domingo, 16 de maio de 2010

Virada cultural em família

Como bons pagantes de impostos da Prefeitura de São Paulo, fomos dar uma olhada na Virada Cultural que acontece na cidade agora.
Eu, meu marido e meus dois filhos, de 13 e 12 anos, chegamos à Praça Roosevelt às 18:40, horário já bem passado do noticiado pela mídia e pelo próprio site.
Debaixo do vão da praça, nenhuma luz nos estandes dos entusiastas da Era Medieval. Tudo bem...era a "Idade das Trevas", mesmo, não? Nada mais coerente.
E cadê os melhores pastéis da cidade? Alardeados durante toda a semana anterior, os pasteleiros COMEÇAVAM a montar as barracas às 18:30.
Venhamos e convenhamos...onde estariam essas barracas? Já que era pra premiar o pastel como a grande iguaria de São Paulo, o mínimo que elas mereciam era uma localização no mapa. Mas não...Porque paulistano sofre até na hora de achar um pastel decente. O prefeito já cortou uma hora e meia do prazo de um trabalhador filar um pastelzinho bem recheado...ok, não é saudável, mas o problema já não é meu, certo?
Enfim, de pastel, na Virada, nada. Montaram as barracas muito tarde e não eram mencionadas nos mapas.
Mas de adolescente empunhando garrafas de bebida destilada no meio da rua e entornando pelo gargalo, tava cheio. Já tem que chegar bêbado na festa? Porque não me ocorre outra intenção, a não ser a de ficar bêbado, a de quem compra uma garrafa de bebida alcóolica e sai tomando pelo gargalo, publicamente. Esse sujeito vai estar como, daqui a 2 horas?
Nessa hora, meus filhos foram meio "Sidartha Gautama". Saíram do seu palácio de conforto para enfrentar a dura realidade. Moradores de rua, jovens de classe média bêbados de Jurupinga...
Polícia, aos montes. Mais truculentos alí no Centro, do que na maioria das vezes.
Não deixou de ser interessante descer a pé a São João, interditada para veículos, atrás de algum som. Afinal, a cidade é nossa...e não dá pra criar filho em casulo.
Nunca tive vocação pra lagarta.
Embora deixar meus rebentos terem contato com a realidade me doa, profundamente...sei que eis a melhor escola que estou dando para eles, ao ver um ser humano catando comida no lixo ou um bebê perigosamente de frente pra fogueira aquecedora, no Centro.
Desta forma ensino aos meus filhos que nunca estão sós. Estão unidos, nas mazelas de todo o resto da humanidade. Irmãos. Na riqueza e na miséria.
Isso sim, é uma virada cultural, no seu espírito.

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Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida