram. Quem? Ora essa...a morte...e o cara que toma conta das coisas lá em cima.
Na hora do aperto, a Ciência realmente ajuda. Fugi dos remédios anti-depressivos e apenas confiei em mim mesma e no meu próprio tempo. Uma boa terapeuta me ouvindo e pronto, já estava a meio caminho da recuperação.
Agora recomeço a estudar as filosofias espiritualistas - todas me servem, como conhecimento e fonte de reflexão - e a voltar a acreditar numa realidade simples: a morte é só uma viagem pra qual vc não precisa se preocupar em fazer as malas.
Não vi meu pai morto num caixão. Não quis, não vi razão para essa auto-tortura. Preferi me preservar, a despeito dos inacreditáveis protestos de certos parentes diante da minha recusa.
Dessa forma, agora me dou ao luxo de acreditar que meu pai simplesmente pegou seu barco a vela e foi pro mar, ser feliz, sem ninguém mais mandando nos seus pensamentos e no que ele sentia. Livre da doença, livre de dor. Livre, apenas.
Mas que dá saudade, dá. Ninguém é perfeito.

Farmácias: que bobagem

Sobre a nova regra dos produtos nas farmácias, determinada pela Anvisa, repito o que eu disse no e-mail para o jornalista Milton Jung, que ele gentilmente leu no ar, hoje, na rádio CBN.
Num país onde remédios tarja preta são vendidos sem receita médica, deixar Dipirona Sódica ou sal de frutas na frente ou atrás de um balcão não fará a menor diferença.
O balconista de farmácia continuará a ser o "médico" dos pobres e hipocondríacos.
Aqui no Brasil tem-se essa mania por leis novas...
Cada vez que o governo (seja municipal, estadual ou federal) vem com uma e, via de regra, não a consegue fazer cumprir, inventa outra, só para desviar o foco.
Estamos assistindo ao afrouxamento da Lei Seca no trânsito. Estamos de novo à mercê dos irresponsáveis que enchem a cara e colocam nossas vidas em risco, nas ruas e nas estradas. Mais uma lei que não "pegou".
Então agora toda a mídia se volta para as farmácias, como se mudar os remédios de lugar fosse capaz de mudar a mania do brasileiro de automedicar-se. A raiz disso é cultural e social, também: o sujeito não tem acesso a médico com rapidez e eficiência, demora meses para fazer um exame, outros meses para ter o resultado, não tem dinheiro para os medicamentos certos e aí resolve dar um jeito por si próprio. Sempre contando, claro, com a ajuda daqueles jovens balconistas, orgulhosos de seus aventais brancos, que nem sempre são farmacêuticos graduados - aliás função de farmacêutico não é receitar remédio.
Ao menos esse tipo de consumidor está pondo apenas a própria saúde em risco e sendo maior de idade, é problema seu.
Já os bebuns dirigindo à solta por aí...salve-se quem puder, deles.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Para Maurício de Sousa

Hoje é o último dia do Parque da Mônica no Shopping Eldorado, aqui em São Paulo.
Eu cresci lendo os gibis da turma do Maurício de Sousa e quando o parque foi aberto, há 17 anos, foi grande a minha expectativa. Só fui conhece-lo quando já era mãe, levando meu filho, quando ele tinha 6 anos.
Quem alguma vez sentou no chão com as pernas cruzadas lendo um gibi da Turma da Mônica, com certeza se viu num mundo que hoje não existe mais: crianças brincando na rua, de barquinhos na água da chuva das sarjetas, em balanços feitos de corda e madeira na árvore da praça, com bolinhas de gude disputando altos campeonatos, fazendo buraquinhos num chão de terra. Esse é o mundo do bairro do Limoeiro, que ainda está lá, ao alcance de qualquer um, em qualquer gibi à venda nas bancas.
Pois quando entrei no Parque da Mônica com o meu filho pela primeira vez, estranhei muito o cenário. Apesar dos personagens, pintados pra todos os lados na decoração, eu olhava pra cima e não via o céu sempre azul e o solzinho do Maurício: via as lâmpadas brancas, frias, fluorescentes no teto cinza do subsolo de um shopping. Em volta, não via árvores, muito menos um riacho. Banho de mangueira? Não, no máximo, na piscina de bolinha. Nada que as crianças não vejam em qualquer buffet infantil e de graça, como convidadas.
Centenas de colunas de cimento, revestidas de borracha, pra que os pequenos não se machucassem. Dos adultos da história, pra tomar conta das crianças, nada do sr. Cebola ou da mãe da Mônica. Apenas funcionários mal-encarados, de má vontade, sem a menor paciência para organizar as filas e mais filas de crianças que nunca souberam o que é uma disputa de bafo. Um ou outro brinquedo em manutenção. Um cenário triste, deprimente. As crianças diziam adorar? Claro, não conheciam outro mundo senão aquele, do shopping-center. Aliás, cenário de estranhamento do Chico Bento num dos seus gibis. Viram como eu lia???
A comida da lanchonete jamais seria atraente nem pra comilona da Magali. Fast-food gordurento, hambúrgueres desarrumados, frios, batatas fritas banhadas no óleo, o que forçava a maioria das mães, colegas minhas, a levarem seus lanches de casa mesmo.
Voltei lá a contra-gosto, poucos anos depois, pra levar minha segunda filha, outra assídua leitora. Nunca mais voltamos, nunca tivemos vontade de.
O empresário brasileiro não sabe fazer parque temático, aliás não sabe se dar bem com parques, em geral, como nos EUA. Até o Hopi-Hari está indo pras cucuias, com um faturamento baixíssimo. O Playcenter está à beira da falência.
O Parque da Mônica ficaria muito melhor num local a céu aberto, com as árvores frutíferas do bairro do Limoeiro, quem sabe um riacho pras crianças brincarem de corrida de barco de papel, gangorras e poças de lama onde pudessem se sujar de verdade. Patrocínio de um famoso sabão em pó, que tal? Nada que um belo brinquedão de chafariz, com mangueiras, chamado "Banho do Cascão" não resolvesse depois. A casa da Mônica não pode ser uma casa-cenário, artificial, tem que ser uma casinha de verdade, com cheiro de bolo e a mãe na cozinha, de avental. O "Louco" tem que aparecer de vez em quando, pegando uma criança pela mão e aplicando um trava-línguas pra fazer pais e filhos rirem juntos, no meio do parque.
É esse o mundo da Mônica que as crianças querem ver, Maurício.
Se não, a gente vai até a banca mesmo e mergulha nos seus gibis e na sua interminável criatividade. Por isso não fique nem um pouco triste por sair daquele shopping. Você e nós merecemos coisa melhor.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Virose de verão


Criança com diarréia: encha o banheiro de revistinhas e coisas pro seu filho ler! Ao menos ele dá risada e fica bem informado.


Ontem minha filha Adriana, de 11 anos, entrou num quadro de febre e vômitos o dia todo.
O litoral paulista foi assolado por uma epidemia de virose, nas férias. Em algumas regiões, como o Guarujá, o quadro era de febre, enjôo e diarréia. Já no Litoral Norte, ao invés de diarréia as pessoas tinham vômitos.
O que lotou os hospitais locais, claro. E a rede dos municípios não deu conta, óbvio também.
Rádios e jornais tentaram descobrir junto às Prefeituras se era uma contaminação da água do mar, da água de torneira ou pessoa-a-pessoa. Nenhuma satisfação das autoridades até agora. Salve-se quem puder.
Como minha filha não esteve no litoral nas férias, mas voltou à escola há pouco tempo, convivendo com colegas que passaram as férias na praia, venho humildemente concluir que pode ser contaminação pessoa-a-pessoa.
Como evitar? Simples. Mantenha seu filho isolado numa bolha de plástico, sem contato algum com o mundo externo, nem com você mesma. Sabe aquele beijinho de bom-dia? Esqueça.
Impossível, não é? Quem resiste àquelas caras de anjinho que os filhos têm enquanto estão dormindo?
Então, jogue um barquinho pra Iemanjá, acenda uma vela e reze, reze muito pro seu pimpolho não pegar essa tranqueira.
Remédio? Muito líquido, comida leve, nada de fritura ou comer fora de casa e em último caso, hospital pra tomar soro na veia, com Dramin e glicose. Ninguém gosta de injeção - eu tenho pavor - mas pelo menos você, pai ou mãe ou tia ou avó, ficam mais tranquilos nesse Carnaval.

AACD 2 : retornos do SAC

Em post anterior eu havia reclamado do atendimento sofrível na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), aqui de São Paulo.
Quanto ao péssimo atendimento da recepcionista "muda" que sequer conversou comigo sobre o agendamento de exames, recebi telefonema muito gentil do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da instituição. Sim, claro que no mesmo dia eu tinha ligado, reclamando. A funcionária agradeceu pela reclamação, disse que o comportamento da tal recepcionista foi completamente inadequado e que lhe seria chamada a atenção.
No dia em que levei minha filha para o devido exame, preenchi um daqueles formulários existentes em caixas de sugestões. Desci o verbo.
Ontem recebi mais um telefonema do SAC. A atendente mais uma vez agradeceu pelas queixas, disse que a questão da falta de cadeiras suficientes seria repassada ao setor de reformas estruturais e que a demora de quatro horas deveu-se à quebra de um dos equipamentos de radiografia. Disse ainda que as recepcionistas são orientadas a explicar aos pacientes sobre qualquer atraso, pra que pudéssemos optar entre esperar ou não.
Então se percebe que a boa vontade da direção é grande. Mas falta investimento em capital humano. Recepcionistas da AACD não podem dar atendimento precário, nem num consultório qualquer, muito menos alí.
A funcionária, ao telefone, disse ainda que meu formulário de reclamações era um dos poucos dentro da tal caixa.
Ou seja, ainda falta muito para o brasileiro sentir-se no direito de reclamar e apontar falhas de atendimento. No geral, aqueles pais e mães mantinham o ar resignado, como se a dificuldade de ter um filho com deficiência já lhes bastasse. Como se merecessem esperar por horas, em pé, sem nenhuma satisfação. Sugeri a eles que preenchessem também o formulário. A maioria deu de ombros e disse que não adiantava nada.
Acorda, povo brasileiro. Temos deveres, impostos sendo pagos e muitos direitos a reclamar. Embora a AACD seja uma instituição sem fins lucrativos, se ela está lá e se dispõe a atender as pessoas, precisa fazer bem-feito. Nenhum paciente vai lá para passear. Todos merecem um atendimento digno.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Adriana de Oliveira: inesquecível



Ela foi capa das principais revistas brasileiras no fim dos anos 80.
Ficou entre as 12 mulheres mais lindas do mundo na final do "Supermodel of the World" de 1989. No horário nobre, podia ser vista em comerciais de picolé da Kibon e da Pool.
Adriana de Oliveira fez e sempre fará parte das lembranças de toda um geração que enxergava algo além da beleza física. Ela era mais do que só uma menina linda. Porque ela tinha uma luz especial, que as pessoas, colegas, fotógrafos, percebiam e admiravam. Gisele Bundchen que me desculpe, mas não tem nem 10% do carisma que Adriana tinha. Num mundinho altamente competitivo, era uma menina com ética, justa, incapaz de passar por cima dos outros. Eu era uma jovem feiosa que parava tudo o que estivesse fazendo, só pra ve-la nos comerciais do horário nobre: "Que lindinha, puxa, eu queria ser assim..."
Gisele Bundchen? Que nada...Adriana dava de dez. Aquele sorriso brejeiro e encantador nunca mais existiu.
Em 27 de janeiro, completaram-se 20 anos de sua partida. Um nebuloso episódio cercado de perguntas sem resposta e companhias sem escrúpulos, que a deixaram agonizando em overdose por mais de 2 horas. Quanto vale uma vida? Valia muito naquele momento e deixaram escapar.
Ninguém foi punido, ante as evidências de tráfico de drogas e omissão de socorro.Como cidadã, indignei-me com a falta de competência da Polícia Civil, que sequer protegeu o local onde ela morreu e as evidências do crime de homícidio culposo. Como jornalista, me ressenti pelo fato de não ver colegas se empenhando nas investigações, deixando vários "buracos" na história toda. O papel do jornalista é esclarecer a opinião pública. Falhamos nesse caso. Falhamos seriamente.
País sem memória, fatalmente Adriana é hoje pouco lembrada.
A menina de família, orgulho de seus pais, meiga, simples, sensível, solidária, alegre, feições de anjo, encantou fotógrafos e toda uma legião de fãs. Sacrificou-se com profissionalismo e abnegação, trabalhou à exaustação, pra representar a beleza da mulher brasileira mundo afora. Se você é muito jovem e nunca ouviu falar dela, pesquise...procure fotos, textos, campanhas das quais ela participou e talvez entenda um pouco do que estou falando.
Adriana, para sempre, você ficará no coração de todos os que foram capazes de enxergar algo além de um simples rosto bonito.
Adri, você é inesquecível, para todos os que merecem lembrar de você. Fica com Deus, meu anjo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

AACD: boa, mas podia ser melhor.

Minha filha está com os pezinhos tortos e os joelhos se encontrando. Procurei ortopedistas, vários, até encontrar o doutor Pedro Ferraro, que ao contrário dos outros, se mostrou interessado no caso. Pediu alguns exames e meu convênio só era atendido por um local: AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente.
A entidade é de uma reputação irrepreensível aqui em São Paulo, quiçá no Brasil todo.
Campanhas na TV são deflagradas no mínimo duas vezes ao ano, solicitando doações para ampliar as instalações da instituição.
Mas com minha filha, recebi, de cara, a primeira informação por telefone: "O atendimento em exames é feito por ordem de chegada, senhora". Fui lá às 14 horas do dia 3. A recepcionista do setor "Diagnósticos" estava num papão animado com outras colegas, mal me deu boa tarde e estendeu a mão, sem olhar nos meus olhos, sem dirigir-me uma palavra sequer.
Entreguei-lhe o pedido médico. Ela escreveu num papel um horário: "Segunda à sexta, das 8:30 às 14 hs". E só. Eu tinha sido mal-informada pela precavida ligação anterior e mesmo assim não mereci nem um "Boa tarde".
Voltei com minha filha dois dias depois, às 8:30, conforme "gentil" orientação da funcionária. Perto de mim, uma mãe com um filho de mais de 1,60 m no colo, com paralisia cerebral. Não havia lugar para acomodar o menino. Pai com a filha em cadeira de rodas, ele em pé. Nada de cadeira para ele sentar. Mãe com o filho deficiente mental e físico, que se contorcia numa cadeira pra lá de desconfortável. Em pé. Pois não havia lugar para ela sentar. Finalmente um nada cavalheiro sentado ao lado dela foi chamado pelo médico e levantou-se, de modo que ela pudesse acomodar o menininho ao seu lado, apoiado no colo. Ah, a falta de gentileza e sensibilidade das pessoas me faz cair o queixo todo dia.
Muita gente em pé havia mais de 4 horas, esperando.
A AACD fica na Zona Sul, perto do aeroporto de Congonhas. Esses pais e mães, abnegados nos cuidados com seus filhos especiais, estavam alí desde as 6 da manhã. Vinham de Sorocaba, Cajamar, Guaratinguetá. As crianças com fome...nenhuma lanchonete próxima o bastante para livra-los de perder a vez na chamada. Comecei a me sentir mal...eu e minha filha, embora atendidas pelo convênio no único lugar possível, estávamos ocupando o lugar de alguém sem qualquer alternativa de assistência médica privada e com problemas físicos ou mentais sérios, que dependem de exames com frequência. Eu, a jornalista, comecei a conversar com os pais e já tava quase sacando meu bloquinho e minha caneta...Uma vez jornalista, sempre jornalista. Sempre a curiosidade aguçada, a indignação, o querer saber o porquê de tanto absurdo, acima do meu interesse pessoal e com o fim idealista de, simplesmente,com algumas vírgulas e pontos finais de um texto, conseguir mudar a vida daquela gente, nem que seja um pouquinho. Denunciando. Como agora, dizendo: "Péra aí, tem algo errado nisso tudo".
Dê uma volta pelas quadras, no entorno das ruas Pedro de Toledo e Ascendino Reis. Você verá os pontos de ônibus lotados com mães e seus filhos deficientes no colo ou em cadeira de rodas, à espera de transporte público. Eu gostaria de acompanhar o embarque e as dificuldade dessa gente toda ao voltar pra casa depois de mais uma consulta.
A AACD é uma entidade ilibada...vive de doações...Compreendo as dificuldades pelas quais passa, oferecendo um serviço que deveria ser disponibilizado pela rede pública.
Mas essas pessoas precisam de mais do que 3 ou 4 horas em pé, esperando pelo atendimento gratuito...Não é porque é gratuito que tem que ser indigno.
Merecem ao menos, mais sorrisos das recepcionistas. Mais respeito pelas suas dificuldades, seu cansaço, sua fome, seu sofrimento. A convivência diária com isso talvez torne alguns dirigentes da entidade mais frios, "acostumados" em tratar pessoas como números de senha que aparecem num painel.
Mas nosso mundo carece de humanidade; na mais pura definição da palavra.Um pouco mais de conforto e amabilidade a pacientes tão carentes de tudo, acho que as doações cobrem. Ou não? Carinho não depende de dinheiro.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida