quinta-feira, 26 de julho de 2012

Ei, psiu...preste atenção à sua volta...


Ela entrou no ônibus e o único lugar vago era o do lado de um rapaz, 23 anos, se tanto, falando ao celular. Tinha sido ensinada que não se escuta conversa alheia, ainda que pelo telefone; e ainda que em alto e bom som, pra todo mundo ouvir.
Aos poucos, descobriu que o moço tinha acabado de chegar de Criciúma - SC. Que tentava a vida na cidade grande, como cabeleireiro. E que conversava com o irmão,  ainda  na cidade natal, querendo vir para São Paulo e ser lutador de MMA.
E ela tinha seu  melhor amigo, indeciso...também querendo ser cabeleireiro. E os braços dela doíam, por causa da aula de kickboxing na noite anterior.
Pensou, não sem culpa, afinal, ouvia, sem querer,  aquela conversa do moço do lado. Pensou consigo:  “Puxa, a gente podia trocar umas boas idéias.”. Porque São Paulo ainda tem dessas coisas. Amizades improváveis acontecem. Gente que quer ajudar. E só.
Enquanto pensava nisso, o moço parou a conversa e olhou para ela:
- Com licença, o ponto final tá chegando?
- Ah, sim, daqui uns cinco minutos.
E ele voltou pro papo do celular.Incentivava o irmão. “Venha pra cá, tento achar uma boa academia pra você e quem sabe tu não entras em contato com o Anderson Silva!”
E a moça lembrando que o professor de kickboxing dela era amigo do Anderson.
Chegaram ao metrô. Ele entrou num vagão, ainda falando no celular. Ela entrou em outro, triste,  sem ter tido chance de puxar papo.
E evaporou no ar, a ocasião para o que podia ser  amizade...e quantas chances podemos estar perdendo. Observar mais em volta...ouvir, discretamente,  as histórias alheias.  Nunca se sabe onde, nem como, as portas vão se abrir.
 Porque  uma mão – ainda – lava  a outra. E porque a vida tece os fios do destino...mas , o carretel  onde o fio corre, é a gente que constrói.
 São Paulo, ainda, das gentes que chegam...São Paulo, ainda, da boa acolhida. De potenciais amizades desinteressadas...do sol nascendo teimoso, entre os espigões.

sábado, 21 de julho de 2012

Cuidado com os chazinhos!

- Menina, eu fui ao médico por causa de uma dor de estômago e olha quantos remédios ele me passou.
A moça despeja cinco caixas de comprimidos sobre o balcão da recepção do clube, conversando com a colega.
- E sabe quanto eu gastei?- continuou -  Mais de oitenta reais. Não tomo nem metade, porque esqueço. E esse amarelinho aqui, ó, ainda me dá tontura.
A cena aconteceu meses atrás, quando eu saia do treino de bike. Pensei nas aulas de Fitoterapia, que tive ao longo dos últimos dois anos, no meu curso de Naturopatia. Não resisti quando ouvi aquela conversa. Parei na catraca e anotei o nome de um chá. Entreguei à moça...ela nunca tinha ouvido falar de Espinheira Santa (Maytenus Ilicifolia). Gastei uns minutinhos explicando como fazer o chá. Pega-se um punhado das folhas secas, sobre elas despeja-se água quente. Abafa-se, com uma tampa, por 10 a 20 minutos. Toma-se ao longo do dia, respeitando-se a duração dos princípios ativos, que é de 6 horas.
A Espinheira Santa é comprovadamente eficiente para gastrites, hérnia de hiato e eliminação do Helicobater Pylori, bactéria que causa úlcera gástrica. Mas nem toda a classe médica tem interesse em divulgar isso, porque é preciso continuar dando lucro para a indústria farmacêutica.
A desinformação sobre ervas, suas indicações e contra-indicações ainda é imensa, num país como o Brasil, que muitas vezes acaba até perdendo a patente de muitos bons remédios fitoterápicos da nossa flora, por falta de verba nas pesquisas.
É comum a figura da velhinha na feira-livre, com sua barraquinha de ervas e chás, dando receitas para os fregueses. Algumas plantas realmente são de uso tão corriqueiro, conhecidas há anos, que não tem mesmo segredo. Erva-doce para flatulência, Erva-cidreira, que é calmante e também relaxante muscular (ah, essa você não sabia, né?), Guaco para expectoração de tosses com catarro. Dá pra confiar? Claro que dá.
Mas quando ouvi uma vendedora dizer que Barbatimão "só pode tomar um pouquinho", quase tive um ataque cardíaco. JAMAIS se toma chá de Barbatimão. Essa planta é rica em Tanino, aquela mesma substância que existe na banana verde e que "pega" na língua. Ela é secante, cicatrizante. O chá do Barbatimão é de uso EXTERNO, ótimo para ser aplicado sobre feridas abertas. Mas nunca tomado. Simplesmente porque pode causar EDEMA DE GLOTE, ou seja, a pessoa pode morrer sufocada. Outros, indicam o chá de Sene, para constipação intestinal. Mas o Sene é um péssimo laxante, porque age irritando o cólon e viciando o sistema digestório. Já o Plantago Psyllium, conhecido como Linhaça, é ótimo e não tem efeitos colaterais. Alecrim é um tempero maravilhoso, mas seu chá pode elevar a pressão arterial às alturas.
Então, vejam a gravidade da falta de informação.
Outro problema é comprar os chás, em saquinhos, vendidos nas barraquinhas de rua. Quem não tem conhecimento não sabe reconhecer a folha da Espinheira-santa, por exemplo. Achatada e cheia de espinhos nas bordas. Corre-se o sério risco de comprar gato por lebre. Placebo, na melhor das hipóteses.
Ou seja, por mais simpática que seja a tal velhinha da feira, limite-se aos chás de uso mais comum. Porque ela não tem condições de indicar os chás que você pode tomar e, pior, os chás que você NÃO PODE tomar. Informe-se com quem conhece...procure as boas lojas especializadas. Veja os links.
Porque aquele chazinho pode te ajudar muito, livra-lo de gastos desnecessários com medicamentos e até curar mais rápido do que eles. Mas também pode ter efeitos colaterais e contra-indicações.
Tenham critério. Entrem nos sites da Bomchá, onde sempre compro minhas ervas. No site há fotos e os vendedores de lá (fica na rua Tabatinguera, atrás da Sé) sabem o que estão vendendo. Outras orientações sobre ervas e terapias naturais, vale visitar o site Harmonia Natural, coordenado pelo meu mestre em Fitoterapia, Gilson Giombelli. Esse sim...sabe tudo de chás! Boa sorte!

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Ouro Preto vale a viagem!

Sempre que volto de uma viagem inesquecível levo um tempo para me adaptar de novo à velha Sampa. Tá acontecendo agora: ainda respiro o ar de Ouro Preto - MG, ainda sinto a brisa das montanhas soprando no rosto, e as ladeiras, ah, as ladeiras, cujas descidas são obrigatórias mas as subidas são opcionais! E como não subir? A menos que você se hospede numa das pousadas próximas ao centro, na praça Tiradentes, exercitar as coxas na topografia íngreme da cidade é um desafio a mais.
Fiquei na Pousada do Pilar, perto do centro, mas na parte baixa. A simpatia do dono ajudou a superar as falhas da hospedagem, na faixa dos R$ 120. Alguns quartos com banheiros sem box, cobertores ineficientes para essa época fria do ano, idem para as janelas. Leve pijamas de inverno. Há também uma belíssima opção: é o Pouso do Chico Rei, charmoso sobrado, antiquíssimo, perto do centro.
Atenção para os restaurantes por kilo: são vários pela cidade, mas os próximos da praça Tiradentes são uma roubada. Fuja do São Judas Tadeu, sujo e com péssima comida.
Boas opções são o Contos de Réis onde você pode provar os pratos típicos mineiros  com sabor e preço honesto e o Tudo a Kilo , o melhor no gênero e com preço ótimo, perto da prefeitura da cidade. No sistema a la carte e preços maiorzinhos, valem a pena o Casa do Ouvidor, um ambiente um pouco mais intimista, com luz indireta, rapidez no serviço e sabor excelente ou ainda a pizzaria e restaurante O Passo, onde comi um spaghetti ao molho de abóbora com carne seca que merecia subir uma ladeira de joelhos, de tão bom. O preço é meio salgado (R$ 36), mas a porção é muito bem servida e acompanhada de bananas grelhadas e uma cesta de pães artesanais.
Para você, amiga, que quer sair bonita na foto, marque horário nos salões de beleza com um dia de antecedência. Percebi que a média de tempo para uma escova é de 2 horas e meia e atendem dois clientes por dia. Pudera! Então, secador e kit esmalte são indispensáveis na mala. Dê um jeito você mesma, se não quiser perder tempo em salões.
Durante a semana, mesmo agora nas férias de julho, a maioria dos restaurantes fecha cedo. É grande a chance de você sair perambulando pelas ruas da cidade sem encontrar o que comer. Informe-se com o dono da pousada antes de enfrentar subidas e descidas no frio noite adentro.
Manter a forma em Ouro Preto? Impossível. Definitivamente não é uma cidade light. Minha dica é: não perca os torresminhos, nem os pães-de-queijo, nem os doces de leite. Diminua as quantidades, capriche na ingestão de fibras, tome bastante água e caminhe muito! As subidas e descidas ajudam a comer bem sem tanta culpa.
Lojas de artesanato local existem muitas e os preços não variam tanto. Observe a qualidade e pechinche. Negociar com mineiros é uma delícia uai, só de ouvir o sotaque, né mesmm?
Visitas imperdíveis: qualquer uma das minas locais. Conheci as da Passagem e a mina Jejé. É preciso conhecer o santuário Bom Jesus dos Matosinhos, onde estão os famosos profetas de Aleijadinho. Fica em Congonhas do Campo, a 1 hora e meia de Ouro Preto. A cidade é bem feia, mas o santuário rende fotos lindas. Muito bonito é o  Museu da Inconfidência, que abriga um enorme pedaço da forca onde Tiradentes perdeu a vida, documentos dos inconfidentes, roupas e mobiliários da época. O serviço de guias credenciados pela prefeitura é sempre bom, porque aprende-se o dobro.
Não deixe de visitar o museu Casa dos contos, gratuito, que abriga no subsolo uma senzala totalmente preservada, onde sentimos na pele o sofrimento dos negros escravos, seus instrumentos de trabalho e um bocado da nossa História.
Aliás, História, em Ouro Preto, está em todos os cantos, em cada cheiro, em cada sabor, em cada olhar, em cada imagem, em cada paralelepípedo, em cada janela, onde sempre há uma velhinha moradora, com tantas outras mil histórias pra contar.
Ouro Preto é daqueles lugares únicos, que entram pra sempre na memória e no coração.


Ah e ainda dá tempo de conferir o Festival de Inverno de Ouro Preto e Mariana, com oficinas de Arte, que acontece até dia 20 de julho. A programação completa você encontra AQUI.
Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida