domingo, 1 de abril de 2012

Quando o individual atropela o coletivo

Sinto no povo brasileiro uma tremenda dificuldade ao lidar com ambientes coletivos.
As pessoas não conseguem perceber e respeitar o limite alheio...parecem comportar-se como se estivessem sozinhas no mundo.
Um exemplo clássico é o trânsito. Pra dizer o mínimo, não se usa seta. Atitude que não só faz parte das regras de trânsito, como também demonstra consideração pelos outros motoristas e pelos pedestres. E quantos acidentes não poderiam ser evitados pelo simples acionar daquela coisinha móvel no lado direito do volante...custa?
Outro dia no hipermercado, uma pessoa empatou uma fila de 15 pessoas (no caixa rápido) por conta de uma frigideira para um ovo. Sabem, aquelas, fofinhas, pequenas. Mas, ora essa, não dá pra pensar que na fila tem gente com horário de trabalho, mães indo pegar filhos na escola e sabe-se lá quantos outros compromissos. Mas algumas pessoas simplesmente pensam: "Não é problema meu. Eu quero minha frigideira de um ovo, porque TÔ PAGANDO. Os outros que se danem".
Até num local onde supõe-se que as pessoas tenham um pouco mais de bom senso, sensibilidade...uma exposição de arte e cultura, por exemplo.
Ontem, estava eu no CCBB (Centro Cultural Banco do Brasil) visitando exposição sobre a Índia. Eu estava encantada lendo a história de uma peça antiquíssima, quando, de repente, uma senhora se põe na minha frente, para ler a mesma coisa, interrompendo a minha leitura e obstruindo a minha visão do objeto. Assim, sem pedir licença, sem olhar pra trás. Não poderia ficar ao meu lado, a fim de que nós duas e mais pessoas pudéssemos contemplar a mesma coisa e desfrutar do mesmo momento sublime de apreciar uma obra de arte?
Vou a uma exposição para me enriquecer culturalmente, encher meus olhos,alimentar meu espírito. Esta é uma necessidade minha, um exercício meu...mas o espaço onde vou encontrar isso é coletivo e lá estão mais pessoas buscando a mesma experiência. Então eu tenho o direito de ser individualista? Acho que não. Porque ARTE não combina com individualismo!
Na sala seguinte, duas moças ultrapassaram a faixa no chão, delimitando a distância das peças e as tocavam, sem obedecer os avisos para não fazer isso.
Aí já resvalamos para outra questão, que é a falta de costume na convivência com o ambiente de exposições e museus. No momento em que o público em geral tiver mais acesso à cultura, a educação e a consciência sobre como comportar-se nesses locais também pode se ampliar.
Voltando ao ponto inicial...nosso povo tem muitas qualidades, mas este saber conviver em espaços públicos ainda deixa MUITO a desejar.
Quem vai educar um jovem a não ouvir funk no último volume ou a não sentar-se de pernas abertas num ônibus? Quem vai educar o homem de meia-idade para que não finja estar dormindo, só pra não dar lugar a um idoso que acaba de entrar no vagão do metrô? Quem, quem vai ensinar à jovem senhora da exposição de arte que não se interrompe a leitura nem se obstrui a visão de quem está do lado, apreciando a mesma obra?
Isso para não dizer do trânsito, onde além de mal-educados, colocamos vidas em risco ao sermos individualistas.
Não há super-heróis para nos salvar dessas situações...também temos receio de interpelar as pessoas ainda que com a máxima delicadeza, porque elas andam muito melindrosas e qualquer crítica pode soar grosseira.
Qual a solução então?

2 comentários:

PATRICIA disse...

Está cada dia pior... Semana passada eu estava na SALA DOS PROFESSORES elaborando provas e levantei por um minuto para pegar café e uma pessoa que se diz EDUCADORA empurrou todo meu material e sentou na mesa como se eu é que estivesse chegando agora na sala. Nem ao menos olhou na minha cara, pediu licença... nada! Para não perder a educação juntei meu material e deixei a sala. Tenho medo do futuro, cada dia mais...

Carla disse...

Faço sempre estas mesmas peguntas Paula, quem vai educar estes jovens se os pais não tem a menor educação? Creio que sejamos nós ao não permitirmos estes abusos. Bjs

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida