sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010

Baleias "assassinas"??


Elas merecem liberdade


Estou comovida com a morte de uma treinadora de baleias do Sea World, nos EUA.
Há um post meu sobre a excelência dos parques temáticos daquele país, entre os quais cito este, tão encantada que fiquei com os shows de golfinhos, com a possibilidade de acaricia-los e alimenta-los com minhas próprias mãos.
Naqueles momentos, únicos, pensei apenas no processo de conscientização dos visitantes desse tipo de parque, da importância da preservação dessas espécies, nas oportunidades únicas que temos de ver estes seres de pertinho e termos por eles um olhar de amor, de respeito e reverência.
MEA CULPA. Não pensei na questão do confinamento desses animais. Das focas, dos pinguins. Sempre fui contra a presença dos animais em circos. Porém, no caso do Seaworld, levava em conta a seriedade do parque, os tanques de dimensões amplas, o treinamento sem tortura, apenas com base na alimentação e premiação com peixes.
Ninguém la´chicoteia os cetáceos. O ambiente oceânico é reproduzido ao máximo.
Porém...você aguentaria viver num espaço exíguo, andando em círculos pelo resto da vida? Eu não aguento nem correr meia hora na pista do meu clube. Me sinto um cavalinho de carrossel.
Então as Orcas podem ser classificadas de "baleias assassinas"? Ou os assassinos somos nós, seres humanos? Além disso, cá entre nós: quantos visitantes vão lá e saem apaixonados por ecologia e meio-ambiente? Quantos viram ativistas e lutam pela causa da preservação ambiental?
A morte da treinadora despertou, tardiamente, reconheço, minha preocupação em relação ao confinamento desses animais. Sempre fui contra a caça às baleias, mas percebo que a questão é muito mais ampla do que isso.
Eu quero conversar com algum representante do Greenpeace ou da WWF e pesquisar mais a respeito...quais são as dimensões de um tanque de baleias no Seaworld? E como se dá a captura desses animais? Ou nascem lá dentro mesmo?
Enquanto não tenho essas respostas, convido vocês a ouvirem, com atenção, a narração esplêndida deste vídeo, acerca da notícia e do assunto em si.
Quanto ao tal encantamento de ver uma baleia de perto, mostra-las aos meus filhos e enfiar na cabeça deles que temos que preserva-las, a partir de hoje acho mais sensato
ir pra Santa Catarina ou Fernando de Noronha, pegar um bote e vê-las no mar, livres e felizes.

Viver a vida: uma manguaça só

Eu raramente assisto a uma novela, mas estou acompanhando "Viver a vida".
Por sinal, já entrou na fase "encher linguiça". Poxa, adoro as novelas do Manoel Carlos...as paisagens deslumbrantes do Rio já valem os 50 minutos em frente à TV.
Mas eu acho que ele tá errando a mão, no mínimo, numa coisinha: o consumo excessivo de álcool entre os personagens.
O sujeito chega em casa e corre pro uísque; já há a personagem com distúrbio alcoólico na trama, vivida medianamente pela Bárbara Paz. Mas parece que todo mundo lá tá precisando da ajuda dos Alcóolicos Anônimos!
Achei o cúmulo uma cena entre o Miguel (Matheus Solano) e a Renata (Bárbara Paz), outro dia; a certa altura ela o convida pra conversar e tomar um drink, ao que ele responde: "É, não dá pra conversar sem tomar uma bebidinha".
Como é que é???
Não dá pra conversar sem álcool? E quanto às dezenas de cenas por semana em que algum personagem diz algo do tipo: "Vamos beber pra relaxar?".
A gente fica bêbada só de assistir à novela. Ainda bem que televisão ainda não tem cheiro, senão ia ser um bafo só. Até meu filho de apenas 12 anos já reparou nisso e disse, do alto de sua sapiência pré-adolescente: "Essa novela devia se chamar 'Beber a vida', isso sim, mãe".
A questão da inclusão dos deficientes é tão importante, Maneco...mas veja só a sua responsabilidade com relação ao álcool. Afinal, a novela tem classificação etária para menores de idade. Apesar disso, há cenas em que sou obrigada a trocar de canal por alguns minutos.
Se alguém do meio estiver lendo os escritos dessa simples mortal, por favor mandem o recado. Não tenho a menor idéia de como fazer o Manoel Carlos ler esse post.
E um brinde...com suco de cajú! Ou no máximo, uma cervejinha. HIC!!

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

Saraiva Megastore: nunca mais!

Estou há mais ou menos uma hora no telefone tentando ser atendida por alguém da Saraiva Megastore do shopping Ibirapuera.
Eles não estão me fazendo nenhum favor: deixei dois livros da lista escolar da minha filha encomendados e devidamente pagos. E não consigo saber se os mesmos já chegaram à loja.
Dos 3 telefones no site, um está fora de serviço. Os outros hora dão ocupado, hora ninguém atende - um mistério. Dá impressão que os funcionários da Saraiva têm alergia a telefones e saem correndo cada vez que um deles toca. Ou será que a livraria tem acordo com o estacionamento do shopping e me forçam a ir até lá, me fazendo gastar os absurdos R$ 7,00 que são cobrados?
Acabo de ligar no SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor). A funcionária se dá ao trabalho de fornecer os mesmos números inúteis de telefone que estão na tela, bem na frente do meu nariz. É pra isso que serve o tele-atendimento?
Eu disse a ela que se eu for obrigada a sair de casa, num dia de chuva e trânsito caótico de São Paulo e os livros não estiverem na loja, vou exigir que o gerente pague meu estacionamento. Sem falar no tempo perdido.
Não é à toa que Saraiva tem RAIVA até no nome! Nunca mais faço encomendas lá e se eu fosse você faria o mesmo. Não deixe com antecedência dinheiro na mão de quem te atende mal!
Saudade das pequenas livrarias de bairro. Onde você conhece o dono, folheia os livros sem culpa, onde o gerente tem palavra e confia que você também terá, sem precisar ver nenhum comprovante de pagamento para saber que você encomendou um livro. E em quem você pode confiar que fará chegar o livro em suas mãos no prazo combinado.
Não existe mais isso. Não existe mais livraria pequena, papelaria pequena, quitanda pequena.
Somos reféns das lojas MEGA.
Só que, de nada adianta uma loja ser "mega" e te dar um atendimento MINI. Neste caso, como quase sempre, tamanho realmente não é documento.

quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010

Texto no Estadão sobre João Helio


Permitam-me reproduzir aqui coluna publicada hoje no jornal "O Estado de S.Paulo", de Dom Antonio Augusto Dias Duarte. Finalmente uma voz de sensatez, num mar de impunidade.

João Hélio e os direitos humanos
Dom Antonio Augusto Dias Duarte

"Há três anos o menino João Hélio entrava no carro dos seus pais sem saber que a sua breve vida de sete anos seria brutalmente, sangrentamente, criminosamente interrompida por cinco rapazes, entre os quais estava um adolescente de 16 anos.

Essa criança transformou-se num "mártir-mirim da vida" - assim o chamei num artigo que escrevi em forma de carta aberta dirigida a ela e publicado pelo jornal O Globo -, tamanha foi a reação de indignação e de comoção popular diante do modo como ela foi assassinada.

Infelizmente, hoje temos ecos dessa reação popular ao ler nos jornais a notícia de que a organização não-governamental (ONG) Projeto Legal quer mudar o rosto de um delinquente juvenil, réu do crime cometido contra esse pequeno mártir, para o rosto de uma vítima ameaçada de morte e, portanto, com o direito de ser incluída num Programa de Proteção à Criança e ao Adolescente, podendo viajar para um Estado ou país diferente e assim viver mais seguro.

Mesmo com a imediata intervenção do Ministério Público pedindo a anulação desse ato impetrado pela referida ONG, mesmo com o acerto da decisão judicial de libertação desse delinquente, uma vez que ele cumpriu o prazo-limite de três anos de afastamento da sociedade, várias questões merecem ser consideradas diante do reaparecimento de menino João Hélio na mídia nacional.

Primeira questão: será que a ONG Projeto Legal tem o direito de aumentar a dor dos pais, favorecendo um rapaz que ainda é incapaz de viver em sociedade de forma civilizada, quando se sabe que na sua curta permanência na prisão cometeu mais três crimes, um dos quais foi a tentativa de homicídio de um agente de disciplina, usando tiras de pano e cordas?

Segunda questão: será que os direitos humanos fundamentais, no Brasil, não estarão sendo manipulados por certos grupos de pessoas, que acabam colocando-os num nível de igualdade com outros "direitos" criados e claramente contrários à dignidade da pessoa humana e ao bem comum da sociedade?

Terceira questão: será que não existe mais, na atual civilização, o direito de memória, que exige o dever de respeitar o sofrimento gravado a fogo na mente e no coração dos pais e dos familiares, dos amigos e dos concidadãos de João Hélio, pois no interior de toda essa gente nunca se apagarão as imagens da atrocidade cometida contra essa criança, e a infeliz iniciativa desse tipo só faz pisotear este direito humano?

Quarta questão: será que o nosso mundo, que se vangloria de ser pós-moderno, de ter progredido tanto nos costumes e na ciência, de ter avançado na defesa dos direitos humanos, tem ainda uma reserva de mentes claras e imunes a ideologias camufladas, capaz de falar dos reais direitos humanos e mais capaz ainda de proclamá-los corajosamente, até que o povo brasileiro se convença de que não precisa mais de ONGs que se vão instalando no nosso país somente para conturbar a ordem social e destruir valores culturais e religiosos indiscutíveis?

Queremos que o caso de João Hélio não seja mais um para preencher páginas dos meios de comunicação e tampouco que a sua pura figura de chorosa memória sirva para promoção de algumas entidades interessadas não sabemos em quê. Queremos, sim, que esse "mártir-mirim da vida" desperte a reserva de inteligências esclarecidas, crie ações de famílias preocupadas com a segurança e a paz dos seus membros, a fim de que haja na cultura brasileira uma valorização mais enfática da dignidade humana, que é a raiz profunda dos direitos humanos e o alicerce firme de um mundo mais fraterno e justo.

Nesse sentido, a Igreja Católica no Brasil resiste a ser empurrada para dentro das sacristias e, sempre que houver no País um ou vários atentados contra os direitos fundamentais da pessoa humana, ela terá a coragem de proclamá-los, defendê-los e promover debates purificados de ideologias impregnadas de ateísmo e relativismo.

Os direitos fundamentais que governam as relações sociais, tais como a inviolabilidade da vida humana, o respeito à natureza, a liberdade de imprensa, a informação objetiva na mídia, a propriedade privada, a liberdade religiosa, a educação das crianças e dos jovens isenta de ideologias desconstrutivas da pessoa humana, a verdadeira natureza e identidade do matrimônio e da família, a segurança pública, a saúde integral, o voto sem preço, etc., para citar alguns dos direitos humanos mencionados na encíclica Pacem in Terris, escrita em 1963, pelo beato papa João XXIII, são anteriores ao Estado, são próprios da natureza humana e, principalmente, são originários do próprio Deus.

Nem Estados, nem grupos de Estado, nem autoridades governamentais, nem integrantes de organismos não-governamentais, nem planos nacionais, nem pretensas nações planejadores do mundo têm o direito de impingir aos cidadãos de um país certas propostas que maculam e lesam a dignidade da pessoa humana, mesmo que utilizem a expressão "direitos humanos", sem afirmar quais a sua raiz e a fonte verdadeiras e originais.

João Hélio, eu lhe dizia há três anos que você seria a semente de um Brasil onde as crianças teriam respeito, consideração e muito amor desde o princípio de sua vida e, hoje, tenho de lhe pedir perdão, porque nós, os adultos, não soubemos, ou melhor dizendo, não quisemos regar essa semente neste intervalo de tempo e ela é minúscula, mas lhe prometemos que a sua vida e morte acabará germinando e produzirá os frutos de que o Brasil necessita."

Dom Antonio Augusto Dias Duarte, médico pela Universidade de São Paulo é bispo-auxiliar da Arquidiocese do Rio de Janeiro

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2010

Superando o luto


Saudade do meu pai

Esse foi o primeiro ano da minha vida sem a presença física do meu pai.
Parece que o ano de 2009 foi um abismo escuro; eu não sabia pra onde estava indo, eu não sabia onde estava caindo e eu não sabia como e se ia sair. Descobri a terapia como a ferramenta mais ao alcance, mais palpável pra me ajudar.
Sempre fui espiritualista, mas numa perda pessoal, nenhuma tese religiosa faz sentido, a menos que você seja fanático. E de fanatismo quero distância.
Fiquei de mal com Deus. Me agarrei na Psicologia e estou aos poucos saindo do buraco em que me meteram. Quem? Ora essa...a morte...e o cara que toma conta das coisas lá em cima.
Na hora do aperto, a Ciência realmente ajuda. Fugi dos remédios anti-depressivos e apenas confiei em mim mesma e no meu próprio tempo. Uma boa terapeuta me ouvindo e pronto, já estava a meio caminho da recuperação.
Agora recomeço a estudar as filosofias espiritualistas - todas me servem, como conhecimento e fonte de reflexão - e a voltar a acreditar numa realidade simples: a morte é só uma viagem pra qual vc não precisa se preocupar em fazer as malas.
Não vi meu pai morto num caixão. Não quis, não vi razão para essa auto-tortura. Preferi me preservar, a despeito dos inacreditáveis protestos de certos parentes diante da minha recusa.
Dessa forma, agora me dou ao luxo de acreditar que meu pai simplesmente pegou seu barco a vela e foi pro mar, ser feliz, sem ninguém mais mandando nos seus pensamentos e no que ele sentia. Livre da doença, livre de dor. Livre, apenas.
Mas que dá saudade, dá. Ninguém é perfeito.

Farmácias: que bobagem

Sobre a nova regra dos produtos nas farmácias, determinada pela Anvisa, repito o que eu disse no e-mail para o jornalista Milton Jung, que ele gentilmente leu no ar, hoje, na rádio CBN.
Num país onde remédios tarja preta são vendidos sem receita médica, deixar Dipirona Sódica ou sal de frutas na frente ou atrás de um balcão não fará a menor diferença.
O balconista de farmácia continuará a ser o "médico" dos pobres e hipocondríacos.
Aqui no Brasil tem-se essa mania por leis novas...
Cada vez que o governo (seja municipal, estadual ou federal) vem com uma e, via de regra, não a consegue fazer cumprir, inventa outra, só para desviar o foco.
Estamos assistindo ao afrouxamento da Lei Seca no trânsito. Estamos de novo à mercê dos irresponsáveis que enchem a cara e colocam nossas vidas em risco, nas ruas e nas estradas. Mais uma lei que não "pegou".
Então agora toda a mídia se volta para as farmácias, como se mudar os remédios de lugar fosse capaz de mudar a mania do brasileiro de automedicar-se. A raiz disso é cultural e social, também: o sujeito não tem acesso a médico com rapidez e eficiência, demora meses para fazer um exame, outros meses para ter o resultado, não tem dinheiro para os medicamentos certos e aí resolve dar um jeito por si próprio. Sempre contando, claro, com a ajuda daqueles jovens balconistas, orgulhosos de seus aventais brancos, que nem sempre são farmacêuticos graduados - aliás função de farmacêutico não é receitar remédio.
Ao menos esse tipo de consumidor está pondo apenas a própria saúde em risco e sendo maior de idade, é problema seu.
Já os bebuns dirigindo à solta por aí...salve-se quem puder, deles.

terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Para Maurício de Sousa

Hoje é o último dia do Parque da Mônica no Shopping Eldorado, aqui em São Paulo.
Eu cresci lendo os gibis da turma do Maurício de Sousa e quando o parque foi aberto, há 17 anos, foi grande a minha expectativa. Só fui conhece-lo quando já era mãe, levando meu filho, quando ele tinha 6 anos.
Quem alguma vez sentou no chão com as pernas cruzadas lendo um gibi da Turma da Mônica, com certeza se viu num mundo que hoje não existe mais: crianças brincando na rua, de barquinhos na água da chuva das sarjetas, em balanços feitos de corda e madeira na árvore da praça, com bolinhas de gude disputando altos campeonatos, fazendo buraquinhos num chão de terra. Esse é o mundo do bairro do Limoeiro, que ainda está lá, ao alcance de qualquer um, em qualquer gibi à venda nas bancas.
Pois quando entrei no Parque da Mônica com o meu filho pela primeira vez, estranhei muito o cenário. Apesar dos personagens, pintados pra todos os lados na decoração, eu olhava pra cima e não via o céu sempre azul e o solzinho do Maurício: via as lâmpadas brancas, frias, fluorescentes no teto cinza do subsolo de um shopping. Em volta, não via árvores, muito menos um riacho. Banho de mangueira? Não, no máximo, na piscina de bolinha. Nada que as crianças não vejam em qualquer buffet infantil e de graça, como convidadas.
Centenas de colunas de cimento, revestidas de borracha, pra que os pequenos não se machucassem. Dos adultos da história, pra tomar conta das crianças, nada do sr. Cebola ou da mãe da Mônica. Apenas funcionários mal-encarados, de má vontade, sem a menor paciência para organizar as filas e mais filas de crianças que nunca souberam o que é uma disputa de bafo. Um ou outro brinquedo em manutenção. Um cenário triste, deprimente. As crianças diziam adorar? Claro, não conheciam outro mundo senão aquele, do shopping-center. Aliás, cenário de estranhamento do Chico Bento num dos seus gibis. Viram como eu lia???
A comida da lanchonete jamais seria atraente nem pra comilona da Magali. Fast-food gordurento, hambúrgueres desarrumados, frios, batatas fritas banhadas no óleo, o que forçava a maioria das mães, colegas minhas, a levarem seus lanches de casa mesmo.
Voltei lá a contra-gosto, poucos anos depois, pra levar minha segunda filha, outra assídua leitora. Nunca mais voltamos, nunca tivemos vontade de.
O empresário brasileiro não sabe fazer parque temático, aliás não sabe se dar bem com parques, em geral, como nos EUA. Até o Hopi-Hari está indo pras cucuias, com um faturamento baixíssimo. O Playcenter está à beira da falência.
O Parque da Mônica ficaria muito melhor num local a céu aberto, com as árvores frutíferas do bairro do Limoeiro, quem sabe um riacho pras crianças brincarem de corrida de barco de papel, gangorras e poças de lama onde pudessem se sujar de verdade. Patrocínio de um famoso sabão em pó, que tal? Nada que um belo brinquedão de chafariz, com mangueiras, chamado "Banho do Cascão" não resolvesse depois. A casa da Mônica não pode ser uma casa-cenário, artificial, tem que ser uma casinha de verdade, com cheiro de bolo e a mãe na cozinha, de avental. O "Louco" tem que aparecer de vez em quando, pegando uma criança pela mão e aplicando um trava-línguas pra fazer pais e filhos rirem juntos, no meio do parque.
É esse o mundo da Mônica que as crianças querem ver, Maurício.
Se não, a gente vai até a banca mesmo e mergulha nos seus gibis e na sua interminável criatividade. Por isso não fique nem um pouco triste por sair daquele shopping. Você e nós merecemos coisa melhor.

sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010

Virose de verão


Criança com diarréia: encha o banheiro de revistinhas e coisas pro seu filho ler! Ao menos ele dá risada e fica bem informado.


Ontem minha filha Adriana, de 11 anos, entrou num quadro de febre e vômitos o dia todo.
O litoral paulista foi assolado por uma epidemia de virose, nas férias. Em algumas regiões, como o Guarujá, o quadro era de febre, enjôo e diarréia. Já no Litoral Norte, ao invés de diarréia as pessoas tinham vômitos.
O que lotou os hospitais locais, claro. E a rede dos municípios não deu conta, óbvio também.
Rádios e jornais tentaram descobrir junto às Prefeituras se era uma contaminação da água do mar, da água de torneira ou pessoa-a-pessoa. Nenhuma satisfação das autoridades até agora. Salve-se quem puder.
Como minha filha não esteve no litoral nas férias, mas voltou à escola há pouco tempo, convivendo com colegas que passaram as férias na praia, venho humildemente concluir que pode ser contaminação pessoa-a-pessoa.
Como evitar? Simples. Mantenha seu filho isolado numa bolha de plástico, sem contato algum com o mundo externo, nem com você mesma. Sabe aquele beijinho de bom-dia? Esqueça.
Impossível, não é? Quem resiste àquelas caras de anjinho que os filhos têm enquanto estão dormindo?
Então, jogue um barquinho pra Iemanjá, acenda uma vela e reze, reze muito pro seu pimpolho não pegar essa tranqueira.
Remédio? Muito líquido, comida leve, nada de fritura ou comer fora de casa e em último caso, hospital pra tomar soro na veia, com Dramin e glicose. Ninguém gosta de injeção - eu tenho pavor - mas pelo menos você, pai ou mãe ou tia ou avó, ficam mais tranquilos nesse Carnaval.

AACD 2 : retornos do SAC

Em post anterior eu havia reclamado do atendimento sofrível na AACD (Associação de Assistência à Criança Deficiente), aqui de São Paulo.
Quanto ao péssimo atendimento da recepcionista "muda" que sequer conversou comigo sobre o agendamento de exames, recebi telefonema muito gentil do SAC (Serviço de Atendimento ao Consumidor) da instituição. Sim, claro que no mesmo dia eu tinha ligado, reclamando. A funcionária agradeceu pela reclamação, disse que o comportamento da tal recepcionista foi completamente inadequado e que lhe seria chamada a atenção.
No dia em que levei minha filha para o devido exame, preenchi um daqueles formulários existentes em caixas de sugestões. Desci o verbo.
Ontem recebi mais um telefonema do SAC. A atendente mais uma vez agradeceu pelas queixas, disse que a questão da falta de cadeiras suficientes seria repassada ao setor de reformas estruturais e que a demora de quatro horas deveu-se à quebra de um dos equipamentos de radiografia. Disse ainda que as recepcionistas são orientadas a explicar aos pacientes sobre qualquer atraso, pra que pudéssemos optar entre esperar ou não.
Então se percebe que a boa vontade da direção é grande. Mas falta investimento em capital humano. Recepcionistas da AACD não podem dar atendimento precário, nem num consultório qualquer, muito menos alí.
A funcionária, ao telefone, disse ainda que meu formulário de reclamações era um dos poucos dentro da tal caixa.
Ou seja, ainda falta muito para o brasileiro sentir-se no direito de reclamar e apontar falhas de atendimento. No geral, aqueles pais e mães mantinham o ar resignado, como se a dificuldade de ter um filho com deficiência já lhes bastasse. Como se merecessem esperar por horas, em pé, sem nenhuma satisfação. Sugeri a eles que preenchessem também o formulário. A maioria deu de ombros e disse que não adiantava nada.
Acorda, povo brasileiro. Temos deveres, impostos sendo pagos e muitos direitos a reclamar. Embora a AACD seja uma instituição sem fins lucrativos, se ela está lá e se dispõe a atender as pessoas, precisa fazer bem-feito. Nenhum paciente vai lá para passear. Todos merecem um atendimento digno.

domingo, 7 de fevereiro de 2010

Adriana de Oliveira: inesquecível



Ela foi capa das principais revistas brasileiras no fim dos anos 80.
Ficou entre as 12 mulheres mais lindas do mundo na final do "Supermodel of the World" de 1989. No horário nobre, podia ser vista em comerciais de picolé da Kibon e da Pool.
Adriana de Oliveira fez e sempre fará parte das lembranças de toda um geração que enxergava algo além da beleza física. Ela era mais do que só uma menina linda. Porque ela tinha uma luz especial, que as pessoas, colegas, fotógrafos, percebiam e admiravam. Gisele Bundchen que me desculpe, mas não tem nem 10% do carisma que Adriana tinha. Num mundinho altamente competitivo, era uma menina com ética, justa, incapaz de passar por cima dos outros. Eu era uma jovem feiosa que parava tudo o que estivesse fazendo, só pra ve-la nos comerciais do horário nobre: "Que lindinha, puxa, eu queria ser assim..."
Gisele Bundchen? Que nada...Adriana dava de dez. Aquele sorriso brejeiro e encantador nunca mais existiu.
Em 27 de janeiro, completaram-se 20 anos de sua partida. Um nebuloso episódio cercado de perguntas sem resposta e companhias sem escrúpulos, que a deixaram agonizando em overdose por mais de 2 horas. Quanto vale uma vida? Valia muito naquele momento e deixaram escapar.
Ninguém foi punido, ante as evidências de tráfico de drogas e omissão de socorro.Como cidadã, indignei-me com a falta de competência da Polícia Civil, que sequer protegeu o local onde ela morreu e as evidências do crime de homícidio culposo. Como jornalista, me ressenti pelo fato de não ver colegas se empenhando nas investigações, deixando vários "buracos" na história toda. O papel do jornalista é esclarecer a opinião pública. Falhamos nesse caso. Falhamos seriamente.
País sem memória, fatalmente Adriana é hoje pouco lembrada.
A menina de família, orgulho de seus pais, meiga, simples, sensível, solidária, alegre, feições de anjo, encantou fotógrafos e toda uma legião de fãs. Sacrificou-se com profissionalismo e abnegação, trabalhou à exaustação, pra representar a beleza da mulher brasileira mundo afora. Se você é muito jovem e nunca ouviu falar dela, pesquise...procure fotos, textos, campanhas das quais ela participou e talvez entenda um pouco do que estou falando.
Adriana, para sempre, você ficará no coração de todos os que foram capazes de enxergar algo além de um simples rosto bonito.
Adri, você é inesquecível, para todos os que merecem lembrar de você. Fica com Deus, meu anjo.

sábado, 6 de fevereiro de 2010

AACD: boa, mas podia ser melhor.

Minha filha está com os pezinhos tortos e os joelhos se encontrando. Procurei ortopedistas, vários, até encontrar o doutor Pedro Ferraro, que ao contrário dos outros, se mostrou interessado no caso. Pediu alguns exames e meu convênio só era atendido por um local: AACD - Associação de Assistência à Criança Deficiente.
A entidade é de uma reputação irrepreensível aqui em São Paulo, quiçá no Brasil todo.
Campanhas na TV são deflagradas no mínimo duas vezes ao ano, solicitando doações para ampliar as instalações da instituição.
Mas com minha filha, recebi, de cara, a primeira informação por telefone: "O atendimento em exames é feito por ordem de chegada, senhora". Fui lá às 14 horas do dia 3. A recepcionista do setor "Diagnósticos" estava num papão animado com outras colegas, mal me deu boa tarde e estendeu a mão, sem olhar nos meus olhos, sem dirigir-me uma palavra sequer.
Entreguei-lhe o pedido médico. Ela escreveu num papel um horário: "Segunda à sexta, das 8:30 às 14 hs". E só. Eu tinha sido mal-informada pela precavida ligação anterior e mesmo assim não mereci nem um "Boa tarde".
Voltei com minha filha dois dias depois, às 8:30, conforme "gentil" orientação da funcionária. Perto de mim, uma mãe com um filho de mais de 1,60 m no colo, com paralisia cerebral. Não havia lugar para acomodar o menino. Pai com a filha em cadeira de rodas, ele em pé. Nada de cadeira para ele sentar. Mãe com o filho deficiente mental e físico, que se contorcia numa cadeira pra lá de desconfortável. Em pé. Pois não havia lugar para ela sentar. Finalmente um nada cavalheiro sentado ao lado dela foi chamado pelo médico e levantou-se, de modo que ela pudesse acomodar o menininho ao seu lado, apoiado no colo. Ah, a falta de gentileza e sensibilidade das pessoas me faz cair o queixo todo dia.
Muita gente em pé havia mais de 4 horas, esperando.
A AACD fica na Zona Sul, perto do aeroporto de Congonhas. Esses pais e mães, abnegados nos cuidados com seus filhos especiais, estavam alí desde as 6 da manhã. Vinham de Sorocaba, Cajamar, Guaratinguetá. As crianças com fome...nenhuma lanchonete próxima o bastante para livra-los de perder a vez na chamada. Comecei a me sentir mal...eu e minha filha, embora atendidas pelo convênio no único lugar possível, estávamos ocupando o lugar de alguém sem qualquer alternativa de assistência médica privada e com problemas físicos ou mentais sérios, que dependem de exames com frequência. Eu, a jornalista, comecei a conversar com os pais e já tava quase sacando meu bloquinho e minha caneta...Uma vez jornalista, sempre jornalista. Sempre a curiosidade aguçada, a indignação, o querer saber o porquê de tanto absurdo, acima do meu interesse pessoal e com o fim idealista de, simplesmente,com algumas vírgulas e pontos finais de um texto, conseguir mudar a vida daquela gente, nem que seja um pouquinho. Denunciando. Como agora, dizendo: "Péra aí, tem algo errado nisso tudo".
Dê uma volta pelas quadras, no entorno das ruas Pedro de Toledo e Ascendino Reis. Você verá os pontos de ônibus lotados com mães e seus filhos deficientes no colo ou em cadeira de rodas, à espera de transporte público. Eu gostaria de acompanhar o embarque e as dificuldade dessa gente toda ao voltar pra casa depois de mais uma consulta.
A AACD é uma entidade ilibada...vive de doações...Compreendo as dificuldades pelas quais passa, oferecendo um serviço que deveria ser disponibilizado pela rede pública.
Mas essas pessoas precisam de mais do que 3 ou 4 horas em pé, esperando pelo atendimento gratuito...Não é porque é gratuito que tem que ser indigno.
Merecem ao menos, mais sorrisos das recepcionistas. Mais respeito pelas suas dificuldades, seu cansaço, sua fome, seu sofrimento. A convivência diária com isso talvez torne alguns dirigentes da entidade mais frios, "acostumados" em tratar pessoas como números de senha que aparecem num painel.
Mas nosso mundo carece de humanidade; na mais pura definição da palavra.Um pouco mais de conforto e amabilidade a pacientes tão carentes de tudo, acho que as doações cobrem. Ou não? Carinho não depende de dinheiro.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida