segunda-feira, 28 de junho de 2010

Nenhum ser humano merece essa vida


A foto saiu embaçada, tanto quanto o futuro desse homem


O farol fechou e de longe avistei o mendigo com saco nas costas, roupas claras mas pretas de sujeira. "Não vou dar esmola, não vou alimentar o círculo vicioso de mais um morador de rua".
Mas quando ele chegou do lado do meu carro, eu fiz o que a gente nunca faz: olhei nos olhos dele.
E que olhos. Que olhos bonitos, cor de mel, boiando no meio do rosto sujo,barbudo e de longas cabeleiras...olhos arregalados, não de droga, mas de espanto. Era como se ele estivesse se perguntando o que fazia alí, enquanto me estendia a mão.
Suspirei. Ai...peguei a carteira. Também nunca se deve fazer isso num farol, medida de segurança - e se o cara me assalta?? Mas aqueles olhos...aqueles olhos não me deixaram pensar duas vezes em tirar a única nota de dinheiro que eu tinha. Dez reais.
Abri o vidro e dei. Os olhos arregalados se arregalaram mais ainda. Parecia que ele tava vendo uma nota de 50, não de dez. Provavelmente nunca ganhou tanto no farol. E de arregalamento, os olhos se fecharam, as sobrancelhas se franziram e ele sorriu, me olhando de lado. Tentou dizer alguma coisa, mas não conseguia falar.
Então num impulso, eu fiz o que a gente nunca faz: peguei na mão dele. Apertei bem forte aquela mão...a mão de um homem de vida azarada, inexplicável, sem sentido lógico - porque nenhum ser humano merece viver assim.
Já faz algum tempo, os moradores de rua estão mexendo comigo. Quero fazer alguma coisa, já tentei fazer alguma coisa, mas não consegui ajuda. Era uma família de um filho só, morando debaixo de um viaduto. Mas isso fica pra outro post.
Enquanto isso, dêem uma olhada no blog do Sebastião Nicomedis, ex-morador de rua, militante da causa, que virou escritor e autor de teatro.

sexta-feira, 25 de junho de 2010

Fechem o Congresso e votem em São Pedro!

Mais uma tragédia no Nordeste.
Mais uma vez governadores pondo a culpa na chuva.
Se eu pudesse fazer um apelo ao povo brasileiro - quem sou eu, mas vamos lá - seria esse: NÃO VOTEM EM NINGUÉM NESSAS ELEIÇÕES. VOTEM EM SÃO PEDRO, como forma de protesto.
Embora eu goste da Marina Silva e das propostas do PV, me incomoda sua posição retrógrada quanto a algumas questões como o aborto e o casamento gay.
Não adianta mais tapar o sol com a peneira e manter a sociedade refém de dogmas religiosos ultrapassados. A realidade tá aí pra quem quiser ver. E o Brasil tem que ser um Estado Laico.
Voltando às chuvas no Nordeste...as propostas ecológicas do Partido Verde me atraem, porque já estou cansada de observar imagens de regiões atingidas por enchentes e me pergunto: "O que esse povo tava fazendo alí? Como os governos e prefeituras ainda permitem que se ocupem os leitos dos rios indevidamente?"
Precisamos de um governo responsável ecologicamente. Comprometido com as questões ambientais. E eu só enxergo uma esperança disso no Partido Verde.
Como resolver as opiniões pessoais e retrógradas da Marina, motivadas pela sua opção religiosa, eu não sei.
Lula vai gastar o quíntuplo em verba para reconstruir as cidades devastadas, do que liberou antes para obras de contenção. Claro: distribuir verba pra prevenção NÃO APARECE na mídia. Sobrevoar a região de helicóptero chorando lágrimas de crocodilo, aparece.
Mas na hora do jogo, podem ter certeza: os senhores deputados, entre um pé-de-moleque e outro, nas suas bases eleitorais, vão tentar comprar uns votinhos às custas de alguns pares de tijolos, pra essas pessoas construírem casas no mesmo lugar de antes.
E o Lula, soprando uma vuvuzela aqui e alí, entre uma caipirinha e outra, vai continuar fazendo campanha deslavada pra Dilma. E os governadores, vestidos de verde e amarelo, vão continuar dando entrevistas culpando as chuvas.
Enquanto isso, você caro leitor pode levar suas doações ao posto de arrecadação mais próximo. COMO SEMPRE. Sempre sobrando para o povo brasileiro a solução da irresponsabilidade alheia.
Por isso que eu digo: pra quê Congresso Nacional? Pra quê eleições? Vamos votar em São Pedro de uma vez. Só ele pode fazer chover onde precisa e impedir que chova onde não pode!

sexta-feira, 11 de junho de 2010

TV em bares e restaurantes

Chegou a Copa e a gente não quer perder nenhum jogo do Brasil, certo?
Nessa hora é muito gostoso reunir amigos num bar ou restaurante, todo mundo fantasiado de patriota, curtindo a nossa seleção, mesmo sem o Ganso e o Neymar. Agora não adianta ficar se lamentando por não ser o time dos seus sonhos. É torcer ou torcer, senão você engasga com a feijoada.
Mas se tem coisa que não engulo, fora a conveniência da competição atual, é aparelho de TV em bar e restaurante. Que ela exista em bares temáticos do esporte, ainda vai.
Só que a febre se instalou em praticamente todos os comedouros e bebedouros de água-que-passarinho-não bebe da cidade. Sinceramente quando entro num lugar desses e vejo uma TV enorme ligada, tenho vontade de dar meia-volta e ir embora.
Você já tem que disputar a atenção do seu par e dos seus amigos com o celular, o que também é o fim da picada. Pior ainda é tentar falar com uma estátua de olhos esbugalhados em frente à TV pendurada na parede. Isso pra mim é coisa de muquifo de beira-de-estrada.
As pessoas saem juntas pra conversar, pra curtir, pra tomar um bom vinho ou vários chopps ou para ver TV?
E os donos desses lugares sequer têm bom senso. Outro dia jantei com a narração do crime de um maníaco esquartejador da zona norte. Fala sério...reclamei com o gerente.
Põe outra coisa no ar, né? Um aquário de peixes filmado ao vivo...a Orquestra Sinfônica Municipal...um musical tipo "Noviça Rebelde"...um show acústico. Qualquer coisa agradável que não seja o Datena chamando imagens urgentes do IML.
Querem saber de uma coisa? Eu não gosto de TV. Eu prefiro mil vezes um bom livro, um bom chá, bater papo com os amigos o ou meu par. Quando ele não tá com os olhos grudados no futebol.
Mas na TV de casa. E puxa vida, haja paciência, até pra isso também!
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida