terça-feira, 16 de fevereiro de 2010

Para Maurício de Sousa

Hoje é o último dia do Parque da Mônica no Shopping Eldorado, aqui em São Paulo.
Eu cresci lendo os gibis da turma do Maurício de Sousa e quando o parque foi aberto, há 17 anos, foi grande a minha expectativa. Só fui conhece-lo quando já era mãe, levando meu filho, quando ele tinha 6 anos.
Quem alguma vez sentou no chão com as pernas cruzadas lendo um gibi da Turma da Mônica, com certeza se viu num mundo que hoje não existe mais: crianças brincando na rua, de barquinhos na água da chuva das sarjetas, em balanços feitos de corda e madeira na árvore da praça, com bolinhas de gude disputando altos campeonatos, fazendo buraquinhos num chão de terra. Esse é o mundo do bairro do Limoeiro, que ainda está lá, ao alcance de qualquer um, em qualquer gibi à venda nas bancas.
Pois quando entrei no Parque da Mônica com o meu filho pela primeira vez, estranhei muito o cenário. Apesar dos personagens, pintados pra todos os lados na decoração, eu olhava pra cima e não via o céu sempre azul e o solzinho do Maurício: via as lâmpadas brancas, frias, fluorescentes no teto cinza do subsolo de um shopping. Em volta, não via árvores, muito menos um riacho. Banho de mangueira? Não, no máximo, na piscina de bolinha. Nada que as crianças não vejam em qualquer buffet infantil e de graça, como convidadas.
Centenas de colunas de cimento, revestidas de borracha, pra que os pequenos não se machucassem. Dos adultos da história, pra tomar conta das crianças, nada do sr. Cebola ou da mãe da Mônica. Apenas funcionários mal-encarados, de má vontade, sem a menor paciência para organizar as filas e mais filas de crianças que nunca souberam o que é uma disputa de bafo. Um ou outro brinquedo em manutenção. Um cenário triste, deprimente. As crianças diziam adorar? Claro, não conheciam outro mundo senão aquele, do shopping-center. Aliás, cenário de estranhamento do Chico Bento num dos seus gibis. Viram como eu lia???
A comida da lanchonete jamais seria atraente nem pra comilona da Magali. Fast-food gordurento, hambúrgueres desarrumados, frios, batatas fritas banhadas no óleo, o que forçava a maioria das mães, colegas minhas, a levarem seus lanches de casa mesmo.
Voltei lá a contra-gosto, poucos anos depois, pra levar minha segunda filha, outra assídua leitora. Nunca mais voltamos, nunca tivemos vontade de.
O empresário brasileiro não sabe fazer parque temático, aliás não sabe se dar bem com parques, em geral, como nos EUA. Até o Hopi-Hari está indo pras cucuias, com um faturamento baixíssimo. O Playcenter está à beira da falência.
O Parque da Mônica ficaria muito melhor num local a céu aberto, com as árvores frutíferas do bairro do Limoeiro, quem sabe um riacho pras crianças brincarem de corrida de barco de papel, gangorras e poças de lama onde pudessem se sujar de verdade. Patrocínio de um famoso sabão em pó, que tal? Nada que um belo brinquedão de chafariz, com mangueiras, chamado "Banho do Cascão" não resolvesse depois. A casa da Mônica não pode ser uma casa-cenário, artificial, tem que ser uma casinha de verdade, com cheiro de bolo e a mãe na cozinha, de avental. O "Louco" tem que aparecer de vez em quando, pegando uma criança pela mão e aplicando um trava-línguas pra fazer pais e filhos rirem juntos, no meio do parque.
É esse o mundo da Mônica que as crianças querem ver, Maurício.
Se não, a gente vai até a banca mesmo e mergulha nos seus gibis e na sua interminável criatividade. Por isso não fique nem um pouco triste por sair daquele shopping. Você e nós merecemos coisa melhor.

4 comentários:

Lucas disse...

Olha, tendo a discordar do que você falou.

O Hopi Hari está melhor do que nunca, esse vai trazer uma nova Montanha-Russa, está fazendo eventos como nunca... Não está com o faturamento nem um pouco baixo.

O Playcenter é o parque menos endividado, esse mês já até trouxe uma atração nova, não está e nunca esteve na bera da falência, pode ter passado por dificuldades mas nunca passou a possibilidade de falência. Fui semana passada no Playcenter e ele está em um estado muito bom. Pesquise antes de fazer uma postagem sobre assuntos que vocês desconhece.

;D

Paula Calloni disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Paula Calloni disse...

Caro Lucas, no caso do Hopi Hari, o faturamento pode não estar baixo, não há informações atuais sobre a queda de 12 a 15% na venda de ingressos que acontecia até 2 anos atrás. E o parque segue com uma dívida de R$ 800 milhões, que está sendo renegociada. Quanto ao Playcenter, só agora estão conseguindo reinvestir em uma ou outra atração nova, mesmo assim há uma pendenga com a Subprefeitura da Lapa que solicita a reintegração de uma grande área do parque. As fontes são Folha Online e UOL. A intenção do texto não é detonar suas atrações preferidas, rsrs. Só acho que São Paulo precisa de mais parques do tipo e com mais qualidade, a exemplo da Disney, Epcot, Universal, Sea World etc, nos EUA. Estes, eu conheço bem. Todo brasileiro devia ter a chance de conhecer ao menos uma vez, pra exigir a mesma excelência de serviço, de diversão e ainda usufruir dos milhares de empregos que estas diversões proporcionam.

PATRICIA disse...

Paula,
Concordo com quase tudo o que vc disse...
O Hopi Hari... o que me importa o faturamento deles... me importa o quanto eu gasto para ir até lá e ficar torrando naquelas filas sem fim... ah... existe a pobre opção de pagar o free pass... também pagar carissimo um copo de agua ou um lanche. ODEIOOOOOO!!!
O Playcenter... hahahaha... até eles usam as imagens de 1800 e faz tempo para nos convencer a reviver bons momentos... eram sim!!! hoje não são mais... fiiiiiiiiiiiilas enormes, crianças pulando as grades... nenhum controle... banheiros imundos...aff...
Ah, não precisei de pesquisa não... foi na prática!!!
O parque da Monica, embora no shopping era bem cuidado... ainda havia alguma coisa com ilusão e cultura... passear e dar de cara com os personagens até hj me emocionava... o lanche era ruim messsssmo (disso eu entendo pois sempre fui fã da Magali... rsrsrs)Gostava pois era coberto, livre de chuva / sol, os banheiros limpos e a manutenção deveria ser constante pois estava sempre bem pintadinho e limpo... queria uma versão sítio do chico bento e nhô Lau sim... mas por se tratar de Sampa estava ótimo. Esta é minha opinião de CONSUMIDORA... sentirei saudade de lá... bjssss

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida