quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

A moça triste da loja de doces

Sabe quando você inventa de fazer alguma coisa doce, gostosa, na cozinha? E precisa daquelas coisinhas que não se encontra em qualquer supermercado? Corantes, confeitos, tinta dourada para pintar biscoitos ou gotas de chocolate em pacote? Sem falar nos doces, alguns antigos, de quitanda, que sempre fizeram as festas dos meus filhos e emagreceram a minha carteira a cada ida.
Pois é, aqui na minha rua há uma loja assim. Uma portinha, pequena, onde você acha de tudo. E nem o fato de não ter onde estacionar podia ser desculpa, afinal, eu posso ir a pé.
Mas uma coisa me bloqueia na hora de ir até lá. É a cara permanente de tristeza da dona da loja. Não há nenhum outro funcionário simpático para compensar tamanho baixo astral da mulher.
Como alguém que trabalha numa loja de doces pode ser tão triste e mal-humorada? Como uma pessoa, sentada por oito horas,  em seu próprio negócio, num bairro concorrido, com tudo aquilo em volta: chocolates, bolos, jujubas, laços de enfeite, caixas bonitas e crianças ávidas por uma guloseima pode se dar ao luxo de ser triste? Cada vez que olho para ela, fico me perguntando que história difícil ela pode ter...um casamento ruim, uma mãe doente, uma perda fatal, oh céus, o que será? E deveria perguntar? E deveria pegar um daqueles doces de abóbora em forma de coração, da prateleira,  mostrar a ela que ser feliz é possível?
Dizer-lhe: "Você já experimentou uma paçoquinha dessas? Faz tão bem à alma! Tenta, vai?" - será que adiantaria?
Ah...suspiro, quase ficando triste junto com ela.
E assim vejo, em muitas outras lojas, com muitas outras coisas legais no entorno - estar empregado já não é uma benção? -  vendedores e balconistas mal-preparados, mal-humorados, preconceituosos, tristes ou indiferentes, de má-vontade, que parecem estar nos fazendo um favor.
Torço para que, nesse ano, os lojistas atentem para a importância do sorriso sincero de seus vendedores.
 
Quanto à moça triste da loja de doces, espero um dia decifrar o enigma do seu desânimo. E conseguir mostrar a maravilha que uma Maria-mole de vez em quando é capaz de fazer por ela.



(O desenho acima é do artista Leyr, de São Gonçalo - RJ )

Um comentário:

camiseta disse...

Parabens pela estrutura e conteudo de seu blog, estou compartilhando aqui, Forte abraço Willian camiseta<a href="

Por um olhar mais atento aos pequenos detalhes da vida