sexta-feira, 3 de agosto de 2012

O telefone tocou, mas era engano.

Nove longas horas. Foi o tempo que esperei dentro de um centro espírita ontem, para tentar receber alguma notícia do meu pai, falecido de câncer, há três anos e meio. Frequentei uma instituição kardecista durante quatro anos, fazendo o curso básico do Evangelho e mais o de desenvolvimento de mediunidade. Depois que meu pai morreu, me afastei.
Mas alí estava eu. Pela primeira vez admitindo que papai já  não estava mais aqui e sim "lá", onde quer que seja esse "lá", tornando a Psicografia um dos nossos poucos meios de comunicação.
Sou uma pessoa de fé. Procurei um local de confiança, indicado, numa destas incríveis "coincidências", por um amigo.
No entanto agora, meu lado jornalista, no dever de informar,  se força a aparecer mais do que o da mulher de fé.
Casas espíritas como aquela de ontem, idôneas, só funcionam com base no trabalho de caridade. Nada é cobrado. Os médiuns estão alí se doando por amor. Nós, que as procuramos, temos algum direito de reclamar? Não. Só o olhar amororoso e a atenção da dirigente, uma senhorinha iluminada e caridosa,  já deixou meu coração tranquilo.
No entanto, quando li a mensagem, "recebida" por outra médium do local, simplesmente não havia nenhum traço do meu pai. Frustração? Sim, inevitável.
Decepção? Não. Acontece! A mediunidade é um dom comum a todos, em diferentes gêneros e graus. Cabe ao médium desenvolve-la, através da fé e dos estudos.
Muitas vezes, o médium, por vaidade, não quer assumir que não conseguiu estabelecer contato ou mesmo que o desencarnado não pôde estar presente. Ou, por outro lado, na ânsia de confortar quem chora e tendo desenvolvido pouco seu dom, confunde o que é pensamento seu (do médium) com o de um falecido. Prefiro pensar que este foi o caso, ontem.
Sou obrigada a ser fria e analítica: a mensagem abria com um "Princesinha!". Meu pai nunca me chamara assim...Outro conteúdo puramente doutrinário, familiar a quem já estudou um pouco a matéria: "Estou me recuperando e depois vou para uma escola". Nenhuma novidade. Se você tem necessidade de se confortar procurando a Psicografia, meu conselho é: procure ler um pouco sobre a crença espírita kardecista antes de ir. Por mais mínima que seja sua leitura. Assim você adquire parâmetros. Recomendo "Por trás do véu de Isis", de Marcel Souto Maior, jornalista que consegue, com maestria, ajudar o leitor a separar o joio do trigo, nesse misterioso mundo da comunicação com os mortos.
Conheci pessoas alí no centro, ontem, que deram exemplos realmente tocantes de mensagens, recebidas no mesmo local, por alguns médiuns; apelidos que só o morto conhecia; diálogos, palavras, sinais, datas, fatos detalhados, que só as partes envolvidas podiam saber.
Vim para casa com aquelas três folhas dobradas na bolsa, papéis que representam uma espécie de vazio. Arrependimento? Nenhum. Prefiro acreditar que valeu a pena, pelas pessoas que conheci, pelo conforto na recepção, por manter minha esperança acesa até o último minuto. E até depois...e até agora.
Pai, um dia a gente vai conseguir. Eu mantenho minha convicção, o senhor está vivo, mas como dizia Chico Xavier, o telefone só toca do lado "de lá". Ontem ele também tocou, para várias pessoas.
Pena que no meu caso, foi engano.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ei, psiu...preste atenção à sua volta...


Ela entrou no ônibus e o único lugar vago era o do lado de um rapaz, 23 anos, se tanto, falando ao celular. Tinha sido ensinada que não se escuta conversa alheia, ainda que pelo telefone; e ainda que em alto e bom som, pra todo mundo ouvir.
Aos poucos, descobriu que o moço tinha acabado de chegar de Criciúma - SC. Que tentava a vida na cidade grande, como cabeleireiro. E que conversava com o irmão,  ainda  na cidade natal, querendo vir para São Paulo e ser lutador de MMA.
E ela tinha seu  melhor amigo, indeciso...também querendo ser cabeleireiro. E os braços dela doíam, por causa da aula de kickboxing na noite anterior.
Pensou, não sem culpa, afinal, ouvia, sem querer,  aquela conversa do moço do lado. Pensou consigo:  “Puxa, a gente podia trocar umas boas idéias.”. Porque São Paulo ainda tem dessas coisas. Amizades improváveis acontecem. Gente que quer ajudar. E só.
Enquanto pensava nisso, o moço parou a conversa e olhou para ela:
- Com licença, o ponto final tá chegando?
- Ah, sim, daqui uns cinco minutos.
E ele voltou pro papo do celular.Incentivava o irmão. “Venha pra cá, tento achar uma boa academia pra você e quem sabe tu não entras em contato com o Anderson Silva!”
E a moça lembrando que o professor de kickboxing dela era amigo do Anderson.
Chegaram ao metrô. Ele entrou num vagão, ainda falando no celular. Ela entrou em outro, triste,  sem ter tido chance de puxar papo.
E evaporou no ar, a ocasião para o que podia ser  amizade...e quantas chances podemos estar perdendo. Observar mais em volta...ouvir, discretamente,  as histórias alheias.  Nunca se sabe onde, nem como, as portas vão se abrir.
 Porque  uma mão – ainda – lava  a outra. E porque a vida tece os fios do destino...mas , o carretel  onde o fio corre, é a gente que constrói.
 São Paulo, ainda, das gentes que chegam...São Paulo, ainda, da boa acolhida. De potenciais amizades desinteressadas...do sol nascendo teimoso, entre os espigões.

sábado, 21 de julho de 2012

Cuidado com os chazinhos!

- Menina, eu fui ao médico por causa de uma dor de estômago e olha quantos remédios ele me passou.
A moça despeja cinco caixas de comprimidos sobre o balcão da recepção do clube, conversando com a colega.
- E sabe quanto eu gastei?- continuou -  Mais de oitenta reais. Não tomo nem metade, porque esqueço. E esse amarelinho aqui, ó, ainda me dá tontura.
A cena aconteceu meses atrás, quando eu saia do treino de bike. Pensei nas aulas de Fitoterapia, que tive ao longo dos últimos dois anos, no meu curso de Naturopatia. Não resisti quando ouvi aquela conversa. Parei na catraca e anotei o nome de um chá. Entreguei à moça...ela nunca tinha ouvido falar de Espinheira Santa (Maytenus Ilicifolia). Gastei uns minutinhos explicando como fazer o chá. Pega-se um punhado das folhas secas, sobre elas despeja-se água quente. Abafa-se, com uma tampa, por 10 a 20 minutos. Toma-se ao longo do dia, respeitando-se a duração dos princípios ativos, que é de 6 horas.
A Espinheira Santa é comprovadamente eficiente para gastrites, hérnia de hiato e eliminação do Helicobater Pylori, bactéria que causa úlcera gástrica. Mas nem toda a classe médica tem interesse em divulgar isso, porque é preciso continuar dando lucro para a indústria farmacêutica.
A desinformação sobre ervas, suas indicações e contra-indicações ainda é imensa, num país como o Brasil, que muitas vezes acaba até perdendo a patente de muitos bons remédios fitoterápicos da nossa flora, por falta de verba nas pesquisas.
É comum a figura da velhinha na feira-livre, com sua barraquinha de ervas e chás, dando receitas para os fregueses. Algumas plantas realmente são de uso tão corriqueiro, conhecidas há anos, que não tem mesmo segredo. Erva-doce para flatulência, Erva-cidreira, que é calmante e também relaxante muscular (ah, essa você não sabia, né?), Guaco para expectoração de tosses com catarro. Dá pra confiar? Claro que dá.
Mas quando ouvi uma vendedora dizer que Barbatimão "só pode tomar um pouquinho", quase tive um ataque cardíaco. JAMAIS se toma chá de Barbatimão. Essa planta é rica em Tanino, aquela mesma substância que existe na banana verde e que "pega" na língua. Ela é secante, cicatrizante. O chá do Barbatimão é de uso EXTERNO, ótimo para ser aplicado sobre feridas abertas. Mas nunca tomado. Simplesmente porque pode causar EDEMA DE GLOTE, ou seja, a pessoa pode morrer sufocada. Outros, indicam o chá de Sene, para constipação intestinal. Mas o Sene é um péssimo laxante, porque age irritando o cólon e viciando o sistema digestório. Já o Plantago Psyllium, conhecido como Linhaça, é ótimo e não tem efeitos colaterais. Alecrim é um tempero maravilhoso, mas seu chá pode elevar a pressão arterial às alturas.
Então, vejam a gravidade da falta de informação.
Outro problema é comprar os chás, em saquinhos, vendidos nas barraquinhas de rua. Quem não tem conhecimento não sabe reconhecer a folha da Espinheira-santa, por exemplo. Achatada e cheia de espinhos nas bordas. Corre-se o sério risco de comprar gato por lebre. Placebo, na melhor das hipóteses.
Ou seja, por mais simpática que seja a tal velhinha da feira, limite-se aos chás de uso mais comum. Porque ela não tem condições de indicar os chás que você pode tomar e, pior, os chás que você NÃO PODE tomar. Informe-se com quem conhece...procure as boas lojas especializadas. Veja os links.
Porque aquele chazinho pode te ajudar muito, livra-lo de gastos desnecessários com medicamentos e até curar mais rápido do que eles. Mas também pode ter efeitos colaterais e contra-indicações.
Tenham critério. Entrem nos sites da Bomchá, onde sempre compro minhas ervas. No site há fotos e os vendedores de lá (fica na rua Tabatinguera, atrás da Sé) sabem o que estão vendendo. Outras orientações sobre ervas e terapias naturais, vale visitar o site Harmonia Natural, coordenado pelo meu mestre em Fitoterapia, Gilson Giombelli. Esse sim...sabe tudo de chás! Boa sorte!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ouro Preto vale a viagem!

Sempre que volto de uma viagem inesquecível levo um tempo para me adaptar de novo à velha Sampa. Tá acontecendo agora: ainda respiro o ar de Ouro Preto - MG, ainda sinto a brisa das montanhas soprando no rosto, e as ladeiras, ah, as ladeiras, cujas descidas são obrigatórias mas as subidas são opcionais! E como não subir? A menos que você se hospede numa das pousadas próximas ao centro, na praça Tiradentes, exercitar as coxas na topografia íngreme da cidade é um desafio a mais.
Fiquei na Pousada do Pilar, perto do centro, mas na parte baixa. A simpatia do dono ajudou a superar as falhas da hospedagem, na faixa dos R$ 120. Alguns quartos com banheiros sem box, cobertores ineficientes para essa época fria do ano, idem para as janelas. Leve pijamas de inverno. Há também uma belíssima opção: é o Pouso do Chico Rei, charmoso sobrado, antiquíssimo, perto do centro.
Atenção para os restaurantes por kilo: são vários pela cidade, mas os próximos da praça Tiradentes são uma roubada. Fuja do São Judas Tadeu, sujo e com péssima comida.
Boas opções são o Contos de Réis onde você pode provar os pratos típicos mineiros  com sabor e preço honesto e o Tudo a Kilo , o melhor no gênero e com preço ótimo, perto da prefeitura da cidade. No sistema a la carte e preços maiorzinhos, valem a pena o Casa do Ouvidor, um ambiente um pouco mais intimista, com luz indireta, rapidez no serviço e sabor excelente ou ainda a pizzaria e restaurante O Passo, onde comi um spaghetti ao molho de abóbora com carne seca que merecia subir uma ladeira de joelhos, de tão bom. O preço é meio salgado (R$ 36), mas a porção é muito bem servida e acompanhada de bananas grelhadas e uma cesta de pães artesanais.
Para você, amiga, que quer sair bonita na foto, marque horário nos salões de beleza com um dia de antecedência. Percebi que a média de tempo para uma escova é de 2 horas e meia e atendem dois clientes por dia. Pudera! Então, secador e kit esmalte são indispensáveis na mala. Dê um jeito você mesma, se não quiser perder tempo em salões.
Durante a semana, mesmo agora nas férias de julho, a maioria dos restaurantes fecha cedo. É grande a chance de você sair perambulando pelas ruas da cidade sem encontrar o que comer. Informe-se com o dono da pousada antes de enfrentar subidas e descidas no frio noite adentro.
Manter a forma em Ouro Preto? Impossível. Definitivamente não é uma cidade light. Minha dica é: não perca os torresminhos, nem os pães-de-queijo, nem os doces de leite. Diminua as quantidades, capriche na ingestão de fibras, tome bastante água e caminhe muito! As subidas e descidas ajudam a comer bem sem tanta culpa.
Lojas de artesanato local existem muitas e os preços não variam tanto. Observe a qualidade e pechinche. Negociar com mineiros é uma delícia uai, só de ouvir o sotaque, né mesmm?
Visitas imperdíveis: qualquer uma das minas locais. Conheci as da Passagem e a mina Jejé. É preciso conhecer o santuário Bom Jesus dos Matosinhos, onde estão os famosos profetas de Aleijadinho. Fica em Congonhas do Campo, a 1 hora e meia de Ouro Preto. A cidade é bem feia, mas o santuário rende fotos lindas. Muito bonito é o  Museu da Inconfidência, que abriga um enorme pedaço da forca onde Tiradentes perdeu a vida, documentos dos inconfidentes, roupas e mobiliários da época. O serviço de guias credenciados pela prefeitura é sempre bom, porque aprende-se o dobro.
Não deixe de visitar o museu Casa dos contos, gratuito, que abriga no subsolo uma senzala totalmente preservada, onde sentimos na pele o sofrimento dos negros escravos, seus instrumentos de trabalho e um bocado da nossa História.
Aliás, História, em Ouro Preto, está em todos os cantos, em cada cheiro, em cada sabor, em cada olhar, em cada imagem, em cada paralelepípedo, em cada janela, onde sempre há uma velhinha moradora, com tantas outras mil histórias pra contar.
Ouro Preto é daqueles lugares únicos, que entram pra sempre na memória e no coração.


Ah e ainda dá tempo de conferir o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, com oficinas de Arte, que acontece até dia 20 de julho. A programação completa você encontra AQUI.

sexta-feira, 29 de junho de 2012

Vivas ao querido Concierge, porque hoje é seu dia!





 - Nada melhor para homenagear o “Dia do Concierge”, comemorado hoje, do que contando a história de dois profissionais exemplares do setor: Vitor Santos  e Felipe Azevedo, do Sheraton WTC São Paulo.

Vítor Santos, de Salvador – BA,  formou-se em Química e até hoje guarda as fórmulas do Propilenoglycol na cabeça. Um gênio. O destino o levou ao trabalho em cruzeiros turísticos e daí nasceu sua paixão por viagens e conhecimento de culturas diferentes. “Foram 13 países, entre Itália, França, Turquia. Experiências apaixonantes, que me fizeram aprender sobre modos de vida diferentes e hoje só acrescentam ao meu trabalho.” De volta ao país, decidiu cursar Relações Internacionais. O Itamaraty faz parte de seus planos...no verdadeiro espírito do profissional que o mercado de Conciergerie espera; um indivíduo que não veja limites no seu aprimoramento cultural, profissional, de forma bem abrangente. Vítor quer mais...muito mais.
O menino Felipe Azevedo, também do Lounge Level, do Sheraton WTC – São Paulo,  não fica atrás.
Este é Felipe Azevedo, ao lado de Aline Passucci.


Com Vítor Santos, do Sheraton WTC - São Paulo

Sim, menino...Felipe tem vinte e poucos anos, mas muita ambição pela frente. Filho de um engenheiro da Scania, forçado, pelo trabalho, a se deslocar do país várias vezes, Felipe se viu na Suécia ainda pequeno, onde aprendeu quatro idiomas. “Fui com 9, 10 anos...em pouco tempo, aprendi a me deslocar de trem e organizar roteiros com os amigos. Percebi que tinha jeito pra coisa...turismo por trem, os melhores lugares pra visitar, as rotas conveniências individuais e em grupo...ter feeling ; pensei: poxa, sou bom nisso!” – Na volta, não deu outra...Felipe foi de encontro ao mundo da hotelaria e hoje, é um Concierge de primeira.
Querendo subir...alcançar um nível acima, primeiro de seu próprio desenvolvimento, técnico, cultural e pessoal, daí para a excelência, delicadeza  e perspicácia com os hóspedes, foi mera consequência.
Ser mais, além, do que você se acha capaz de ser. Não esperar nada em troca. Servir com excelência, na consciência pessoal de estar  indo um grau adiante,  do que a maioria...e sendo feliz, profissional e pessoalmente  por isso.
Eis a verdadeira arte da pura Conciergerie. Parabéns, Concierges! Nem sempre o agradecimento dos seus clientes será explícito...mas isto não abala vocês. Nunca. Pela simples busca da Arte DO BEM SERVIR.


 

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Concierge: quando servir é uma arte

No próximo dia 29 de junho comemora-se no Brasil o "Dia do Concierge", profissional conhecido no setor hoteleiro de alto padrão e que agora começa a ser visto também em hospitais, condomínios e até operadoras de cartão de crédito. Cabe a este profissional resolver, com prontidão e elegância, todas as demandas de um cliente; no caso dos hotéis, seja encomendando milhares de pétalas para decorar um quarto numa data especial, seja providenciando serviços odontológicos às duas da manhã para um hóspede aflito. Orientar o cliente sobre as atrações da cidade e prove-lo com toda a logística necessária a fim de que ele desfrute ao máximo sua estadia também está entre as múltiplas funções do Concierge. A data foi escolhida por coincidir com o dia de São Pedro, que pela tradição, é aquele que tem as chaves do céu. Pois os Concierges de alguns hotéis em São Paulo também ostentam um par de chaves douradas na lapela,simbolicamente, as chaves da cidade. Pelo menos, os que são reconhecidos pela excelência de seu trabalho, de acordo com os rígidos critérios da associação internacional Les Clef's d'Or. Em São Paulo, apenas 8 profissionais têm este reconhecimento oficial da entidade. A gerente-assistente de serviço ao hóspede do Sheraton WTC, Aline Passucci, é uma delas. No último sábado, 23 de junho, Aline abriu o 19o Encontro de Concierges em São Paulo, organizado pela "Lugadeli Concierge". O evento reuniu cerca de 25 profissionais de todo o Estado, provenientes das mais diversas áreas abrangidas pela profissão: hospitalar, hoteleira e de condomínios. "O objetivo dos nossos encontros, que acontecem mensalmente, é propagar a informação correta sobre o atendimento e a profissão de Concierge, promovendo a integração destes profissionais e a troca de experiências", explica Luciana Garcia Lima, diretora da Lugadeli. No Brasil, a Les Clef's d'Or só reconhece o título e concede o broche dourado das chaves aos profissionais atuantes no ramo hoteleiro. Nos EUA, a associação dos concierges é mais abrangente. "A atividade é relativamente nova no Brasil, não chega a ter 20 anos. Com estes encontros queremos mostrar as possibilidades de atuação desse profissional, conhecendo o mercado e nivelando-o, para que todos tenham a mesma elegância no atendimento, que é o que caracteriza o Concierge" - completa Luciana. Segundo Aline Passucci, o Concierge, dentro da hotelaria, por exemplo, é um profissional que precisa ter inúmeras habilidades: paciência, pensamento crítico, flexibilidade, competência organizacional e administrativa e capacidade de realizar tarefas múltiplas. Jogo de cintura para transitar entre os vários níveis hierárquicos também é imprescindível. Enfim, uma mistura de dom e técnica, exercidos com elegância e delicadeza.
Por isso, ser Concierge é uma arte. A maioria dos profissionais atuantes no mercado têm formação na área da Hotelaria ou de Relações Internacionais, mas há também cursos técnicos e empresas especializadas que dão o direcionamento para quem quer ingressar na profissão. Se você tem interesse em conhecer mais sobre Conciergerie e os próximos encontros, acesse "Lugadeli Concierge".

quinta-feira, 26 de abril de 2012

Lomi-lomi: Massagem Havaiana

Ir para o Havaí foi uma das experiências maravilhosas que tive na minha vida. Lá, recebi a massagem típica local, chamada de "Lomi-lomi". Na volta ao Brasil, numa destas coincidências que não são coincidências, surgiu a chance de fazer um curso, pouco tempo depois. Eu ainda estava imersa na cultura havaiana, completamente encantada com aquelas imagens, aqueles sons, aquele mar. Acho que é o tipo da experiência que fica gravada dentro da gente para sempre. Os grandes mestres, descendentes diretos dos Kahuna, são poucos, no Havaí. O conhecimento foi sendo passado oralmente e depois, com a morte dos mais velhos, se dispersou. Cursos de especialização acontecem todo ano na Nova Zelândia.
 Nesta massagem, utilizo o óleo de semente de uva, de absorção rápida, que deixa a pele macia sem que fique gordurosa. É o óleo mais utilizado nas terapias corporais, pois além de leve, é hidratante e contém vitamina E, que regenera os tecidos. Podemos associar óleos essenciais, como a Lavanda, o Capim-cidreira ou outro, seguindo indicações da Aromaterapia. O terapeuta aplica este óleo nas mãos e antebraços, propiciando movimentos contínuos e muito suaves, ritmados, como se fossem ONDAS por todo o corpo de quem recebe. Damos especial atenção à rotação de articulações, pois os havaianos acreditam que são nestes pontos que acontecem as estagnações de energia. Esta é uma terapia corporal transmitida milenarmente pelos antigos mestres Kahuna, que eram os curadores do mundo Polinésio, presentes na cultura ancestral havaiana. A massagem era um dos elementos de cura medicinal antiga, inserida na filosofia dos 7 princípios Huna, que são: IKE - Só existe uma verdade, aquela que você decide que seja, ou, o mundo é o que você pensa;  KALA - Não se deve dissociar o corpo do espírito, a integração entre estas duas coisas e o todo não tem limites; MAKIA - A energia segue o fluxo do pensamento ou preste atenção para que a energia flua nesse caminho; MANAWA - Quanto maior sua presença no agora, mais força você tem para superar crenças limitantes. O poder está no agora! ALOHA - Amar é estar feliz e abençoar o que nos faz feliz ou compartilhe alegria e afeição! MANA - Dê permissão a si mesmo e a força surgirá - todo o poder vem de dentro. PONO - A eficácia é a medida da verdade - quanto mais verdadeira é uma atitude, mais eficaz ela será! Com tais princípios em mente, o terapeuta foca no bem-estar, no relaxamento do cliente, ao mesmo tempo em que abre um canal que permite a conexão de quem recebe a massagem consigo mesmo, com o todo e com a divindade. Trata-se, portanto, de uma técnica sagrada e muito especial, trabalhando no físico e ao mesmo tempo no espírito de quem recebe e de quem aplica. A concentração do terapeuta tem que ser integral e a transmissão de energia se dá quase que intuitivamente, sem sequências rígidas. A palavra havaiana para saúde é OLA. A mesma palavra usada para VIDA. Afinal, não há vida sem saúde, nem saúde sem vida. Tive o privilégio de estar no Havaí e receber pela primeira vez a Lomi-lomi, há três anos. De volta, como nada acontece por acaso,surgiu a oportunidade do curso e iniciação em Lomi-lomi, que tenho o prazer de compartilhar com vocês, com atendimento domiciliar, inclusive nos finais-de-semana. Abaixo, meus contatos e um vídeo, caso você queira conhecer um pouco mais desta maravilhosa terapia corporal, que integra corpo, mente e alma. E PILI MAU NA POMAIKA Í ME ÓE - Que você tenha uma boa fortuna, que seus caminhos sejam abençoados - ALOHA!

 Paula Calloni  - atendimento a domicílio - Zona Sul - SP
998415-6009

domingo, 1 de abril de 2012

Quando o individual atropela o coletivo

Sinto no povo brasileiro uma tremenda dificuldade ao lidar com ambientes coletivos.
As pessoas não conseguem perceber e respeitar o limite alheio...parecem comportar-se como se estivessem sozinhas no mundo.
Um exemplo clássico é o trânsito. Pra dizer o mínimo, não se usa seta. Atitude que não só faz parte das regras de trânsito, como também demonstra consideração pelos outros motoristas e pelos pedestres. E quantos acidentes não poderiam ser evitados pelo simples acionar daquela coisinha móvel no lado direito do volante...custa?
Outro dia no hipermercado, uma pessoa empatou uma fila de 15 pessoas (no caixa rápido) por conta de uma frigideira para um ovo. Sabem, aquelas, fofinhas, pequenas. Mas, ora essa, não dá pra pensar que na fila tem gente com horário de trabalho, mães indo pegar filhos na escola e sabe-se lá quantos outros compromissos. Mas algumas pessoas simplesmente pensam: "Não é problema meu. Eu quero minha frigideira de um ovo, porque TÔ PAGANDO. Os outros que se danem".
Até num local onde supõe-se que as pessoas tenham um pouco mais de bom senso, sensibilidade...uma exposição de arte e cultura, por exemplo.
Ontem, estava eu no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) visitando exposição sobre a Índia. Eu estava encantada lendo a história de uma peça antiquíssima, quando, de repente, uma senhora se põe na minha frente, para ler a mesma coisa, interrompendo a minha leitura e obstruindo a minha visão do objeto. Assim, sem pedir licença, sem olhar pra trás. Não poderia ficar ao meu lado, a fim de que nós duas e mais pessoas pudéssemos contemplar a mesma coisa e desfrutar do mesmo momento sublime de apreciar uma obra de arte?
Vou a uma exposição para me enriquecer culturalmente, encher meus olhos,alimentar meu espírito. Esta é uma necessidade minha, um exercício meu...mas o espaço onde vou encontrar isso é coletivo e lá estão mais pessoas buscando a mesma experiência. Então eu tenho o direito de ser individualista? Acho que não. Porque ARTE não combina com individualismo!
Na sala seguinte, duas moças ultrapassaram a faixa no chão, delimitando a distância das peças e as tocavam, sem obedecer os avisos para não fazer isso.
Aí já resvalamos para outra questão, que é a falta de costume na convivência com o ambiente de exposições e museus. No momento em que o público em geral tiver mais acesso à cultura, a educação e a consciência sobre como comportar-se nesses locais também pode se ampliar.
Voltando ao ponto inicial...nosso povo tem muitas qualidades, mas este saber conviver em espaços públicos ainda deixa MUITO a desejar.
Quem vai educar um jovem a não ouvir funk no último volume ou a não sentar-se de pernas abertas num ônibus? Quem vai educar o homem de meia-idade para que não finja estar dormindo, só pra não dar lugar a um idoso que acaba de entrar no vagão do metrô? Quem, quem vai ensinar à jovem senhora da exposição de arte que não se interrompe a leitura nem se obstrui a visão de quem está do lado, apreciando a mesma obra?
Isso para não dizer do trânsito, onde além de mal-educados, colocamos vidas em risco ao sermos individualistas.
Não há super-heróis para nos salvar dessas situações...também temos receio de interpelar as pessoas ainda que com a máxima delicadeza, porque elas andam muito melindrosas e qualquer crítica pode soar grosseira.
Qual a solução então?

terça-feira, 27 de março de 2012

Primeira vez num centro de Umbanda

Um dia recebi convite pra conhecer um centro de Umbanda. O desconhecimento e a ignorância são caminhos fáceis para o medo tomar conta...e foi isso que senti. Medo. Acima de tudo...medo.
Mas a indicação era boa. Professor, terapeuta...me garantindo: "Vai, é do bem".
O que dá pra entender com esse "É do bem?" - ora...que pra quem acredita em Deus, o lugar é orientado com os princípios DELE...o Homi...o Todo-poderoso.
E lá fui eu pra uma cidade vizinha de São Paulo, Diadema.
A dirigente do lugar me pega pela mão...escuta meus queixumes, com aquela atenção que nós, povo urbano, procuramos em médicos e terapeutas por vezes ocupados demais, e não temos.
Lá fora, muita gente. Gente chorando, gente cabisbaixa, gente com problemas insondáveis. Querendo ajuda.
Uma orientadora local explica como tudo alí funciona...e enfatiza que nada é cobrado, não há interesse finaceiro, ao contrário de tantas outras pseudo-religiões.
Começa o rito. Tudo estranho pra mim...eu via rituais afro há 35 anos! Muito tempo. E nos meus olhos de criança, sempre fora um mistério.
Os trabalhadores do lugar,todos voluntários, vestidos de branco, rodopiam...rodopiam...batem os pés...cânticos atravessam a sala. Batuques. Muita fumaça da queima de ervas. É a defumação, segundo os que crêem, desmanchando quaisquer energias negativas.
No fundo da sala, um altar mistureba: tem Jesus Cristo, Nossa Senhora, São Cosme&Damião, um árabe de turbante. Vejo tudo com a incurável curiosidade de jornalista.Assim como observo, atentamente, pessoas girando e girando, suando pelo calor debaixo de suas respeitosas roupas brancas e colares coloridos, simbolizando sei lá o que...eu não entendia nada e quanto menos entendia, mais me encantava.
Os médiuns incorporam espíritos dos Pretos-velhos. Figuras de escravos idosos que vieram pro Brasil e aqui pereceram...ou os avós destes. Na Umbanda, pelo pouco que sei, os Pretos-velhos são pilares de sabedoria, figuras que entendem tudo de ervas e "soluções" simples na busca de bem-estar e comunhão com o Divino.
Meu nome está numa lista de convidados a "conversar" com um Preto-velho. Finalmente chega a minha vez.
O médium pega em minha mão...dá algumas baforadas de seu cachimbo (dizem que limpa as energias ruins). Receitas de reza...benzimentos. Estranhamente sinto tanto respeito por aquela figura, que obedeço.E mal tenho o que dizer.
Olhando pra trás, vejo pessoas tão mais aflitas do que eu, que nem me demoro muito.
O que trago pra casa, é cheiro de cachimbo e defumação de ervas nas roupas. E uma sensação de paz. De coisa boa. De ter experimentado uma manifestação religiosa secular e autêntica...onde japoneses, mulatos, brancos e negros, se unem, em algumas noites na semana, para ajudar o próximo a ser menos tenso e encarar seus problemas com paz de espírito e compaixão. Nessa cerimônia de sincretismo religioso, ricamente típico do nosso Brasil, o que testemunhei foi a mais pura caridade, a ajuda desinteressada.
E uma frase, da orientadora local, que baniu de vez todo o meu preconceito com as religiões afro:
"Religião que não respeita a religião alheia, não é religião. Porque os canais são diferentes, mas todos levam a Deus. Ele quer união, não divisão".
Me senti protegida, alí...não quer dizer que vou virar Umbadista...mas respeito, porque me acolheu, me senti bem, leve e acarinhada.
E somos todos filhos de Deus. Ou não?
Isso é Brasil.

quarta-feira, 21 de março de 2012

Mostra de Cinema Ambiental

Vai só até amanhã a mostra de cinema ambiental "Ecofalante", que em três salas da cidade traz documentários enfocando o Meio-ambiente. Os filmes foram divididos em 6 grupos temáticos: ativismo, povos e lugares, consumo, energia, água e mudanças climáticas. O festival acontece em três salas: Cine livraria Cultura, Cine Sabesp e MIS.
Como adoro documentários, fui conferir "Recife Frio",de Kleber Mendonça Filho e "A terra da lua partida", de Marcos Negrão e André Rangel, no Cine livraria Cultura, no último sábado.
Em "Recife frio", a impressionante mudança climática na cidade nordestina é de assustar...turistas estrangeiros chegam à cidade com suas indefectíveis camisas floridas esperando muito sol e céu azul...deparando com uma terra fria, cinzenta, cuja população se aglomera nos shoppings procurando abrigo do mau-tempo quase constante. Comer tapioca usando luvas de lã e cachecol deve ser muito estranho...
Já em "A terra da lua partida", Marcos Negrão nos mostra uma tribo de nômades do Himalaia, cujo patriarca decide sair da aldeia rumo à cidade mais próxima em busca de novos meios de sustentar a família. Um retrato duro e perturbador da consequência da mudança climática, que faz escassear os pastos e secar os rios.
Ao final da sessão, houve debate entre Marcos e a cineasta neo-zeolandesa Briar March, cujo filme "There once was an Island" trata da cada vez mais complicada luta pela sobrevivência dos moradores de uma pequena ilha na Nova Guiné.
Saí de lá certa de que precisamos divulgar esses filmes, resultado do esforço de seus diretores; eles, sempre numa luta quase insana de busca por recursos e às vezes tirando do próprio bolso para produzir meios de alertar a sociedade sobre o que estamos fazendo com o NOSSO PLANETA.
Não perca, são questões importantes para todos nós. Leve amigos, leve seus filhos e divulgue. Eu levei minha filha de 13 anos e ela adorou. Assim como o velho patriarca do Himalaia não sabia que existia uma terra chamada Brasil, ela também não sabia de uma aldeia de nômades, uma das últimas existentes, a ponto de se extinguir porque nós estamos poluindo a Terra a um ponto quase irreversível.
Marcos Negrão afirmou que em breve vai procurar meios de levar a projeção de sua obra ao maior número de pessoas possível. A neo-zeolandesa Briar, também. E pediram a todos nós, da platéia, que tentássemos fazer o mesmo, divulgando a mostra e comentando sobre os filmes, com nossos blogs e relações inter-pessoais.
A programação completa da mostra está nesse site:

http://www.ecofalante.org.br/mostra/programacao_s.php
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida